→ 05/02/2007 @19:48

Fiel ou Infiel em versão Informática

Sempre que alguém me pede uma cópia pirata do Microsoft Office, passo-lhe o OpenOffice para as mãos. Se me pedem o Photoshop, mostro-lhes o Gimp. Qualquer oportunidade para divulgar software Open Source deve ser aproveitada.
Uso a ferramenta Nlite para fazer uma instalação personalizada do Windows. Por personalizada quero dizer livre de toda a tralha que nos é impingida, incluindo o Windows Media Player, Internet Explorer ou Messenger. Para todos estes programas existem alternativas livres: VideoLAN, Firefox ou Gaim.
Instalar o Windows sem o IE e mesmo a base HTML do Explorer tem numerosas vantagens, mas também inconvenientes: no decorrer das minhas experiências, descobri que nenhum dos principais anti-vírus do mercado pode ser instalado se o browser da Microsoft não estiver presente no sistema. Não estou qualificado para discutir os aspectos técnicos dessa impossibilidade, mas não consigo perceber porque razão uma aplicação que actua ao nível do kernel necessita de um simples browser para funcionar. Deve haver marosca, não é?
A explicação nada tem a ver com a informática: sendo o Windows um sistema inseguro e instável, as empresas anti-vírus encaravam a Microsoft não apenas como um parceiro, mas como um cúmplice. Só pela cumplicidade aceito que um anti-vírus obrigue um utilizador a ter instalado um browser inseguro e obsoleto.
Esta relação obscena entre a Microsoft e os principais fabricantes de anti-vírus já teve melhores dias – e é aqui que eu começo a rir e pensar para mim próprio: «É bem feita!»
A razão é simples: como a Microsoft já tem a sua própria solução de anti-vírus, anti-spyware e firewall – Live OneCare – o acesso privilegiado a determinadas informações do kernel do Windows Vista já não está a ser concedido aos fabricantes concorrentes.
Acabou-se a mama, meninos. A Microsoft já não vai jogar ao berlinde convosco: prepara-se para abafar tudo. Não me digam que nunca tinham reparado que estas atitudes costumam acontecer lá para aqueles lados quando se deseja eliminar a concorrência?
Aos beijinhos cúmplices sucedem-se os arrufos, as recriminações e as queixinhas. Em múltiplas intervenções públicas nos últimos meses, os mesmos fabricantes que andaram de braço dado com a Microsoft trocando segredos e confidências, não perdem agora uma oportunidade para denunciar as falhas do Vista. Paulo Silva, Director Técnico da Panda Software Portugal, já chegou a escrever crónicas nas quais malhava forte e feito na Microsoft, no Internet Explorer e no Office. O mesmo Paulo aconselhava a malta do Windows, ó ironia do destino, ó surpresa das surpresas, a optar por alternativas livres e de maior qualidade como o OpenOffice ou o Firefox.
Encontrar a moral desta história é mais difícil do que descobrir as minhas meias quando me levanto de manhã.