→ 13/03/2011 @17:57

Deolinda, Homens da Luta e gerações à rasca

Pensava que o cronista, jornalista, comentador, escritor e especialista em arbitragens Miguel Sousa Tavares só dizia disparates quando falava de futebol, mas estava enganado.

Vi-o a disparatar no telejornal Jornal da Noite (SIC) quando desvalorizou a vitória dos Homens da Luta no Festival da Canção, o impacto da canção dos Deolinda, «Parva que eu sou», e a manifestação da Geração à Rasca.

O problema de Miguel Sousa Tavares não está na inteligência, mas na deslocação da actividade neuronal do cérebro para as nádegas: o homem não pensou com a cabeça, pensou com o cu sentadinho na rica cadeira de comentador televisivo.

Talvez lhe fizesse bem dar uso às pernas e dirigir-se a um supermercado.

Não é preciso ir muito longe: postos de abastecimento dos nossos estômagos existem praticamente em cada esquina.

Eu oiço a canção dos Deolinda quando constato que pelo menos dois dos caixas do supermercado que frequento, têm o curso superior e foram forçados a trabalhar ali por não terem conseguido, até agora, colocação profissional em Portugal.

Oiço a canção dos Deolinda quando a minha filha tenta decidir o que quer ser na vida e eu, secretamente dividido entre o pragmatismo e a vontade de a ver feliz e realizada, vou pensando «por favor, quando fores grande não queiras ser algo que Portugal despreze».

Também escuto os ecos da canção dos Deolinda nos corredores dos supermercados e nas avenidas dos centros comerciais, ao verificar que preciso gastar, em média, entre 100 e 150 euros por semana para garantir aos meus filhos os mínimos olímpicos em alimentação, vestuário e escola.

E continuo a ouvir os Deolinda quando constato que faço parte do grupo de pequenos privilegiados que consegue gastar numa semana o que muita gente não pode gastar num mês.

Por tudo isto e muito mais, considero notável que Miguel Sousa Tavares, também escritor, não tenha sabido vislumbrar na canção dos Deolinda o poder das palavras. E não tenha sabido reconhecer que a Cultura, a Arte, continua a ser capaz de atingir em cheio o espírito das pessoas.

Os Homens da Luta na capital do Euro

Sim, a canção dos Homem da Luta é uma merda – e daí? Todo o Festival da Eurovisão é uma trampa ainda maior, pelo que musicalmente não vão destoar.

O facto de terem ganho – contra a vontade do júri – demonstra dois sentimentos dos portugueses que se deram ao trabalho de votar:

1 – estão a marimbar-se para o festival, tanto lhes faz que Portugal ganhe ou não – o que é saudável;

2 – identificam-se com a letra da canção e a postura dos Homens da Luta.

Um episódio semelhante sucedeu quando, em 1973, Fernando Tordo venceu o Festival com uma canção de Ary dos Santos, Tourada.

A letra fazia uso de uma simples metáfora para comparar a tourada ao Estado Novo e à decrepitude da sociedade portuguesa, profundamente pobre e atrasada, intoxicada pelo bafo moralista e castrador do salazarismo.

Se o sucesso deste tipo de canções é um indicador de qualquer coisa, é difícil de ajuizar; mas sabemos o que veio a acontecer em Portugal um ano depois.

As diferenças entre comediantes como os Homens da Luta e os Gato Fedorento são simples: ao contrário dos Homens da Luta, os Gato não fedem nada; os Gato têm vergonha, aqueles não têm vergonha nenhuma; os da Luta gostam de fazer merda agitando a merda dos outros e, de seguida, esfregando-lha nas caras – se forem políticos, tanto melhor; os Gato querem continuar a entrevistar políticos de forma engraçada.

Os Gato têm uma imagem a defender, os da Luta têm personagens.

Estes personagens são símbolos: uma mistura do espírito militante e revolucionário de Zeca Afonso e o estilo gingão e marialva do típico lisboeta, figuras anacrónicas, anedóticas, capazes de incomodar à esquerda e à direita, mas cuja sobrevivência depende da consistência dos actores. Já a sobrevivência dos Gato comediantes depende das audiências que consigam gerar.

Portanto é pena que em vez de analisar os Homens da Luta a partir do próprio umbigo, Miguel Sousa Tavares não pergunte por que razão símbolos de luta velhos de trinta anos fazem sentido para pessoas que ainda nem sequer tinham nascido em 1974?

A Luta Continua depois de um curto bloco publicitário

Como esta geração à rasca foi educada e formatada para o pronto-a-consumir, tenho algumas dúvidas sobre o real significado que será retirado da canção dos Deolinda – isto já não depende do grupo, claro, porque por esta altura a canção também já não lhes pertence: está nas nossas mãos para o que quisermos fazer dela.

Uma coisa me parece evidente: as mudanças não se fazem com iPhones nem aproveitando a manifestação para ir dar um passeio a Lisboa, da mesma forma que vestir uma t-shirt do Che Guevera não faz de ti um revolucionário.

A mudança só acontecerá se a maioria estiver disposta a não se deixar manipular pelos políticos e a rejeitar o próprio sistema.

É este sistema que valoriza o poder do dinheiro sobre o poder da Cultura e do Conhecimento que nos colocou assim, a falar de empréstimos, dívidas, alemães e taxas de juro; é este sistema que privilegia a cunha e despreza o mérito, recompensa a mediocridade e ostraciza o lutador. É este sistema que faz de nós os parvos de que fala a canção dos Deolinda. Este sistema assenta em técnicas publicitárias que nos tentam fazer acreditar, todos os dias, sem dó nem piedade, que só precisamos daquilo que pode ser vendido. Este sistema tem um nome: Capitalismo.

