Não há segundas oportunidades para as «putas»
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O caso Geyse Arruda – a aluna de 20 anos forçada a abandonar a Universidade escoltada pela polícia por usar saia curta – teve um novo desenvolvimento: a Universidade Bandeirante decidiu expulsar a aluna.
A Universidade tomou a decisão após uma «sindicância interna constatar que a aluna teve uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados». Segundo o comunicado da Uniban, Geisy «provocou» os colegas ao fazer «um percurso maior que o habitual, desrespeitando princípios éticos, a dignidade académica e a moralidade».
Geyse tem 20 anos e cometeu um erro: usar aquele vestido na Universidade. Não sabemos a história toda. Geyse podia até não ser muito popular entre os colegas. Talvez fosse até uma convencida insuportável. Não sabemos.
Geyse cometeu um erro de avaliação e a Universidade não lhe deu oportunidade de aprender com o erro. A Universidade podia ter visto no caso uma oportunidade de transmitir aos alunos (e a Geyse) algumas lições sobre bom senso, sexualidade, postura e respeito.
Em vez disso, juntou-se à multidão velhaca e preconceituosa que a cercou aos gritos de «vagabunda» e «puta». Apoiou o apedrejamento moral de uma aluna de 20 anos porque considera que a exibição da sexualidade por parte de uma mulher – ainda que insensata e imatura, por ser na Universidade – só pode ter como objectivo «provocar» os colegas. A vagabunda. A puta. E os alunos, coitados, só defenderam o bom ambiente da Universidade.
Este caso não é apenas brasileiro, é uma vergonha universal. Envergonha e revolta todos aqueles que acreditam que o grande mal deste mundo é existir demasiada informação para tão pouca formação. No fim, como escreve Marcos Guterman, foi castigada a vítima.

Inscrição num dos muros da Universidade Bandeirante: 10 alunos foram suspensos, mas é a expulsão de Geyse Arruda que divide neste momento os universitários: segundo uma reportagem do G1, alguns concordam com a decisão da Faculdade, outros consideram-na ridícula. [Foto: Juliana Cardilli/G1]
Sobre este caso, ler: O caso da agressão a Geyse Arruda na Uniban, e a hipocrisia conservadora [Valorização do Professor] | Inacreditável: Uniban expulsa aluna [Escreva, Lola, Escreva] | Unitaliban: o total fracasso da Educação [Desemburrecendo] | Uniban expulsa Geyse! [Apoiadores da Loira da Uniban] | Ecos da expulsão que inaugurou uma ‘época despida’ [Josias de Souza] | Mais uma aluna é hostilizada em Universidade [Fiapo de Jaca]
Actualização: a Universidade já não vai expulsar a aluna (Escreva Lola Escreva)
Adenda: esta «notícia» do Diário de Barrelas – Geyse Arruda negoceia sessão fotográfica com a Playboy – já enganou algumas pessoas, mas é falsa: o jornal Diário de Barrelas é um projecto online com notícias deliberadamente mentirosas, humorísticas, como no caso do americano The Onion. Os boatos de que tanto oiço falar devem ter nascido aqui.
Um pequeno exercício especulativo: vamos supor que a Playboy morde o isco e acena à jovem uma fortuna para posar nua. Se ela for insensata a ponto de aceitar fazer o ensaio, todos aqueles que a consideraram vagabunda irão pensar: Eu bem dizia. Na verdade, não se limitarão a pensar – vão gritar novamente.
Convém não esquecer que este caso não depende de uma pessoa chamada Geyse e dos erros que poderá vir a cometer ou dos defeitos que lhe apontarem. O que está em causa é um princípio que transcende nacionalidades ou julgamentos de carácter: não aceitar linchamentos públicos, muito menos quando são baseados no preconceito, intolerância, sexismo, inveja, hipocrisia ou estupidez. Tão simples como isto.
























Pergunto-me se por lá também serão costume as praxes degradantes que infligem aos novos alunos… Isso é que seria o cúmulo.
É impressionante a atitude da universidade, porque ela se pôs frontalmente contra a opinião pública. Ainda que muita gente culpe Geyse nos comentários, não li nenhum artigo publicado em jornal ou revista ou blog que a ataque. Todos consideram que os alunos e a universidade erraram.
