Juro que não tinha intenção de aborrecer os leitores do Bitaites com um post sobre extraterrestres e memórias de infância, mas recebi um email de um cavalheiro que se mostrou muito indignado com a forma gozona e depreciativa com que abordei o fenómeno OVNI.
Que eu devia ter um bocadinho mais respeito.
Que devia achar-me mais inteligente que os outros.
Que devia ser uma data de coisas que já não cheguei a ler.
Os dois posts que o enfureceram foram, respectivamente, «O ET, o aldrabão e a boazona que o vai processar», publicado a 23 de Outubro de 2008; e outro, ainda mais antigo, escrito em Março de 2006, «Como começou o mito dos discos voadores».
Desejo esclarecer o indignado visitante que eu adoro os ET.
Não tenho nada contra homenzinhos verdes. E sou do Glorioso SLB desde pequenino, portanto está a ver até onde pode chegar a minha tolerância para com malta de outras cores.
Quando era puto quase deixava cair uma lágrima quando o alienígena do Spielberg estendeu a patinha e pediu, com aquela adorável voz de bagaço, «ET Phone Home».
Quando estou sem nada para fazer e vejo um filme na televisão com extraterrestres não mudo de canal. Pode ser um filme de merda, mas mesmo assim consigo resistir alguns minutos. É a minha costela «ET Phone Home», que guardo com muito carinho porque as idades não se repetem.
Os ET fazem parte da minha infância, como o Pai Natal, mas são ainda mais interessantes à medida que avançamos na pré-adolescência: o Pai Natal vem de trenó do Pólo Norte e desce por uma chaminé; um método original, mas pouco asseado e tecnologicamente rudimentar.
Os ET chegam em naves espaciais e vêm do Espaço Sideral! Do Espaço, meu!
O Pluto era o meu personagem Disney preferido porque tinha um nome parecido com Plutão.
E Plutão era o meu planeta preferido por ser o mais longínquo.
O Espaço era a minha Terra do Nunca, o meu País das Maravilhas, o Lugar do Início da Ursula K. Le Guin, as fantasias do Clifford D. Simak, portanto quando a Lua se libertou do planeta Terra no episódio de estreia do «Espaço 1999», eu achei que aquilo era a coisa mais fixe que podia acontecer a uma pessoa.
Esta é a minha costela «Espaço 1999», que guardo com muito carinho porque as idades não se repetem (espero não estar a ser muito repetitivo).
O carinho é tão grande que até hoje me recuso a rever esses episódios em DVD.
Para quê destruir a doce ilusão de que «Espaço 1999» foi a melhor série de Ficção Científica de todos os tempos? São ilusões como estas que nos mantém ligados à infância e ao que esta nos fez sentir.
Há dias tão tramados de percorrer que o mais saudável é manter um cantinho do cérebro com uma lareira e um sofá confortável para que os neurónios adultos se possam sentar e rever um episódio do «Espaço 1999» sem ter a mania de que são críticos de televisão.
Como vê, caro anónimo, sou capaz de ser tão romântico e sonhador como você.
O problema dos OVNI começa a tornar-se mais sério quando em 99 por cento dos casos a pergunta é feita nos seguintes termos: «Tu acreditas em…»
Está a ver o dilema? Já se passaram muitos anos desde que o ET com voz de bagaço pediu para telefonar para casa e a Lua se desprendeu da Terra em 1999. Plutão já nem sequer é um planeta.
Tenho alguns problemas em aplicar o verbo «acreditar» no caso dos OVNI porque a existência de vida extraterrestre é uma questão científica, não é uma questão de fé.
Resolveremos o mistério se nunca desistirmos de fazer a pergunta essencial: «Eles existem?» Você acha essa existência inquestionável e nunca aceitará uma resposta negativa. Eu quero saber; você acredita.
Sendo assim, estamos com problemas de comunicação.
Não se incomode mais com o assunto! Pense nisto: se nos tivéssemos conhecido aos 12 anos, teríamos ficado a ver o «Espaço 1999» como dois bons amigos.
Teríamos acreditado que aquela era a melhor série de Ficção Científica de todos os tempos – e ai de quem nos dissesse o contrário!






























