→ 13/01/2010 @16:02

Haiti: notícias do país dos fortes

Terramoto no Haiti

Terramoto no HaitiTerramoto no Haiti

Faltavam sete minutos para as cinco da tarde de ontem (21.53 em Lisboa) quando se deu um sismo de magnitude 7,0 graus na escala de Ritcher a 15 quilómetros da capital do Haiti, Port-au-Prince. O pior dos últimos 200 anos na região.

«Quando o terramoto nos atingiu, demorei muitos segundos a processar o que estava a acontecer. A casa abanava para a frente a para trás de uma forma que eu nem consigo descrever. Parecia falso. Parecia um filme. As coisas caiam por toda a casa. Era como se o mundo estivesse a acabar. Não sei por que razão a minha casa se manteve de pé e os meus filhos estão neste momento a dormir nas suas camas. Desafia a lógica saber que as minhas crianças foram poupadas enquanto centenas de outras não.»

Tara Livesay, uma norte-americana a viver com o marido e os filhos no Haiti, descreve assim a experiência vivida quando o terramoto a atingiu. Esta família teve sorte: testemunhos recolhidos por várias fontes falam de um número indeterminado de mortos e de «corpos espalhados pelas ruas da capital», fortemente atingida. Outros dizem mais ou menos o mesmo, mas trocam «espalhados» por «empilhados».

O Haiti é um dos países mais pobres do mundo: 80 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza (dois dólares por dia) ou em estado de pobreza extrema (menos de um dólar por dia). O país partilha a ilha Hispaniola nas Caraíbas com a República Dominicana, a menos de 80 quilómetros de Cuba e a cerca de 1000 quilómetros de Miami, nos Estados Unidos.

Não se sabe o número de mortos (nota: as últimas notícias referem números díspares: de 100 a 500 mil), mas dos cerca de 9 milhões de habitantes do país, sabe-se que pelo menos três milhões – cálculos da Cruz Vermelha Internacional – foram directamente atingidos.

Parte do palácio presidencial foi abaixo, muitos edifícios públicos também. O maior supermercado do país, um prédio de quatro andares, ruiu por completo – e estava em funcionamento quando a terra começou a tremer. O único hospital que oferece cuidados cirúrgicos gratuitos no Haiti, o Trinité, ficou muito danificado, segundo informações da organização Médicos Sem Fronteiras, o que dificulta a assistência às vítimas. Muitos feridos vagueiam pelas ruas, sem saber o que fazer.

«Não conheço povo mais forte do que o povo do Haiti», escreve Tara no blogue, em outro post.

O Haiti esteve sob domínio espanhol até 1697, depois francês, e tornou-se na primeira república negra independente em 1804, na sequência da derrota do corpo expedicionário francês. Formaram guerrilhas contra uma força de ocupação americana, entre 1915 e 1934. Aguentaram uma ditadura durante mais de 30 anos. Golpes de Estado. Insurreições armadas. 9000 capacetes azuis e polícias internacionais tentam estabilizar a situação desde Junho de 2004, enquanto o país é dirigido por um governo de transição. Sim, são fortes.

Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

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Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

Terramoto no Haiti

5 comentários

  • 1
    com Firefox 3.5.6 Firefox 3.5.6 em Fedora 12 x64 Fedora 12 x64
    13 de Janeiro de 2010 - 16:53 | Link permamente

    Infelizmente a natureza continua a fornecer estas catástrofes. Não basta o mal que o homem já infringe a si próprio. Força nessa recuperação!

    off:
    Marco, desististe do slideshow?

  • 2
    com Firefox 3.5.7 Firefox 3.5.7 em Windows XP Windows XP
    13 de Janeiro de 2010 - 19:12 | Link permamente

    E podemos ajudar… com donativos a instituições como
    http://doctorswithoutborders.org/donate/
    ou
    http://american.redcross.org/site/PageServer?pagename=ntld_main
    ou
    http://www.pih.org/home.html

  • 3
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows Vista Windows Vista
    13 de Janeiro de 2010 - 21:56 | Link permamente

    Marco,
    a destruição que o Haiti sofreu, e cuja dimensão ainda desconhecemos, pelo menos em termos de mortos e feridos – deveu-se sobretudo à fraca qualidade da construção das habitações. E a desgraça teria sido bem maior, caso o terramoto tivesse acontecido à noite, quando todos estivessem a dormir. O mais assustador é pensar que todos nós estamos sujeitos a sorte idêntica, ou pior.
    .
    Fora deste contexto, fica a nota da surpresa que tive sobre as alterações à navegação neste blogue. Gosto. Está tudo arrumado em gavetas, o que permite – espero – a fácil consulta dos conteúdos. Saliento só um ponto. Hoje vim dar aqui através do RSS Feed, e entrei directamente no post. Nesse momento, confesso ter andado perdido por não descobrir algo que dissesse HOME ou algo do género. Sugeria-te que colocasses esse link junto aos restantes no topo. A forma de chegar à página principal será através do link [Você está aqui: Principal » qualquer coisa], e esse, na minha opinião, está muito escondido ou é muito pequeno. De resto, gostei.

  • 4
    Mestre Slip
    com Firefox 3.5.7 Firefox 3.5.7 em Windows 7 Windows 7
    13 de Janeiro de 2010 - 23:14 | Link permamente

    Falho redondamente ao tentar conceber justificação para isto. É tão injusto, tão cruel, que não se encaixa comigo. É demasiado agressivo, ver tanta destruição, em tanto milhar de pessoas, que apenas tentam viver.

  • 5
    Lu Parhan
    com Safari 4.0.4 Safari 4.0.4 em Windows 7 Windows 7
    14 de Janeiro de 2010 - 14:21 | Link permamente

    “Infelizmente a natureza continua a fornecer estas catástrofes.” de Hélder Pinheiro.
    “Falho redondamente ao tentar conceber justificação para isto.” de Mestre Slip.
    Dias atrás, em menor proporção obviamente, ocorreu o mesmo em Angra dos Reis (BR).
    As explicações não tem caráter metafíco! Não é a ‘Natureza’ que produz a ‘catástrofe’ e sim a natureza ‘Humana’, que insiste em negar o óbvio. Enquanto o homem tentar compreender estas questões se colocando como o ‘centro’ das mesmas, irá continuar lamentando-se. É isto!