Se toda esta introdução vos parece pomposa ou desnecessária, avancem directamente para a página seguinte.
Este post foi difícil de escrever, não só pela complexidade do livro As Benevolentes mas porque, às tantas, apercebi-me de que não seria capaz de redigir um texto dirigido aos que ainda não o leram. A história é muito longa e seria necessária uma série infindável de explicações e contextualizações, depois sintetizar tudo, enfim, areia de mais para a minha camioneta, pelo que optei por contar as minhas impressões sobre o livro sem grandes preocupações com o embrulho. Espero que alguns de vós já o tenham lido e possam também dizer-me o que acharam. Se ainda não o fizeram, façam-no: garanto-vos que pelo menos nos próximos tempos não encontrarão nada que se lhe compare.
O livro é difícil de ler por quatro razões: a meticulosidade com que o autor nos descreve o funcionamento da burocracia nazi, tão exaustivo nos pormenores que chega a cansar; a escassez de parágrafos, mesmo nos diálogos, o que força a uma grande concentração na leitura para não perdermos o fio à meada; as conversas sobre linguística, riquíssimas mas difíceis de acompanhar; o facto de o autor não se preocupar em traduzir patentes alemães, fazendo-nos tropeçar, pelo menos até nos habituarmos, em termos como Untersturmfuhrer ou Scharfuhrer.
Da minha pancada pelo livro resultou um post enorme, dividido em seis páginas (esta não conta): as três primeiras sou eu a divagar; as três últimas contém excertos que fui transcrevendo ao longo deste fim-de-semana para que aqueles que ainda não o leram possam ter uma ideia do que os espera. Por último, agradeço ao Pedro Marques a nossa longa conversa de ontem à noite, graças à qual pude perceber melhor a importância da trilogia de Ésquilo, Oresteia, tanto na criação do protagonista Maximilien Aue como na compreensão do significado das entidades mitológicas que lhe dão o título.






























6 comentários
foi dos bons livros que li este ano. é impressionante como toda a máquina nazi é-nos mostrada como sendo uma mera “repartição pública”…
ainda estou na fase de “digestão” dele.
Caro Bitaites
Sou um leitor assíduo do teu blog. Tirando o facto de seres mais um benfiquista, gosto imenso de vir aqui dar a minha espreitadela. Temos um gosto comum: a segunda guerra mundial. Eu sou um consumidor voraz de tudo o que me aparece pela frente, com os devidos limites (financeiros) mas com uma vontade enorme de conhecer mais um bocadinho sobre o assunto. Também consegui finalmente comprar esse livro (carinho…) mas ainda vou no início (menos de 100 páginas) e duma coisa já tenho a certeza, é completamente diferente daquilo que já li, acho até um pouco hilariante, não sei se vai continuar assim, mas para já estou a adorar.
Vou demorar algum tempo a acabar de o ler pois tenho uma vida um bocadito ocupada, mas prometo deixar aqui, ou no meu blogue, as ideias que me forem surgindo…
Abraço
Manticora
http://www.vaimanticoravem.blogspot.com/
Força, Rui, boas leituras.
Realmente o livro é genial. Li-o durante a última época de exames (curiosamente é a altura em que leio mais, mas também só estudo e leio durante esse tempo todo) e achei-o realmente muito bom. Mereceu bem o prémio Goncourt. E acho que se na edição original (e francês) as patentes não foram traduzidas não ia ser o tradutor pra português que ia fazer isso..
Já cá canta
Excelente posta! É um livro inesquecível!