41 comentários
A minha “paixão” pelo bitaites cresce cada vez mais! Tu és digno de escrever um livro!
Abraço
Visito este blogue quase diariamente, desde há uns anos, na época em se se falava muito em tecnologia, julgo que nunca comentei, agora não resisti.
Também sou apaixonado por temas sobre espaço e ovnis, este artigo levou-me à minha infância.
Obrigado!
Acho que já disse o quanto aprecio este blogue!
Os meus sinceros parabéns.
…e quando acabava o “Espaço 1999” eu e uns quantos juntávamo-nos para brincar (recriando o episódio). Cada um tinha o “comando” que abria as portas (feito com uma caixa de pasta de dentes e na ponta um ferro, devidamente forrado e pintado com os devidos ‘botões’) e também a arma…. Tudo feito por nós (sim, aproveitar o material reciclável para fazer brinquedos não é invenção nova).
Eu partilho da mesma crença que tu… “aquela era a melhor série de Ficção Científica de todos os tempos”
E que ninguém se atreva a dizer o contrário!
O que deixa um certo desconsolo na pessoa é pensar que nos anos 70 não parecia de todo impossível termos uma base lunar em 1999 (eu acreditei com mais furor e por mais tempo do que no Santa) e em 2011 ainda nem foi assente a primeira pedra…
Fico sempre com a ideia de que algures a cena abrandou o ritmo e por isso está na altura de redescobrirmos em nós a alma lusitana dos Descobrimentos e convencermos o Sócrates a deixar-se de Magalhães e apontar já literalmente para cima.
Um Cape Canaveral no Cabo Espichel ou assim…
Que bela recordação logo pela manhã… o Espaço 1999, que série fabulosa.
@pechanense, isso é que era fazer os nossos próprios brinquedos, que tempos maravilhosos.
Marco, uma vez mais, parabéns!
Aquele abraço
Eu já revi desde então muitas séries de F.C. (e não só) do tempo de juventude e infância. Espaço 1999, Galactica, X-Bomber, etc’s…
O Espaço 1999, curiosamente não a vi em DVD mas nas repetições da SIc Radical. E estranhamente, fiquei com um sabor amargo, Não tinha o mesmo sabor de antigamente como quando revi muitas outras e apesar de haver ainda algum encanto houve algo na série que para mim não amadureceu bem.
Pode já não ser agora a “maior série de melhor série de Ficção Científica de todos os tempos” mas tendo-a revisto também não apagou nenhuma da felicidade que me deu enquanto jovem.
Espaço 1999 e Galactica, as melhores!
“Teríamos acreditado que aquela era a melhor série de Ficção Científica de todos os tempos – e ai de quem nos dissesse o contrário!”
Anda tudo doido??
ENTÃO E A GALACTICA?? Humm?
Ou sou novo pois só tenho 40 aninhos??
eu fabricava armas de laser em lego que, juro, até lançavam raios a cores (branco e branco), que depois eram usadas na escola para atordoar aqueles ETs que ditavam sumários e escreviam no quadro negro (ciclo preparatório Augusto Gil, Porto – uma verdadeira base lunar alpha).
Em Educação visual só desenhava as eagle 1 e 2 e ainda tentei construir uma em barro (TM forever!)
Só não tentei fazer um fato espacial em macramé porque arranhava os baixios (e a prof não tinha visão do futuro)
Fora a paixão assolapada pela doutora Helena Russel… (http://en.wikipedia.org/wiki/Helena_Russell)
Bah, essa paixoneta não bate a minha extasiada paixão pela exótica-metamorfa Maya!
Qual, a abelha?
Eu cheguei a fazer a coleção de cromos do Espaço 1999. Foi a 1º colecção que fiz e consegui ficar com a caderneta completa.
Sim, Espaço 1999 e Galatica foram as melhores séries de FC.
Boas memórias.
Fernando, estamos em absoluta sintonia. No dia em que finalmente deitei a mão à metade de um Eagle que me faltava (eram dois cromos para completar a foto) fui, pela primeira e acho que única vez, um coleccionador feliz e realizado.
Espaço 1999 foi a unica serie de FC que consegui ver, claro que tenho em DVD.
