


Faltavam sete minutos para as cinco da tarde de ontem (21.53 em Lisboa) quando se deu um sismo de magnitude 7,0 graus na escala de Ritcher a 15 quilómetros da capital do Haiti, Port-au-Prince. O pior dos últimos 200 anos na região.
«Quando o terramoto nos atingiu, demorei muitos segundos a processar o que estava a acontecer. A casa abanava para a frente a para trás de uma forma que eu nem consigo descrever. Parecia falso. Parecia um filme. As coisas caiam por toda a casa. Era como se o mundo estivesse a acabar. Não sei por que razão a minha casa se manteve de pé e os meus filhos estão neste momento a dormir nas suas camas. Desafia a lógica saber que as minhas crianças foram poupadas enquanto centenas de outras não.»
Tara Livesay, uma norte-americana a viver com o marido e os filhos no Haiti, descreve assim a experiência vivida quando o terramoto a atingiu. Esta família teve sorte: testemunhos recolhidos por várias fontes falam de um número indeterminado de mortos e de «corpos espalhados pelas ruas da capital», fortemente atingida. Outros dizem mais ou menos o mesmo, mas trocam «espalhados» por «empilhados».
O Haiti é um dos países mais pobres do mundo: 80 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza (dois dólares por dia) ou em estado de pobreza extrema (menos de um dólar por dia). O país partilha a ilha Hispaniola nas Caraíbas com a República Dominicana, a menos de 80 quilómetros de Cuba e a cerca de 1000 quilómetros de Miami, nos Estados Unidos.
Não se sabe o número de mortos (nota: as últimas notícias referem números díspares: de 100 a 500 mil), mas dos cerca de 9 milhões de habitantes do país, sabe-se que pelo menos três milhões – cálculos da Cruz Vermelha Internacional – foram directamente atingidos.
Parte do palácio presidencial foi abaixo, muitos edifícios públicos também. O maior supermercado do país, um prédio de quatro andares, ruiu por completo – e estava em funcionamento quando a terra começou a tremer. O único hospital que oferece cuidados cirúrgicos gratuitos no Haiti, o Trinité, ficou muito danificado, segundo informações da organização Médicos Sem Fronteiras, o que dificulta a assistência às vítimas. Muitos feridos vagueiam pelas ruas, sem saber o que fazer.
«Não conheço povo mais forte do que o povo do Haiti», escreve Tara no blogue, em outro post.
O Haiti esteve sob domínio espanhol até 1697, depois francês, e tornou-se na primeira república negra independente em 1804, na sequência da derrota do corpo expedicionário francês. Formaram guerrilhas contra uma força de ocupação americana, entre 1915 e 1934. Aguentaram uma ditadura durante mais de 30 anos. Golpes de Estado. Insurreições armadas. 9000 capacetes azuis e polícias internacionais tentam estabilizar a situação desde Junho de 2004, enquanto o país é dirigido por um governo de transição. Sim, são fortes.












































5 comentários
Infelizmente a natureza continua a fornecer estas catástrofes. Não basta o mal que o homem já infringe a si próprio. Força nessa recuperação!
off:
Marco, desististe do slideshow?
E podemos ajudar… com donativos a instituições como
http://doctorswithoutborders.org/donate/
ou
http://american.redcross.org/site/PageServer?pagename=ntld_main
ou
http://www.pih.org/home.html
Marco,
a destruição que o Haiti sofreu, e cuja dimensão ainda desconhecemos, pelo menos em termos de mortos e feridos – deveu-se sobretudo à fraca qualidade da construção das habitações. E a desgraça teria sido bem maior, caso o terramoto tivesse acontecido à noite, quando todos estivessem a dormir. O mais assustador é pensar que todos nós estamos sujeitos a sorte idêntica, ou pior.
.
Fora deste contexto, fica a nota da surpresa que tive sobre as alterações à navegação neste blogue. Gosto. Está tudo arrumado em gavetas, o que permite – espero – a fácil consulta dos conteúdos. Saliento só um ponto. Hoje vim dar aqui através do RSS Feed, e entrei directamente no post. Nesse momento, confesso ter andado perdido por não descobrir algo que dissesse HOME ou algo do género. Sugeria-te que colocasses esse link junto aos restantes no topo. A forma de chegar à página principal será através do link [Você está aqui: Principal » qualquer coisa], e esse, na minha opinião, está muito escondido ou é muito pequeno. De resto, gostei.
Falho redondamente ao tentar conceber justificação para isto. É tão injusto, tão cruel, que não se encaixa comigo. É demasiado agressivo, ver tanta destruição, em tanto milhar de pessoas, que apenas tentam viver.
“Infelizmente a natureza continua a fornecer estas catástrofes.” de Hélder Pinheiro.
“Falho redondamente ao tentar conceber justificação para isto.” de Mestre Slip.
Dias atrás, em menor proporção obviamente, ocorreu o mesmo em Angra dos Reis (BR).
As explicações não tem caráter metafíco! Não é a ‘Natureza’ que produz a ‘catástrofe’ e sim a natureza ‘Humana’, que insiste em negar o óbvio. Enquanto o homem tentar compreender estas questões se colocando como o ‘centro’ das mesmas, irá continuar lamentando-se. É isto!