As tentações existem para lhes cedermos

Publicado por Marco Santos [22/Junho/2007]. Categoria: Leituras

Relacionado (ou não): Pelos vistos, não.
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Guy de MaupassentPorque razão insistem os spammers em bombardear as nossas caixas de correio electrónico com promessas de erecção eterna? Como poderá ser comparável o efeito de uma obscura receita afrodisíaca ao efeito provocado pelas palavras? Se os spammers não fossem uns idiotas sem imaginação, enviar-nos-iam umas citações da literatura erótica de Guy de Maupassant (só para começar) e nunca mais nos aborreceriam com palavras tão insípidas como Viagra, Cialis, Levitra, Valium ou Phentermine.
Vídeos do PornTube? Pá, esqueçam. O poder da Literatura sobre o nosso cérebro (’o orgão de engate’, como lhe chama Maupassant) é muito superior ao tal vídeo da Daniela Cicarelli transando com o namorado na praia e infinitamente superior aos fellatios da rainha das insossas Paris Hilton.
Quem é o cavalheiro – argumentista de filmes eróticos? Caso tivesse nascido no nosso tempo poderia prestar-se a isso, e com todo o gosto, na condição de poder entrar como actor principal.
Porque Maupassant não foi só um grande escritor francês: terá sido provavelmente um dos maiores fodilhões que a Europa do século passado conheceu. O homem era uma lenda entre os seus amigos escritores – entre eles o grande Flaubert.
Maupassant não se coibia de proclamar as suas raras qualidades. Até um dos seus melhores amigos – Frank Harris, escritor americano, tornado célebre por uma autobiografia muito picante e escandalosa intitulada My Life and Loves – se deixou impressionar pelas façanhas do francês. Os dois homens tinham em comum o gosto em falar (e escrever) sobre temas proibidos e podiam dar-se ao luxo de ter conversas como esta que o próprio Harris relata:

Quando lembrei a proeza do Conde Seis-Vezes, amigo de Casanova, Maupassant retorquiu:
‘Seis vezes? Seis vezes faço eu numa hora!’
Esta resposta fez-me pensar que algo de semelhante deve ter acontecido no caso que me contou o meu amigo George Maurevert, o escritor: Maupassant, excitado pelo cepticismo de Flaubert, levou como testemunhas um oficial de diligências a um bordel em Paris e possuiu seis raparigas numa hora (…). Noutra ocasião, Maupassant disse-me que era capaz de copular o tempo que quisesse.
‘Um poder perigoso’ – respondi, julgando que estivesse a brincar.
‘Perigoso, porquê? – perguntou-me.
‘Porque poderia ter facilmente um esgotamento e uma depressão nervosa. Mas, claro, que está a falar metaforicamente.’
‘A verdade é que não estou’ – insistiu ele – ‘e quanto a esgotamento não sei o que quer dizer com isso, pois tão cansado me sinto depois de duas ou três vezes como depois de vinte.’
‘Vinte!’ – exclamei a rir. – ‘ O pobre do Casanova não chegaria a tanto!…
‘Já contei vinte e mais’ – insistiu Maupassant. – ‘Acho que saio fora do comum no campo da sexualidade, pois posso endireitar o meu instrumento sempre que tal me agrada.’
‘A sério?’ – exclamei, incapaz de pensar.
‘Olhe para as minhas calças’ – disse a rir e, em plena rua, mostrou-me que falara verdade.

Que as façanhas fálicas do senhor Maupassant não vos desviem do essencial: o homem era um grande escritor. Publicou mais de 300 contos e foram a graça e originalidade destes contos que o tornaram rico e famoso – extraordinário não é, um escritor enriquecer à custa da sua arte. Também escreveu literatura erótica (As Sobrinhas da Viúva do Coronel, que estou a ler agora, publicado em 1880, é um belo exemplo), mas foi na arte da short story, como lhe chamam os americanos, que conquistou a eternidade.
Maupassant teve um excelente professor. Era grande amigo de um gigante da Literatura, o já mencionado Gustave Flaubert – e durante os dez anos em que permaneceu sob a sombra protectora do mestre nunca publicou nada – mas também nunca parou de escrever. Ao todo, além dos contos e dos romances eróticos, escreveu peças de teatro, poemas, crónicas, romances e novelas.
O livro As Sobrinhas da Viúva do Coronel, tão maravilhosamente escrito, exalta a pureza do amor e do sexo sem qualquer tipo de pudor. Tanto é uma escrita bela como excitante: embala-nos em belíssimas descrições românticas que inevitavelmente conduzem a narração à exaltação do desejo sexual e do prazer. Misturar amor e sexo, e servi-lo no mesmo prato, eis a mais afrodisíaca receita de todas – uma ousadia em pleno século XIX.

Não se sabe se a fama de garanhão de Maupassant correspondia à verdade, mas no espólio deixado pelo escritor foram encontradas mais de 1500 cartas amorosas – chegou a escrever cinco num único dia, e dirigidas a mulheres diferentes.
Mas Maupassant era dado a depressões e o que lhe aconteceu depois acabou por potenciar o problema. Contraiu sífilis, doença tão terrível naqueles dias como o é a SIDA actualmente. Nos dez anos que se passaram foi ficando cada vez mais fraco dos nervos. Maupassant tornou-se furtivo, irascível, paranóico. Tentou suicidar-se e foi internado num manicómio em Paris. Aí morreu, a 6 de Julho de 1893, aos 43 anos.

Segue-se um conto – O Colar.

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  1. seven
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    Aposto que morreu de pau feito… :lol: :lol: :lol:

  2. sergio rebouças
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    Sobre “O Colar”. Que conto poderoso, que força na descrição dos sentimentos, das emoções, das frustrações, das generosidades e no tour de force da gargalhada final: o dito que mereceu tanto sacrifício era falso…e a lição final: mais valia uma franqueza, uma explicação do sumiço do colar, e nada daquilo teria acontecido…exceto que M. de Loirel ficaria sem outra espingarda…

  3. Bitaites » Blog Archive » Baú das recordações: O amor é complicado, pá!
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    [...] a taça. Por outro lado, os visitantes do sexo feminino poderão considerar, como fez o escritor Guy de Maupassant, que o rabo das mulheres é tão monótono como o espírito dos [...]


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