→ 14/01/2007 @18:04

Cepticismo Aberto

Todos os tipos de mistérios e crenças populares – OVNIs, fantasmas, Astrologia e outros mitos – passam pelo crivo céptico dos colaboradores do site. O mote de Cepticismo Aberto não deixa dúvidas em relação à seriedade e objectivo dos artigos: Paranormal e Ovnilogia sem ofender a sua inteligência.
Cepticismo Aberto promove o uso do cepticismo na análise deste tipo de fenómenos. Ao contrário de muitos outros sítios na Web, este pretende fazer da investigação rigorosa o meio para se atingir um melhor esclarecimento sobre os assuntos.
Não procura aproveitar-se da tendência de certas pessoas para acreditar em fenómenos sobrenaturais, mas apela em primeiro lugar à Razão. Seja qual for o mistério em que acreditar, a leitura dos artigos dar-lhe-á motivos para questionar a validade de algumas histórias e testemunhos.
Dos maiores casos de OVNIs – como a suposta queda de uma aeronave alienígena em Roswell – às mais famosos fotos de fantasmas, nada escapa à análise crítica dos autores. O famoso caso de Roswell, por exemplo, é dissecado pelo investigador português Nuno A. Montez da Silveira, Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Depois de ler o extenso artigo, qualquer pessoa com um mínimo de bom senso chegará à óbvia conclusão de que os misteriosos acontecimentos ocorridos em 1947 têm por origem manifestações bem terrenas.
A quantidade de artigos existentes no site é enorme – mais de 500 páginas desde que foi lançado, em Maio de 2001. Ao longo de cinco anos, foi acedido por um número superior a três milhões de pessoas.
Todos os artigos estão escritos em português do Brasil – o site foi criado e é mantido pelo brasileiro Kentaro Mori, autor de muitos dos artigos e que se apresenta como um activista do cepticismo.
Mori pensou no nome Cepticismo Aberto para deixar bem claro que o cepticismo é uma forma de defender a dúvida inquiridora e não a dúvida dogmática. Estando aberto a novas ideias e possibilidades, exige-se, contudo, provas rigorosas para que uma alegação possa ser aceite. Não admira, assim, que a famosa frase atribuída a Carl Sagan – Alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias – seja também o lema do site. A propósito, Cepticismo Aberto inclui uma entrevista feita a Sagan sobre esse novo mito urbano da Ovnilogia: o rapto de seres humanos por extraterrestres.
Excelente também é a secção onde as supostas fotos de fantasmas que se encontram na Net como verdadeiras são desmontadas: truques fotográficos, sobretudo, uso do software de edição de imagem Photoshop nas fraudes mais recentes, deficiências nas próprias fotos e que são erradamente interpretadas (duplas exposições originam fantasmas ou anjos, por exemplo) e todo o tipo de manipulações. Existe também uma secção dedicada a fraudes fotográficas que é bastante extensa.
O que se conclui é que fraudes desse tipo existem praticamente desde que existe a fotografia. Muitas não têm nada a ver com o sobrenatural, mas pretendem apresentar-nos serpentes e peixes gigantes, seres estranhos, por aí fora – e tudo por ordem cronológica, desde 1863 até à actualidade. Esta secção chama-se Museu das Fraudes, inspirada no site The Museum of Hoaxes, de Alex Boese.


A foto original e o copy-paste do avião

A foto original e o copy-paste do avião

 

Uma das mais famosas fotografias a circular nos emails foi a de um turista de visita ao World Trade Center, tirada segundos antes do avião embater na torre. Dizia-se na mensagem que acompanha a imagem que a fotografia tinha sido recuperada de uma máquina fotográfica descoberta nos escombros do World Trade Center. A imagem era falsa – uma manipulação fotográfica conforme revelado pelo Historiador de Ciência Alex Boese no livro The Museum of Hoxaes. Segundo Boese, existem três evidências que demonstram a fraude: o rapaz na foto usa roupa de Inverno num dia (11 de Setembro de 2001) bastante quente. O avião na foto é um 757, mas os aviões que embateram nas torres eram os 767. E o avião aproxima-se da torre vindo da direcção errada.

De onde tinha vindo então a foto? Descobriu-se mais tarde que a foto original fora tirada por Peter Guzli em Novembro de 1997. Guzli, húngaro, visitara Nova Iorque durante as férias e tirou uma série de fotos de si próprio no topo de uma das torres do World Trade Center. Depois do 11 de Setembro, ele colou um avião numa das fotos. A ideia inicial era criar uma brincadeira para partilhar com os amigos, mas não lhe passou pela cabeça que a sua invenção tivesse tanto impacto. Em breve, a sua foto seria vista por milhões de pessoas em todo o mundo e chegaria mesmo aos media tradicionais.

Um comentário

  • 1
    com Firefox 2.0.0.11 Firefox 2.0.0.11 em Windows XP Windows XP
    21 de Janeiro de 2008 - 20:00 | Link permamente

    Um dos erros principais cometidos pelos cépticos, na minha opinião maioritariamente pseudo-cépticos, é o de partir para conclusões absolutas, com base em evidências parciais. Ou seja, o facto de haver um número apreciável de evidências que apontam para a falta de algo paranormal em muitos dos fenómenos relatados, não significa que todos os fenómenos passem a ser explicados. Nesse aspecto o cepticismo acaba por fugir a si mesmo, deixando de o ser. Verdadeiro cepticismo deve duvidar de tudo. O trabalho céptico existente em alguns sites da web é, quase sempre, excelente. Muito mais pertinente e rigoroso que a maioria dos trabalhos que podemos encontrar pelo lado “crente”. Contudo é um trabalho apenas parcial, centralizado sobre o fenómeno da fraude e má interpretação. Ora, isso é uma parte da fenomenologia total. Partir para a conclusão de que tudo não passa de uma mitologia sem qualquer fundamento, para além da própria pessoa, é destruir a objectividade que o cepticismo deveria seguir de forma rigorosa.

    Isto tudo para afirmar que creio não existir verdadeiro cepticismo. O verdadeiro cepticismo, não sendo um mito, é contudo bastante raro.