O lado bom é que fica fácil pra Geyse processar a Uniban. Sem essa atitude absurda da universidade, os advogados de Geyse teriam que provar que houve conivência da Uniban no seu linchamento moral. Com a expulsão e o anúncio publicado, a universidade assumiu sua total conivência.
É vergonhosa a atitude da UNIBAN.
Isso demonstra que algumas universidades brasileiras em vez de serem um reduto do progresso, na realidade são meios obscurantistas.
Ainda bem que cá estas coisas não acontecem!
Oxalá que a vítima consiga processar a UNIBAN.
O fato é que as Universidades particulares brasileiras são meros comércios de diplomas. Não há interesse interesse em ensinar e, muito menos, em aprender. O nível cultural dos diplomados é deprimente, há (muitíssimos) casos de alunos se formarem sem ler um único livro sequer.
Mas é assim que as coisas funcionam no Brasil, a terra do fingimento. Aqui todos fingem. Os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem, só não se pode fingir o pagamento das mensalidades, ou são pagas de verdade ou a brincadeira acaba.
Ainda falta ao brasileiro médio a capacidade de pensar. Falta abandonar a inércia destruidora da preguiça mental, e colocar os neurônios para trabalhar. Aqui, pensar é feio, e discordar é ser rebelde. Quem pensa ou age diferentemente da manada é imediatamente marginalizado, sem que haja sequer apreciação de seus atos ou pensamentos.
E assim o País caminha, rumo à uma Copa do Mundo e uma Olimpíada que servirão, principalmente para manter o Povo alienado por pelo menos mais uma década.
… é difícil acreditar/conceber que a UNIBAN decidiu apenas com base no que é sabido deste lado. A sê-lo é insuportavelmente hipócrita, até porque vem do país que nos deu a sunga e o fio-dental.
Nestas coisas devemos criar opiniões, mas frisando que são condicionadas aquilo que nos é dado a conhecer… i.e., sim senhor, se a história é mesmo esta, raia a filha-da-putiçe por parte da UNIBAN; mas não saberão esses senhores da cobertura que o caso está a ter? terão tomado essa decisão de expulsar sem outras informações que deconheçemos (que a própria Uniban poderá ter escolhido sonegar para evitar, quiçá, a super-sobre-exposição da Geyse)?
Acho mesmo que Geyse devia procurar outra universidade, visto que as condições à aprendizagem não estão reunidas (para ela, e provavelmente para muito outros que lá andam). Se ela fôr esperta saberá re-traçar a fronteira entre estar bem integrada na sociedade e ter a sua individualidade (e isso muda com o local).
+1 bitaite: não é nada claro, para mim, que exista, como dizes no teu último parágrafo, . O que existe em muita quantidade, parece-me, são dados, opiniões e, claro, muitos-muitos bitaites. ‘A’ informação, que poderia suportar a formação individual e colectiva, essa, não é abundante — Miguel
É verdade que não sabemos os factos todos. Mas da informação que me foi dada a conhecer, a minha reacção/percepção da coisa é que temos uma universidade que defende publicamente aquela alarvidade por detrás do “se uma mulher é violada é porque estava a merecer, provoca com aquele sorriso e depois não quer brincadeira, hã?”
Se eu for para a escola de cu de fora, não me acontece nada. Esta vai de saias, é “morta” com tudo o que aparece à frente. Cada vez o mundo me mete mais nojo.
Da próxima vez que um brasileiro me disser que os portugueses são chatos, cinzentos e reprimidos e que no Brasil é que é bom, festa, descontracção e sexualidade desinibida vou-me rir na cara dele até me doer a barriga.
E não estou a dizer isto “só porque sim”. É uma conversa que, pelo menos, dois colegas brasileiros já tiveram comigo pessoalmente.
Depois de ler o artigo e de reflectir sobre o assunto,mt sinceramente,o q se discute aqui é,acima de tudo,a postura q cada um deve ter em determinados locais.Ou seja,adequar a nossa conduta c o espaço em q nos movemos.
Como é óbvio,quando s evai a um casamento,usamos roupas de acordo c a ocasião,né?Então pq é que a menina Geyse,foi para um espaço em que se quer “clean” vestida como se fosse p nigth??Cada veste o que quer e de acordo c a personalidade de cada um,tudo bem,mas ir para faculdade ou p um funeral de cueca a mostra vai la vai looL
Tenha maneiras,menina GEYSE