São tantos os que se manifestam contra o acordo ortográfico que chega a ser comovente verificar como a malta tem levantado a voz para defender a língua portuguesa. Só tenho pena que uma significativa maioria dos que defendem a nossa sagrada ortografia não o faça enquanto a escreve. Se escrever correctamente nunca fez parte das preocupações dessas pessoas, qual a motivação que as leva agora a rejeitar o acordo com tanta veemência?
20 comentários
O problema para quem não consegue escrever correctamente, é que se continuarem a fazer alterações então é que nunca mais hão-de conseguir fazê-lo
Eu acho que é um bocado… "eu dou erros e gosto da minha forma alternativa de escrever o português complexo", se houver acordo e a língua for mais simples deixa de ser tão complexa e sofrível a erro, logo acaba-se a minha escrita alternativa cheia de erros, logo eu não quero isso!
Certo, caso absurdo, análise freudiana muito mal feita. Mas as crianças fazem destes números
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Nem sempre as pessoas têm culpa de não saberem escrever correctamente. Podem é ter de não quererem escrever melhor!
Mas a culpa disso é do sistema de ensino, que gosta de treinar os alunos na arte da interpretação dos textos e só dá uma passagem rápida pela gramática. Pelo menos comigo foi assim.
Bruno, erros todos dão. A começar por mim. Admira-me é ninguém reconhecer que a defesa da língua portuguesa se faz, em primeiro lugar, pelo esforço de a escrever correctamente. Erra-se, tudo bem, mas ao menos nota-se o esforço.
Para as pessoas que escrevem mal e nunca se preocuparam com a nossa língua, este acordo ortográfico parece ser apenas um jogo Portugal-Brasil.
Ou uma forma de passarem a escrever correctamente.
Eu, pessoalmente, não tenho nada contra um acordo ortográfico. Mas este faz-me confusão, porque não se está a tentar chegar a um possível consenso: está-se a tornar o português brasileiro padrão. Esta é a ideia que eu tenho dele, com base na pouca informação que consegui recolher – a maioria das coisas que li era ruído e pouco deu para aproveitar.
A minha humilde opinião é que as pessoas não estão minimamente preocupadas com a história da língua portuguesa ou a identidade de Portugal… estão é preocupadas com o trabalho que isso lhes poderá trazer: o de terem de aprender uma nova língua. Eu não sou a favor nem contra o acordo ortográfico, pois por um lado adoro a nossa língua e as suas nuances e é com pena que admito que não a conheço totalmente; por outro acredito nas coisas boas que uma unificação nos poderá trazer, tais como a fortificação da língua portuguesa como um dos idiomas mais falados do mundo, aproximação de culturas e partilha de conhecimentos. Pessoalmente não acredito que este acordo ortográfico vá fazer com que percamos a nossa identidade, tal como um alentejano não perde a sua identidade por viver no mesmo país que um nortenho.
Eu até me estava a preparar para cometar este "post", mas fiquei tão surpreendido com o ter que me registar que me ia esquecendo do meu propósito.
Quando aqui cheguei e fui abordado com " Olá, Torres. Quer comentar ou sair?", esqueci-me completamente e saí.
Na fás mal. fica pá prossima.
Abelha, para o "calão" também há acordo?
A língua segue um desígnio: aproximar as pessoas. Seja socialmente, seja comercialmente. Se o acordo contribuir para aproximar Portugal e o Brasil, não vejo qual é o problema.
Enfim, preciosismos pseudo-patriotas e bacôcos. Vamos é voltar a escrever pharmácia e Vimarães, não vá alguém ficar ofendido…
Estou profundamente convencido que a grande maior parte das pessoas que dizem não a este acordo, pensa que se trata dum acordo para mudar a língua portuguesa e aproximá-la da língua "brasileira". A verdade é que a língua portuguesa não sofre alteração nenhuma, irá continuar-se a falar como se fala agora, com todos os dialectos e sotaques, e sempre evoluindo.
O acordo é apenas e sómente ortográfico, visando aproximar a maneira de escrever de todos os países lusófonos. A língua evolui e a ortografia tem de acompanhar o que se fala! Tem sido assim com a língua portuguesa há quase 900 anos, ou ainda alguém acha que escrevemos ou falamos como o "Dom El Rey Affonso Henryqves"? Basta pegar num livro escrito do princípio do século XX para se poder constatar as grandes diferenças na escrita em 100 anos!
Cumprimentos
Tenho o prazer de trabalhar com professores (eu também um membro desse fabuloso grupo de usurpadores dos direitos dos jovens) e um deles, uma professora de português, teve o cuidado de me tentar explicar, de forma inteligível para um gajo de ciências como eu, as principais alterações deste acordo.
A conclusão a que chego é que foi o Brasil que descobriu Portugal à não sei quantos anos atrás… eles apenas andaram a gozar connosco estes anos todos…
Agora a sério. Se é necessário um acordo ortográfico novo, por mim tudo bem, mas sinceramente não me parece o melhor momento para o fazer nem a melhor forma.
1)Perdemos um grande número de traços ortográficos que nos diferenciam do "português-brasileiro" que nem sequer existe como língua estrangeira(corrijam-me se estou errado)
2)A ortografia dos jovens já é suficientemente má com todos os k’s e x’s i frajex xem xentiduh nhenhum…
3)A educação e o país já tem tanto com que se preocupar que enfim… mais isto não nada bom.
