Como se po­de ver, um dos se­gre­dos pa­ra se atin­gir o mai­or nú­me­ro pos­sí­vel de pes­so­as é ser-se ob­tu­so e pre­con­cei­tu­o­so: «o gor­ro do ir­mão mais ve­lho que as­sal­ta car­ros à noi­te» é um ex­ce­len­te exem­plo de co­mo po­de ser cru­el ava­li­ar se­res hu­ma­nos pe­la rou­pa que usam.

Quem usa gor­ros por cau­sa do frio e não pa­ra as­sal­tar car­ros sa­be do que es­tou a fa­lar.

Ana Sofia Alves

Ana Sofia Alves

Acontece que a «ter­ror da noi­te», co­mo lhe cha­mou es­ta blog­ger de mo­da & pa­tro­cí­ni­os, é uma ra­pa­ri­ga de 16 anos que so­fre de can­cro. Através da as­so­ci­a­ção Make-a-wish, ga­nhou a pos­si­bi­li­da­de de con­cre­ti­zar um so­nho: as­sis­tir pes­so­al­men­te à ce­ri­mó­nia dos ós­ca­res no dia do seu ani­ver­sá­rio. História sim­ples e bo­ni­ta, não in­te­res­san­do pa­ra o ca­so que os Óscares me di­gam mui­to, pou­co ou na­da.

A ava­li­a­ção des­sa blog­ger foi fei­ta sem co­nhe­cer as cir­cuns­tân­ci­as que le­va­ram Sofia aos ós­ca­res. Mais tar­de, es­cre­veu umas des­cul­pas à miú­da.

Ela não te­ria es­cri­to aque­le dis­pa­ra­te cru­el se ti­ves­se sa­bi­do, mas um olhar me­nos su­per­fi­ci­al e mais sen­sí­vel po­de­ria tê-la le­va­do a pen­sar se não ha­ve­ria no sor­ri­so da por­tu­gue­sa, mais dig­no de sim­pa­tia do que de jul­ga­men­tos su­má­ri­os, e no fac­to de ali es­tar, al­gu­ma his­tó­ria des­co­nhe­ci­da dos lei­to­res.

É um mun­do qua­se ex­tra­ter­res­tre, aque­le on­de es­te ti­po de blog­gers se mo­ve. De vez em quan­do sou lem­bra­do da sua exis­tên­cia e não dei­xa de me fa­zer con­fu­são que ain­da ha­ja tan­ta gen­te que vi­ve co­mo se a Terra fos­se pla­na e to­dos os se­res que a ha­bi­tam me­ras fi­gu­ras bi­di­men­si­o­nais, re­cor­ta­das pe­las te­sou­ri­nhas dos es­ti­lis­tas e das mar­cas, e dos que vi­vem em fun­ção do que aque­las de­cre­tam. Triste e es­tú­pi­da gen­te.

Marco Santos

­Marco Santos

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