Porque não escreves sobre o tema do momento, a pirataria! A dizer que és contra claro!
António Campos
Façam férias longe do televisor. E se não for possível ficar longe do televisor, ao menos não sintonizem a MTV. Se gostam mesmo de música, é muito possível que fiquem deprimidos.
Experimentem ver o VH1 Classic durante alguns minutos. Este canal passa sobretudo os grandes êxitos comerciais das décadas de 70 e 80. Porque será que as canções nos parecem tão datadas? Por uma razão muito simples: porque são tão artísticas como esquentadores ou frigoríficos. Daqui a cinco, dez anos, as pastilhas elásticas musicais que os artistas mastigam serão tão obsoletas como as do VH1 Classic.
Aliás, a MTV é um canal onde não se comem pastilhas apenas com a boca: vejam a forma como tipas como a Shakira e a Beyoncé se movem nos videoclips: parece-me óbvio que elas também mastigam pastilhas elásticas com o rabo.
Música? Que se foda a música. A MTV é uma das responsáveis pelo facto de a maior parte das pessoas ter deixado de ouvir música com os ouvidos. A música ‘ouve-se’ sobretudo com os olhos. Só assim se explica a ascensão dos medíocres e o silenciamento dos verdadeiros músicos.
O que detesto verdadeiramente é este rap burguês e parolo que domina a programação dos canais «musicais». Os videoclips são uma mera ostentação do poder do dinheiro, de gajas boas atraídas por esse poder e dos maneirismos irritantes de sempre – tentem encontrar um rapper que não repita sempre os mesmos gestos com uma mão enquanto, com a outra, aconchega um colhão novo-rico: na MTV, é quase impossível.
Não admira que a indústria dos discos esteja a atacar em força. A pirataria na Internet não significa apenas a violação dos direitos de autor, que é obviamente ilegal, mas a perda de controlo sobre a forma através da qual os seus produtos são difundidos.
Porque razão estão tão empenhadas em dar caça aos trackers? Porque na Internet é possível provar-se as pastilhas elásticas que as editoras e os músicos nos querem vender como música: mastiga-se, prova-se e deita-se fora, em vez de engolir.
O que essas indústrias verdadeiramente receiam é um ambiente onde a Informação se sobrepõe ao Marketing. Sacas a música e ouves; se gostas, podes até comprar o CD; se não gostas, não compras. A troca livre de ficheiros proporciona uma liberdade de escolha sem intermediários, onde a música é avaliada apenas pela música e não pelo ruído publicitário. Mas quem realmente conseguirá saborear uma pastilha elástica a não ser durante breves minutos? O download de músicas é ilegal, mas também revela a verdadeira motivação das editoras: tudo pelo dinheiro, nada pelos músicos. Defende-se um modelo de negócio prejudicial aos músicos e a quem ama a música nem que para tal seja preciso mandar a arte à merda. Não é isso que eles fazem desde sempre? Então de que se queixam se as pessoas os mandarem à merda também?






























14 comentários
Já sentia saudades dos teus post, até pensei que te tivesse acontecido alguma coisa!
E muitos dos músicos conhecidos hoje em dia só têm que agradecer à troca de musicas ilegal na internet, porque talvez se não fosse isso não chegavam onde estão hoje.
Acredito que quem é bom sempre é recompensado, mas a verdade é que neste caso a “pirataria” sempre dá um empurrãozinho.
Concordo quando dizes que é tudo uma questão de interesses das indústrias, elas não defendem a arte, defendem o dinheiro que vão ganhar nada mais.
Cumprimentos,
e para eles-Vão pra merda!
Parece que me leste a mente, porque o texto quase todo é um reflexo da minha opinião sobre esse canal e a “música” que ele toca. Só não concordo quando dizes que as pessoas sacam as músicas da net e depois, se gostarem, compram o CD.
Acho que, quem saca da net, é com intenção de ter as músicas e não comprar o CD ou DVD. Fica bem mais barato pagar a mensalidade de acesso à internet, que comprar 2CDs. Se os utilizadores ao menos comprassem o CD se gostassem, acho que esta caça à partilha de ficheiros online não estaria assim.
