→ 17/07/2005 @23:26

A Guerra dos Fundos

Cartoon de Steve Breen, The San Diego Union-Tribune

Já vi A Guerra dos Mundos. Pareceu-me um filme árido – sobretudo o final –, mas gostei.
Caracterizar um filme de Spielberg como árido não é forçosamente uma crítica: significa apenas que levei com uma invasão de extraterrestres e não com uma invasão de violinos.
O Spielberg está diferente. Notei-lhe um grande crescimento enquanto pessoa. Lembro-me de ter revisto há pouco tempo um outro filme dele com ETs – Encontros Imediatos de 3º Grau – e ter ficado incomodado com uma das cenas finais, quando o protagonista embarca, todo feliz da vida, na nave espacial dos extraterrestres. Pensei: Pá, está certo que conhecer ETs é uma experiência única; mas como podes entrar tão contente para a nave sabendo que só regressas muitos anos depois? Então e os teus filhos, que abandonas na Terra?
Bem sei que isto pode parecer ridículo, mas são esses pormenores que separam o Spielberg infantil do Spielberg mais adulto de A Guerra dos Mundos: em vez de filmar uma invasão extraterrestre em grande escala, conta o percurso de um homem (Tom Cruise), pai distante e negligente, colocado numa situação extrema e forçado a redefinir o seu papel na família.
Quem estiver à espera de um filme espectacular à Spielberg não o encontrará: os efeitos especiais são luxuosos, mas funcionam como um mero cenário – o pano de fundo da acção. Os extraterrestres estão ali para que seja possível contar uma história de amor e sobrevivência. Por outras palavras: Spielberg andou estes anos mais atento a Signs, de M. Night Shyamalan, do que a Independence Day, de Roland Emmerich.