A historia tem uma ideia interessante: a Lua afasta-se da Terra e vagueia pelo espaço, como sabemos que a Lua é mais antiga que a Terra em 2.000 milhões de anos, não teria sido ela a vir até cá? sei lá, numa galaxia distante uma explosão fortissima puderia trazer a Lua até a esta zona da galaxia, que permitiria a concentração de matéria, levando á formação de um planeta e á criação de vida -que sem a Lua era impossivel de existir na Terra-
P.S.-Sabem que a Lua é oca? uma explosão daquela magnitude punha o Martin Landau a tremer durante muito tempo.
Por curiosidade, tens fastio a qualquer frase “Tu acreditas em…” relacionada com este assunto?
Se me perguntarem “Tu acreditas em vida extraterrestre”, respondo que sim; é uma questão de crença, claro, mas apoiada pela probabilidade dada pela equação de Drake.
Se eu acredito que “eles andem aí”? Eh pá, não, tenham paciência…
Marco, retirado daqui Eu brincava assim…:
Uma pérola isto:
Espaço 1999, era uma das muitas que adorava ver em pequenito. Adorava esta série principalmente porque parecia muito credível e entrava num campo apocalíptico sobre o futuro do mundo após o ano 1999. Nada disso se confirmou imediatamente para o ano de 1999 mas não deixa de ser pertinente a ideia que um dia a humanidade terá de viver no espaço e estações orbitais ou até mesmo na Lua (como se passava na série). Depois porque era muito sugestivo a nível de visual. As armas, a estação lunar, as naves… era tudo o máximo!
Era esta e ainda as outras que desfilavam na nossa RTP, como “Star Trek”, “V – A Batalha Final”…
http://armpauloferreira.blogspot.com/2008/09/nostalgia-dos-anos-80-sries-de-tv-parte.html
… mas era a Battlestar Galactica que me enchia as delicias. Principalmente a (hoje tonta) versão da BSG 1980, em que eles chegavam à Terra, tinham motas voadoras, etc.
http://armpauloferreira.blogspot.com/2008/08/nostalgia-dos-anos-80-series-de-tv.html
No fundo, a temática Sci-fi tinha era muito recorrente naqueles tempos e nada melhor para nos colocar a olhar para as estrelas e imaginar a existência de outras formas de vida (inteligente) na vastidão do Universo.
Belo artigo e muito nostálgico.
Nunca entendi a “pancada” de quererem misturar a questão da existência (ou não) de vida extraterrestre, com os temas do oculto, em que o fenómeno ovni também é muitas vezes incluído. Raptos por extraterrestres, aliens disfarçados de humanos e outros disparates. É um pouco como querer encaixar a astrologia na astronomia (agora até já encontraram mais um signo, não sei como o Mestre Alves e a sua colega Maya vão sair desta
)
À uns anitos li num livro do Sagan (Um mundo infestado de demónios ?) sobre o facto de ser frequente encontrar em livrarias na secção de ocultismo e bruxarias livros sobre astronomia. Um dia fui ver a questão no terreno e era verdade.
Colecção de cromos? Cadernetas? Vocês são uns amadores
) que a minha avó me trouxe de Inglaterra.
Eu tinha uma réplica da Eagle (em miniatura, claro
A parte em que uma certa pessoa mais pequenina a destruiu já prefiro não recordar
Oh Claro Marco, eramos todos muito “amadores” mas a forma como conseguiste preservar a dita réplica mostra muito “profissionalismo” (toma lá que mereces!)
Os ditos “amadores” também tiveram por cá 4 números da TV Júnior com histórias BD do Espaço 1999. Eu como “amador” acho que nunca cheguei a ter o nº6
http://www.space1999.net/catacombs/comics/w2tvj.html
Eh pah eu também tive essas coisas de amador. Que recordações
Se o referido enviou um email não será assim “tão anónimo”
Eu não acabei a colecção de cromos e ainda fico fulo por não ter recebido qualquer resposta ao pedido, por carta, dos cromos finais em falta. Na altura havia sempre uma grelha na caderneta para aquelas figurinhas mais difíceis. Canalhas…
Bem, um nick não diz muito sobre a pessoa.
