
Deutsche Traum (1996) e El Camino al Cielo (1996), da série Stairway to Heaven
É possível que aqueles que julgam nunca ter ouvido nada de David Byrne conheçam pelo menos uma das suas canções, sobretudo os que instalaram as primeiras versões do Windows XP. Uma versão censurada da canção Like Humans Do foi escolhida pela Microsoft como demonstração do Windows Media Player, portanto é possível que muitos ainda a tenham no computador numa pasta chamada Sample Music.
Byrne tem mantido uma carreira a solo apreciável e uma quantidade de iniciativas que incluem, entre outras, a formação da sua própria editora – Luaka Bop, dedicada sobretudo à divulgação da «World Music» – e uma rádio on-line, a David Byrne Radio (link), através da qual lança todos os meses uma playlist com músicas de que gosta. Também usa a rádio para lançar algumas farpas, sobretudo às editoras. Eis um excerto de uma das mais recentes, de Julho de 2007, recolhida na página sobre David Byrne da Wikipedia:
Saiu mais um artigo na Time de hoje sobre o facto de se ter verificado uma quebra de 20 por cento nas vendas do CD. (Será que eles publicam a mesma notícia de quatro em quatro meses?) (…) Durante quanto tempo os executivos das editoras pensam que continuarão a usufruir dos seus escritórios e agradáveis lugares de estacionamento? (…) As quatro ou cinco grandes editoras deveriam devolver os catálogos aos artistas ou seus herdeiros antes de fechar portas, porque elas não sabem mais como vender a música. (…) Por sorte, a música mantém-se mais ou menos sem ser afectada – há muito boa música por aí. Um novo modelo emergirá e não será um modelo que processa os seus próprios clientes, mas um que perceberá que a música não é um produto no sentido de ser uma coisa – a música está mais perto da moda, na medida em que ajuda a dizer aos fãs aquilo que são, no que acreditam de forma apaixonada e, até certo ponto, o que torna a vida divertida e interessante. É sobre um sentido de comunidade – uma canção é capaz de unir uma comunidade formada por indivíduos diferentes entre si. Não é apenas vender um CD dentro de uma caixa de plástico.

La Madrasta (1998) e Tio Guillermo (1998), da série Wedding Portraits
A Arte aprisionada em grandes corporações que a transformam em mero produto de venda e o facto de «todos os aspectos da nossa vida estarem marcados por logótipos e marcas»: eis a visão que marca, em grande parte, o estilo de David Byrne. Para o ensaísta, fotógrafo e escritor Wright Morris, «a ausência de pessoas nas fotos serve para que o observador se aperceba de como é fácil intuir a nossa presença apenas pelos objectos.» E deste modo vemos pistolas voando com asas feitas de uma nota de 1000 dólares ou metralhadoras correndo livremente entre as paredes de um aqueduto de dinheiro ou de um esgoto forrado a notas.
David Byrne possui um blogue – e bastante interessante, por sinal. Há muito por descobrir por lá. A LipanjePutin ArteContemporanea, galeria italiana que produziu um dos livros (Your Action World) mantém online uma mostra dos trabalhos de Byrne e uma nota biográfica em inglês em que este post parcialmente se baseou.
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2 comentários
Marco!
E o David Byrne tem importância singular para o Brasil. Foi ele quem "redescobriu" o músico experimentalista Tom Zé. Tom venceu um daqueles famosos festivais de música dos anos 70 e depois, retirou-se magoado com observações pouco elogiosas de Caetano Veloso sobre sua música.
Era ela, o "São Paulo Meu Amor".
Bem, Tom Zé chegou a pensar em abandonar a carreira recém iniciada, sobreviveu até como funcionário em postos de gasolina e, sobretudo, em shows pelos circuitos universitários, naqueles difíceis anos da ditadura no Brasil.
Davyd Byrne descobriu num sebo seu disco inovador, o "Estudando o Samba" e, literalmente, adotou o músico brasileiro.
É uma linda história a ser contada, mas por um blogue como o Bitaites que tem esse esmero cultural.
Nos primórdios do XP eu costumava dizer, meio a brincar, que a única coisa boa naquele SO era essa faixa do David Byrne e tenho a certeza que muita gente o conhecerá devido a isso.
Quando fui "apresentado" à World Music reencontrei-me com Byrne porém não posso esquecer o tempo das "cabeças falantes".
Julgava eu que conhecia um pouco da sua história e só agora é que fiquei a saber da fotografia.
Bolas, o que se vai aprendendo pelos blogs!
@braço.