→ 29/03/2005 @22:14

Viva o spam!

O spam é uma chatice, mas limita-se aos nossos computadores. Imaginem o que seria a nossa vida se recebêssemos o mesmo tipo de solicitações que encontramos todos os dias no email.

Suponham, por exemplo, que estão tranquilamente a jantar com a família e recebem um telefonema de alguém que não conhecem de lado nenhum mas que tem uma coisa importante, urgente e intransmissível para comunicar. Pronto, lá se atende o telefonema.

- Olá, caro senhor! – Diz a voz no outro lado da linha, em tom amigável e caloroso. – Faço parte de uma empresa de estudos de mercado e gostaria de saber se o senhor está interessado em alargar o seu pénis.

Imagine agora que mora num segundo andar e está em casa descansadinho a gozar a folga quando lhe tocam à campainha e você abre a porta do prédio e pergunta

- Quem é?

E lá de baixo lhe respondem:

- Publicidade! O senhor quer que lhe alarguem o pénis?

E os vizinhos todos a ouvir a pergunta.

Suponham-se então caminhando pelas ruas de Lisboa depois de um dia de trabalho desejosos de apanhar o raio do comboio e chegar a casa o mais depressa possível quando são abordados por uma daquelas meninas de papel e caneta na mão

- Olhe desculpe só um bocadinho um bocadinho um bocadinho não demora nada

E ela mostra um daqueles sorrisos tão encantadores e envolventes que vocês param a corrida porque, enfim, que se pode fazer, são homens, cavalheiros e as hormonas masculinas desempenham um papel já tradicional na estratégia publicitária

De maneira que ficam ali especados no meio da rua enquanto ela pergunta:

- Por acaso não está interessado em alargar o seu pénis?

E é claro que um tipo perde a estribeira. Porque se há coisas que um gajo não tolera é imaginar uma bela rapariga com uma régua na mão dizendo que sim, pois claro, os homens não se medem aos palmos, é verdade, mas quanto aos pénis já é outra conversa, toca lá a mostrar a pila para ver se estás à altura. Portanto nesta altura do campeonato já vocês se passaram com o maldito spam.

- Mas o que é isso de alargar o pénis? Que quer dizer com isso?

- É um tratamento exclusivo que é administrado a homens em todo o mundo e tem dado resultados espectaculares.

- Mas oiça lá. Quem é que lhe disse que eu preciso desse tipo de tratamento?

- Ninguém, só que isto é uma campanha mundial…

- Por acaso estava a ver todos os homens que por aqui passaram, olhou para mim e decidiu que eu tenho cara de quem tem o pirilau pequeno?

- Não, mas as estatísticas dizem…

- Quero que se lixem as estatísticas! Olhe bem para mim. O meu é tão grande que, sempre que me vou sentar, tenho de o dobrar primeiro para não sair pelas calças. Ouviu?

Portanto pessoal vamos todos ter calma e considerar que somos pessoas com sorte porque o spam que temos é impecável. É só arranjar uma ferramenta anti-spam, carregar nuns quantos botões, fazer uns quantos deletes e já temos o problema resolvido. Viva o spam!

→ 28/03/2005 @16:59

Elfos da noite

→ 28/03/2005 @16:39

Pega no sabre de luz

Já alguma vez sentiram vontade de pegar num daqueles sabres de luz que os Cavaleiros Jedi (e Darth Vader) utilizam como arma nos filmes de A Guerra das Estrelas? Pois então…

→ 28/03/2005 @15:38

Portugal for Beginners

Se o observarmos sem prestar grande atenção, ficamos com a ideia de que se trata de uma página sobre Portugal concebido por um bimbo qualquer. Nada disso. O estilo gráfico faz parte da própria ironia do site. O português Renato Carreira é inteligente e tem sentido de humor. Portanto está-se perante um sítio espirituoso e corrosivo, mesmo que não se concorde com a visão que ele tem do nosso país.
Está totalmente escrito em inglês, opção que, por si só, contribui para lhe aumentar o gozo e o alcance. Mas o melhor é começar pela secção das perguntas mais frequentes (FAQ) para tomar o pulso ao site (e ao autor) e depois explorar aquilo com calma.

I’m still not entirely convinced you are really portuguese. Could you say something in portuguese that only a genuine portuguese would say?
- Vai bardamerda.

Portugal for Beginners

→ 28/03/2005 @14:27

Tempos misturados

O fotógrafo Steven Cook criou uma série, Alternaty, que consiste em misturar pessoas que encontrou em fotos muito antigas com elementos modernos da era digital. O resultado é surpreendente: rostos esquecidos pela passagem do tempo, pessoas há muito desaparecidas, reaparecem neste século e tornam-se imortais.