Se a geração à rasca for nesta conversa, as manifestações não passarão de circos de protesto para serem filmadas em televisões e exibidas ao lado de espaços publicitários.

51 comentários

  • 1
    Tiago Lopes
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    13 de Março de 2011 - 18:14 | Link permamente

    Não é preciso ir muito longe: postos de abastecimento dos nossos estômagos existem praticamente em cada esquina.

    O problema é as pessoas confundirem as universidades com centros de emprego…

    Oiço a canção dos Deolinda quando a minha filha tenta decidir o que quer ser na vida e eu, secretamente dividido entre o pragmatismo e a vontade de a ver feliz e realizada, vou pensando «por favor, quando fores grande não queiras ser algo que Portugal despreze».

    Ora, faz de ti um bom pai e não a deixes ir para a forca nem escolher Educações Básicas, Enfermagens (a nao ser que ela simpatize com o resto da europa), Psicologias e afins. Parecem contas fáceis de fazer. Se é escolhido um curso desses então é certo que emprego nem tao cedo. Se esta ligacao é obvia entao pq continuam as pessoas a escolher tais cursos e depois choram?

    • 2
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      13 de Março de 2011 - 18:30 | Link permamente

      @Tiago Lopes

      estou contigo mas até nem me importo que haja pessoas a seguir essas áreas desde que sejam bons e gostem mesmo daquilo. Para os profissionais de qualidade existe sempre espaço, o problema é quando sobrecarregas o mercado com maus profissionais que só lá chegaram porque era um curso considerado fácil.

      • 3
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        14 de Março de 2011 - 15:53 | Link permamente

        Para mim, há ainda outro problema, e bem maior, @Dextro:
        Em muitas áreas, e cada vez mais, os profissionais de qualidade (os portugueses) não têm o lugar garantido (em Portugal), porque há outros, “mais baratos” e menos exigentes, a vir do estrangeiro.
        Com “profissionais de qualidade” refiro-me a todos os níveis, p.ex, desde médicos a caixas de supermercado.
        Isto, além de provocar a debandada dos de topo (os que podem emigrar), deixa os do fundo da pirâmide na miséria e a detestar o estrangeiro que lhe “roubou” o emprego. Nada disto é novo, mas vai piorar.
        A globalização capitalista trouxe a selva, e nós todos, que estávamos habituádos a ter as costas quentes, ainda não vimos metade.

  • 4
    JLS
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    13 de Março de 2011 - 18:25 | Link permamente

    Tenho que começar por dizer que não conheço em detalhe o que pretendem quem se diz da geração-à-rasca. Posto isto…

    “… quando constato que pelo menos dois dos caixas do supermercado que frequento, têm o curso superior e foram forçados a trabalhar ali …”

    O que pretendem que se faça quanto a isso? Não há governo que faça milagres. Não vai ser possível arranjar mais 4 ou 5 mil vagas para professores e enfermeiros nos proximos anos, assim do nada, para satisfazer toda a gente.

    Tal como diz a conclusão deste post, também tenho ideia que metade dos que ali estavam a manifestar-se devem ter um telemovel topo de gama no bolso, e se for preciso foram passear ao colombo quando sairam dali.

    Resumindo,

    Parece-me que foi uma manifestação muito bonita, mas que foi povoada em 3/4 por gente não está ainda assim tão à rasca para ter sido sincera no seu manifesto.

    Posso estar enganado.

    • 5
      keops
      com Google Chrome 10.0.648.133 Google Chrome 10.0.648.133 em Windows 7 Windows 7
      13 de Março de 2011 - 19:56 | Link permamente

      “O que pretendem que se faça quanto a isso? Não há governo que faça milagres.”

      Para mim a resposta é simples: acabem com a precariedade. Acabem com os estágios não remunerados, acabem com os falsos recibos verdes e demais situações típicas deste país. Quando uma empresa “contrata” um estagiário e no final do ano o manda embora, para vir outro ocupar-lhe o lugar, sempre à pala, não vai haver emprego para ninguém excepto meia dúzia de mamões que andam a encher os bolsos à custa dos “parvos” como eu que pagam para ir trabalhar todos os dias.

      Eu já vou no meu 2º estágio não remunerado, tenho 23 anos e nunca vi a cor do dinheiro. Mas lido diariamente agora com pessoas que me intitulam de “geração rasca” que “não quer fazer nada” e é “um choramingas”. Pelos vistos neste país agora ninguém deve lutar por aquilo que quer, já que “não podemos ser todos doutores” e “alguém tem de ser pedreiro e electricista.” Sortuda geração a anterior que pode lutar pelos seus sonhos… E eu que vá para pedreiro após 4 anos na universidade!

      Btw, não sou de Educação Básica, nem Psicologias nem afins. Sou de uma área cientifica. Apenas tive o azar de viver num país que, como tudo, o € é cortado em tudo o que devia ser investido para nos fazer evoluir e de alguma maneira tentar chegar ao patamar europeu, mas invés é investido no salário dos políticos para “os motivar” como saiu recentemente numa revista conhecida. Já sei que a minha solução é sair do País, como muitos o dizem. Certamente se aparecer oportunidade o farei, e não sentirei falta nenhuma dos que me intitulam “geração rasca”. Podem ficar com o país todo para eles e afundarem-se com ele.

