Existem três motivos para ainda não ter largado o Windows de vez e nunca mais olhar para trás: um leitor de áudio chamado Foobar2000 e um programa para ripar CDs conhecido pela justíssima designação de Exact Audio Copy (EAC). O terceiro motivo são os jogos Civilization, de Sid Meier, mas este não interessa para o caso.
O EAC é o melhor programa do mundo para ‘ripar’ música. Não é o mais rápido nem o mais atractivo – é simplesmente o melhor.
A minha costela de audiófilo maníaco-perfeccionista não me permite extrair o conteúdo de um CD à balda. O objectivo deste post é precisamente ensinar os utilizadores de Windows a ripar um CD com a melhor qualidade possível.
Este método é diferente da simples conversão para MP3 devido ao facto de o MP3 ser um codec lossy, ou seja, faz a compressão dos ficheiros áudio à custa da qualidade sonora, deixando de fora os bits de informação que “julga” ser os que menos diferença fazem aos nossos ouvidos.
Como a compressão por MP3 é feita à custa de bits “largados fora”, não é possível recuperar a qualidade original do som, mesmo que se tente a reconversão para o formato .wav. Isto está muito bem para quem não se interessa assim tanto pela qualidade sonora, mas quem gastou dinheiro numa boa placa de som deve experimentar esta solução. Não implica gastar dinheiro em software (ou pirateá-lo) porque envolve a utilização de programas freeware (Foobar2000 e EAC) e Open Source (Flac – codec lossless que vamos usar).
Ao contrário do MP3, os chamados codecs lossless preservam todos os bits de informação contidos no ficheiro áudio original e, ao mesmo tempo, conseguem fazer uma compressão bastante razoável.
Se quisermos reverter o processo – reconverter para .wav e depois gravar outra vez para CD – ficaremos com o som exactamente igual ao original. Digamos que o codec lossless é uma espécie de Winzip para ficheiros de música. E o melhor disto tudo é que podemos ouvir os Flac sem precisar descomprimi-los – e estes têm uma qualidade de som muito superior ao MP3. Eu gastei uma pipa de massa nuns phones Sennheiser para ouvir música enquanto estou no computador. 90 por cento da minha música é Flac. Acreditem que a diferença é enorme.
Por que razão então se continua a usar tanto o MP3? Bem, é simples: como os ficheiros MP3 ficam muito pequenos, são mais fáceis de partilhar. Um ficheiro .wav original de 40Mb pode ser reduzido a 5Mb quando convertido para MP3. No caso do codec lossless, fica com metade do tamanho, 20Mb (Sim, eu sou muito bom a fazer contas). Além disso, são raros os leitores portáteis que suportam Flac. A página oficial, contudo, contém informação e uma lista das empresas de software e hardware que suportam Flac.
Se o objectivo é ripar CDs para o PC com a máxima qualidade, então é este o vosso guia. Mesmo aqueles que preferem o MP3 por causa dos leitores portáteis têm todas as vantagens em usar o EAC e seguir este método, pois ficam com o melhor programa para ripar e calibrado ao milímetro. Portanto… Aos interessados é só virar a página.
Espera! Como é que sabes esta merda toda, pá? Gamaste num site estrangeiro, foi?
Mais ou menos. Durante muito tempo fiz parte de um tracker privado onde se tinha o hábito de partilhar boa música. Como era essencialmente música pouco comercial, ninguém dava pela nossa existência. E só se entrava por convite.
Era uma espécie de Fight Club mas sem ser preciso andar à porrada ou mesmo sair da secretária. Por vezes havia picardia entre defensores dos Beatles e do Zappa, mas normalmente aquilo era um sossego de downloads e uploads. E as velocidades, senhor, as velocidades! Ali não havia putos manhosos a mamar largura de banda. E era mais uma tertúlia académica do que uma reunião de piratas (se é que alguma vez esta distinção fez sentido).
A malta vinha dos quatro cantos do mundo e tinha em comum o gosto pelo jazz, rock sinfónico e a tal pancada audiófila. Todos usavam este método para ripar os CDs e discutiam-no com frequência nos fóruns de discussão, mas ninguém fizera um guia mais ou menos consistente para todos consultarem. Acabei por fazê-lo, em inglês, que foi depois submetido à comunidade, corrigido e finalmente aprovado por todos os carolas menos um, que insistia em alterar uma merda qualquer que ninguém chegou a perceber. Acho que o gajo devia fumar charros ao som dos Gentle Giant. Bem, agora é que começa o guia. Sigam para a página seguinte! (Para quem acompanha pelos feeds: link)
Páginas: 1 2
27 comentários
Gostei da dica. Já sou grande fã do Foobar2000 e só agora conheci o EAC
O meu conhecimento de aplicações para ripar CDs não é grande coisa, mas podes encontrar umas poucas para GNU/Linux aqui: http://gnomefiles.org/subcategory.php?sub_cat_id=117.
