Os primeiros spammers foram dois advogados. E o termo spam surgiu a partir de um sketch dos Monty Python.
5 de Março de 1994. Esta é a data normalmente aceite para o início do fenómeno spam: um casal de advogados do Arizona, Laurence Canter e Martha Siegel, enviou uma mensagem sobre uma lotaria de Green Cards para um grupo de discussão da USENET. (A mensagem original ainda pode ser lida aqui)
Foi considerado um acto de propaganda e gerou espanto e revolta nos membros desse grupo de discussão, mas não despoletou o uso ‘oficial’ do termo.
Há quem considere que a data verdadeiramente relevante para o início do spam é a de 12 de Abril de 1994, quando o mesmo casal de advogados utilizou um programa capaz de automatizar o envio da mesma mensagem para diversos grupos de discussão ao mesmo tempo. O envio de mensagens em massa chegou a provocar problemas na rede, intensificando as reacções negativas entre os internautas.
O casal soube capitalizar a fama: escreveu um livro – How to Make a Fortune on the Internet Superhighway – e, apesar dos protestos, ganhou muito dinheiro com as mensagens enviadas aos grupos de discussão. Divorciaram-se em 1996. Martha Siegel morreu quatro anos depois, em 2000. Canter ficou impedido de praticar advocacia em 1997: uma das razões que o Supremo Tribunal do Tennessee invocou para o bloquear foram as suas práticas duvidosas no envio de emails anunciando a sua actividade. Canter foi entrevistado pela Cnet.News a 16 de Março de 2002 e falou sobre o seu papel na criação do fenómeno spam (link)
Qual é a origem do termo spam? É preciso recuar outra vez a 12 de Abril de 1994. Foi nesse dia que alguém se lembrou de associar as acções do casal de advogados a um sketch dos Monty Phyton retirado da série de televisão Monty Python´s Flying Circus. Nessa rábula (vídeo aqui) um casal entra numa taberna gerida por um grupo de vikings impertinentes cujas únicas refeições que têm para oferecer aos pobres clientes são à base dos enlatados SPAM. Os vikings repetem a palavra spam até à exaustão, provocando desconforto nos clientes.
Os Monty Python estavam a gozar com uma marca norte-americana de presuntos muito conhecida: a SPAM, da Hormel. A empresa nada tem a ver com o fenómeno spam mas ver a sua preciosa marca associada a uma fenómeno tão negativo obrigou-a a emitir uma declaração separando as águas e lamentando o uso generalizado do termo.
Se investigarmos um pouco mais, descobriremos que o termo Spam foi cunhado em 1936, ano em que a Hormel se preparava para lançar um novo enlatado de presunto e ofereceu 100 dólares a quem apresentasse a melhor proposta para o nome. O vencedor foi um actor da Broadway chamado Kenneth Daigneau, irmão do vice-presidente da empresa, Ralph Daigneau. Kenneth criou a palavra a partir da expressão spiced ham: ‘sp’ de spiced, ‘am’ de ham.
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