→ 31/03/2009 @16:34

Cloverfield: volta, Spielberg, estás perdoado

Sei que cheguei bastante atrasado, como é costume, mas numa dessas noites ociosas de sofá e televisão acabei por ver Cloverfield, filme que no ano passado gerou um enorme hype na Web.

Cloverfield relata-nos a história de um monstro extraterrestre do tipo Godzilla sem grande habilidade diplomática e que resolve destruir Nova Iorque porque destruir coisas é giro. Claro que o filme não é elogiado pela originalidade do argumento, mas pela forma muito fixe como é filmado.

É raro o sítio na Web que não se refira à maneira de filmar de Cloverfield como resultante da técnica POV (Point of View), usada em Projecto Blair Witch, de 1999, também mencionada a propósito do filme de zombies espanhol, [REC], de 2007, pelo que andei a descobrir se POV significava mais do que um mero truque para dar espectáculo e animar a malta.

Em termos muito simplificados, POV é uma técnica usada em Cinema para estabelecer o ponto de vista subjectivo de um personagem ou da combinação de vários, sendo considerada uma das fundações em que assenta o processo de montagem dos filmes. Existem até exemplos de típicos planos POV em que o personagem não se encontra presente, como é o caso do famoso Ponto de Vista de Deus (God-POV) usado por Alfred Hitchcock em Os Pássaros (Fonte: Wikipédia), quando nos mostra o resultado de um ataque de gaivotas a seres humanos visto a partir de cima, a grande altura, como se a câmara tivesse sido colocada nas próprias nuvens.

Cloverfield

Cloverfield usa uma variação camcorder da técnica POV, ou seja, um dos personagens tem pancada pelo YouTube e anda a filmar tudo o que acontece. É do resultado dessas filmagens tremidas, caóticas e desenquadradas que o filme é feito. Aconteça o que acontecer, quer esteja prestes a ser comido pelo monstro ou em risco de cair de um prédio de cinquenta andares, o desgraçado do homem nunca pára de filmar porque «é importante mostrar ao mundo o que está a acontecer, man».

Os primeiros vinte minutos de Cloverfield são um teste à capacidade de resistência de uma pessoa em manter o olhar fixo no ecrã. Imaginem ver isto no cinema, um tipo sentir-se-ia encurralado. Enquanto o monstro não aparece e o sangue não escorre, é preciso estabelecer os personagens e as relações entre eles, dar-lhes história e profundidade, criar alguma empatia com o espectador para que pareçam pessoas em vez de meras marionetas dos efeitos especiais – Cloverfield não se preocupa em atingir sequer os mínimos olímpicos, como costuma fazer Spielberg até nos seus filmes mais comerciais.

Acompanhamos vinte minutos de uma inócua festa de despedida a um dos protagonistas, mas as conversas destes jovens, bonitos e sofisticados nova-iorquinos são demasiado imbecis até para um filme deste género. Um exemplo, citado de memória: «Sabias que a Beth e o Rob já foram para a cama?» «Não, a sério?» «A sério, juro, they made it!» «Não acredito, you’re full of shit». Perante a qualidade extrema destes diálogos pré-adolescentes, resta ao pobre espectador desejar que o monstro entre em cena o mais depressa possível e os devore a todos com muito ketchup e batatas fritas.

Num filme sem história, argumento ou personagens, resta-nos então a afamada técnica POV para fazer a diferença e deixar-nos entretidos enquanto mastigamos pipocas no sofá. Mas é no uso exclusivo da camcorder que o filme deixa de ser patético e começa realmente a irritar, pois grande parte das cenas de pânico e terror colectivos em Nova Iorque são decalcadas (às vezes copiadas) das filmagens reais captadas por dezenas de testemunhas dos ataques terroristas ao World Trade Center. Que Cloverfield tenha substituído o monstro do terrorismo pelo monstro extraterrestre só indica o alto nível de imbecilidade espertalhona desta produção.

Tais imagens carregam um significado terrível na memória de todos e sobretudo daqueles que as viveram, mas Cloverfield reconverte-as em mero espectáculo de filme-catástrofe. Tanto despudor em fazer dinheiro à custa de uma tragédia e depois chamar-lhe «cinema» irrita bastante. Pior: a maioria dos críticos (77 por cento) no sítio Rotten Tomatoes dá uma nota positiva ao filme; alguns elogiam-no como uma «obra inovadora». A Web não cessa de surpreender.

