Um colega jornalista pediu-me ajuda para instalar o Windows XP. Estas coisas acontecem-me frequentemente: como sou o editor de um suplemento de informática, as pessoas pensam em mim como o supra-sumo da costeleta e procuram-me para ajudar.
Qualquer técnico de informática percebe mais de computadores a dormir do que eu quando estou acordado. Sou apenas um jornalista – e tento manter-me informado sobre uma área que adoro.
Se julgam que este argumento me safa estão bem enganados. Sou o gajo da informática e pronto, ajuda aí se faz favor. Portanto, e para recuperar a história, um colega meu pediu-me ajuda para instalar o XP. Ele mora longe de mim eu não tinha tempo para ir a casa dele, por isso encontrámos uma solução: ele telefonava-me para casa e eu ia-lhe dizendo como é que se fazia para instalar.
Vi logo que estava em apuros quando lhe pedi para meter o CD de instalação na drive. O colega em questão é o tipo mais irascível que eu conheci na vida. Ferve em pouca água, grita e gesticula que se farta. Direi que ele tem a personalidade do anão Zangado mas com o corpanzil do Shrek, o que faz dele um brutamontes temível para algumas pessoas. Mas ele tem bom coração.
Às tantas, ouvi-o berrar ao telefone: “Isto não dá, caralho, isto não dá, caralho!”
“Mas não dá o quê?” – Perguntei eu, adivinhando a catástrofe.
“Porra! Não consigo! Mas porque é que eu vou na tua conversa?” – O homem bufava e bufava, aquilo era como se estivesse a rebentar um fogo de artifício de perdigotos à volta dele. Faço ideia o estado do monitor…
“Mas já meteste o CD na drive ou não?” – Perguntei.
“Sim, mas esta merda não entra! Se calhar venderam-me o computador sem a entrada!” – E continuou nos raios e coriscos do costume.
Acabei por perceber que ele estava a tentar enfiar o CD de instalação do Windows XP na drive de disquetes. Por isso é que não entrava. Quando eu lhe fiz entender a asneira, perguntou-me: “Então mas porque é que não me avisaste antes, porra?”
Moral da história: acabei por ter de ir a casa dele fazer a instalação. Por sorte, o PC não estava arrebentado. Já não falo com ele há muito tempo, portanto não posso garantir que a pobre máquina continue a funcionar.
Aprendi a lição? Nãooooooooo! Pouco tempo depois, um outro colega pediu-me ajuda para a mesma tarefa: instalar o XP. Acabei por fazê-la com o mesmo método, isto é, eu ao telefone a dizer-lhe: agora carregas nesta tecla, fazes OK, por aí fora. Ele explicava-me o que via no ecrã, tintim por tintim, para eu poder “visualizar” e continuar as indicações. Isto durou quase uma hora.
Mas este colega é diferente. É mais calmo, mais paciente e, sobretudo, mais cuidadoso. Às tantas, estávamos ainda na fase de instalação do XP, parámos no quadro em que é exibida a licença da Microsoft e em que precisamos carregar na tecla F8 e seguir em frente. Seguir em frente? Qual quê! O homem pôs-se a ler os termos do contrato de licença entre o utilizador e a Microsoft. Estava tão embrenhado na leitura que nem me ouvia. E eu a querer despachar-me…
Foi mais ou menos por esta altura que eu soube que ele, nas horas livres, andava a tirar o curso de Direito.
Help-desk? Chiça!





