      Cumps

      • 6
        Luis Silva
        com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
        13 de Março de 2011 - 21:18 | Link permamente

        Acho que o artigo é excelente. Apenas quero recordar que existem países na Europa a 3 horas de distancia e que um bilhete da avião apenas de ida custa mais ou menos 100€ que têm falta de mão de obra qualificada. Só é pena que a língua seja difícil de aprender porque aqui falar inglês de pouco ou nada serve. Aqui fala-se Alemão, com muita pena minha, pois parece que quanto mais tempo de estudo e aulas tenho, menos sei!

    • 7
      Pedro
      com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      14 de Março de 2011 - 16:55 | Link permamente

      Há algo nos comentários de muita gente que me deixa um pouco abismado. A ideia de que os nossos governantes não são responsáveis e nada podem fazer em relação à criação de emprego para licenciados é para mim um pouco bizarra. Em primeiro lugar, penso que qualquer estudante custa a todos nós “estado Português” dinheiro. Pelo que cabe ao estado viabilizar ou não a criação e continuidade das diferentes licenciaturas, que racionalmente deverão ser orientadas em função das necessidades do País a curto, médio e longo prazo. Este critério, não deve ter em conta as vaidades ou manutenção de mordomias de alguns que dirigem as nossas Universidades. Se tal não ocorreu então devemos claramente responsabilizar quem falhou esta planificação e permitiu o esbanjar dos recursos do País criando ainda uma geração de desempregados (sabemos quem deteve o poder durante estes anos).

  • 8
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Mac OS X 10.6 Mac OS X 10.6
    13 de Março de 2011 - 18:30 | Link permamente

    Estava à espera deste post :)

    E estou à espera de outro :)

    • 9
      com Namoroka 3.6.16pre Namoroka 3.6.16pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      13 de Março de 2011 - 18:37 | Link permamente

      Referes-te aos maus ventos de Espanha? :wink:

    • 10
      com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
      13 de Março de 2011 - 22:34 | Link permamente

      Põe-te na fila Jonas, põe-te na fila :mrgreen:
      Também aguardava este post, e bom, vem bem a tempo.

      Boa analogia Marco, e qui carago, essa de lançar um derbie Homens da Luta VS Gatos, deixa que pensar…

  • 11
    Filipe
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    13 de Março de 2011 - 18:39 | Link permamente

    Foi pena não terem aparecido 200-300 mil votos em branco nas últimas eleições legislativas.

    • 12
      com Google Chrome 10.0.648.133 Google Chrome 10.0.648.133 em Mac OS X 10.6.6 Mac OS X 10.6.6
      13 de Março de 2011 - 18:59 | Link permamente

      Foi pena não terem aparecido 200-300 mil votos em branco nas últimas eleições legislativas.

      Ora aqui está! Se todos tivessem ido às urnas e votarem em consciência e com voto útil (e digo isto para todas as eleições) se calhar não estávamos onde estamos.

  • 13
    com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows Vista Windows Vista
    13 de Março de 2011 - 18:59 | Link permamente

    O que o MST diz não se escreve…
    Existe um certo empolamento por parte dos Media em relação à geração À Rasca.
    As dificuldades que ela vive, também já viveu a geração anterior, denominada de Rasca ou X.
    A hiper-qualificação das novas gerações é uma consequência— salutar, a meu ver— da democratização do ensino superior, uma das grandes conquistas de Abril.
    Infelizmente o desenvolvimento económico do país não acompanhou essa tendência, porquanto as empresas não se adaptaram à realidade do mercado internacional.
    A maioria dos empresários não tem visão estratégica, não apostando na inovação nem na formação. Muitos deles ainda pensam como fazendeiros do Ultramar…
    O mal não está nos cursos, pois, se assim fosse, só se formavam meia de dúzia de três ou quatro pessoas por ano, para que não houvesse excesso de diplomados no país, mas no desfasamento entre as universidades e o mercado de trabalho.
    Por exemplo, um bioquímico ou um físico só consegue trabalhar na sua área no estrangeiro, onde as empresas apostam na inovação, aqui só tem duas alternativas: o ensino ou o desemprego. E assim por diante…
    Continuamos pequenos em tudo, inclusive na forma como encaramos a utilidade do diploma.
    O mal da nova geração foi ter crescido mal-habituada, i.e., super-protegida e mimada pelos pais, a pensar que assim que saísse da univ conseguia logo um emprego chorudo. Há que procurar alternativas!
    Tanto esta geração como as vindouras têm de mentalizar-se que o poder reside na sociedade civil. É esta que tem de fazer pressão junto do poder político a fim de que as suas aspirações sejam tidas em consideração.
    Já agora, votar na mudança também é uma forma de pressão…

  • 14
    Ricardo Martins
    com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows Vista Windows Vista
    13 de Março de 2011 - 19:01 | Link permamente

    Só uma pequena correcção. A diarreia cerebral de MST não foi no Telejornal (RTP1) mas sim Jornal da Noite (SIC) :)

    Ricardo Martins
    @rfam

    • 15
      com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Mac OS X 10.6 Mac OS X 10.6
      13 de Março de 2011 - 19:05 | Link permamente

      Hihihihi para a nossa geração (minha e do Marco), todo e qualquer noticiário que passe ali à volta da hora de jantar é um telejornal :)

      Com a nossa geração as televisões falharam, todas, na comunicação de nomes esquisitos e diferentes para blocos noticiários :)

    • 16
      com Namoroka 3.6.16pre Namoroka 3.6.16pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      13 de Março de 2011 - 19:07 | Link permamente

      Ricardo, pois. Estou a ficar velho.
      Ainda sou do tempo em que só havia um telejornal e tenho tendência a usar o nome como uma designação genérica para todos os outros.
      Bem, mas vou corrigir, obrigado pela dica. :)

