Quando alguém se inicia na blogosfera costuma ser alertado para os insultos ou críticas que os seus posts possam receber. Dá-se muita importância a isto, como se fossemos todos flores de estufa incapazes de ultrapassar as críticas, incluindo as injustas.
É verdade que ter um blogue exige capacidade de encaixe, mas nenhum adulto que conheça o mundo precisa de ser alertado para a hostilidade.
Se estamos mesmo determinados em emitir avisos à navegação, então que se alerte o blogger para algo muito mais importante: a inevitabilidade de ser elogiado.
O elogio na blogosfera acontece com mais frequência do que se possa imaginar – e mesmo que, em muitos casos, seja um elogio fácil, superficial ou interesseiro, pode deturpar o nosso sentido da realidade. Poderão dizer, por exemplo, que escrevemos muito bem. Que somos os maiores. Que o nosso blogue é o melhor de Portugal e arredores.
Mesmo que sejam bem intencionados, os elogios são sempre uma armadilha. Podem atrair trolls e fomentar a ira dos invejosos. E, pior ainda, podem ser tão convincentes que corremos o risco de concordar.
Se por exemplo a nossa escrita for elogiada de forma exagerada, devemos pensar primeiro se a razão para sobressairmos não estará antes relacionada com o facto de vivermos num país que lê pouco e escreve ainda menos. Basta escrevermos correctamente e com alguma graça para sermos vistos como suprasumos da blogosfera. Mas se este lago não fosse tão pequeno, seria muito mais difícil sermos tomados por peixe graúdo.
Blogosfera é partilha, troca, aprendizagem, escrita, exposição – não precisa de taças.






























13 comentários
Estava a pensar não perder esta opurtunidade para te insultar, porque com o que escreves (por vezes, porque outras até gosto, ou já teria removido o teu feed) não deixa fazer outra coisa.
Rui
eu ia dizer coisas e lousas sobre este post. principalmente porque é a minha cara. concordo inteiramente com ele. e depois fico com aquela vontade de elogiar, elogiar, elogiar..
pronto, fiquemos por um simples “tiro o chapéu a estas palavras”.
(agora, meu amigo, não escapas a um linkamento lá no meu canto. caguei!)
Pitx, linka à vontade.
É verdade, vi o teu perfil. Parabéns pela tua filhota. Adorável! Somos quase vizinhos. Se alguma vez vires um caixa de óculos quarentão a andar de bike para os teus lados e com um boné do Matrix provavelmente sou eu
Rui Cruz, não percebi nada. Deixa, não expliques…
Bem… Se calhar o meu elogio, há uns posts atrás, foi mal interpretado.
Esclarecendo: já não tenho idade nem pachorra para ter medo de dizer o que penso. Para o bem ou para o mal habituei-me a ser assim. Não só não me dá tremedeira quando critico, como não me caem as calças quando elogio. E o facto é que te elogiei, caro Marco e continuo com o cinto apertado no memo furo. Mais até do que te elogiar, tomei o teu partido numa querela com um idiota. Queres coisa mais justa?
Mais uma coisa: quando me habituei a ler ainda não havia blogs nem internet. E se bem que não esteja ainda num lar da 3ª idade a ver a Fátima Lopes, sou do tempo (e ainda agora sou do tempo…) em que a expectativa de retomar um livro na página em que o deixámos é um momento de ansiado prazer. Quero com isto dizer que, quanto a leituras, sei escolher muito bem onde “perder” o meu tempo.
Finalizando, quanto aos invejosos, são gente que só existe onde há o que invejar. Tomara-os eu sempre ao pé de mim. E, já agora, elogios também. Não ocupam espaço, fazem bem ao ego e usados com sapiência substituem bem os anti-depressivos!
Apesar de duvidar, caro Marco, que o teu post tivesse que ver com o meu comentário” (há lá outros mais a jeito) enfiei a carapuça”…
Nada de grave, mas tinha de te dizer isto.
E como diria Fellini, “E la nave va…”
este blog nao sera o melhor de portugal e arredores… como muito o melhor blog do mundo, quisa da europa!!!!
concorda com os elogios todos que isso so faz bem ao ego…
Fernando: nada disso. Não coloco em causa quem elogia. Não foi essa a minha intenção.
