→ 27/10/2006 @11:34

Ainda a propósito da canalhice ao MST

Festa de lançamento do blogue FreedomToCopy, 20 de Outubro de 2006. Os corajosos autores alugaram o espaço – também conhecido como zona de comentários -, mas não compareceram.

Escrevem os denunciadores anónimos do FreedomToCopy:

Os autores deste blog tentaram, a devido tempo, que estas comparações entre «Freedom at Midnight» e «Equador» fossem publicadas num jornal de reputada seriedade. Debalde. A discussão sobre a matéria não é permitida.

Tão convenientemente ambíguo… De que forma tentaram a publicação? Pediram para ser recebidos pelo director? Falaram com um editor? Um jornalista? Fizeram-no pessoalmente? Por telefone? Através do correio electrónico? E qual foi exactamente o teor da proposta do artigo? E que resposta tiveram? Um «não» sem qualquer justificação? Se lhes foi dada uma justificação, qual foi?
Raios… É impressão minha ou aquele blogue cheira mesmo a merda?

Um jornal «de reputada seriedade» não teria aceite um artigo desta natureza publicado sob anonimato. Partindo do princípio (duvidoso) de que os autores do FreedomToCopy estavam na disposição de assumir a sua identidade para que o texto fosse publicado, porque razão não o fizeram agora no blogue?
Resposta: porque nunca tencionaram dar a cara em qualquer jornal – o que fizeram, provavelmente, foi «soprar» as informações ao jornalista, esperando que este pegasse na história e nos livros, despoletasse a bomba e arcasse com as consequências sozinho.
Enquanto isso, os nossos corajosos justiceiros da Literatura esfregariam as mãozinhas de contentes, incólumes, deliciando-se com o escândalo provocado.

Fonte próxima de MST fez chegar aos autores deste blog a ideia base do texto que sairá publicado na próxima edição do «Expresso».

Fonte próxima? Até que ponto será assim tão próxima? Cuidado a quem revelais a vossa identidade, ó corajosos justiceiros: a paulada ainda não perdeu o prazo de validade.


Existem duas ideias espalhadas pela blogosfera: a primeira afirma que este caso acabará por ser compensador para Miguel Sousa Tavares porque muitas pessoas quererão comprar o livro. A segunda afirma que quem critica o anonimato dos bloggers coloca em segundo plano a questão do plágio.
Sobre a primeira ideia, não estou a ver que um escritor considere «compensadora» uma acusação de plágio, mesmo que a mesma lhe possibilite um aumento exponencial de vendas. Até porque, neste caso específico, o livro «Equador» era já um verdadeiro fenómeno de vendas antes de o escândalo rebentar. Por outro lado, se as pessoas quiserem pegar no livro só por causa das acusações de plágio, um escritor poderá, e com legitimidade, questionar as verdadeiras motivações desses novos leitores: «Afinal compraram para ler o que eu escrevi ou para andar à caça do plágio?»
A segunda visão (esquece-se a questão do plágio «em nome da covardia do anónimo»), separa dois tipos de informações inseparáveis neste caso. A «informação» que se pode recolher no FreedomToCopy não inclui apenas a acusação de plágio mas também a forma escolhida para o fazer – anonimamente.
Porque, insisto, fazer acusações tão graves protegido pelo anonimato revela má consciência e covardia. Se essas acusações são falsas, confirmam apenas a presunção anterior; se são verdadeiras, o anonimato desvirtua a denúncia. Afinal fizeram-no por uma questão de higiene, não foi?