  • 17
    manuel
    com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
    13 de Março de 2011 - 19:55 | Link permamente

    Meus caros senhores, talvez seja ligeiramente mais novo que vós, mas não muito. Sou um dos jovens que passam pelas grandes dificuldades que a nossa sociedade nos apresenta e, contudo, não partilho desse fatalismo tão português…
    Estou à rasca? Sim, mas não baixo os braços, gasto a minha energia em procurar soluções e não em lamentos, manifestações, criticar tudo e todos: ajo! Sim, agir não é manifestar incessantemente, mas sim ser pro-activo. Estou farto desta sociedade de pseudo-inteligentes que falam de tudo e todos, sendo mestres em temas que vão desde o futebol à física nuclear (são eles os MST, os Pachecos Pereiras, os professores Marcelos, os Medinas, os Bagão Félix… muitos deles que já estiveram em posição de agir e nada fizeram).
    Temos uma sociedade “à rasca” mas é por falta de valores, de formação (não, uma licenciatura não implica uma boa formação; conheço vários licenciados que não passam de ignorantes de canudo!) e de oportunidades. É verdade que sem a contribuição política as oportunidades custam a aparecer, mas pior que os nossos políticos são os nossos empresários; as duas classes menos preparadas para fazer face à dita crise.
    Quanto à treta dos desempregados licenciados, como alguém já referiu, os bons acabam por conseguir, seja qual for a área. Eu cresci numa geração de pessoas que queriam ser professores, enfermeiros, radiologistas, fisioterapeutas, psicólogos, sociólogos… “porque é uma coisa que tem saída e ganha-se bem”, “não tem matemática”, “consigo entrar com exame de economia”… Num raio de 20 kms consigo encontrar 10 escolas de enfermagem e afins… com 400€/mês qualquer um tem um canudo passado 3 anos!

    Quero com isto dizer que a nossa sociedade não precisa de subsídios, não precisa de tachos, precisa de oportunidades.

    • 18
      com Konqueror 4.5 Konqueror 4.5 em GNU/Linux GNU/Linux
      13 de Março de 2011 - 20:43 | Link permamente

      Concordo totalmente :) Portugal vive na ressaca de um tempo em que ser “Dotor” equivalia a vidinha garantida, agora somos todos.
      Sou eng. civil de formação, quando fui trabalhar FUI mesmo trabalhar com os operários, quando andei nos trabalhos dos viadutos das acessibilidades das Antas passava o dia a carregar e montar cimbre, trabalho duro mas mesmo duro. Quando ia para casa ainda ia trabalhar em ícones… passava a vida a desenhar Ícones em cima de pontes e em cantinas do pessoal, quando tinha uma folga do trabalho.
      Nos dias de hoje sou UI designer a tempo inteiro. Sou porque aquilo que de mais importante aprendi na Universidade foi a aprender, e a ser apaixonado por aprender e por tudo o que faço..
      Para alem do mais a vida na construção civil também me ensinou uma coisa muito importante, ha ali gente muito mais culta que muitos dos meus colegas de universidade. Um canudo não quer dizer nada, O que aprendes ontem hoje e amanha é que faz a diferença num mundo cada vez mais separado entre aqueles que sabem fazer e os que comparam já feito.

  • 19
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows XP Windows XP
    13 de Março de 2011 - 20:38 | Link permamente

    Quero com isto dizer que a nossa sociedade não precisa de subsídios, não precisa de tachos, precisa de oportunidades.

    Porra, até que enfim. Alguém com raciocínio sucinto. Não precisamos mesmo de mais nada. O resto é conversa de café.

    Na minha modesta opinião, é Telejornal da SIC. Os restantes nomes só baralham.

    h.udo

  • 20
    com Google Chrome 10.0.648.133 Google Chrome 10.0.648.133 em Windows 7 Windows 7
    13 de Março de 2011 - 21:06 | Link permamente

    Concordo tanto mas tanto com este artigo. Muitas verdades que aqui são ditas. E confesso que a parte em que se refere à sua filha até me emocionou. Sem dúvida um excelente artigo!

  • 21
    com Google Chrome 10.0.648.133 Google Chrome 10.0.648.133 em Windows XP Windows XP
    13 de Março de 2011 - 21:27 | Link permamente

    estou de acordo com os motivos da manif, mas coloco uma questão, quantos dos que estiveram na rua a protestar votaram nas ultimas eleições?
    provavelmente menos de 50%, como até prova em contrário nós vivemos em democracia, e numa democracia o maior protesto é aquele que se exprime nas urnas, se quando o país vai a eleições a maioria dos portugueses prefere deixar o seu direito de escolher quem dirige o seu país nas mãos de outros, com que moral vamos nós protestar contra os políticos?

    http://brigadascinzacoelho.blogspot.com/2011/03/tsunami-atinge-o-japao-apos-terremoto.html

    • 22
      luis
      com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows Vista Windows Vista
      14 de Março de 2011 - 14:41 | Link permamente

      Já vi que o senhor é só números baseados em… nada. Deve ser assim que os nossos economistas e financeiros fazem também, com os resultados que conhecemos.

      Isso que coloca não são questões, são não-questões, sem qualquer interesse, acrescente-se.

      “e numa democracia o maior protesto é aquele que se exprime nas urnas,”

      Isso foi decidido pelo senhor? Quando? Agora?

      “se quando o país vai a eleições a maioria dos portugueses prefere deixar o seu direito de escolher quem dirige o seu país nas mãos de outros, com que moral vamos nós protestar contra os políticos?”

      Ou seja, se há uma maioria que não vota, os que votam (a minoria) não tem moral para protestar?