25 comentários

  • 1
    César
    com Firefox 3.0.1 Firefox 3.0.1 em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 17:30 | Link permamente

    Olá Marco,

    sou um seguidor do teu blog nos meus feeds e leio com atenção o que vais escrevendo, admiro algumas das coisas que escreves, mas realmente quando escreves sobre cinema volta e meia não posso evitar partir-me a rir com as tuas opiniões (todos temos o direito a opinar, mas eu reservo-me no direito de me rir das opiniões dos outros :wink: ). Lembro-me agora de repente da tua avaliação ao melhor filme do ano de 2008 (by far) e agora a esta tua avaliação do Cloverfield (longe de ser uma obra prima do cinema, é muito bom dentro do género onde se insere), é caricato ver tanto ódio a um filme, que granjeia um simpático 7,5/10 no maior site de reviews do planeta… sintomático!

    A tua critica à sétima arte faz-me lembrar porque deixei de ler o Y e me recuso a ler critica cinéfila!

    Abraço e continua com o bom trabalho no teu blog

  • 2
    com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 17:32 | Link permamente

    César,
    Partes-te a rir com as minhas opiniões mas não as contestas, ou seja, fiquei sem saber por que é que achas que o Cloverfield é um bom filme. E o melhor filme de 2008 é o Batman, é desse que estás a falar? Ui levei muita porrada (e não me aleijei) mas mantenho a minha opinião. Não fiquei muito impressionado, mas é melhor não irmos por aí senão andamos todos à bulha outra vez ;)

    E ódio é uma palavra muita pesada…

    Outra coisa: quero lá saber que tenha 7.5 no maior site de reviews do planeta. Isso é argumento para gostar de um filme?

  • 3
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Windows Vista Windows Vista
    31 de Março de 2009 - 17:32 | Link permamente

    Bom eu não gostei nada do Cloverfield, tanta promoção, tanto hyper e no final desapontamento…
    O filme espanhol REC, que me parece ir pelo mesmo caminho, sempre tem mais acção 8)

  • 4
    César
    com Firefox 3.0.1 Firefox 3.0.1 em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 17:45 | Link permamente

    Um bom filme é na sua génese um filme que entretém, é para isso que o cinema serve! Nem todos os filmes se podem tornar em ícones da arte e ficarem para a história, este talvez não fique, mas não concordo de todo com a descrição que o faz parecer um dos piores filmes de todos os tempos.

    Da tua avaliação, diria que deves dar uma nota de 2/10 ao filme, eu daria um 8. E porquê? Porque o filme entreteve-me e muito, ao ponto de quase 9 meses depois de o ter visto ainda me recordar bem de quando o vi, com quem o vi, como me senti absorvido pelo decorrer do mesmo até ao seu final (ok, os 20 minutos iniciais são fraquinhos), ora, posso dizer isso do Cloverfield, mas não posso dizer o mesmo de várias dezenas de filmes que vi depois deste! O nível de tensão que o filme consegue criar é estupendo, lembro-me da minha namorada (que devora filmes de suspense e terror) vidrada na tela à espera do próxima passo das personagens! Se as interpretação não são fantásticas, a realização, efeitos especiais e tensão criada são inesquecíveis!

    Opiniões!

  • 5
    Luis Simão
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 17:48 | Link permamente

    Deixa-me começar por te felicitar pelo blog. Já acompanho os teus textos a algum tempo e gosto bastante do que leio.

    Esta é a 1ª vez que comento aqui mas não podia deixar de expressar a minha opinião. Não concordo com o que disseste!
    É verdade que o inicio é maçador e o argumento não pode ser considerado original, no entanto, o objectivo do filme é largamente conseguido. Não sou um cinéfilo e como tal, vejo filmes apenas com o objectivo de me divertir. Quando vi este filme no cinema (Sim, eu fui ao cinema ve-lo e garanto-te que não foi nada doloroso :-D ) a vontade que tive foi de o ver novamente logo a seguir… A interacção conseguida entre as personagens e o espectador é brilhante. 1h30 de divertimento, é como descreveria o filme.

    Não acho também, que seja justa a comparação que fazes entre o filme e os atentados do 11 de Setembro. Nessa altura foram feitos vários filmes, esses sim, com o objectivo de ganhar dinheiro às custas da tragédia (relembro-te o “World Trade Center” com o Nicolas Cage).

