Caramba, amigo, vamos ter um pouco de calma.
Que dizer dessas notícias que falam na possibilidade da existência de um planeta gigante nos subúrbios do Sistema Solar? Toda a gente anda a falar nisso. Os lunáticos do 2012 já estão com os pêlos das costas arrebitados por causa do gigante. Ele vem aí.
Ele vem aí e não é o único: três naves espaciais a abarrotar de extraterrestres reptilianos dirigem-se neste momento para a Terra – e temos as fotos que o provam!
Não, não temos. Sobre esse assunto, é favor ler este artigo. Há um limite para a quantidade de dados que o meu detector de tretatologias cosmológicas é capaz de processar.
Quanto ao nosso planeta megajupiteriano, vamos ter um pouco de calma.
Uns factos, pode ser?
Essa notícia teve origem no jornal The Independent.
O The Independent entrevistou Daniel P. Whitmire, da Universidade do Louisiana.
O professor disse ao jornalista que acreditava na possibilidade da existência de um gigante nos confins do Sistema Solar, acreditava que o planeta pode ter sido detectado pelo telescópio espacial WISE e, de caminho, acreditava que a prova da existência de tal planeta poderia ser encontrada nos dados das observações ainda por analisar. Nada de especial.
Daniel P. Whitmire estava apenas a puxar a brasa à sua sardinha.
A sardinha, já agora, não é só pele e espinhas – também tem alguma carninha para mastigar.
Há muito tempo que ele suspeita da existência de um planeta gigante na Nuvem de Oort. Em Abril do ano passado, a Ciência Hoje publicou um artigo onde noticiava que uma equipa de investigadores liderada pelo agora conhecido Whitmire (e o colega de Universidade John J. Matese) publicara um estudo no International Journal of Solar System Studies a defender essa mesma hipótese. Caramba, já aí ele propunha que o planeta fosse baptizado Tyche.
O problema é que a malta do The Independent não fez os trabalhos de casa.
Apresentou o assunto como a novidade interplanetária do ano. Abriu a boca de espanto e semeou o espanto nas bocas de milhares de leitores.
De um planeta gigante por descobrir – mera hipótese académica interessante – Tyche passou a ser a nova Némesis, a pequena estrela que acompanha o Sol e que um dia (em 2012, seguramente) vai causar uma catástrofe na Terra. Mais uma tretatologia cósmica.
Ufa, parece que desta nos safámos
Meu caro amigo, não fique preocupado: os planetas até podem ser gigantes, mas não têm pernas.
Os planetas possuem um corpo mais ou menos esférico. Desta desgraça estamos safos – a não ser que no espaço de um ano lhes cresçam pernas. Tudo é possível de acontecer, em 2012.
Se estivesse no seu lugar permanecia optimista.
Vamos supor que por causa da viragem de uma folha no calendário nascem pernas aos planetas. Se os planetas passam a ter pernas e se a Terra é um planeta, então também a Terra passará a ter pernas.
Isto é mais importante do que se pensa.
Se em 2012 aparecer em Júpiter algo semelhante a um par de pernas, não significa forçosamente que o gigante gasoso vai acordar mal disposto, levantar-se da cama cósmica, dar uns passos através do Sistema Solar e pontapear aquele planeta azul com a mania que é mais espacial do que os outros – só porque sim, porque pode e lhe apetece.
Mesmo se Júpiter nos quiser dar um pontapé, pode o meu amigo ter a certezinha absoluta que a Terra não se deixa ficar: arregaça as saias e põe-se a saltitar pelo oceano cósmico com as suas próprias pernas.
É um pensamento reconfortante, não é, uma Terra com pernas para andar.































13 comentários
A culpa disto não é só do mau trabalho do(s) jornalista(s) do The Independent, mas da evolução e da genética – aquelas coisas que nos levaram a explicar fenómenos como os relâmpagos com tretas de deuses e o catano, e isso acabou por se entranhar nos nossos genes. Agora, expurgar o nosso ADN disso é que não é fácil. Será que a depuralina resulta?
Ps: Homens lagartos? Homens águia é que era!
Uma terra com pernas para andar…muito boa ideia. Embora inverosímil, ou pelo menos altamente improvável. Pelo menos enquanto o Sócrates governar Portugal.