      • 23
        com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
        14 de Março de 2011 - 18:19 | Link permamente

        e é precisamente nas urnas que isso se vê… é na ausência de votos. Que vai às urnas fazer um cidadão que não tem qualquer opção credível de escolha? Quando vais à praia levas a areia? então para que vais às urnas se a (perdoa o vernáculo Marco, podes “censurar” se quiseres) merda é sempre a mesma independentemente de onde cair o teu voto.
        Nem o voto em branco interessa… votar em branco? Isso é o quê? Ir dizer que existo e depois entregar o boletim imaculado e dobrado em quatro? A abstenção é o desprezo completo perante a incompetência governativa com que somos presenteados, seja ela de que cor for!!

        • 24
          com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
          14 de Março de 2011 - 18:41 | Link permamente

          Exactamente, Gil. Na minha opinião, o voto em branco (ou nulo) nem chega a ser um protesto, é um não-protesto. É um fingimento, uma promoção da cobardia.

          Depois disto, há outras questões, claro:
          Quem se abstém, porque o faz? Activismo ou preguiça? Alternativas, trabalha-se para elas ou não?
          Isto dava pano pra mangas.

          De qualquer forma, para quem não se revê neste sistema (social, político, económico, o que seja), parece-me que esta é uma boa altura para se começar a pôr mãos à obra.

  • 25
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows 7 x64 Edition Windows 7 x64 Edition
    13 de Março de 2011 - 21:58 | Link permamente

    “Se esta geração à rasca for nesta conversa, as manifestações não passarão de circos de protesto para serem filmadas em televisões e exibidas ao lado de espaços publicitários.”

    Parece-me honestamente que é o que vai acontecer: muita parra e pouca uva.

  • 26
    com Google Chrome 10.0.648.133 Google Chrome 10.0.648.133 em Windows Vista Windows Vista
    13 de Março de 2011 - 22:37 | Link permamente

    Esses Deolinda que alertam contra os males do capitalismo são os mesmos que se baldaram à manif porque à mesma hora preferiram dar um espectáculo na Galiza? E era de beneficência, o tal espectáculo?

    • 27
      eu
      com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
      13 de Março de 2011 - 22:48 | Link permamente

      Os Deolinda não tiveram nada a ver com a manifestação, apenas alguém se lembrou de utilizar uma das suas músicas para dar o mote…

      Se eles estavam na Galiza, e estavam a trabalhar, que é o que mais falta faz ao país!

  • 28
    kodiak
    com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
    13 de Março de 2011 - 22:48 | Link permamente

    É impressão minha ou o site tem andado bastante lento? Muitos hits?

    Quando à manif…vamos ver o que isto dá.

    Se tempo estivesse mau, queria ver quantos se “sacrificavam” para ir à manif.

    kodiak

    • 29
      com Namoroka 3.6.16pre Namoroka 3.6.16pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      13 de Março de 2011 - 22:50 | Link permamente

      Não sei, Kodiak, aqui tem estado sempre rápido.

  • 30
    Baka
    com Firefox 4.0 Firefox 4.0 em Windows 7 x64 Edition Windows 7 x64 Edition
    13 de Março de 2011 - 23:54 | Link permamente

    “Capitalismo”
    Típico. Portugal governado por Socialistas e Fascistas (vertente do Socialismo) há décadas, mas o mal é do Capitalismo. Chamem as coisas pelos nomes correctos ao menos. O que procuram é Socialismo, a ideia de que uma autoridade centralista involuntária pode resolver os “problemas” da sociedade, iluminados como eles são.

    Leiam e ouçam um bocado mais que os media mainstream.

    Para quem critica a máquina propagandista, caem que nem patos.

  • 31
    Luis
    com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
    14 de Março de 2011 - 02:52 | Link permamente

    n vi esse video do miguel sousa tavares, nem me interessa… do que eu estou farto é desse jel metido ao barulho em tudo isto, estou um pouco farto de ver uma luta seria transformada numa cantilena fácil e em publicidade gratuita para um qqer palhacinho ir ganhar uns cachets num qqer arraial de estudantes bebados.

    a serio, enojou.me a forma como esse gajo foi recebido como o arauto ou o ideologo da revolução e como as pessoas gritavam coisas como “jel, amigo, o povo está contigo”.

    já chega, a serio… um gajo que começou por fazer piadolas satirizando a imagem do revolucionário do prec e dos seus maneirismos, pa, é agora elevado a simbolo de uma “revolução”? what?! no fundo começou por arrecadar os seus trocos à pala daqueles que lhe deram a liberdade de expressão para gozar e brincar com quem quisesse.

    enfim…

    • 32
      com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows Vista Windows Vista
      14 de Março de 2011 - 07:08 | Link permamente

      Nem mais Luis. Finalmente alguém q não segue a carneirada-thinking :-)

  • 33
    Andrade
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    14 de Março de 2011 - 02:54 | Link permamente

    Na minha opinião o protesto do dia 12 abriu os olhos a muitas pessoas. Para grande maioria dos que estiveram nos protesto foi a primeira vez que participaram num protesto e sim a maioria não tinha consciência de como o voto é tão importante para os futuro deles.

    O que mais me impressionou foi ver pessoas da extrema direita até à extrema esquerda, todos juntos, pacificamente, a lutar pelo mesmo objectivo, mostrar aos políticos que estamos todos fartos deles.

    Porque se repararem a maioria dos nossos políticos julga que o cargo é vitalício e tentam por todos os meios ficarem o máximo do tempo nos seus cargos e no parlamento. Os partidos são controlados pelas mesmas pessoas, que têm os mesmos tachos e que não são o futuro que tanto queremos.