→ 24/03/2005 @19:19

O anjo negro da morte

É mais um massacre em escolas dos Estados Unidos: um rapaz de 17 anos do Minnesota, Jeff Weise, assassina nove pessoas – quatro adultos e cinco estudantes da idade dele. Primeiro mata os avós na sua casa em Red Lake, uma reserva índia junto à fronteira do Canadá. Depois pega numa espingarda e na pistola do avô – agente da Polícia Tribal – e dirige-se ao liceu.

O primeiro a morrer é o vigilante da escola. A seguir mata uma professora e dispara sobre os alunos. Anda pelo corredor, de sala em sala, procurando abrir as portas que os colegas, em pânico, tentam trancar. Os que sobrevivem recordarão Weise sorrindo e acenando enquanto disparava – como um político agradecendo os aplausos da multidão. Depois do massacre, o Anjo da Morte – um dos seus dois nicknames, o outro era NativeNazi – escreve o capítulo final da sua história, suicidando-se com um tiro na cabeça.

Jeff WeiseA história de Weise talvez tenha começado muito antes, aos dez anos, quando o pai se suicida e mãe sofre um acidente de carro tão grave que fica hospitalizada, com problemas cerebrais irreversíveis.

Ou então mais tarde, a 19 de Março de 2004, quando faz pesquisas na Internet para um trabalho escolar sobre o III Reich e encontra o fórum de discussão de um grupo neo-nazi: Libertarian National Socialist Green Party (LNSGP).

Ao contrário de outros grupos do género que apelam à supremacia branca, o LNSGP defende um nacional-socialismo para toda a espécie humana mas com um sistema de segregação racial.

O grupo vislumbra uma sociedade geneticamente limpa, baseada num realismo natural que determina que todas as tribos devem viver separadas uma das outras de forma a garantir a sobrevivência e evitar a assimilação. O grupo vê a sociedade moderna como uma demente democracia liberal que promove a supremacia do indivíduo e não do colectivo. Os políticos são manipulados por uma oligarquia internacional e rica que apenas procura o seu próprio lucro. O resultado é a destruição ambiental e a perda de heranças étnicas e culturais, entre outras consequências.

Target: animação flash enviada por Weise ao site The Smoking Gun, cinco meses antes da matança. Ele já tinha o «filme» todo dentro da cabeça, incluindo o happy ending do suicídio


Estas ideias do Libertarian National Socialist Green Party agradam ao jovem Weise, um índio, que se apresenta ao grupo como Todesengel (Anjo da Morte em alemão): «Olá a todos. Chamo-me Jeff Weise, sou um nativo americano de uma reserva índia no Minnesota chamada Red Lake. Estou interessado em juntar-me ao grupo, pois apoio os vossos ideais. Mesmo sendo muito novo, eu gostava de me juntar a vocês.»

Weise é recebido de braços abertos. A sua coragem em abraçar a causa é elogiada por todos. Weise afirma-se um admirador de Adolf Hitler, dizendo que as suas grandes ideias são deliberadamente ignoradas; queixa-se das mentes fechadas de amigos e colegas, impossíveis de converter à superioridade dos ideais do nacional-socialismo; defende a revisão da História quando se refere ao Holocausto nazi: «Só vi fotografias de judeus esfomeados e de judeus acorrentados. Nunca vi fotografias de judeus mortos.»

A reacção oficial do grupo à matança ocorrida no liceu é uma espécie de mais-do-mesmo, ou seja, nova manifestação de velhas teorias: «A matança ocorrida não é falha nossa; é a sociedade que falha, e essa matança é apenas um sintoma.»

Talvez tenha sido aqui – e noutros sites do género – que Weise tenha encontrado uma justificação racional para o seu estado de espírito tão perturbado. Talvez nunca se saiba o que realmente se passou.

Em Outubro de 2004, os seus problemas são evidentes: envia ao site The Smoking Gun uma animação muito violenta: um boneco que dispara indiscriminadamente e, por fim, se suicida. Um flash do que viria a fazer, cinco meses depois.

Num outro fórum de discussão que frequentava – AboveTopSecret.com – o jovem Weise faz duas declarações reveladoras. A primeira, em Dezembro de 2003: «Ultimamente tenho tido sonhos realmente estranhos. Parecem muito realistas, cheios de cores e sons; são mais realistas que aqueles que tive no mês passado. Há uma noites tive este sonho em que vejo um rosto canino muito maligno e assustador a vir na minha direcção. Depois oiço alguém gritar: “Dispara!”. Seja como for, tudo fica negro. Sinto o meu corpo a estremecer. Enquanto tudo isto está a acontecer consigo destinguir claramente o som dos disparos – a maior parte são tiros de metralhadora… Achei tudo isto muito estranho e acordei desorientado.»

