
Um bulldozer em acção em Grand Isle, Louisiana [Foto: Jae C. Hong/AP]

Um golfinho morto em Venice, Louisiana [Foto: Plaquemines Parish Government/AP]
Um poço no mar a 1,5 quilómetros de profundidade está desde o dia 20 de Abril a largar, nas águas do golfo do México, uma quantidade de petróleo estimada pelos especialistas entre 1,9 milhões e 3,8 milhões de litros por dia.
«Agora sabemos a verdadeira escala do monstro que estamos a combater», afirmou o vice-presidente da Federação Nacional da Vida Selvagem, Jeremy Symons. «A BP libertou uma força imparável de proporções terríveis».
A BP, British Petroleum, empresa responsável pela Deepwater Horizon – a plataforma petrolífera que explodiu e originou o acidente – tem procurado meios de conter a catástrofe.
Há 22 mil pessoas a trabalhar na região, tentando atenuar os efeitos do derrame. 17 países e organizações já ofereceram ajuda mas, até agora, a BP só aceitou a ajuda do México e da Noruega nas operações de controlo da fuga de petróleo.

Voluntário recolhendo crude numa praia do porto de Fourchon , Louisiana [Foto: Daniel Beltra/Greenpeace]

Mancha de óleo na praia do porto de Fourchon [Foto: Gerald Herbert/AP]
Hoje a BP reatou uma operação chamada Top Kill, que consiste em injectar lama pesada no poço e tapá-lo depois com cimento.
A operação Top Kill tinha sido suspensa na quinta-feira para que nas 16 horas subsequentes os técnicos pudessem fazer uma avaliação dos efeitos conseguidos.
No próprio dia em que a operação entrava em pausa, um responsável da Guarda Costeira dos Estados Unidos, almirante Thad Allen, afirmava com precipitado optimismo que a BP estava a conseguir controlar o derrame de crude.
Ainda não está controlado – e ninguém arrisca garantir que a injecção de materiais líquidos e sólidos para o interior do poço será suficiente para tapar uma fuga 1,5 quilómetros debaixo do mar. É a primeira vez que se tenta uma operação destas a tão grande profundidade. A própria BP calcula em 60 a 70 por cento as probabilidades de êxito.

Anel de contenção montado pela BP no Delta do Mississipi [Foto: Daniel Beltra/Greenpeace]

Incêndios controlados provocados pela Guarda Costeira no golfo do México [Foto: U.S. Coast Guard]
O eventual sucesso desta operação Tapa Crude não evitará conclusões que especialistas já anunciaram: a maré negra no golfo do México é o maior desastre ambiental na história dos Estados Unidos.
A catástrofe no golfo México supera o que aconteceu no Alasca a 24 de Março de 1989, quando o navio petroleiro Exxon Valdez derramou 45 milhões de litros de crude no mar.
As estimativas mais optimistas consideram que o poço irá largar 68 milhões de litros. Os mais pessimistas apontam para 142 milhões.
O maior desastre que se conhece com uma plataforma petrolífera ocorreu em 1979, quando a Ixtoc I explodiu e provocou o derrame de 530 milhões de litros em águas mexicanas.
A mancha negra que empapa as águas está a espalhar-se de forma incontrolável: chegou à praia de Venice, no Louisiana, aproxima-se dos estados da Florida, Alabama e Mississipi, pode chegar ainda mais longe, a Cuba, já avisada da possibilidade, e ao Oceano Atlântico.
Segundo peritos de uma agência norte-americana citada pelo Euronews, «uma pequena parte do crude foi apanhado por uma corrente poderosa que segue em direcção ao Oceano Atlântico».
A comissão de inquérito do Senado dos Estados Unidos já pediu à BP que suspenda a actividade da segunda plataforma petrolífera que mantém na região.
A fuga do crude veio revelar outras histórias igualmente sujas: por causa dessas histórias, a directora do Serviço de Gestão de Minerais, Elizabeth Birnbaum, demitiu-se do cargo que ocupava desde Julho.
Um relatório interno do Ministério do Interior, divulgado no início da semana, apurou que, entre 2000 e 2008, os membros do Serviço de Gestão de Minerais aceitaram bilhetes para espectáculos desportivos, convites para refeições e outras prendas de empresas de petróleo e gás.
Além disso – e num país como os Estados Unidos terá sido mesmo a gota de água – os funcionários usavam os computadores do governo para verem pornografia.
A história é suja porque o Serviço de Gestão de Minerais é a agência que supervisiona – e regula – as explorações petrolíferas e de gás nos Estados Unidos.
Por isso, o presidente Obama, de visita ao estado do Louisiana para avaliar no terreno o que se está a passar, anunciou que vai pôr fim à relação «escandalosamente chegada» entre reguladores e empresas que deveriam fiscalizar. Em relação aos prejuízos ambientais no golfo do México, disse que quem vai pagar a conta é a BP.
As fotos do ‘The Big Picture’



O sítio The Big Picture publicou uma segunda série de fotos tiradas no golfo do México e nas diversas áreas do estado do Louisiana afectadas pela expansão do crude. Os trabalhos são impressionantes, como é habitual. As três fotos aqui reproduzidas foram captadas por Gerald Herbert/AP, John Moore/Getty Images e Charlie Riedel/AP, respectivamente. Link
National Geographic: as primeiras 36 horas da catástrofe










