Sempre tive uma relação conflituosa com o fado principalmente porque sou português e não gosto. O meu fado são os blues.
A primeira vez que ouvi fado na televisão desliguei o som. Foi uma coisa instintiva. Também é assim com debates sobre futebol ou durante os discursos do Louçã. Mas daquela vez fiquei a observar o fadista silencioso e impressionou-me a forma como ele abria as goelas e se deixava ficar de boca aberta e olhos fechados como se estivesse cheio de sono. Foi uma revelação para mim.
As pessoas ainda discutem sobre as origens do fado enquanto expressão musical. Uns dizem que o fado vem dos árabes, outros que é importação das modinhas brasileiras. Eu acho que o fado vem do bocejo.
O fado teve origem no encontro entre irmãos dos dois continentes: o português chegou ao Brasil com uma guitarra na mão e foi descobrir o brasileiro de boca aberta e cheio de sono, deitado ao Sol depois de uma noitada de samba e de bunda.
- Que som é esse? – Quis saber o português quando viu o brasuca todo esticado no areal, bocejando.
- Como é…? – Bocejou ainda mais o brasileiro, mal abrindo os olhos.
- Como é, perguntas tu…? Ora! É mesmo assim como estás a fazer. Pois isso tem uma sonoridade tão peculiar, pá! Continua a fazer esse som, ó gajo, que eu acompanho com a minha guitarra.
Não liguem ao que aprenderam nas aulas de História. Não há segredo nem polémica. O fado nasceu da ressaca. O fado é o samba quando boceja.






























Um comentário
então não é…