A segunda, no mesmo fórum, é escrita a 1 de Janeiro deste ano: «Que raio é um pecado? Quer dizer – a própria ideia de pecado é ridícula. A ideia do que é ou não é um pecado varia em diferentes terras e culturas: como posso ter a certeza sobre qual é a religião certa? (…) Sou ateu. Não sou um idiota imoral que pensa que pode fazer o que quiser porque Deus não existe, não vejo é qualquer razão para envolver a Fé nisto. Para todos os efeitos, a Fé não existe. Quem disse: “Somos todos pecadores” devia ter razão porque, se pensarmos bem, neste mundo nem sequer podemos cagar sem que alguém te aponte o dedo e diga que é um pecado.»

Uma investigação publicada no San Francisco Chronicle indica que Weise estava a tomar Prozac, um anti-depressivo.

O seu perfil público no MSN é revelador. Descreve-se assim: 16 anos de raiva acumulada atenuada apenas por breves vislumbres de esperança. Mais abaixo, numa inocente secção chamada «Hobbies and Interests», revela: Planeando, Esperando, Odiando.

Weise também tinha um blogue. Chamou-lhe «Pensamentos de um Sonhador» e escolheu Kurt Cobain para a sua foto de perfil. No seu último post, a 27 de Janeiro deste ano, Weise escreve: «So fucking naive man, so fucking naive. Sempre à espera da mudança sabendo que nada muda. Vi mães escolhendo os seus homens em detrimento daqueles que são a sua própria carne e sangue; vi outros escolher o álcool em vez da amizade. Não me sacrificarei mais pelos outros. Parte de mim morreu e eu odeio esta merda. Estou a viver o pesadelo de todos os homens e só esse facto está a deixar-me completamente lixado. Eu devo ser mesmo uma merda sem utilidade nenhuma. Este lugar nunca muda, nunca mudará. Fuck it all.

Nazi, de Paul Kolsti: 60 anos depois, Hitler continua a matar

→ 22/03/2005 @22:32

Porque detesto o Internet Explorer

Penso que não é novidade para quem frequenta este blogue: sou um grande adepto do Firefox. Não perco uma oportunidade para promovê-lo.
Sei que posso ser chato, mas tenho boas razões!
Também já repararam que detesto o Internet Explorer (IE). Não o detesto por ser da Microsoft, mas porque é mesmo mau.
Soluções tipo Maxthon também não me servem: sob uma superfície mais polida, o browser continua a ser o mesmo velho, inseguro e ultrapassado IE.

Uma pessoa que se tenha habituado a navegar com Firefox (ou Opera, outro excelente browser) entende bem o que quero dizer. Experimentem navegar outra vez com o IE para ver a diferença: uma interface horrível, uma pobre gestão de Favoritos, software sempre vulnerável a controlos ActiveX marados, a pop-ups e a todo o tipo de lixo que nos querem impingir.
Não podemos abrir vários links na mesma janela (utilizando tabs) como fazemos no Firefox: no IE somos obrigados a abrir várias janelas que vão comendo os recursos da nossa máquina. Qualquer código malandreco é capaz de lhe alterar a página inicial sem o nosso consentimento. Não podemos usar extensões. Não podemos personalizar e configurar o browser a nosso gosto. Enfim, a lista de coisas que não podemos fazer no IE é demasiado longa.
Há pessoas que me dizem que certas páginas não renderizam de forma correcta no Firefox. A mim, sinceramente, a observação diz-me mais sobre quem faz essas páginas: sim, porque é o webmaster que tem a culpa.

A Internet é democrática. Vocês não devem ser impedidos de visualizar uma página porque não utilizam o Internet Explorer. É apenas uma forma de descriminação. Não há desculpas para conceber sites optimizados apenas para IE (ou qualquer outro browser): existe uma entidade – World Wide Web Consortium – que define um padrão para a forma como os conteúdos para a Internet são criados. Quem faz sites de acordo com esses padrões sabe que está a construir algo que pode ser visto por qualquer pessoa, independentemente do sistema operativo ou browser que utiliza.
O Firefox cumpre esses padrões. O outro não. O IE pretende aproveitar-se da sua quota de mercado (ainda gigantesca) para impor a toda a comunidade de cibernautas os seus próprios padrões web, os quais são proprietários e fechados. E isto, para mim, torna o IE filosoficamente repugnante.
Se encontrarem um site que não funciona correctamente no Firefox, não o frequentem. Se essas páginas são realmente importantes, então enviem um email ao webmaster dizendo-lhe que, por ele não cumprir os padrões web, vai deixar de o frequentar. Mais: vai aconselhar todos os amigos a largarem o site.
Isto pode parecer um exagero, mas acredito que optar por um browser que cumpre os padrões é uma forma de lutar contra quem quer impor-nos a sua própria visão da net, utilizando o IE como arma de arremesso.

Mas os tempos estão a mudar. Mesmo nas estatíticas de acesso deste blogue se vê: mais de 2700 mil visitantes utilizam Firefox, contra os 3300 que ainda usam IE. Isto era impensável há um ano. Imaginem o que poderá ainda mudar em 2005.