Lembrei-me agora de um livro que li, chamado “Hercólubus – ou Planeta Vermelho”, que fala sobre um planeta que se chocará inevitavelmente contra a Terra, e mais: lá também há “uma humanidade” que pode revidar, no caso do uso de armas nucleares!
O autor, V.M. Rabolú, ensina também a como “se salvar” de tal catástrofe, com mantras que nos comunicariam a venusianos, marcianos, etc.
Mas ele não fala de pernas…
Enquanto forem pernas não fico preocupado. Quando forem asas é que vou ter alguma preocupação.
É que as pernas nasceriam no pólo sul, mais coisa menos coisa, mas asas já a coisa muda de figura. Uma delas podia nascer mesmo na península ibérica e aí tínhamos de arranjar outro lugar para dormir.
Há malta que da importância a cada coisa…
E mesmo que tudo isto pudesse acontecer, bastava comprar uma limusina igual à do filme 2012 e estava tudo safo.
Mais um bom post, para variar.
A ignorância é uma arma terrível. Que o digam aquelas senhoras que um dia puseram as tetas à janela, para fazerem uma mamografia por satélite e depois descobriram que foram vitimas de um tarado.
Se não me engano a necessidade do planeta gigante é para explicar um desvio qualquer na órbita de Neptuno, mas como até agora só se têm encontrado para aqueles lados planetas pequenos, que eu saiba todos mais pequenos que Plutão, ainda estão a espera de encontrar o tal planeta gigante. Se o encontrar-mos e for realmente “grande” voltamos a ter 9 planetas
Se até Plutão pode se visto através de telescópios potentes, não sei como é que podem justificar um planeta gigante não sei quantas vezes maior do que Júpiter, mas que vá-se lá saber porquê ainda não foi observado.
Quanto ao planeta gigante vir a provocar desacatos cá no bairro, não acredito. Também há outras “correntes de pensamento” que acham que vem aí ainda um outro, Nibirú, uma autentica visão do inferno ou lá o que é e que, claro, vem chocar contra nós ou pelo menos tirar-nos da órbita do sol….. O Homem muito gosta de desgraças…
Mas era mesmo de uma ameaça extra-terra que precisávamos para ter aquela ameaça, que segundo uma interpretação parva das teorias de Thomas Hobbes, precisariamos para a cooperação e empatia humana a nível planetário. Há planetas que vêm por bem!
Esta teoria é tão parva que vou escrever, em blogue próprio, a sua aprofundada fundamentação!
Olá,
Só 2 complementos:
- o planeta não é maior que Júpiter. Isso foi um erro jornalístico.
- o planeta não afecta Neptuno. Está demasiado longe para isso.
Como noutros casos, o que há em toda esta história é uma palermice de um cientista (em busca de marketing), e posterior idiotice de “jornalistas” (que divulgaram copy-paste em vários jornais, sem pensarem por 1 segundo naquilo que estavam a fazer).
Podem ler mais informações, aqui:
http://astropt.org/blog/2011/02/20/tyche-planeta-gigante-nos-confins-do-sistema-solar/
abraços!
@Carlos,
Tens razão… Fui dar uma vista de olhos aqui, e reparei em duas coisas:
1. As duas primeiras referências (que são as referências do primeiro parágrafo) sobre desvios da órbita dos últimos planetas gasosos são datados da primeira metade do século XX (anos 30 a 40.
2. Uma coisa gira que está lá escrita, e que arruma com o comentário que fiz :
@Marco
É impressão minha ou estou a ver uma espécie de pop-up qualquer ali no canto inferior esquerdo?
Não é uma espécie de pop-up qualquer. Leste o que diz?
É um pop-up muito discreto a convidar-te a ler mais um post do blogue. Muito fixe!
Eu disse que era uma espécie de pop-up… Se fosse um pop-up o browser assaltava-me com uma janela… e bem, tu não eras gajo para isso
Por acaso até dá para ler bem, mas se um gajo andar a brincar com a página a fazer scrolling ela tende a perder os contornos (isto é, pelo menos no Opera). Andas a ver se metes o pessoal a saltar de post em post e assim acabar por não dormir só para ver “mais um”… that’s evil.
A mim é no canto inferior direito, e fica meio transparente com o Opera. Neste post só mesmo no fim da página é que ele resolve aparecer, contrariamente a ontem em que aparecia mal o texto do bitaite actual seja visível, mas como agora ele está com uma cor cinzenta suponho que tenham sido alterações.
P.S.: Porque é que será que quando se fala de astronomia nos nossos media, é sempre com completa azeitice a vir ao de cima?