



Fotos: AFP/Eitan Abramovich
Um camião desgovernado embate num mini-autocarro, o mini-autocarro despista-se e atropela várias pessoas que passam numa rua de Petionville, nos subúrbios de Port-au-Prince: um morto (uma jovem mulher) e dezenas de feridos, alguns com muita gravidade. Estas fotos foram tiradas quinze minutos antes das duas da tarde de hoje.
O Haiti voltou à normalidade, ou seja, à mais absurda das misérias. O terramoto apenas deitou por terra habitações que nunca deviam ter sido construídas para albergar seres humanos: casotas pobres, frágeis e velhas.
Enquanto os últimos enviados especiais fazem as malas para regressar aos seus países de origem e as luzes da ribalta se vão definhando, o que resta de autoridade oficial no país devastado, um primeiro-ministro na CNN, Jean-Max Bellerive, divulgava os últimos números da catástrofe: mais de 212 mil mortos, 300 mil feridos, pelo menos dois milhões de pessoas sem casa.
À catástrofe natural e social no país, junta-se agora a catástrofe já existente antes do terramoto: o Haiti deve ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao Banco Mundial e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento um total de 651 milhões de dólares, ou seja, 473 milhões de euros. Se somarmos o que deve aos países individualmente, chegamos à astronómica quantia de 1,2 mil milhões de dólares, 873 milhões de euros. Uma dívida impossível de pagar hoje, amanhã ou em 2015, data proposta para recomeçar o pagamento.
94 membros da Câmara de Representantes, democratas e republicanos, enviaram uma carta ao secretário do Tesouro, Tim Geither, pedindo «o completo cancelamento da dívida do Haiti com as instituições financeiras multilaterais e a entrega de assistência ao Haiti na forma de doações para que o país não acumule dívidas adicionais». Representantes do FMI, do Banco Mundial e do Banco Interamericano já afirmaram que essa é uma possibilidade a ser considerada.
Tendo em conta a devastação no Haiti e a impossibilidade de reconstruir o país sem pedir mais dinheiro, é provável que a anulação da dívida seja mesmo a única possibilidade a considerar. Resta saber qual será o preço a pagar por tamanha generosidade bancária.






























2 comentários
Junto um link para uma excelente infografia sobre o Haiti:
http://awesome.good.is/transparency/usersubmissions/haiti/schwartzman/
Incrível como o azar assola aquele país…