

Um artigo publicado neste site, dedicado ao significado das cores, ensina-nos que o vermelho sugere «energia, força, paixão, estimula o metabolismo, aumenta o ritmo respiratório, a transpiração, o apetite e eleva a pressão sanguínea.»
Qualquer visitante do Bitaites sabe que eu perco muito tempo com o design do blogue. Comecei por modificar um tema já existente; finalmente, peguei num tema em branco só com o código PHP e classes vazias de CSS e criei o meu próprio tema – bom ou mau, é meu. Tem a vantagem de não existir em mais lado nenhum e ajuda a reforçar a identidade de um blogue.
Aprendi algumas coisas básicas que qualquer web designer já está farto de saber – não faz mal, este não é um post para os prós, é para amadores como eu. Um conjunto de dicas que poderão ajudar a desenhar um blogue que cumpra os mínimos olímpicos em termos gráficos.
A ordem dos pontos é subjectiva: fui escrevendo à medida que me ia recordando.
E agora, assoado o nariz de cera, as coisas propriamente ditas
1. Internet Explorer: não podes vencê-lo, mas ninguém te obriga a juntares-te a ele.
2. Design é 10 por cento de beleza e 90 por cento de organização. Uma casa com móveis muito bonitos e de grande qualidade não causa grande impressão ao teu hóspede se guardares as meias no frigorífico e a cerveja no cesto da roupa suja.
3. Faz-te bem perder uma hora com pormenores insignificantes que só tu reparas. Aprendes bastante com todas as mariquices que procurares implementar no teu blogue usando apenas o código.
4. A sidebar não é uma arrecadação onde penduras toda a merda que encontras. A não ser que seja um blogue de astronomia, duvido que o teu visitante esteja interessado em ver as fases da Lua. E antes de meteres mais um relógio todo catita em flash, pondera na possibilidade de o teu visitante também ter um relógio no ambiente de trabalho ou mesmo no pulso. Não faças da sidebar um arranha-céus de irrelevâncias. E que interessa mais um gadget a mostrar o livro que estás a ler? Se lês, então escreve sobre o que lês, afinal tens um blogue ou uma montra?
5. Ainda a propósito de mariquices: agora que já te divertiste a experimentar uma data delas, dá mais um passo na direcção certa e livra-te de quase todas. Deixa só ficar as que forem realmente úteis à navegação do teu blogue.
6. É verdade, cá vai mais uma regra óbvia: o design de um blogue deve estar ao serviço do conteúdo, não o contrário.
7. Só porque gostas muito de duas cores não quer dizer que combinem bem uma com a outra. Abdica de uma e experimenta várias tonalidades com a tua outra cor preferida.
8. A relação entre os elementos do design é mais importante do que os elementos vistos individualmente. É esta a razão pela qual tive de abdicar da minha Scarlett Johansson das fontes, a Georgia: safa-se nas citações e em legendas, mas ao ser usada nos blocos de texto não combina bem com os restantes elementos.
9. Never underestimate the power of the White Force.
10. É uma tentação justificar o texto – eu que o diga! Qual é o segredo para inverter a tendência que temos em achar que texto justificado fica mais bonito? Resposta: redireccionar o olhar. Observa um texto justificado: em vez de dirigires o teu olhar para a forma como está todo alinhado de um lado e do outro, concentra-te nos buracos que surgem no interior do bloco de texto. A pouco e pouco, deixarás de os poder suportar e alinharás o texto à esquerda. E tem em atenção que largar o texto justificado é como deixar de fumar: é possível que tenhas uma recaída. Se isso acontecer, insiste. Esfrega os olhos e tenta outra vez.
11. Quanto menos fontes, melhor. Uma, duas, três, no máximo dos máximos e tendo sempre em conta que a escolha dos tamanhos deve obedecer a uma hierarquia: a mesma fonte para o texto, a mesma para os títulos, escolha de tamanhos consoante a importância de cada elemento na estrutura do blogue, por aí fora. Usar múltiplas fontes de post para post destrói completamente a consistência gráfica do teu projecto. Dá-lhe um ar amador. Tal como o texto justificado, prejudica a leitura do conteúdo.
12. A propósito: na net, os parágrafos são teus amigos. Lençóis de texto dão sono.
13. Sempre que metes música a tocar de forma automática no blogue, um gatinho muito querido e inocente morre na China. Lembra-te disto, por favor.
14. Seguiste estas regras, trabalhaste no duro, consultaste os melhores sites, fizeste um tema todo teu e todo fixe, e sentes-te capaz de escrever um post como este? Excelente! Agora só falta aprenderes o mais importante: não ficaste a perceber um boi de design, pá, apenas ficaste com mais meios para disfarçar a sua ausência.
15. É provável que as tuas preciosas conclusões sejam desmentidas na zona de comentários sem dó nem piedade por quem tem mais olhinho para isto do que tu. Prepara-te assim para a eventualidade de não teres razão. Perde o teu orgulho, ganha o teu blogue. Já me aconteceu algumas vezes. Bem, muitas. Foda-se, demasiadas.