



Este «artista e activista» americano utiliza também a mesma técnica de «pontilhismo» para criar representações visuais da sociedade consumista. É o caso do trabalho «Bonecas Barbie», também de 2008, onde são usadas 32 mil Barbies para formar a imagem inicial, 32 mil bonecas, leram bem, tantas quanto as cirurgias efectuadas nos Estados Unidos em 2006 para aumentar os peitos. Existe um conjunto extraordinário de imagens a descobrir: um esqueleto formado por maços de cigarro ou latas de refrigerantes que formam uma imitação do quadro Domingo à tarde na Grande Jatte, homenagem de Jordan à obra iconográfica da pintura moderna realizada em 1884 por Georges Seurat, «o pai» do «movimento pontilhista».



Exemplos dos magníficos trabalhos de Jordan – «In Katrina’s Wake: Portraits of Loss from an Unnatural Disaster», «Intolerable Beauty: Portraits of American Mass Consumption» e o mais recente «Running the Numbers: An American Self-Portrait» podem ser vistos em pormenor no site oficial do artista.
(1) A técnica de agrupar minúsculos pontos coloridos numa ordem específica de forma a criar uma imagem consistente ao observador não teria sido possível sem as novas percepções dos pintores impressionistas, para quem as cores deviam ser justapostas e não misturadas.
Partindo dos ensinamentos do Impressionismo, o químico francês Michel Chevreul postulou então a lei do contraste simultâneo das cores, um estudo sobre a percepção das cores em simultaneidade. Este trabalho influenciou outro pintor, Georges Seurat, considerado o iniciador de uma corrente artística denominada «divisionismo» ou «pontilhismo».
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3 comentários
Só tenho duas palavras: Fan tástico.
Não, a sério, os trabalhos são absolutamente geniais! E devem ter dado um trabalhão a realizar.
Quando li a primeira página do post, fiquei logo rendido. E quando vi as imagens, fiquei de queixo caído – e ainda estou à procura dele, porque parece que ter rebolado para qualquer lado.
Bem, agora vou explorar o site do artista.
Os pontilhistas captavam a imagem antes de esta ser automaticamente racionalizada e construída numa percepção.
Desvelavam assim a verdadeira realidade que seria composta por ínfimos pontos imperceptíveis (aposto que já andavam a falar do átomo, eh eh).
Aquilo que me fascinou é que decerto a ironia de “desvelar a realidade” não passou despercebida a Jordan quando se inspirou no pontilhismo, até porque pensando bem ele acaba por fazer o inverso do pontilhismo: a essência da realidade revela-se na imagem composta, enquanto que a ilusão é representada por milhares de objectos-ponto.
Exactamente, Daniel. O trabalho da Constituição Americana é um exemplo perfeito do que acabaste de dizer.