26/Março/2007

Uma voz na noite

O compositor, saxofonista e flautista Charles Lloyd, nascido em 1938, já tocou com meio-mundo do jazz, mas a sua principal influência é John Coltrane. Mas há mais neste imaginário musical, pois o homem tocou com tantos músicos de renome que seria impossível que tivesse bebido os sons de apenas um.
Em 1960 juntou-se à orquestra de Chico Hamilton como director musical. Dele se diz ter sido o responsável pela viragem da música de Hamilton para um estilo mais moderno, menos bebop e mais arrojado.
Quatro anos depois, em 1964, junta-se a Cannonball Adderley, saxofonista que integrara, juntamente com Coltrane e o pianista Bill Evans, o quinteto maravilha de Miles Davis, responsável por um dos melhores discos de jazz de todos os tempos: A Kind of Blue. Ao mesmo tempo que tocava com Adderley, ia lançando discos a solo: Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams faziam parte do grupo que o acompanhava nessas aventuras.

Em 1966, formou uma banda com o pianista Keith Jarrett, Cecil McBee (contra-baixo) e Jack DeJohnette (bateria). A música consistia numa mistura de estilos: bebop, free jazz e soul, principalmente, o que cativou não só críticos como público. Um disco desta fase – Forest Flower – alcançaria um enorme sucesso comercial, revelando a música de Charles Lloyd a uma audiência mais familiarizada com o rock.
Quando o grupo se desfez, em 1968, Lloyd retirou-se da cena jazzística. Durante os anos 70 foi visto sobretudo acompanhando os Beach Boys tanto em estúdio como em tourné. Só regressaria em pleno ao jazz quando, em 1980, o pianista Michel Petrucciani o desafiou.
Desde 1989 que Charles Lloyd vem lançando discos com a editora ECM. Desenvolveu uma (merecida) fama de excelente compositor e intérprete de baladas jazz – e é nesta faceta que lembra a face mais delicada e doce de John Coltrane. Voice in the Night, primeira faixa do disco com o mesmo nome, gravado em 1999 na companhia de John Abercrombie, Dave Holland e Billy Higgins, entre outros, poderá ajudar a destruir o mito segundo o qual jazz é só barulho, pouco sentimento e zero de melodia.

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