O meu computador de vez em quando passa-se.
Ontem saiu-se com esta:
– Tenho conhecido mulheres que só têm garganta mas nunca vi o Garganta Funda. Sacas-me isso da Net?
Fiquei surpreendido. Garganta Funda é o título de um filme porno-chique dos anos 70.
– Azimov, que se passa contigo?
– Nada! Talvez não tenhas compreendido muito bem.
– A pornografia é um bocado deprimente. Glorifica o grau zero da nudez, isto é, o puramente carnal e masturbatório, a nudez vestida com carne de mulher.
– Chiça.
– É verdade, Azimov.
– Estava a pensar em como transformar o que disseste numa regra que a firewall entenda. Não fiques com essa cara! Eu andei a navegar por aí, sabes? Sou um computador vivido.
– Andaste? Sem a minha autorização?
– Até um computador se impacienta. Fartei-me de passar a noite toda verificando aqueles downloads intermináveis que tu me mandas fazer. Andei a ver blogues e, quase por acaso, descobri um post no Controversa Maresia a cascar forte e feio nos homens – um sub-género masculino ao qual ela chama os desinteressados pelas mulheres.
– Os monges?
– Não, não.
– Os maricas, pronto, já percebi.
– Nada disso. Os que ela menciona são heterossexuais. Parece que se irritou porque esteve a falar durante uma hora com um gajo que não fez outra coisa senão falar-lhe de presunções legais e nem por uma vez lhe olhou de fugida para o decote, para as mãos ou para o cabelo.
– O que são presunções legais?
– Não faço ideia.
– Se calhar o gajo era advogado.
– Um advogado presunçoso? Estou a ver. E durante essa hora ele nunca manifestou outro interesse a não ser nas tais presunções legais?
– Parece que não.
– Se calhar mirou-lhe o decote à sucapa e ela não reparou.
– Impossível! Ela deixou bem claro que durante uma hora, isto é, 60 minutos, ou seja, 3600 segundos, os olhos do tipo nunca se afastaram dos tais assuntos legais.
– Impressionante.
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