Não tens desculpa. Os velhotes dos cromos do Rossio serviam para alguma coisa.
Eis uma problemática interessante.
O interesse da humanidade pelo espaço começa com a consciência que, após as Grandes Descobertas, o Homem faz parte do Universo.
Após se ter descoberto Homem no planeta, o Sapiens Sapiens ( creio que a terminologia pt é Cro Magnon, mas não estou certo ), encontra-se perante duas dificuldades maiores :
Sabe, inconsciente ou conscientemente, que os seus antepassados ganharam a batalha da era glacial.
Como também sabe que os seus antepassados alcançaram fontes de energia para poderem ir em frente.
Nada nos diz que ganharemos a guerra contra o aquecimento global. Como também nada nos indica onde encontrar novas fontes de energia, tendo em vista o esgotamento dos poços de petroleo, carvão, estocagem e reciclagem dos residuos nucleares…
Cada vez mais, aparece o pensamento a curto prazo. Este é movido pelo lucro que é incompatível com projectos a longo prazo e com o saber.
Praticamente, todos os projectos do Centre National de Recherches Scientifiques, vêem as suas subvenções diminuirem. Se a França ainda está no cabeçalho das pesquisas aero-espaciais é porque existe um legado.
É assim que a pesquisa, em França, sobre a existência de vida no universo, tem visto cortes drásticos.
Existem em França grandes cientistas que trabalham sobre o espaço. A problemática não é uma problemática de crença ou não crença. A problemática é uma tentativa de diminuir o erro devido à sorte(hasard) ( que sempre existirá ).
Continua a haver um trabalho sobre as frequências baixas rádio, sabendo-se que estas levarao anos luz a chegar. Algo que fica caro e não paga eleições.
Muitas projecções têm sido feitas. As mais sérias apontam para as bactérias bem terrestres que já existiam antes da espécie humana e continuarão a existir após o fim da espécie humana.
Não é preciso apanhar um foguetão para descobrir os extra-terrestres.
Peço desculpa : Um pouco escrito à pressa, mas acho que o essencial ficou.
Nuno
AAhhh, grande série o Espaço 1999; não houve mais nenhuma com o mesmo espírito. A Galáctica também é excelente (a antiga, não aquela do “problemas, modas e tecnologia actuais colando o selo de sciFi e Galactica por cima a ver se ninguém repara, c/ doses industriais de ‘drama’ à mistura só para dizer que é bom”
Ealguém se lembra duma série inglesa ainda mais antiga chamada “Blake 7″? a nave era esta: http://www.myscifi.co.uk/blake1.jpg
@starglider, fizeste aí umas afirmações bem estranhas sobre a Lua, tais como ser “ôca” (!), e ser mais antiga do que a Terra em 2 mil milhões de anos (hã??). Onde é que foste buscar isso?
E para a Lua ter vindo duma galáxia distante até nós, só se tivesse atravessado um wormhole porque de outra forma nem quando o inferno gelasse 300 vezes ela cá chegaria; além de que porquê vir duma galáxia distante quando há na nossa tantos corpos semelhantes à Lua? ou mesmo no nosso sistema solar (Mercúrio). De resto tal como todas as outras dezenas de luas dos nossos planetas vizinhos.
É estranho, eu provavelmente também a vi mas não consigo me lembrar de uma única cena de Blake 7 na TV. Curiosamente a BD dela vinha algumas vezes também na revista TV Junior que mencionei num post acima.
Ainda falando em Espaço 1999, se bem se lembram a série acabou de forma abrupta devido a se não me engano problemas de financiamento e à forma de como os guiões estavam a ser feitos. E nunca se soube qual foi o destino da base Lunar Alpha e sua tripulação.
Ora houve uma grande convenção daquelas tipo Star Trek em Los Angeles a 13 deSetembro de 1999 (quando a Lua se ‘separou’
) para recordarem a série, a “Breakaway Convention” e um grupo de fãs mais um dos argumentistas originais decidiram dar um final à série através de uma curtíssima metragem, e quem sabe assim lançar o mote para uma tão esperada continuação actual da mesma, talvez com os descendentes da tripulação original.