A 20 de Abril foi enviado um alerta de explosão na plataforma petrolífera Deepwater Horizon. Essa primeira chamada desencadeou uma operação de emergência para salvar a plataforma, resgatar os elementos da tripulação (morreram 11 pessoas) e evitar um desastre ecológico causado pelo derramamento do petróleo.
As primeiras 36 horas – caóticas – não permitiram ter uma noção da magnitude da catástrofe. Estas fotos foram captadas por elementos da Guarda Costeira dos Estados Unidos e dão-nos uma ideia do que será o documentário do National Geographic chamado «Alerta Vermelho: O Desastre Petrolífero do Golfo do México» e cujo primeiro episódio estreia na terça-feira, dia 8 de Junho, às 22h15.






























12 comentários
Imagens impressionantes e brutais. É a evolução do ser humano e os seus efeitos na natureza.
Já vi vários rumores na net acerca disto, nenhum dos quais confirmado em lado nenhum — também já não tenho grande fé na imprensa para estar à espera que confirmem os rumores — ou os desmintam.
Mas eis que, surpresa das surpresas, A Bola vem em meu auxílio:
Golfo do México: Empregados da BP ignoraram três avisos de perigo antes de explosão.
Parece que já tinha acontecido o mesmo, no mesmo sitio há 31 anos. Na altura tinham ‘deixado’ correr petroleo durante 9 meses.
Não tenho nada contra a evolução, tenho é contra a corrupção e a indiferença de quem manda para com estas situações!
O mais irónico é que a BP vai levar um aparente e valente puxão de orelhas mas passados 2 meses lá começam os américas a sacar petróleo do Alasca. Marco, a titulo completamente off topic, a morte de Denis Hopper passou-te ao lado ou não és fã deste dinossauro gigante do tempo do teu Zappa ?
E um post zinho de homenagem a este gajo que nasceu para ser selvagem ? Um abraço.
Marco, estas são as faces visíveis de toda esta história. São visíveis porque são de uma tal dimensão num curto espaço de tempo.
Porém, existem situações bem mais graves do que estas que duram há décadas, aparentemente invisíveis porque os meios de comunicação não as divulgam. O exemplo mais concreto acontece aqui em que milhões de pessoas estão a ser afectadas devido ao uso e abuso de uma das maiores e mais poderosas empresas do mundo – a Shell!
E o tapar de olhos vai até ao ponto de alguns meios de comunicação se recusarem a colocar o anúncio que ali está – aquele do copo envenenado.
Recuando um pouco no tempo, poderia dizer que afinal aquela zona nunca deixou de ser o “Protetorado Oil Rivers” só trocaram o óleo de palma por um que mata e prejudica a saúde a milhões de pessoas.
De qualquer forma, o que se passa noutros locais do mundo não retira a dimensão desta recente desgraça e o modo como agem em países que não ficam ao lado das suas costas.
@braço.
Ó jocaferro. Os governos de países é que protegem essas corporações de serem responsabilizadas. Os partidos americanos recebem verbas destas empresas para assegurarem que a sua bolha não rebenta, através de legislação.
A corrupção começa topo.
Isso é apenas simplificar o real problema. É claro que estas situações apenas acontecem nos países em que reconhecidamente existe uma enorme corrupção a nível governamental. Apesar de andarem a “chupar” o ouro negro em todo o mundo o que é facto é que os maiores problemas acontecem quase sempre nos mesmos locais e nunca junto das suas costas salvo raras excepções geralmente provocadas pela revolta de Gaia. Acidentes acontecem em todo o lado mas geralmente os maiores são sempre junto a estes depauperados países. Contudo, o caso que eu “levantei” não tem nada a ver com acidentes mas sim com práticas do dia-a-dia que já vem de há muitos anos atrás. Décadas!
Em todo o caso, tal não invalida que alguns dos “grandes” jornais do mundo se recusem a publicar aquele poster.
@braço.
PS: Apenas uma pequena nota – cingindo-me apenas a estes casos, quer a BP quanto a Shell não tem absolutamente nada a ver com os EUA.
the end of times, a morte do Denis Hopper não me passou ao lado, mas não era um actor tão importante para mim a ponto de escrever um post.
Marco, claro que isto é uma opinião mas: se frank Zappa está para o público português como o Toni Carreira está para o povo russo, então realmente a tua importância das coisas está correcta… mas isto, claro, é a minha opinião. Easy Rider, Blue Velvet, epa e consulta o imdb para ver se o homem merece respeito como profissional da VII Arte. Eu penso que merece.
Deparo-me com comentarios destes todas as semanas, em blogs diferentes, onde meia volta lá se vê mais alguém a querer mandar bitaites sobre o que o administrador do blog devia estar a escrever no seu proprio blog ou pedindo satisfações sobre a escassez de posts… pq é que as pessoas sao tao arrogantes na net?
Sobre o tema do post: é de facto algo triste de ver e como ja disseram antes, coisas desta escala estao sempre a acontecer, mas devagarinho e dissimuladamente. Vamos ver quanto tempo aguenta o Planeta com as nossas barbaridades.