    Falta uma opção viável? Sim falta e é preciso criar, nem que seja um novo partido/movimento que abranja todas as opiniões, que trabalhe para o país e não o seu umbigo, que crie oportunidades para todos, que acabe com a corrupção, que consiga finalmente controlar as despesas do estado.

    E acreditem há muitas pessoas dispostas a ajudar, há personalidades com experiência nos mais variados ramos que podem e devem ajudar o país.

  • 34
    com Android Webkit 4.0 Android Webkit 4.0 em Android 2.1 Android 2.1
    14 de Março de 2011 - 09:57 | Link permamente

    Olha, atenção, Marco, tens uma nódoa de comunismo na camisa.

    • 35
      com Namoroka 3.6.16pre Namoroka 3.6.16pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      14 de Março de 2011 - 09:58 | Link permamente

      :mrgreen: Agora fizeste-me rir.

  • 36
    Miguel
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    14 de Março de 2011 - 10:12 | Link permamente

    Dá-lhe Falâncio!

  • 37
    com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
    14 de Março de 2011 - 11:05 | Link permamente

    No sábado foi o que se viu, ontem houve ecos… hoje: o silêncio todo branco!
    Fez mossa? Não me parece…
    Os vampiros continuam o mesmo e coma míngua de sangue agora até ao tutano se agarram. O mal deste país é ser comandado por compadrios e transições geracionais de poder!
    Alguém se lembra de “caras novas” na assembleia desde 1974? São vestigiais, para entreter o povinho, o poder em Portugal passa de pais para filhos, para netos, para sobrinhos, para o raio que os parta…
    Enchem os bolsos como querem e quando querem e assobiam para o lado enquanto aumentam impostos, aumentam propinas, aumentam despesas, aumentam, aumentam, aumentam…

    Somos demasiado brandos, até nos protestos, nas revoluções… penhoraram os cravos comprar os chicotes… o resultado está à vista.

  • 38
    Paulo
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    14 de Março de 2011 - 14:07 | Link permamente

    Em minha casa, tivemos há uns 20 anos um exemplo que parece tirado das queixas dos dias de hoje. Licenciamo-nos em Psicologia, estivemos dois anos a mandar currículos para tudo que era anuncio de jornal e empresas da lista telefónica, dois empregos pelo meio onde nem recibos verdes passavam. Iamos jantar fora ? Férias ? Roupa nova ? Concertos ? Tivemos filhos ? Fomos para as manifestações ? Não. Continuamos a mandar currículos. Resultou ? Sim, o melhor emprego que se arranjou foi de operador de telemarketing com um contrato de seis meses. Resignamo-nos a apenas seis meses de trabalho ? Não. Demos sempre o mehor para conseguir que o contrato fosse renovado, e depois disso fazer parte dos quadros da respectiva empresa. Acomodamo-nos ? Não. Estamos muito bem como quadros intermédios ainda dessa mesma empresa. Estamos acomodados ? Não. Vamos jantar fora ? Férias ? Roupa nova ? Concertos ? Tivemos filhos ? Sim. Vamos para as manifestações ? Não.

    • 39
      com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
      14 de Março de 2011 - 18:28 | Link permamente

      menos mal… a minha esposa licenciou-se, em psicologia, e esteve 2 anos a fazer voluntariado até lhe oferecerem um contrato, finalmente chegou a “efectiva” (que título profissionalmente pomposo, não acham? em vez de “licenciado” vou-me começar a apresentar como “efectivo” também! Enfim…). Agora chegam uns camandros com uma amarfanhada ordem dos psicólogos e querem obrigá-la a fazer estágio profissional para que ela se possa inscrever na ordem!!! Tenham dó, não chegam os tachos??

  • 40
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows 7 Windows 7
    14 de Março de 2011 - 14:24 | Link permamente

    Marco, ela que vá para podologia! A minha podologlista consegue levar-me 75€ em 15 minutos! E toda a gente sabe que a podologia é um bem de primeira necessidade, ninguém quer ficar com joanetes! Pronto ok, tem de ver os pés alheios todo o santo dia mas também não pode ser tudo perfeito! ;)

  • 41
    com Firefox 3.6.15 Firefox 3.6.15 em Windows 7 Windows 7
    14 de Março de 2011 - 18:02 | Link permamente

    Miguel Sousa Tavares é, não tenho dúvidas, um homem muito inteligente, que sabe muito bem o que diz. Sabe muito bem dar-se ares de expert em tudo, na boa tradição do dótour Marcello, e volta e meia acerta algumas, mas já o topei há muito tempo. Uma coisa boa ele tem: coragem, quando lhe apetece ou lhe convém. Mas naquela famosa entrevista o senhor conseguiu surpreender-me. A lata com que uma pessoa diz um disprate destes:

    Não foi a rua que libertou os escravos!

    Claro que tudo isto tem uma agenda. É preciso, a todo o custo, amansar o bicho, senão ele morde.

    Quanto a “Homens” e “Deolindas”, toda a argumentação que tem vindo a ser feita, usando-os como desculpa para a demarcação dos protestos, não passa de desculpas de quem perdeu todo o amor-póprio e independência. Há dias li um comentário de um jovem (!), salvo o erro a queixar-se da manifestação e a defender a “verdadeira e estruturada contestação”, que segundo ele saía prejudicada com aquele “carnaval”. Espírito crítico? Irreverência?… Nada? Viva a “verdadeira e estruturada contestação”!