Esse filme contou com a participação da actriz que fazia de ‘Sandra Benes’ na série e está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=nox6XjsS7Bs
Aconselho a verem aquilo que pode bem ser o “final” do Espaço 1999, mas não esperem grandes coisas porque é quase só a Sandra a falar com os painéis de controlo por trás.
Se não estou em erro este mini-filme está a ser oficialmente aceite como sendo o final (da série original pelo menos)
Vejam que vale a pena, o final é bastante emotivo.
Eu nem me lembrava dessa pobre tentativa de dar um “final” à série. Sempre se pensou que iria haver uma terceira época por isso aquele fim. A mim mesmo que semi-oficial aquilo sabe a muito pouco, ou na verdade a quase nada.
Nos dias de hoje encontro um estranho paralelo da série com o Stargate Universe. É que os forçados tripulantes da nave “Destiny” passaram 2 épocas sujeitas aos caprichos dos saltos não controlados da nave, explorar um planeta antes que voltassem a ter outro salto não controlado. As premissas pareciam quase as mesma de S1999, onde há também viagem sem qualquer controlo, explorar um planeta dentro uma janela de tempo limite e voltar antes de sairem do alcance do planeta.
Tens que ver que o Final Message from Moonbase Alpha foi algo feito por fãs e um argumentista, um ‘atar de pontas soltas’, um epílogo muito esperado, 22 anos depois do final abrupto da 2ª série em ’77. Acho que foi filmado em casa do escritor, lá tiveram que desencantar uns adereços, se calhar tudo por um orçamento de 300€
Nunca foi suposto ser um episódio, mas sim dar uma explicação ao que aconteceu àquela tripulação.
Aahh.. ainda me lembro nos bons tempos de ter construído 3 ‘águias’ em cartolina amarela, depois pintava os lados com um par de riscas vermelhas como alguns deles tinham, só para ficar mais fixe
Fazia-lhes os pés e tudo.
Também me aventurava pelso legos mas não corria tão bem porque as peças também não ajudavam.
Quanto ao Stargate Universe, tens razão nessa semelhança, pena é que a série tenha demoradao 1 temporada a arrancar. Queriam ser como a “nova Galáctica” mais ‘realista’ (leia-se, algo low-tech, com discussões a granel, traições, todos a darem-se mal e umas quecas pelo caminho). O que vale é que a 2ª temporada ainda se traga; mas eu prefiro mil vezes as outras duas Stargates.
@Pedro
Eu até compreendo que o SGU não tenha feito o estúpido erro de todas as séries de SF, ou seja seja Star Trek, Stargate ou quer que fosse todos os mundos visitados eram irrealistas pois por absurdo todos os mundos falavam inglês (só não falavam quando lhes convinha). Os primeiros tempos da SGU eram realmente mais “honestos” mas um aborrecimento. Eu francamente fiquei rapidamente saturado daquele ambiente forçadamente sempre escuro na nave. Destoa dos “Antigos”, destoa do que uma nave com aquela tecnologia devia parecer.
Eu com legos fazia na altura muito bem os meus eagles se calhar muito por causa de ter este set que era bestial: http://www.brickset.com/detail/?Set=386-1
Quanto ao “Final” o que queria dizer é que me apresentarem semi-oficialmente aquilo feito por um dos argumentistas nunca poderá nem de longe por uma pedra final na história.
A lista de séries FC abortadas sem um final decente é recorrente e uma praga na minha vida televisiva: Above & Beyond, Starship Troopers: Chonicles, Invasion, etc etc
Não é um erro, é um dos 3 compromissos que têm que ser feitos para que SciFi resulte minimamente:
1- Quase todos falam inglês (ainda assim no Star Trek têm um dispositivo ‘Tradutor Universal’ que funciona 99% das vezes e eles entendem-se)
2- Som no espaço. Temos de fazer de conta que há som no espaço ou poucas são as cenas que resultam. Ou então punha-se música clássica, mas lá porque resultou no 2001….
