Em 1967, ano em que foi lançado What a Wonderful World, vivia-se um dos períodos raciais e políticos mais conturbados nos Estados Unidos. Era o ano de Martin Luther King e de Malcom X, o ano dos happenings hippies e da contestação à Guerra do Vietname.
O artigo da Wikipédia refere-se à canção como tendo sido feita de propósito para apaziguar os ânimos raciais nos Estados Unidos, embora falhe por não especificar como ou por quem – e eu não encontrei nenhuma referência à canção como qualquer coisa “encomendada”.
Inocente ou perversa, a canção foi um fiasco nos Estados Unidos. Teve um enorme sucesso na Grã-Bretanha, onde chegou ao primeiro lugar dos tops, mas na América, numa primeira fase, não vendeu mais de 1000 discos.
Talvez o autor do artigo da Wikipédia baseie a sua ideia no facto de Louis Armstrong ter conseguido a proeza de ser uma figura aceite tanto por brancos como por negros, até mesmo pelos brancos racistas. O temperamento generoso e bonacheirão de Armstrong valeu-lhe críticas duras: chamavam-lhe Uncle Tom, ou seja, um preto subserviente em relação ao branco. E não lhe perdoavam o facto de dar concertos no Sul dos Estados Unidos, onde as audiências eram segregadas: brancos de um lado, pretos do outro.
O que Armstrong nunca quis foi comprometer-se porque, acima de tudo, tentava preservar a sua carreira. Em termos políticos, sabe-se agora, o jazzman preferia os bastidores: foi um dos que contribuiu com mais dinheiro para o movimento dos direitos civis encabeçado por Martin Luther King.
Desde então, a canção tem servido para tudo: elevar o espírito optimista (ou ingénuo?) nos homens mas, sobretudo, como contraponto irónico e sarcástico a imagens de guerra e violência. Para a história, eis a versão original de What a Wonderful World.






























Um comentário
Encomendada ou não, a verdade, é que a mensagem que a música transmite foi bem concebida. Concordo contigo, quando dizes, que esta música já serviu para tudo. Penso que muitas músicas que têm uma mensagem mais específica a transmitir, acabam por não o conseguírem fazer, devido ao abuso do seu uso, acabam por entrar em banalidade. O seu real sentido perde-se. E assim muitas músicas ficam esquecidas. Não é o caso desta.