Um dia, nas Reflexões, fiz um artigo que imitava o Consultório do Bits & Bytes. Simulei a dúvida duma leitora que se chamava Margarida Rebelo Pinto e que me pedia que lhe aconselhasse um programa que escrevesse um livro, de forma automática. Aconselhei na altura um programa freeware, com um assistente muito simples, que permitia escrever a obra em três passos simples. No seguimento do artigo uma das leitoras habituais perguntou-me que livros tinha eu lido da senhora para fazer aquele comentário.
Fiquei à rasca. Era verdade, nunca me tinha dedicado à Margarida. Respondi que a utilização do nome era motivada pelo que ouvi dizer, o que me colocou numa situação delicada. Eis quando o meu salvador aconselhou todos os participantes naquela tertúlia a visitar o Esplanar, sítio maravilhosamente escrito, e a ler o artigo que o autor, João Pedro George (JPG), escrevera acerca da referida senhora (o artigo foi retirado dos arquivos). Alguém se tinha sacrificado por todos nós. Isto passou-se há coisa de um ano, um pouco menos.
Dizia o autor, nesse artigo, entre outras considerações acerca da verve (ou falta dela) da escritora, que se tinha deparado com uma situação curiosa: a Margarida copiava parágrafos inteiros de uns livros para os outros. Depois o autor exemplificava com transcrições na íntegra desse auto-plágio. Foi uma revelação. E a maior surpresa é que a cópia era exacta: em vários livros repetiam-se os mesmos parágrafos, páginas inteiras. Era um artigo impressionante, extenso mas que não maçava, uma descoberta constante. Era tão bom que deu livro.
O livro chama-se Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto e é, neste momento, objecto de uma providência cautelar (para proibir a sua comercialização) por parte da senhora Pinto e da Oficina das Letras, a editora da escrevinhadora. Acusam o George de ter usado, sem o consentimento da senhora, citações extensas dos livros publicados. Diz a advogada da Sra. Pinto que 50% do livro do JPG são transcrições não autorizadas.
O disparate está a tomar proporções dramáticas: um claro ataque à livre expressão, até porque as citações servem apenas o propósito de demonstrar, para que não restem dúvidas, a opinião do autor.
Sinto-me incomodado com isto. Parece-me que a Sra. Pinto e a sua Editora querem silenciar uma crítica honesta, verdadeira e bem escrita. Pensei que tínhamos já passado por esse tempo e que não nos tinha deixado saudades. O facto é que a Sra. Pinto se copia a ela mesmo, o que faz com que quem tenha lido um dos seus livros, leu-os a todos. Isto não é crime nenhum, há mais autores medíocres a serem publicados. O que não se pode querer é ser imune à crítica. Eu também digo como o JPG: esta senhora é um caso mental. Agora processem-me.
Adenda do Marco
Se os livros de Margarida Rebelo Pinto – que eu nunca li – são assim tão pobres e desinteressantes, não me parece que a crítica de João Pedro George seja dirigida a quem gosta de literatura. Não me vejo a comprar um livro que fala sobre os segredos literários de uma autora que não me interessa, mesmo que um dos segredos seja o famoso auto-plágio. E daí? Uma vez que a autora se copia apenas a ela própria, e não aos outros, o próprio livro de João Pedro George – que também não li – é apenas uma obrazita de acompanhamento dirigida a quem lê Margarida. Não é por acaso que, como salientou um comentador, a FNAC coloca os dois livros lado a lado nos escaparates. Isto é de uma lógica comercial inatacável – e é dessa lógica que ambos se alimentam, autora e crítico. A não ser que João Pedro George se veja como um guru da literatura cuja missão na vida é iluminar as pobres cabecinhas dos leitores da Rebelo – hipótese inverosímil, reconheço, dada as múltiplas intervenções críticas de JPG no universo literário português.
Não conheço as motivações de João Pedro George, mas talvez tenha considerado o sucesso de Margarida Rebelo Pinto tão injusto que se irritou, tratando então de lhe desmontar a escrita. Fê-lo no seu blogue, e com brio e sucesso entre os cibernautas. Pessoas na minha lista de contactos do Messenger mantiveram o link para o Esplanar junto ao respectivo nickname durante muitos dias. Alguém terá farejado a blogosfera e considerado que um assunto tão quente como este devia vender bem. Eventualmente terá aliciado JPG com a proposta mágica que tal fazer disso um livro? Por isso, até compreendo quando a Rebelo lhe vai ao pelo, acusando-o de deitar cá para fora um livro em que 50 por cento do que está escrito provém dos livros da própria – e que João Pedro George está a querer vender à conta do sucesso alheio. Que se divirtam os dois, estamos num país livre. Por mim, e com jeitinho, o assunto Margarida Rebelo Pinto/João Pedro George dava para um sketch do Gato Fedorento.






























Um comentário
achei este artigo interessantisimo
primeiro pk a priencipio comecei a ficar mto xateada com vc k falava de algo k n conhecia
segundo gostava mto do que “supostamente” a escritora Margarida Rebelo Pinto escrevia
e em ultimo lugar mto obrigado por ter trazido alguma clareza a fãs mais desprovidos do claro plágio daquela que é considerada escritora revitalizante portuguesa…
espero que continues a trazer coisas importantes á tona, pk para o mais distraido dos leitores(no meu caso) a internet é mto mais disposta descobertas
bj continua assim que o teu site esta fixe