3- Gravidade artificial; mesmo as naves pequenas têm um dispositivo que a cria, ou então teríamos que os ver sempre a flutuar, o que até seria giro mas muito caro e trabalhoso de simular… e às tantas tb parvo, caso a nave levasse um encontrão a tripulação pareceria bolas de pingpong a ricochetearem lá dentro
E sim, os coreógrafos abusam de ambientes escuros para salientar o quão ‘dark’ e realista aquilo é. Em séries sobre o FBI estão sempre com as persianas corridas mesmo que faça lá fora um sol deslumbrante, ou na anatomia de Grey em que já vi os médicos a operarem com pouco mais do que uma luz de cabeceira, o resto apagado para dar ‘estilo’, e salientar sombras e o drama da situação, e tudo isto enquanto discutem a sua vida sexual..
. “Realismo”… AHAHAH. Vais a um hospital e aquilo está tudo branco e bem iluminado, como deve ser. Isso dos ambientes escuros está a ficar um valente cliché.
Firefly cousou burburinho quando foi cancelada, mas os estúdios não perdoam, se não dá audiências, dão-lhes com a machada. Se até uma série Star Trek já foi cancelada… O pior é que muitas vezes as audiências são más porque um energúmeno se lembrou de estrear a série ao mesmo tempo que a final dum jogo qq. E mesmo que a série esteja a ser um sucesso lá fora, se não for nos EUA, cortam. Uma descentralização não seria má ideia.
Outras vítimas foram as ‘Crónicas de Sarah Connor’, ‘SG Atlantis’, e as não SciFi mas tb boas ‘Past Life’ e ‘Veritas: The Quest’
Posso viver muito bem com a segunda premissa e a terceira também tendo em conta a tecnologia avançada daquelas naves (aliás porque nem imagino viagens longas ou vida humana prolongada no espaço em condições de não-gravidade). Agora a primeira… Muito bem o truque do “tradutor” do ST mas francamente tudo o resto é mais que ganhar a lotaria, é coincidência mais que divina e utópica.
O cancelamento da Sarah Conner doeu bastante aquele final, tinha muito para dar e desenvolver e do Veritas foi realmente uma pena. Quanto ao Firefly bem, mesmo com o toque giro Steampunk da coisa não lamento muito que tenha ido à vida. Como teve um desfecho +- e teve o filme, tudo bem. O Atlantis ao menos acabou em paz, sem precisar de muito encerramento e há sempre os tais filmes que já deviam tar a ser fimado.
A TV americana vai sempre ter de lutar pela optimização de recursos/retorno do canal “mãe”. Qualquer coisa que dê menos do que devia vai à vida e eles querem lá saber dos mercados externos. O que eu gostava é que ao menos houvesse uma “acordo” que evitasse cancelamentos em cima da hora e deixasse ao menos que os argumentistas tivessem uns 6 episódios para dar um final decente.
Excelente post.
Recordo com nostalgia que a série passou na altura em que ainda estaria na 1ª ou 2ª classe e que eu vim a descobrir numa gaveta um t-Shirt do Espaço 1999 com uma Eagle a levantar voo. Não me recordo se foram os meus pais a comprar ou foi oferecida, mas sei que fiz um sucesso na escola com aquela t-shirt.
Para mim certamente uma das melhores séries de ficção cientifica de sempre, mas gostei muito da Galáctica e do V a Batalha final, no entanto ninguém referiu a muito interessante série
Buck Rodgers no Sec. XV.
Bons tempos esses, em que eu devorava os episódios do “cosmos” do Carl Sagan e em que tinha a ilusão de um futuro mais risonho para este planeta…
Muitas tardes de sábado (ou seria no Domingo?) eu passei a ver o Buck Rogers..
e depois desenhava as naves. Mas essa parece-me não ter envelhecido tão bem como as outras já faladas….
O V tinha uma banda sonora simples mas eficaz, comparado com a do remake que parece ser mais comum.
Ora ouçam isto e imaginem aquelas naves de 2Km a pairarem e os lagartos a quererem-nos comer http://www.youtube.com/watch?v=GccknBnFfTk
O Cosmos já é todo um Universo à parte
Eram as tardes (e manhãs) de sábado. Por vezes tinhamos sessões triplas de FC quando por alguma sorte os filmes do dia era também de FC.
O Buck já na aquela altura parecia algumas vezes (acho que deliberdamente) pateta. O raio do Twiki oscilava entre o “cute” e o Jar Jar Binks. Realmente não envelheceu lá muito bem, se bem que o “gear” tem ainda algo de intemporal que muitas séries não tem.