Para deixares de vez esse Foobar – muito porreiro, diga-se de passagem -, recomendo-te um tratamento de Rhythmbox, XMMS, Banshee, Aqualung, BMP, BMPX, christine, Exaile, Muine, Listen, Quod Libet, Audacious ou Totem.
Já tentaste emular o jogo com o Wine ou o Cedega?
Estás lá! Bom post sim sr!
Não queria dizer nada de especial, venho apenas deixar um feedback mt positivo.
Berinaisse.
Já uso o Foobar há uns 2 aninhos e o EAC há bem mais do que isso. I never looked back.
Bom guia, sim senhor.
para que usar o flac frontend quando o EAC faz o encoding directamente e automatizado?
So tens que ajustar -6 para -8 nas configuraçoes default do EAC
Post de qualidade PRO!
Continua assim e tens uma proposta de 1 million dollar de uma papão do cibermundo!
Mas que guru de ripanço me saiste!
Já conhecia tudo, mas nunca é de mais agradecer e elogiar este tutorial. Muito bem feito. Parabens
O som mais puro que se ouve é ao vivo. Não há gravação que chegue aos calcanhares de uma orquestra ao vivo. E como estamos desabituados de o fazer…
Excelente artigo.
Que mais dizer?
O EAC tb é optimo para recuperar cds riscados. Eu uso juntamente com esta espécie de plug-in http://www.accuraterip.com/. Básicamente compara os ficheiros ripados com uma base de dados.
Quanto a largar o windows de vez, para o Civilization temos o FreeCiv, penso que o wine corre o EAC e o Amarok há muito que me faz salivar pelo linux.
boa marco, a recordar velhos post ainda da Revista bits;)
ah pois quem é fã nunca esquece….é bom para os novatos;)
continua assim ()
“Porque razão então se continua a usar tanto o MP3?” – Acho que só deste 50% da resposta. Os outros 50% são “porque a porcaria que os putos ouvem hoje em dia, pouca diferença faz se tem mais um Hz ou menos um Hz porque o conteúdo não altera, desde que dê muito, MUITO alto.”
@Marco
E para o DSP do Foobar, tens algumas preferências?
Umas dicas?
@FNP.PT: Activa o Resampler e o Crossfeed (se usares phones) e fica-te por aí – quanto aos valores que deverás colocar, isso depende da tua placa de som. Vê nesta página
Só um pequeno reparo:
Neste post é referido o formato “WAV” como a referência da peça original. Isto é verdade apenas quando o dito ficheiro está em formato PCM.
Ora o formato “WAV” nada mais é que uma “norma” mux (a RIFF). Uma peça dentro de um ficheiro “WAV” pode apresentar qualquer compressão – incluíndo MPEG1 Layer3.
No fundo, ao olhar para uma extensão “WAV” não devemos assumir o que quer que seja acerca da sua compressão, tal como “AVI” ou mesmo MPG.
TexAIR
É isso mesmo, TexAIR. Tens toda a razão. Boa malha.
Txi… CIV rocka \m/
bom post
pessoalmente prefiro o dbPoweramp – acaba por ser mais rápido, e sou mais impaciente que perfeccionista…
Falavas dum tracker privado, faz falta um tracker com música portuguesa e requisitos mínimos de qualidade ou sou eu que ando mal informado?
é por isso que toda a musica de jazz qe tenho está num formato esquesito? .OGG
@é
OGG é bastante semelhante ao MP3, mas sem as patentes e consegue ter um bocadinho mais de compressão com a mesma qualidade.
Epá só há um problema… só do Zappa tenho 1100 faixas. Quem tem disco para isso tudo em FLAC?
é verdade..quem quiser ter a “discografia” do Z. tem de ter uns fora do normal 10 gigas livres, so em mp3
Boa recuperação.
Deve estar a fazer 2 anos (?) quando este artigo foi postado pela 1ª vez aqui.
Para mim valeu mais uma vez a pena e agradeço, uma vez que por descuido na 1ª não levei a coisa a fundo e só fiquei a perder.
ABraços
O de há dois anos era diferente, mais simples, está aqui. Torres, já és um velho amigo, conheces isto praticamente desde o início embora não comentes muito!
É verdade Marco.
O mais engraçado é que foi precisamente “este” post que me deixou agarrado ao bitaites.
Todos os dias cá estou.
Umas vezes desiludido porque a imagem é a mesma do dia anterior, outras em que fico realmente admirado com os tópicos apresentados.
Um grande abraço
P.S. parafraseando alguém “continuem o bom trabalho”
Já ripei o Cd com o método indicado. O meu problema (problema de quem não sabe nada do assunto) é o seguinte: com que formato devo gravar para um CD de modo a poder ouvi-lo no carro?
Já agora o FLAC em Vista deu-me este erro: runtime error 75 (a seguir vinha qualquer coisa como direitos de admnistrador requeridos para aceder à pasta onde queria gravar o output). Creio que abrindo a aplicação como administrador o problema se resolve.
Martins
Parabéns e muito obrigado . Qualidade sempre é importante e agora podemos ter o som muito próximo do original com apenas 1 click !