→ 29/12/2006 @15:28

A vida receia a solidão cósmica [2]

A missão CoRot vai varrer os céus à procura de planetas do tipo terrestre

Está aberta em definitivo a caça aos planetas fora do Sistema Solar – os chamados planetas exosolares. Essa caça já existe há muito tempo – o primeiro foi descoberto em Fevereiro de 1995 – mas até agora os 208 planetas que conseguimos detectar foram gigantescos corpos gasosos semelhantes a Júpiter – o que queremos agora descobrir são planetas rochosos como a nossa Terra.

Um enorme passo foi dado a 27 de Dezembro com o lançamento da missão CoRot (Convection, Rotation and Planetery Transits). A missão – liderada pelos franceses – permitirá aumentar significativamente o número conhecido de planetas exosolares. E será a primeira a conseguir detectar planetas rochosos.

Durante a sua missão de 2,5 anos, a missão CoRot monetizará com o seu conjunto de pequenos telescópios acoplados no satélite um total de 60 mil estrelas. O objectivo é descobrir planetas em trânsito – isto é, planetas que passam diante de uma estrela e temporariamente lhe ofuscam o brilho. É assim que temos detectado os outros.

Por enquanto ainda não será possível, dadas as limitações desta técnica, localizar planetas rochosos mais distantes do Sol do que, por exemplo, Vénus. Isto significa que, mesmo que estes sejam encontrados, estarão demasiado perto da estrela e terão temperaturas de superfície demasiado elevadas e incompatíveis com o surgimento de vida – mas já é um começo.

Esta não é a única limitação do programa. Não estamos ainda em condições de detectar planetas com a dimensão da Terra. O que se espera encontrar são as chamadas Super-Terras – planetas rochosos mas com pelo menos o dobro do tamanho da nossa. Também será possível detectar, pela primeira vez, luas ou anéis existentes em planetas exosolares do tipo jupiteriano.

Seja como for, esta missão irá preparar o terreno para futuras missões ainda mais ambiciosas, incluindo a SIM PlanetQuest e o Terrestrial Planet Finder (TPF) da NASA. Outra missão semelhante ao CoRot, a Kepler, também da NASA, vai arrancar em 2008.

A missão CoRoT é uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (que inclui Portugal), Austria, Espanha, Alemanha e Brasil. O satélite foi lançado ao Espaço por um foguetão Soyuz russo.

Se não podemos encontrar vida, ao menos podemos tentar descobrir locais onde sabemos que a vida pode ocorrer.

É este o principal objectivo da Missão SIM PlanetQuest da NASA (SIM é um acrónimo de Space Interferometry Mission).

A missão – prevista para a próxima década – tentará detectar planetas parecidos com a Terra – sem as limitações da actual missão CoRot. Isto significa que, a partir de 2014, estaremos em condições de descobrir planetas com massas e localizações semelhantes ao nosso e que orbitem em «zonas habitacionais», ou seja, que não estejam nem demasiado perto nem demasiado longe do Sol.

Acredita-se que um planeta deste tipo seja capaz de ter água em estado líquido na sua superfície e uma atmosfera – condições consideradas necessárias ao surgimento e sustentação da vida.

De entre as melhores 120 estrelas teoricamente candidatas a possuir um sistema solar com um planeta semelhante ao nosso, encontra-se já estabelecido que a missão conseguirá detectar planetas mais pequenos que a Terra em seis estrelas, planetas quase com o dobro do tamanho em 24 e planetas até o triplo das dimensões do nosso em redor de todos os sóis seleccionados.

Entre as seis estrelas onde a missão poderá encontrar planetas como a Terra incluem-se Sirius (a 8,57 anos/luz da Terra), Altair (a 16 anos/luz) e Alpha Centauri (a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar, a apenas 4,39 anos/luz).

O INFERNO DE VÉNUS Esta imagem é a representação artística de um possível vulcão em Vénus. Dados revelados por anteriores missões ao planeta indicam que este é um dos geologicamente mais activos do Sistema Solar. A sonda Venus Express – em órbita no planeta – é capaz de detectar emissões de gases nas camadas inferiores da atmosfera e variações na sua temperatura – possíveis sinais de actividade vulcânica. Variações locais na temperatura e pressão atmosféricas também podem indicar actividade sísmica.

Em Vénus chovem gotas de ácido sulfúrico (mas a chuva evapora-se antes de chegar ao solo). A pressão atmosférica é equivalente à que encontraríamos a uma profundidade oceânica de 900 metros. Um dia fresco venusiano é duas vezes mais quente (450 graus) que a temperatura de um forno doméstico. A atmosfera é densa e venenosa: está cheia de dióxido de carbono (98 por cento). Se os nossos frágeis corpos terrestres fossem transportados para a superfície de Vénus seriam pulverizados em segundos: queimados, esmagados e sufocados – tudo ao mesmo tempo. Mas a investigação das condições infernais de Vénus vai muito para além de um interesse meramente astronómico: tem a ver com todos nós. Vénus é o primeiro planeta do Sistema Solar a ser vítima do chamado efeito de estufa. A Terra pode vir a ser o próximo. Outros exemplos poderão existir no Universo.

EM BUSCA DE OUTRAS TERRAS A missão Terrestrial Planet Finder é composta por dois observatórios que se complementam: um (imagem da esquerda) que detecta luz visível (será lançado em 2014) e uma formação de interferometria de infravermelhos (lançamento previsto até 2020). Ver PlanetQuest: The Movie (Formato QuickTime, 9,4 MB).