10/Março/2010
Existe uma explicação científica para o que se está a passar. Há uma espécie de Gripe A no futebol português, A de abada. Primeiro, atacou o Sporting; agora, ataca o FC Porto.

Se acharem a letra A ofensiva, tendo em conta os acontecimentos recentes, chamem-lhe Gripe C, C de crise. É mais suave. Tal como a gripe, esta crise pega-se. O FC Porto chegou a Alvalade, cheio de saúde e pujança depois da goleada ao Sporting de Braga, jogou com o moribundo Sporting, perdeu 3-0 e pronto, ficou contaminado. Quando andaram a dizer que o Benfica era uma equipa cansada cheguei a pensar que também tinha apanhado qualquer coisa quando empatou em Alvalade – foi só um susto, felizmente.
Quanto ao Porto, os sintomas de Gripe C começaram de imediato. Olhanense? Empate à rasquinha. Arsenal? Concentrem-se na Scarlett. Não há nada a fazer contra a corrente de transmissão deste vírus. Até o treinador do Sporting Carlos Carvalhal – a quem o jornal Record passou semanas a querer fazer a cama – se ergueu e caminhou, como um Lázaro das tácticas.
9/Março/2010


Nada como uma feliz coincidência para resumir uma noite de Óscar: o tantíssimo Avatar, de James Cameron, perdeu para Estado de Guerra, filme independente de baixo orçamento realizado pela ex-mulher, Kathryn Bigelow.
A foto da esquerda alastrou à velocidade da luz, por razões óbvias: Cameron, à maneira de um Exterminador Implacável, parece querer apertar o pescoço à ex-mulher que o derrotou no Óscar – contudo, em nenhum lado se disse que o fotógrafo Mark J. Terrill captou este momento em Los Angeles antes da cerimónia e não depois. Uma pequena omissão que ajuda a dar mais força dramática à foto e, já agora, a tirar mais sentido de uma longa e previsível cerimónia. A foto à direita, de Gabriel Bouys, já nos mostra Cameron abraçando Bigelow.
A Academia já deu o Óscar de Melhor Filme a Rocky (preferindo-o a Taxi Driver, de Martin Scorcese). Stanley Kubrick nunca ganhou um Óscar de Melhor Realizador ou Melhor Filme, embora tenha ganho o dos Efeitos Especiais com 2001: Odisseia no Espaço (obrigado, Mestre Slip!). Perante estes dois exemplos, fazia sentido esperar que Avatar tivesse o destino de Titanic: afundar a cerimónia em mediocridade.
Avatar perdeu, Estado de Guerra ganhou. Dos filmes nomeados, só vi Inglourious Basterds, o melhor filme de Tarantino desde Pulp Fiction, e Up – Altamente. Sobre o Inglourious Basterds ainda quero escrever um post, mal tenha disposição; sobre o filme de animação da Pixar – também feito em 3D e com muitos computadores – só me apetece dizer o seguinte: dois minutos de Up são mais autênticos, imaginativos, emocionantes e humanos do que duas horas de Avatar.
5/Março/2010

Um rapaz paquistanês castiga com um pontapé uma ovelha que lhe roubou uma folha de couve que transportava na bicicleta. O fotógrafo captou um raro momento de alegria no quotidiano de um arruamento muito pobre da cidade de Rawalpindi, na província de Punjab, habitada por cerca de 2,7 milhões de pessoas. [Foto: AP/ Muhammed Muheisen]
5/Março/2010
Raras vezes as declarações de um político fizeram tanto sentido para mim. É, de longe, a mais sensata e ponderada análise ao que se está a passar em Portugal com magistrados, jornalistas e bufos.
Trata-se de uma intervenção de Garcia Pereira num programa da RTP sobre o estado da Justiça Portuguesa e a sua relação com a Comunicação Social. Uma lição de Democracia, em primeiro lugar, porque o dirigente do MRPP está muito longe de ser um apoiante deste Governo; e um alerta para todos aqueles que insistem em confundir a revolta com este jornalismo de sarjeta disfarçado de jornalismo de investigação e a defesa cega de um primeiro-ministro por razões exclusivamente partidárias.
Haja ao menos um político com tomates para dizer o que devemos ouvir. Que esse político seja, ao mesmo tempo, um incondicional adversário de Sócrates, só contribui para tornar o momento ainda mais importante. Link
4/Março/2010

Magnífica imagem da galáxia espiral NGC 4565 no sítio Astronomy Picture of the Day
2/Março/2010

Foto: Mark Humphrey
O Super Blog Awards é um concurso de blogues – pretende ser uma espécie de Óscar da blogosfera, mas em vez de se exibir a estatueta oferece-se uma imperial para refrescar a sede de reconhecimento.
Para se participar no concurso de blogues não basta ter um blogue, é obrigatório colocar no template uma carica da Superbock (chamam-lhe dístico) com um link permanente para a página do concurso. Podes ser o autor de um blogue sem actualização há seis meses – desde que tenhas lá a carica, és elegível. Se quiseres participar no concurso o principal pré-requisito não é a qualidade ou consistência, mas apenas a tua disposição em fazer do teu blogue uma ferramenta gratuita de promoção da Superbock.
Para poderes ficar no feliz grupo de nomeados, os teus visitantes devem fazer o favor de votar no teu blogue. Infelizmente, para ser possível votar no blogue da nossa preferência, é obrigatório registarmo-nos na Superbock. Para nos registarmos, devemos preencher obrigatoriamente campos com o nosso nome, email, número de telemóvel ou telefone, morada, código postal, localidade e distrito.
Há maneiras de contornar o problema, como explica o Ma Ke Jeto, Mosso, mas estou certo de que o Ma Ke Jeto, Mosso corre o risco de ser desclassificado se a Superbock descobrir que um dos seus promotores está a minar a engorda da base de dados.
Um concurso que tem como intuito «apresentar à comunidade blogueira exemplos excepcionais de expressão individual online» não devia ter nenhum item obrigatório – arrisca-se a que os tais exemplos que procura apresentar os mandem à merda ou simplesmente os ignorem, como de resto acontece. Os prémios da Superbock não representam a blogosfera portuguesa, mas aquela que se deixa instrumentalizar por uma marca. E embora eu não tenha nada a ver com o assunto, detesto ver blogues que gosto e bloggers que respeito a participar nesta fantochada das arábias.
Ainda mexe
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