→ 03/07/2006 @18:06

Mundial 2006: Portugal-Inglaterra

Eu sou um ganda medricas. Suportei durante duas horas de absoluto desespero e ansiedade um jogo de merda, feio e monótono, afogado em copos de sangria e rios de cigarros – mas depois não aguentei e dei à sola.
Quando chegámos aos penaltis pensei Foda-se, já chega de sofrimento.
Pirei-me de casa e voltei as costas ao jogo.
Perto de casa existe um descampado mais ou menos isolado – o mais longe possível da civilização – e foi para lá que eu fui. Se algum de vocês mora em São João do Estoril e viu um gajo a andar de um lado para o outro feito parvo num caminho de terra batida, bem, já sabem, esse gajo era eu.
Fiquei por ali a sofrer em silêncio, tentando fixar o olhar num moinho em ruínas situado mesmo à beira da estradita. O que me estava a faltar naquela altura era o juízo e o bom senso: qualquer vitória desportiva de Portugal tem tanto significado para o progresso do país como as investidas de D. Quixote contra os moinhos de vento.
Mas ali estava eu, maribando-me para a minha razão, sempre à espera de um sinal qualquer, gritos, buzinas, qualquer coisa que me dissesse que aquela merda tinha acabado – para o bem ou para o mal – e que o meu país, interrompido durante duas horas por motivos futebolísticos e publicitários, ia seguir dentro de momentos com as novelas e os orçamentos habituais.
Estão a ver aquele anúncio da TMN com um gajo agarrado ao telemóvel a saber os resultados de um jogo de futebol? Foi assim que fiquei quando soube por SMS que o Ricardo (ex-frangueiro e actual melhor guarda-redes do mundo) era agora o D. Sebastião da baliza e que Portugal (o tal país que está na cauda da Europa) mandara os bifes para casa com o rabo entre as pernas. E lá regressei aos pulos louco de felicidade pela nossas vitórias e conquistas quixotescas. Sofrer assim por causa do futebol deixa-me fodido.
Porque, afinal de contas, uma simples bica já custa quase 200 paus e eu não quero saber disso para nada, só me apetece ouvir buzinas, ver bandeiras portuguesas a esvoaçar ao vento e gozar com os ingleses. E com os franceses. E os alemães. Ou os italianos. Bolas…