Pegando na suas palavras, «[os elogios] não ocupam espaço, fazem bem ao ego e usados com sapiência substituem bem os anti-depressivos!»
Completamente de acordo.
Só quis dizer que para mim é importante criar antídotos contra o auto-deslumbramento. A sobriedade é o melhor antídoto que conheço.
Bom comentário, Fernando.
Não tive intenção de melindrar ninguém, muito menos aqueles que se dão ao trabalho de me incentivar a continuar.
E para si um merecido elogio
@ Daniel: LOL
Olá Marco.
Não creio que o tamanho do lago seja fundamental para este tipo de conquista de estatuto. O resultado final é quase sempre o mesmo quer se trate de um charco ou de um mar. É da necessidade humana possuir referências. É da mesma necessidade sentir-se apreciado. O elogio sai facilmente porque normalmente a resposta do elogiado coloca o elogiador numa posição diferenciada. Quanto às ofensas e agressões, elas surgem quase sempre no seguimento do que disse anteriormente. Quando um terceiro fica para trás neste baile de carinhos, a reacção mais provável é mesmo a agressiva.
Voltando ao tamanho do lago e dos seus habitantes, quero crer que há peixes graúdos em lagos pequenos. O problema são aqueles peixes que cagam muito e a bruta quantidade de alimento que todos os dias se atira à água.
Aquele abraço,
Rui
p.s.: este resumo é interessante
http://www.espacoacademico.com.br/023/23res_mt.htm
Desculpa-me o endereço no comentário.
Olá, Rui
À crítica do elogio, contrapões a crítica à bajulação. Bem visto.
E depois
Veio-me à cabeça um nome ou dois…
Bom link, já agora.
Caro Marco
Quando eu disse, «já não tenho idade nem pachorra para ter medo de dizer o que penso», também disse «…se bem que não esteja ainda num lar da 3ª idade a ver a Fátima Lopes…».
Sei, pois, pelo que já aqui li, que devemos “andar pelas mesmas idades”. Digamos que, ainda que em televisões diferentes, partilhámos há (poucos) anos atrás o Wickie, o Palhaço Bozo, o Woody Woodpecker, ou até mesmo o Noddy do tempo em que a Macaca Marta ainda era o Macaco Xico (estando aqui ainda por explicar este extraordinário caso de transsexualidade no mundo da animação…!).
Tudo isto para te dizer que devemos ter sido daqueles que tiveram uma adolescência que apanhou e muito com o barulho da fita a carregar o jogo do Spectrum e que por isso mesmo nos devemos tratar por tu.
Um abraço
O Fernando já disse mais coisa menos coisa aquilo que eu diria.
Portanto, Marco, deixa-me aqui aproveitar o estaminé, para me dirigir ao Fernando.
Caro Fernando, com comentários desses, o que não faria se tivesse um Blog. Eu lia
Blogar é como qualquer outra coisa que façamos na vida, com o desvio do pretenso anonimato (algo difícil, se for mesmo necessário apurar IP’s prevaricadores), um gajo que tem uma atitude saudável com os outros fará sensivelmente o mesmo por aqui – e lambe-botas sonsos há-os (?) em todo o lado.
@Fernando:
O barulho era um must, mas a adrenalina orgásmica só chegava mesmo era com com o R: Tape loading error 0:1. Isso é que era, pá!
Marco, era ironia (pois, eu as vezes digo as coisas de uma forma que…).
Independente dos nossos “coisinhos” pessoais, planetários, wtv, eu ainda te leio por isso não te odeio (mas ta la quase!!! … ironia… ).
Mas em relação a:
“Blogosfera é partilha, troca, aprendizagem, escrita, exposição – não precisa de taças.”
Acho que é partilha mas não de conteúdos. Faltam blogs escritos pelas próprias pessoas hoje em dia.
Fernando, podes escrever o que queres, e ainda bem. É pena é não linkares e nenhum blog, porque assim talvez haja quem vá lá fazer spam só para te chatear como tem acontecido comigo. ^^
Rui