Conclusão final: Parece-me cada vez mais que é uma medida para tapar olhos na medida em que andamos todos a discutir isto enquanto os … senhores… do parlamento aprovam um infindável número de leis para nos fuderem (desculpem a linguagem…)
Cumprimentos (desculpem o comentário longo)
ajustar um tanto ali e aqui a ortografia é na verdade um troço bem conservadorzão. há nisso qualquer lógica. mas me incomoda demais gente ficar querendo matar a pobre da crase
por mim, valia muito mais (pelo menos aqui pro brasil) mexer na sintaxe e dizer que agora vale dizer "olhei ele". claro que por aí todo mundo acharia um absurdo, mas isso sim eu chamaria de MUDANÇA, e não essas sem vergonhices café com leite que ficam fazendo só pra dizer "veja como somos todos bons amigos".
os franceses, por exemplo, não mexem na ortografia desde… ham, sei lá desde. ortografia é peanuts. acordo ou não, sei lá se faz alguma diferença.
mas podiam deixar a crase e a trema em paz.
(assim vou acabar sendo despedida, eu que corrijo redações de alunos do ensino médio hahaha. não vão mais precisar de mim!)
Ao ler o comentário da colega brasileira apercebi-me do tom "Portugal é superior" de algumas frases do meu comentário acima… Não era essa a minha intenção. Nada tenho contra os brasileiro, a sua língua e expressões…
As minhas mais sinceras desculpas.
Bah, é simples: os Portugueses odeiam Brasileiros. Desde a última grande vaga de imigração de Brasileiros para o nosso país, a aversão a este povo cresceu exponencialmente.
Como dizia alguém há uns tempos atrás num café: não consigo abrir uma tampa de sanita sem que me saia de lá um brasileiro.
É claro que ninguém quer dizer isto, porque é politicamente incorrecto. Mas eu estou-me cagando e portanto aqui está a verdade. E é de graça.
@pedrocs
Tenho colegas a trabalhar comigo que são brasileiros, contacto diariamente com muitos brasileiros em vários locais de trabalho e de lazer e gosto bastante de o fazer. Eu sou Português e não me identifico com a tua afirmação de que odiamos os Brasileiros.
Fala por ti e não por mim.
E não estou a querer ser politicamente correto, é mesmo o que penso e sinto!
Cumprimentos
…tampa da sanita…cagando….
Marco, nesta fase dos comentários assentava bem aqui a tua bufa (a que deixaste no elevador (da Inglória).
Eu sou contra o tal acordo ortográfico. Genericamente porque entendo que não faz falta nenhuma a qualquer uma das partes. Por outro lado, o Brasil em todos estes anos andou-se a baldar ao bom português, não se conhecendo nenhum esforço no sentido do seu bom exercício. Não vejo porque tenha que ser a língua mátria ou pátria a aproximar-se da língua filial. É uma questão de princípio. Depois, acordo que se preze, tem que comportar um esforço comum em partes iguais, o que não acontece. Basta ver a quantidade de palavras que temos que mudar, comparativamente ao Brasil.
Mas este assunto, como todos os que implicam duas posições antagónicas, daria pano para mangas.
Excelente observação:
Sou a favor do acordo ortográfico e já o referi aqui no Bitaites e não só.
Pessoalmente sou contra o acordo porque se está a perder a identidade, entre outras causas. Mas esta é a minha modesta opinião. Concordo em absoluto que Portugal tem um grave problema na componente educacional. Fizeram-se experiências em todas as direcções, desrespeitaram os professores e por reacção os alunos. Ou seja fomentou-se o facilitismo, incompetência e o laxismo. Mas se verificar-mos não é só na Educação que Portugal apresenta um défice bem
vincado. Note-se a Justiça, Saúde, Segurança, Economia etc.,praticamente temos também graves desiquilibrios. A Eslováquia e a Eslovénia já estão à nossa frente e esta semana saiu um relatório da UE Relatório – partilha de rendimentos
Portugal é o pior da UE.
Pois o acordo são "peanuts" comparado com os reais problemas do país. Desculpem este desabafo mas estou deprimido e a ajudar à situação sou adepto do Glorioso.
Dasse!!!
Espero não ter cometido algum erro.
Jorge, todos cometem erros. Espero que nem tu nem as outras pessoas se preocupem demasiado com isso quando comentam aqui. Não sou nenhum nazi da gramática ou da ortografia. Errar é aprender.
@redtuxer, o que escrevi é obviamente uma enorme generalização, mas basta ir para um café para que nos apercebamos dessa mesma realidade.
Acho que não podemos descolar-nos daquilo que se diz nas esquinas e o sentimento generalizado é o que eu descrevi. Não vale a pena tapar o sol com a proverbial peneira.
Tu não pensas assim, mas muita gente pensa. Eu sou suspeito, porque não tenho nenhum ódio étnico nem racial por aí além, mas tenho uma família de brasileiros a viver no andar de cima que me f**** o juízo diariamente e, digamos que oiço o sotaque tantas vezes em contextos tão desagradáveis que o dito se tornou desagradável para mim, por inerência.
Começa a falar com pessoas por aí, nas ruas, nos cafés, nos táxis, nos transportes e vais certamente concordar que uma grande fatia da população tem algo de negativo a dizer sobre os imigrantes brasileiros em Portugal.
Mas como eu costumo dizer: eu não discrimino – odeio toda a gente por igual, até prova em contrário.