    O Jel e os Deolinda são apenas artistas. Fazem jogo duplo ou não, mas em última análise são quase irrelevantes: não são a origem, nem o fim, nem sequer o meio. Apenas fenómenos laterais a outro que estamos a viver e que pode ser histórico: o início de uma séria consciencialização dos cidadãos deste país.

  • 42
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    14 de Março de 2011 - 19:24 | Link permamente

    Bem… uma coisa de cada vez: É jornal? Passa na TV? É telejornal então e tá acabado, independentemente do rótulo que dão àquela coisa. Não é jornal, por que não é de papel e não é radio jornal porque tem imagem. Portanto o Jornal da Noite da SIC é um telejornal que tem o nome de Jornal da Noite. Na RTP foi fácil dar o nome do telejornal de Telejornal porque quando foi criado só tinha aquele. É como chamar um cachorro de Cachorro. É como fotocópia ou lâmina de barba no Brasil. O primeiro chama-se Xerox e o segundo Gillete, porque não havia outros e não era preciso diferenciar.

    Eu queria ter ido à manifestação só para fazer uma pesquisa. Gostaria de saber quantos daqueles manifestantes votaram nas últimas eleições legislativas. Só para saber com quem eles protestavam. É que me parece que o protesto é sistémico e não direccionado à este ou àquele. É tipo se um gajo gritasse de dor ao martelar o dedo. Se passasse um tipo do BE ou do PCP por perto logo diria que ele na realidade pedia a queda do governo, independente de que governo fosse o que estivesse no poder.

    Eu queria ter ido a manifestação mas não pude ir porque estava a trabalhar. Eu não tenho emprego há, mais ou menos, trinta e dois anos. Optei por ser freelancer e não me arrependo. Não conto, nem nunca contei, com sistema previdenciário nenhum, nem protecção contra desemprego, nem sistema crédito! Faço o que poço fazer hoje, com o que tenho hoje e sonho muito pouco sendo, por isto, isento de frustrações.

    Sempre considerei que o Estado, e nunca me esqueci disto, somo todos nós. Povo e governação, que só lá está para representar ao povo, por ordem e representação deste e enquanto este o quiser. Portanto culpar o governo pelas “rascas” do povo é culpar a si próprio por te-los posto lá e por lá os deixar ficar (lembrando-me da delícia que foi pintar a cara e tirar Collor de Melo da presidência da República).

    Cabe a nós, portanto, decidir o que fazer. O que acho que falta aqui, por vezes, é clareza de espírito. Pragmatismo. O que se pretende, ao fim ao cabo, com aquela manifestação? Mudar o que? Acreditam que mudar fulano para sicrano muda a situação? Muda-se a capacidade produtiva de Portugal ao substituir o partido que está no poder? Muda-se a personalidade comunista/socialista de uma constituição proveniente do 25 de Abril, que não interessa à iniciativa privada capitalista, na qual estamos cada vez mais envolvidos, e os que não estão andam agora em guerra civil? Será com passos de coelho que chegaremos mais rapidamente à situação de pleno emprego que só tivemos quando entravam milhões diariamente para a formação intelectual do país afim de aumentar produtividade, mas o que se viu foi o dinheiro ir de volta para a Alemanha, através da BMW? Acho que não.

    Acredito que sairei um dia de minha casa para me manifestar em Portugal, mas o dia em que a manifestação for contra o imobilismo, a favor do empreendedorismo, visando mandar qualquer forma de governo ir à merda e decidir que afinal de contas quem faz nossa vida é, e sempre será, nós próprios e nunca uma entidade alienígena qualquer que lá vive por viver e que lá fica por ficar.

    Manifestar-me-ei o dia em que o slogan da manifestação for: “Anarquistas, graças a Deus!”

  • 43
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    14 de Março de 2011 - 23:18 | Link permamente

    Olá ,

    Excelente texto.

    No que me diz respeito penso o seguinte :

    Nunca houve em Portugal um conhecimento e seminários do que é historiografia. Se estes seminários existem são recentes.

    Confunde-se socialismo e comunismo e nação e pátria, e a palavra internacionalismo é para inglês ver.

    Não deixa de ser curioso que seja a CNT e não os arquivos Portugueses que ponha toda a historiografia Portuguesa,ligados a este aspecto da história, em dia.

    Como também não deixa de ser curioso que ninguem lembre que Durão Barroso tivesse estado ligado ao Maoismo.

    Fundatalmente, cada vez mais, creio que tive sorte na minha juventude em ter participado na actividade dos surrealistas Franceses. Fomos os primeiros a denunciar o estalinismo desde 1924 ( e muito antes da Liga dos Direitos do Homem ! ). É verdade que os Maoistas são a continuação do Estalinismo

    Se os Deolinda são arte. Já os homens da luta aparecem como um um mundo onde as mulheres não existem. É gratuito ? É pensado ? É político ? Só os homens lutam ?

    Prefiro as mulheres da luta.

    Nuno

  • 44
    com Google Chrome 10.0.648.133 Google Chrome 10.0.648.133 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    15 de Março de 2011 - 00:31 | Link permamente

    Quando li o comentário dessa pessoa (o meu estatuto não me permite chamar-lhe de besta), chamada de Miguel de Sousa Tavares, ri-me bastante. Ri-me para não chorar, porque o homem não só não disse nada de jeito como nem sabia do que estava a falar.
    Eu respeito totalmente as opiniões das outras pessoas, mas não suporto que estas pessoas venham tirar o lugar a quem merece trabalhar, e a quem sabe do que fala.
    Agora, Marco, como disseste, os portugueses não querem saber do festival da canção, mas não acho que seja caso para desprezar os homens da luta pelo seu trabalho, que é válido como o de qualquer outro artista, ou pelo menos dos que preenchem uma determinada secção do meu blog.
    Relativamente a mudança, para mudar o mundo, alguém tem que dar o primeiro passo. Quanto à manifestação, que fossem 2 ou 3 pessoas a saberem a razão da mesma (além da organização), e que essas mesmas estejam dispostas a fazer algo para mudar o futuro é suficiente para eu dizer que vale a pena. Sou pouco exigente? Nestes aspectos talvez.

