
O momento mais extraordinário no debate da SIC Notícias entre Carreira das Neves e José Saramago sucedeu quando o telemóvel do padre desatou a tocar. A interrupção ficou gravada para a posteridade na memória do YouTube: começa aos três minutos.
O moderador Mário Crespo poderia ter encorajado Carreira das Neves a atender. Teria ajudado a decifrar o único mistério que os telespectadores e o próprio Crespo estavam preparados para entender: afinal quem era?
Teria sido Deus? Aceito, desde que Deus tenha feito a chamada só pelo gozo de interromper a conversa.
Aliás, sou até pessoa para acreditar em Deus no dia em que Ele desfaça, com um sopro divino de categoria 5, os gorros de veludo, as peles de arminho, as capas ricamente bordadas com que o Papa se apresenta aos fiéis. Jesus Cristo, carpinteiro, homem simples e humilde, fez-se acompanhar por doze apóstolos que renunciaram aos luxos deste mundo para espalhar a Verdade; se Jesus tivesse desejado ser como o Papa, ter-se-ia feito acompanhar por doze alfaiates para proclamar a verdade da opulência.
Ainda não terminei o livro do Saramago e não li a Bíblia, mas só concebo a existência de Deus se este me permitir dispensar qualquer tipo de intermediários, sejam eles padres ou antigos capitães do PREC. Se Deus existir, estará no brilho das galáxias, não no solidéu branco do Papa. Se Deus existir, desejará que eu faça perguntas até ao fim da minha vida, em vez de me submeter às respostas dos que mastigam com dentes de ouro.






























10 comentários
Marco, seria mais ou menos isto?
Ah, o grande George Carlin! Falei dele neste post.
Mas tu não dormes, pá?
(E concordo contigo letra por letra, como deves calcular…)
Claramente, e em minha opinião, deus não existe. Tanta coisa que mudaria se este, efectivamente, tivesse presente. Mas não muda. Nem mudará, pois foi, é e será, apenas e só, um produto das “nossas” mentes frustradas.
Boa noite Marco!
Vim aqui parar, por acaso, depois de ter lido um artigo seu no Futebolar, sobre os excessos em que as pessoas se deixam levar quando o assunto é futebol, tendo as mesmas uma visão bélica daquilo que é, tão só, um desporto. Como gostei do artigo vim descobrir este seu espaço e confesso que foi uma agradável surpresa. Será um dos espaços que visitarei diariamente
Ah, e boa sorte para o Nacional (sim, sou portista)
Abraço!
Ricardo, bem-vindo. És mais um portista a juntar aos muitos que por aqui andam e que me hão-de dar os parabéns quando o Benfica for campeão este ano
Ah, e trata-me por tu, ok?
Esse modelo de “telemóvel religioso” tem muita pinta!
“Se Deus existir” mas com os teus 40 e qualquer coisa ainda tens duvidas? Deus é como a vida fora da terra. Sabemos que existe.
@Benjamim sabemos? Só na directa proporção de que se as pessoas acreditam nele ele logo existe, assim como no pai natal ou a fada dos dentes.
A sua verdadeira existência carece de prova.
Mais, o verdadeiro conceito de Deus como derradeiro provedor de justiça final aquele que decidira quem vai para o céu ou inferno, implica que ele não intervenha de qq forma sobre o vivos, pois obviamente teria impacto sobre as nossas decisões fazendo destas decisões não livres e logo não seríamos 100% responsáveis por estas invalidando assim capacidade de um julgamento justo. (esta assim estabelecido que Deus a existir não pode intervir/mostrar-se).
Sendo que o antigo testamento não tem ponta por onde se lhe pegue porque Deus passa vida a intervir. também em boa medida deixa algumas interrogações sobre o novo, pois mais uma vez intervém sobre a figura de jesus.
Fica a nota que o novo testamento é das obras mais bem escritas que conheço. e no entanto até Jesus pergunta “pai porque me deixas-te”.
@Nuno Pinheiro
Eu gosto dos extraterrestres do Pai Natal assim como de uma boa fada. O twitter por exemplo é a coisinha mais parva que já vi. No entanto o numero de pessoas que gostam Dele é tão grande que eu próprio até já tenho duvidas se aquilo é realmente parvo. ( Fora de brincadeiras, e aqui entre nos, eu acredito em Deus )