Desde que perdeu as eleições para George Bush que Al Gore se dedica a uma velha vocação (os temas ambientais). No auge desta viragem na sua carreira pública está um documentário – «Uma Verdade Inconveniente» – cujo mérito tem sido o de alertar a nossa consciência ecológica, manter as indústrias poluidoras sob pressão e obrigar os políticos a refazer agendas.
Sempre me admirei que Al Gore andasse a falar sem algum tipo de contra-ataque pessoal: não sendo possível abafar a mensagem, desacredita-se o mensageiro. Esse ataque aconteceu, de facto, quando uma associação veio a público afirmar que só na mansão de Al Gore se gasta vinte vezes mais electricidade do que o americano médio.
A associação (porque nestas histórias 2 mais dois nunca é igual a 4) é a Tennessee Center for Policy Research, «independente e não-lucrativa» mas associada à ala mais conservadora Republicana, a mesma gente que elegeu George Bush, o presidente que recusou ratificar o protocolo de Quioto por considerar que este interferiria negativamente na economia dos EUA.
E assim se passou à «verdade inconveniente» do próprio Al Gore. Fácil, não é?
A explicação emitida logo a seguir (a família de Gore equipou a casa com painéis solares para atenuar o consumo eléctrico) e as investigações jornalísticas que colocam em dúvida a veracidade dos dados avançados pela Associação estão agora a inverter uma vez mais os acontecimentos.
Entretanto, o planeta continua a aquecer.
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4 comentários
Os americanos tanto me podem fazer rir, como enervar, mas nunca meio-termo…não conseguem passar despercebidos…
Quanto ao aquecimento global reconheço ser necessário evitar desperdiçar recursos, de qualquer espécie.
Um dos recursos escassos é o dinheiro.
Há uns anos um professor de economia, Bjorn Lomborg, dinamarquês, procurou saber como melhor aplicar uma determinada quantia (não me recordo bem quanto mas algo da ordem do milhar de milhão de euros por ano (desta ordem da da seguinte) e o grupo que formou Consenso de Copenhaga chegou à conclusão de que a prioridade do investimento deveria ser o combate à sida. O combate ao aquecimento global ficou classificado em 19º lugar (no de 2004).
Quando escolhemos os nossos combates devemos ver se escolhemos o melhor de entre eles. Parece-me que o combate ao aquecimento talvez não tenha a urgência (embora tenha muita) que por aí se propala.
O lema de Al Gore é «Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.»
Não fosse o Al-Gore andar a ganhar fama assim (e “papel”), com certeza não andava por aí assim …