Os bloggers como formigas
Publicado por Marco Santos [9/Maio/2008]. Categoria: Leituras [4]Giuseppe Graniere é considerado um dos maiores especialistas italianos em cultura digital, escrevendo há muitos anos sobre tecnologia e sociedade. Entre os livros que publicou, destaca-se um através do qual procurou analisar o fenómeno dos blogues, Geração Blogue, onde cumpriu um duplo objectivo: escrever tanto para o recém-chegado à blogosfera como para bloggers mais experientes. Já não é a primeira vez que este livro é aqui citado - por ocasião da problemática Page Rank, transcrevi parte de um capítulo onde eram explicados os mecanismos de indexação do Google; agora volto a transcrever outra parte, muito bem conseguida de resto, onde Granieri propõe uma analogia entre o funcionamento da blogosfera e o dos formigueiros, entre a feromona e o link, entre os bloggers e as formigas.
(…) O exemplo mais apropriado [para descrever o funcionamento dos blogues] é o da colónia de formigas. A analogia é evidente, visto que a organização destes pequenos insectos sociais reflecte bastante fielmente a de uma rede. Em síntese perfeita, a capacidade de uma formiga encontrar o percurso mais curto é comparável à exigência de um utilizador em encontrar a informação que procura no menor espaço de tempo.
Aquilo que as formigas resolvem parece um problema simples, mas não o é. Vejamos um caso prático recorrendo ao clássico exemplo do mensageiro. Um transportador tem de entregar, suponhamos, vinte e cinco encomendas em tantos outros locais diversos. O seu problema é encontrar a melhor sequência de entregas, aquela com que efectivamente poupa tempo, gasolina, pneus, etc.
Embora possa parecer uma questão sem importância, para analisar todas as variáveis e todos os percursos alternativos (com o método definido «da força bruta» porque enfrenta todas as encruzilhadas possíveis) um computador muito potente, capaz de processar vários milhões de combinações por segundo, empregaria bem mais de mil anos. No entanto, as formigas encontram sempre o caminho mais rápido. Simplesmente cooperando.
Quando uma formiga encontra o melhor percurso, comunica através do ambiente (deixando vestígios de feremonas) e coloca a sua experiência à disposição das outras, que assim conseguem encontrar o caminho mais curto entre o formigueiro e o alimento. Uma experiência no terreno demonstrou que, perante dois percursos iguais, as formigas começaram a seleccioná-los casualmente. A certa altura, por mera flutuação estatística, um grupo mais numeroso percorreu um dos caminhos, depositando uma maior quantidade de feromonas e influenciando as escolhas sucessivas das outras formigas. Numa segunda experiência, estabelecidos dois percursos de diferente comprimento, as formigas mais rápidas a regressar (as que tinham escolhido ir e vir pelo mesmo caminho) deixaram mais feromonas porque tinham percorrido duas vezes este percurso. E todas as outras se encaminharam pela via mais rápida. É deste modo que praticamente todas utilizam o conhecimento comum.
Na realidade, sem percursos preestabelecidos, a pesquisa verifica-se através de um processo estocástico, que é como quem diz, baseado na probabilidade, em que cada formiga age segundo os dados comuns e cujo resultado é uma solução encontrada colectivamente.
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pode (ou não!) estar a usar
Data: 9/Maio/2008 | Hora: 22:29
Quando li esse livro, em 2006, também achei interessantíssima a analogia que o autor faz entre os links e as feromonas.
Outra das suas frases bem conseguidas é aquela que diz, salvo o erro, qualquer coisa como “A Web, nos tempos que correm, é uma ginástica para as ideias“.
Por esta razão vim eu para aqui dar que fazer aos neurónios.:mrgreen:
Ah!, lembrei-me agora de outra de Granieri: «…a popularidade de um blogue é a opinião dos bloguistas.»
Assim, pela parte que me toca e segundo o que me é dado a observar, caro Marco do blogue bué querido, você diz/escreve umas coisas interessantes.
pode (ou não!) estar a usar
Data: 10/Maio/2008 | Hora: 1:36
depois de ler esta transcrição (obrigado por te teres dado ao trabalho), o que verifico, é que à semelhança de outras actividades humanas, ter/publicar um blog se faz como todas as outras coisas - faz-se com a mesma estrutura, da mesma forma, para se ser aceite.
até que surge alguém que rompe com o normal, e depois é imitado, acabando por seguir também de modelo. tal como na sociadade da vida real, se me faço entender.
a analogia com as formigas… é pá, é daquelas coisas que tão cedo não me passava pela cabeça, mas tem a sua lógica