“Aliás, a MTV é um canal onde não se comem pastilhas apenas com a boca: vejam a forma como tipas como a Shakira e a Beyoncé se movem nos videoclips: parece-me óbvio que elas também mastigam pastilhas elásticas com o rabo.”
Genial.
Também há as rádios q seguem a mesma linha (radio cidade). Intervenções merdosas e pimbas exemplo de hj:
Um chinês teve um acidente e percorreu cerca de 1km sem uma perna” Comentario da locutora entre risos histéricos: Imaginem se fosse a cabeça!!
Tz, porque raio estavas a ouvir a radio cidade?:P
sem duvida um dos melhores textos publicados no blog
Façam como eu, e deixem de ver TV (incluindo MTV).
Há um an que estou livre.
E já agora caro amigo, fala da TVI, que é isso que me dá mais prazer rir do que da MTV!
Rui
“A MTV é uma das responsáveis pelo facto de a maior parte das pessoas ter deixado de ouvir música com os ouvidos” Hummmm, é interessante esta tua teoria já que a música está e sempre esteve (e sempre vai estar com certeza) ligada à imagem. Poderá haver um exagero hoje em dia, mas não se pode negar que qualquer banda faz uso da imagem. Só que na música pop, o efeito é mais denunciador! Por exemplo, uma das bandas que insaciávelmente é consideranda uma das melhores são os U2. E vejamos…aquele boné do Bono é o quê?! Mas ninguem diz que U2 é imagem! Quando vemos determinados cd’s de música, podemo-nos deparar com os seguintes cenários: um cd com um livro todo bonito, com as letras todas, todo colorido e ponposo e outro, com uma capa até meia rasgada, inestética e a soar a amadorismo. Ora, se se escolher o bonitinho diz-se que se é influenciado pela imagem… e o cd “patinho feito” não será também uma imagem de marca?! Ao o escolhermos não estaremos também a ser influenciados pela imagem?! Isto tudo para dizer que a imagem é indissociável da música, e o que acontece na música pop é que, repito, o efeito é mais denunciador.
http://frequenciajovem.blogspot.com
Frequência Jovem
Parece que aquilo que eu disse é suficientemente claro: critico a supremacia da imagem na música – só isso, mais nada. Criticar não significa o mesmo que dizer que música e imagem são separadas. Até porque a música é capaz de criar imagens na nossa cabeça, não achas?
A Arte ( neste caso musica) nunca será propriedade de um contracto. É livre de vaguear pelas mãos , neste caso ouvidos de quem lhe apetecer. Falo da musica e nao das pessoas…
Quanto à MTV é sinónimo de tesão condicionado…
É complicado discernir quando a imagem se sobrepõe à música. Pessoalmente, não sou um dos maiores detractores da música pop, mas também não aprecio particularmente! Contudo parece-me injusto que se aliem os gostos musicais, a críticas de qualidade. Isto tudo porque é interessante verificar como ainda há muita gente ( e não me refiro a ti, pois não falas disso no teu texto), que apenas considera MÚSICA o estilo rock! E isso é que eu contesto, rock é mais um estilo, como o é o pop, e quer se goste mais ou menos é apenas um estilo diferente, que também faz muito uso da imagem, de forma, obviamente, diferente da música pop (direccionada a um público distinto)! Eu não discordei da tua crítica, e até coaduno com alguns pontos: a ideia do negócio sobreposto à arte, os maneirismos… mas não podes é generalizar, pondo tudo no mesmo saco. Ou pelo menos não deves…
Frequência Jovem
Frequência Jovem, tudo bem. Não generalizei. Até dei três exemplos: Shakira, Beyoncé e os rappers comerciais e merdosos da MTV.
Olha, navega um bocadinho pelas categorias Música e FotoMúsica e vais ver que para mim definir ‘estilos’ para a música só serve para arrumar melhor os CDs numa prateleira. Para mim só há dois tipos de música: a que gosto e a que não gosto.
“mastiga-se, prova-se e deita-se fora, em vez de engolir.”
Faz lembrar um slogan que em tempos propus à associação de defesa do consumidor (mais ou menos) com a qual colaborei:
“Não engulas, cospe”.
Estranhamento, foi rejeitado