O que es­te no­vo sí­tio da BBC faz é sim­ples, mas ali­ci­an­te: cria uma «ti­me­li­ne» de acon­te­ci­men­tos mar­can­tes no mun­do, associando-os ao vi­si­tan­te. Basta es­cre­ver o no­me e a da­ta de nascimento.

Inicia-se en­tão o de­sen­ro­lar dos even­tos, pon­tu­a­dos pe­lo ani­ver­sá­rio de quem vai fa­zen­do «scroll» na pá­gi­na. Que ida­de ti­nhas quan­do caiu o mu­ro de Berlim? A me­mó­ria encarrega-se de es­ta­be­le­cer a li­ga­ção en­tre ti e o mundo.

O pro­je­to ain­da es­tá em fa­se be­ta e is­so nota-se so­bre­tu­do se es­co­lher­mos a na­ve­ga­ção em Português do Brasil: as fra­ses es­tão mal cons­truí­das e re­ple­tas de gra­lhas. Além dis­so, o sí­tio es­co­lhe acon­te­ci­men­tos em fun­ção da pre­su­mí­vel na­ci­o­na­li­da­de de quem es­co­lhe PT-BR, o que im­pli­ca ver­mos uma sé­rie de even­tos da his­tó­ria do Brasil em re­la­ção aos quais não nos iden­ti­fi­ca­mos muito.

Resta ao Português es­co­lher a op­ção em lín­gua in­gle­sa e a Europa. É en­tão que as coi­sas co­me­çam a tornar-se mais in­te­res­san­tes: por exem­plo, que ida­de ti­nhas quan­do ade­ri­mos à União Europeia — chamava-se, en­tão, Comunidade Económica Europeia (CEE)?

Por ca­da acon­te­ci­men­to, o sí­tio for­ne­ce a de­vi­da con­tex­tu­a­li­za­ção, ca­pas de jor­nais e, mui­tas ve­zes, pe­ças ví­deo a ilus­trar. É pre­ci­so ter ins­ta­la­do o «flash player», con­tu­do. Vejam com o Chrome, se pu­de­rem. Digo-o por ex­pe­ri­ên­cia pró­pria: se há coi­sa que não se de­ve mis­tu­rar, é Flash e Firefox…

O que es­te sí­tio faz é lembrar-nos de co­mo es­ta­mos a fi­car ve­lhos e de co­mo o mun­do não mu­dou tan­to co­mo nós. A da­ta mais an­ti­ga que os ar­qui­vos da BBC dis­po­ni­bi­li­zam é o de 1930. Avôzinho, se lá fo­res ver, fi­ca­rás a sa­ber que ida­de ti­nhas quan­do os ja­po­ne­ses ata­ca­ram Pearl Harbour.

Quanto a mim, fico-me por tem­pos mui­to mais re­cen­tes – ufa! Mal me lem­bro de quem eu era quan­do ade­ri­mos à CEE, mas sei que se pu­des­se fa­lar co­mi­go pró­prio nes­sa al­tu­ra es­ta­ria a dizer-lhe pa­ra ter juí­zo nes­sa ca­be­ça, en­quan­to o jo­vem que eu fui fi­ca­ria a ob­ser­var um chato.

Divirtam-se no sí­tio, mas te­nham em con­ta o se­guin­te: quan­to mais de­mo­rar o «scroll», mais ve­lho se es­tá a ficar.

Marco Santos

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