
Se fosse o Tózé a mandar, estes marginais do MP3 entravam logo no eixo.
Só que os palermas molengões do Parlamento Francês resolveram chumbar hoje o projecto-lei que permitia a suspensão até um ano da ligação à Internet de utilizadores reincidentes na descarga ilegal de conteúdos audiovisuais, como filmes e músicas.
Durante o período de suspensão, o utilizador seria obrigado a manter o pagamento da ligação on-line aos ISP – uma maravilha. Eis um projecto preocupado apenas com a perpetuação imoral do lucro e que teria sido, também, uma proposta de «cumplicidade» entre as editoras e os fornecedores de acesso à Internet: os senhores dos ISP que não se preocupem, pois mesmo que a ligação seja suspensa, o dinheiro da mensalidade do «ladrão» continuaria a encher os vossos bolsos.
O estratagema falhou. É pena, Tózé, que não se possa resolver o problema dos downloads ilegais da mesma forma como se resolvem os problemas das melgas: à chinelada. Se fosses tu a mandar, tenho a certeza absoluta, sacavas um desses lindos chinelos amarelos e esmagavas o criminoso ainda antes de se aproximar das paredes do tribunal. Sempre que te apetecesse puxar do chinelo da lei, pimba. Menos um. Os downloads ilegais seriam punidos exemplarmente – «a prisão de meia dúzia de pessoas que agem ilegalmente, de forma sistemática, teria efeitos positivos», disseste-o a 5 de Março – e o mundo perfeito que resultasse destas medidas profilácticas seria um onde o acesso livre à música estaria para sempre condicionado às decisões de marketing das editoras. Ao lucro, portanto.
Compraríamos CDs a preços desonestos e seríamos proibidos de vos chamar ladrões; não poderíamos tocá-los onde e como quiséssemos – só nas condições previamente determinadas pelo Tózé e os seus amiguinhos pró-DRM. Este seria um mundo onde o superior interesse dos músicos e de todos os que os ouvem seria tão relevante como o voo musical da Abelha Maia. [Foto: Gustavo Bom]
Adenda: leiam esta entrevista a um músico livre do jugo das editoras.
14 comentários
Por curiosidade, esta imagem era deste tamanho ou maior? E sendo maior podes indicar-me onde a posso encontrar?
Paula, dá-me um email que eu envio-ta em tamanho astronómico. Podes usar marcosantos (at) bitaites (ponto) org
Ó Marco a proposta era mesmo assim?! Cortar o acesso e obrigar o utilizador a pagar o serviço?
Quanto ao Tozé… Ele tem que fazer pela vida, e o trabalho dele é mesmo esse: defender a porcaria da industria musical, que estranhamente nada tem a ver com música. Não quer dizer que seja a opinião dele ou até, que ele próprio tenha não tenha vários álbuns “sacados”!
Cumps.
Marco, tens um erro no título do post.
Oops, pois tenho. «Este» em vez de «estes». Obrigado, QuemSouEu.
Este post combinado com a expressão do Tozé na foto faz-me rir, não sei porquê.
Quanto ao conteúdo do post, AMEN.
http://fora-de-cena.blogs.sapo.pt/115099.html
Pedro, antes do teu comentário já tinha colocado no post o link para a entrevista (adenda).
esta gentinha que ganha rios de dinheiro à custa dos que realmente produzem têm uma lata do tamanho da sua falta de vergonha.
abraço e bem dito!
Que sigam o exemplo do país irmão onde os CD’s originais vendidos apenas servem para criar as cópias piratas, no entanto os artistas que TRABALHAREM e que façam MUITOS espectáculos, conseguem ganhar IMENSO dinheiro.
Eu também tive um negócio que dava e que deixou de dar, quem me protege?
Bem-vindos à realidade.
Abraços.
GatoPreto
Quase todos os “cantores” que apregoavam a liberdade embuídos de um espírito revolucionário tão em voga no pós 24 de Abril já se encontram há muito rendidos ao brilho do ouro. Salvem-se as raras e honestas excepções das quais o “Abelha Maia” não faz parte com toda a certeza.
Cambada de hipócritas!
Fiquei satisfeito pelo facto daquela horrível Lei não ter passado. Mas voltarão à carga, sem qualquer dúvida. Medo, muito medo é o que tenho deste pequeno e ridículo “napoleãozinho” da treta.
@braço.
PS: Andava a seguir atentamente o desenrolar destes atentados à liberdade humana, principalmente em França já que nos outros lados já tinham abortado os idênticos execráveis projectos, mas não sabia que o “pirata” teria que pagar ao ISP durante um ano!
Era tão bom se a lei pudesse ser adaptada aos interesses de cada um…
Mas felizmente não pode. E nunca para resolver problemas concretos já que, thank God, a lei tem que ser SEMPRE geral e abstracta, isto é, não pode dirigir-se a uma pessoa ou situação específica.
Convém o Sr. das chanatas de menina informar-se antes de proferir as alarvidades que tem proferido nos últimos tempos.
Que tal adaptar-se à nova realidade do mercado e ser inteligente para variar?
1ª medida:acabar com o ridículo “Top +”, que, para além de ter o totó do Francisco Mendes a apresentar, já há muito deixou de ser barómetro para a AFP determinar a música que o público efectivamente ouve…e mesmo a que compra, já que não há qualquer registo das vendas feitas on line via iTunes e outras. E acho que posso afirmar com alguma segurança que o grosso da música comprada ou pelo menos uma larga percentagem tem essa proveniência. É praticamente senso comum para todos aqueles ue não estão fechados no escritório a olhar para os dedos dos pés e a pensar em novas maneiras para extorquir dinheiro aos contribuintes.
ACORDA TOZÉ!!!!!
Não acordes ToZé! Deixa-te estar assim à espera que caia qualquer coisa do céu, espera bem sentadinho nesse teu escritório cheio de cd’s… foram comprados eles…?
Brilhante.Sou fa deste blogue.Inspira-me para escrever as minhas piadas no palpitar.netVoltarei