O velho conde e outras histórias
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E se o escritor irlandês autor de Drácula vivesse nos dias de hoje e fosse um blogger? Melhor ainda: e se as principais personagens do livro de Bram Stocker – de Jonathan Harker, o noivo de Mina, à bela Lucy, noiva de Lord Arthur Holmwood – fizessem parte de um blogue colectivo chamado Drácula?
Demasiado rabiscado? Têm toda a razão.
O que se passa é muito simples e exige mais trabalho de dactilógrafo do que de verdadeiro escritor. Para quem nunca leu o livro: Stocker contou a história do conde Drácula fazendo uso de cartas que os personagens da novela iam enviando uns aos outros. Por exemplo, Harker vai escrevendo à noiva Mina cartas nas quais descreve as conversas com o Conde no castelo da Transilvânia.
Então e se essas cartas fossem transformadas em posts actualizados ao ritmo das datas do livro? É precisamente este o expediente usado para encher um blogue inteiro de sangue: Dracula Blogged.
O livro de Bram Stocker é um clássico – sobreviveu não apenas devido aos seus méritos literários, mas também graças a algumas belíssimas adaptações do cinema: Nosferatu, de 1922, realizado pelo mestre Murnau, foi a primeira que se fez e continua a ser uma das melhores. A propósito: podem sacar o filme inteiro em qualidade MPEG1 a partir do Internet Archive. Tomem lá o link.
Dos outros filmes que conheço, só vale a pena referir o que Copolla fez em 1992 – mas este só dá para sacar de forma ilegal, ou seja, chupando o sangue do pescoço dessas virgens indefesas que são as pobres distribuidoras.
Transformar documentos históricos em blogues, sejam livros de ficção ou factos reais, pode ser um expediente ainda mais dramático quando envolve a vida de seres humanos que de facto viveram, sonharam e morreram. Vejam o caso deste blogue, feito com transcrições de cartas escritas pelo soldado William Henry Bonser Lamin, combatente na Primeira Guerra Mundial.
Lamin foi para a guerra em 1917, deixando para trás a mulher e os filhos menores. Tal como no exemplo do blogue de Drácula, os posts são actualizados respeitando as datas originais das cartas – com a diferença de que são publicados exactamente 90 anos após os acontecimentos. O leitor do blogue desconhece o destino deste soldado: tal como a família a quem elas foram dirigidas, terá de esperar pelas cartas para saber se William Lamin sobreviveu à carnificina das trincheiras.
























Eu vou escrever (melhor dizendo/escrevendo, estou a escrever) um comentário só para dizer obrigada.
Obrigada.
Pelo link para o site com o Nosferatu (que está a 18€ na fnac), que também tem outras maravilhas que já andei a explorar!
Acompanho o blog em silêncio. Continua sem fumo e com a bicicleta, e a escrever, que assim vou tendo sempre alguma coisa nova (ou não) para descobrir (ou reencontrar) ao fim do dia!
Obrigado, Sara. É sempre um prazer aumentar o meu PageRank.
ESTOU A BRINCAR
Tás Tás…