Não acho nada de extraordinário no tema do V original, mas sim faz o seu trabalho. Como usa os normais acordes “batida militar de tambor” à Terminator não poderia falhar
Dei por mim aterrado neste blogue dias atrás e como quem não quer a coisa, lá fui esmiuçando artigo atrás de artigo, ficando imediatamente com a sensação de que afinal não estou sozinho neste canto do universo.
Eis que comento, pela primeira vez, um artigo que me diz particularmente muito acerca daquela que tem sido a minha tarefa mais recente, a de tentar [não] mudar [mas evoluir] as mentes deste nosso Portugal pequenino e que, sistematicamente, tentam empurrá-lo insistentemente para um fosso cada vez mais profundo e longínquo. E porque me preocupo? Não sei. O que eu sei é que a maioria dos restantes comentários aqui realizados, foram destinados única e exclusivamente à ficção cientifica [utilizada apenas como pano de fundo], aos seus ídolos e objectos de culto, em vez da razão que lhe dava o mote. E como creio que o seu autor deverá lamentar-se da mesma forma, só por isso, tive de opinar.
A ideia de que em pleno século XXI ainda haja gente que “acredite” em figuras bonacheironas e patriarcas de entidades superiores de barbas brancas, acaba por não ser assim tão absurda quanto isso, tendo em conta a realidade por aí à solta. O que é [portanto] ridículo, é que a maior parte destas pessoas tenham ficado intelectualmente estagnadas no tempo e aceite como verdades absolutas e universais, as incutidas e assimiladas entre os 5 e os 15 anos de idade, mesmo que com a validade das borbulhas no rosto.
E pior do que acreditar cegamente em coisas que não sabem explicar, é não admitirem as suas próprias limitações e imporem a sua visão egocêntrica das coisas, censurando o pensamento criativo e impedindo o acesso ao conhecimento e à discussão saudável do mesmo. Infelizmente, é o que acontece começando na maioria dos nossos lares…
Faz-me lembrar a épica e histórica aversão de crentes em relação aos ateus. Que diarreia intelectual essa! Se uma religião [seja ela qual for] não dá espaço à possibilidade da sua não existência, isto só significa uma coisa: insegurança e incerteza nos dogmas que a sustentam! E o que quero eu dizer com isto afinal? Que esta é a sociedade que temos: uma minoria que sabe nada saber, sem se rever na mediocridade de interesses mediáticos e imediatos e uma outra parte que vive agarrada a realidades pouco ou nada fundamentadas e que se sente ameaçada pela perspectiva da evolução e constante procura do conhecimento. Felizmente não sou trampa como a trampa e reservo-me ao direito de lhes dar algum crédito. Afinal de contas, ainda são mais criativos que os primeiros…
PS: Parabéns pelo blogue!
Muito obrigado, Carlos. Ainda bem que chegou cá.
@Nuno

)
Para o meio melhora, se bem que lhe faltam graves por ser uma gravação xunga. Mas é bem melhor que o tema alternativo que eu ouvi outro dia; às tantas parecia uma sitcom!
E quem se lembra da cena do rato? Hoje em dia não aprece muito bem feita pois não? Pois então olhem esta outra cena, feita com a mesma actriz décadas depois http://www.youtube.com/watch?v=MBSn2y5_4cU
É que eu ainda estou na dúvida se ela realmente engoliu o rato ou não
(E ela ainda continua boa como o milho
Confesso que nem me lembro como é o tema do V actual mas francamente nem me interessa. Se calhar só vejo a série por causa do suberbo estilo da Baccarin naqueles fatos. Porque o que tem realmente de interessante o renovado V para oferecer? Pouco, ou quase nada mesmo.
A Badler era bonita nos anos 80 mas francamente sempre detestei aqueles penteados mesmo naquela altura, lol. O truque do rato está “delicioso”, obrigado pelo link
Referia-me a um outro tema da série original, para o meio piora que até parece uma sitcom das beras; comparado com essa o tema da percurssão à Terminator parece ouro
O tema da série recente nem me lembro como é, mas não deve ser nada de especial senão lá está, lembrava-me