  • 45
    ovotas
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    15 de Março de 2011 - 00:44 | Link permamente

    Estão a falar de quê? Da tragédia ou da farsa? Não ente :mrgreen: ndo.

  • 46
    Tiago Lopes
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    16 de Março de 2011 - 22:43 | Link permamente

    e dias depois, branco.

    • 47
      com Namoroka 3.6.16pre Namoroka 3.6.16pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      16 de Março de 2011 - 22:47 | Link permamente

      Não entendi, Tiago.

      • 48
        Tiago Lopes
        com Internet Explorer 9.0 Internet Explorer 9.0 em Windows 7 x64 Edition Windows 7 x64 Edition
        16 de Março de 2011 - 23:34 | Link permamente

        Quis dizer que no inicio vi na televisao, pessoal super interessado em tudo e agora, nem uma semana depois, parece que nada se passou.

  • 49
    Pedro
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    17 de Março de 2011 - 01:51 | Link permamente

    Ora cá vai um comentário meu a não concordar em parte com a tua opinião Marco (tal como disse no meu comentário no post “O princípio Scarlett,” :mrgreen: )

    Vi-o a disparatar no telejornal Jornal da Noite (SIC) quando desvalorizou a vitória dos Homens da Luta

    não é bem a vitória deles que eu desvalorizo, mas sim eles próprios. Os Deolinda sempre têm mais classe e melhor música, agora aquilo? aqueles machos latinos sebentos e ches guevaras de trazer por casa? Aquilo é o ‘Nacional-Pirosismo’ tuga que vamos mandar para a Europa, a esses que já nos vêem e aos nossos emigrantes assim: como gente analfabruta, canastrões e de quem fazem anedotas. Nós vamos confirmar-lhes isso mesmo qd esses emplastros forem “actuar” na Alemanha.
    Sim porque pode ser sárira, mas a estrangeirada não o vai perceber, só vai ver é os ‘Village People da Merdaleja’ a actuarem, e vão-se fartar de rir. De nós. Vão pensar que um país escolheu de facto uma coisa daquelas para o representar. É sátira, mas a sátira não tem que ser parola (ou se tem então que passe apenas cá)

    E como caricatura deveria esta esteticamente mais exagerada -como toda a caricatura- para que se perceba que de facto o é. Só que eles estão pirosos demais para actuarem em qualquer festival, mas não o suficiente para que qualquer um perceba que aquilo é sátira, até porque há muito emigrante com aquele aspecto; ou seja, estão naquela faixa incómoda do “se calhar eles são mesmo assim”.

    E convenhamos, acham que é com uma música para um festival da canção que os políticos vão tremer? daquela palhaçada? Não me parece; se nem os valores da abstenção os assustam mais. Querem mudar algo então façam pressão a sério e magoem os calos dos políticos. Com muitas manifestações como a do dia 12, ou não votando em absolutamente ninguém nas próximas eleições, ou porque não, mandar umas pedras com umas mensagens atadas às janelas duns ministérios…

    E a letra, “Contra a reacção” ? mas a reacção são eles, é reaccionário quem está contra o poder vigente, o status quo, ou seja eles. Esses gel e fenâncio deviam estar mais atentos pelos menos às letras que escrevem (já que a música é o que se sabe), e o estilo “revolucionário de Abril” já passou há muito.

    Se o sucesso deste tipo de canções é um indicador de qualquer coisa, é difícil de ajuizar; mas sabemos o que veio a acontecer em Portugal um ano depois.

    Não foram canções como as do Fernando Tordo que causaram a revolução, mas sim e apenas a revolta dos militares contra o sistema porque iam perder regalias com uma nova lei qualquer –e descansa que enquanto as tiveram não se revoltaram. Claro que estando o povo do lado deles tanto melhor.

    Eu não gramo nem concordo lá muito o Sousa Tavares, mas em parte compreendo o que ele disse, se lá fora já não estão muito interessados em emprestar-nos dinheiro, então depois disto (ainda para mais ao falarem em revolução)….

    P.S. Agora já não se pode editar? Às vezes um gajo quer dar mais umas mudanças de linha no ‘produto final’ para ficar mais legível, e já não pode (mas as ‘obras’ ficaram boas, o popup ao canto já fica bem no Opera, e agora aparece outro todo catita com ligações a facebook e twiter qd se põe o rato sobre avatares 8)

    • 50
      com Namoroka 3.6.16pre Namoroka 3.6.16pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      17 de Março de 2011 - 02:03 | Link permamente

      Pedro, não é para comentar a tua discordância porque estou com pressa de terminar um texto,
      mas para te dar uma satisfação em relação à edição de comentários:

      estou com uma dificuldade tremenda em alinhar os botões no css do template, estou farto de experimentar e testar e nada, por isso é que não aparecem.
      Já pedi ajuda ao autor do plugin, a ver se ele consegue resolver :)

      • 51
        Pedro
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        17 de Março de 2011 - 03:00 | Link permamente

        Pois… eu só sei qq coisita de HTML e mal, qto mais CSS, senão até dava umas dicas. ‘Eu é mais bolos’ :mrgreen: Ok, e astronomia também; isso temos em comum