    Infelizmente já não é possível veres o Cloverfield no cinema senão seria esse o meu conselho. Ao vê-lo em casa pela 2ª vez não teve a mesma piada (mesmo com surround e quase sem luz).

    Vou tentar vir mais vezes comentar os teus posts. Mais uma vez refiro, gosto bastante do teu blog.

    Um abraço

    Luis Simão

  • 6
    com Safari 3.0.4 Safari 3.0.4 em Mac OS X Mac OS X
    31 de Março de 2009 - 17:51 | Link permamente

    Pois a mim também não me seduziu sobremaneira o filme. Mas parece que caiu nas boas graças até da crítica de cinema especializada e elitista, como a francesa – “Cloverfield” foi um dos filmes do ano para a revista Cahier du Cinéma!

  • 7
    com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 18:17 | Link permamente

    César: escreveste aí uma coisa que me deixou curioso. Escreveste «Ok, os vinte minutos iniciais são fraquinhos» e eu gostava de saber por que razão tens essa opinião.

    Luis, bem vindo e obrigado pela forma simpática e cordata com que não concordaste comigo. Não sei se estou a ser justo ou não com as comparações com o 11 de Setembro, mas o que me parece é que as imagens à 9/11 do Cloverfield são usadas para potenciar o impacto emocional do filme (quando se tivessem personagens a sério bastava essas personagens para que o impacto fosse ainda maior), enfim, é uma coisa que me irrita, cheira-me a aproveitamento comercial de imagens que estão na memória colectiva das pessoas pelas piores razões.

    Deixa, Victor, a maioria dos críticos são uns chatos do caraças. Raramente os leio.

  • 8
    Valter
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 19:02 | Link permamente

    Depreendo que também sejas um chato Marco. :D

    O que vinha aqui dizer, já o disse o Victor Afonso, e que também me surpreendeu bastante. E então o Let the Right One In?

  • 9
    com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 19:05 | Link permamente

    Valter, fiquei com interesse em ver esse filme. Mas como sou um chato só o quero ver porque é um filme sueco. :mrgreen:

  • 10
    César
    com Firefox 3.0.1 Firefox 3.0.1 em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 19:15 | Link permamente

    “César: escreveste aí uma coisa que me deixou curioso. Escreveste «Ok, os vinte minutos iniciais são fraquinhos» e eu gostava de saber por que razão tens essa opinião.”

    Como disse, vi o filme já há muito tempo mas recordo que o início era simplesmente uma festa com gente in e pouca profundidade, parecia saída de um filme de teenagers, sem grande sentido, em suma, aqueles minutos iniciais não trouxeram grande coisa ao filme (gostei dos flashbacks com a câmera, no entanto). Penso que seria possível introduzir e dar profundidade às personagens em menos tempo e de melhor forma, mas o que acontece a partir daí faz esquecer totalmente esta parte!

    Quanto ao já falado “Let the Right One In” é uma onda bastante diferente, mas sim, totalmente aconselhável! Excelente proposta!

  • 11
    com Opera 9.63 Opera 9.63 em Windows XP Windows XP
    31 de Março de 2009 - 20:10 | Link permamente

    dei a minha opinião quando o vi no cinema, também não consegui compreender a hype que rodeia/rodeou este filme..

    » http://tiagofarrajota.com/2008/02/01/cloverfield/

  • 12
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Mac OS X 10.5 Mac OS X 10.5
    31 de Março de 2009 - 22:51 | Link permamente

    Olá Marco,

    Parabéns pelo teu magnífico blog, que tenho nas RSS Feeds e, a par do Macacos sem Galho, é dos que mais me dá prazer de ler! Contudo, não gostava nada de partilhar aqueles 5-10 minutos imediatamente a seguir a uma sessão de cinema, quando se mandam os bitaites sobre o filme, porque iríamos certamente discordar :-)

    <SPOILER ALERT>

    Eu vi este filme duas vezes (ambas em casa, há coisa de um ano) e adorei. Sei que o filme não tem uma história: não tem um início (não sei de onde vem aquela gente), não tem um final e… Bem, o que está lá pelo meio é o filme em si. Sei que, num ecrã como o de um cinema, aquelas correrias com a câmara na mão devem deixar um tipo enjoado e sei que ninguém alguma vez se preocuparia em filmar toda aquela noite, tal como acontece no Projecto Blair Witch.

    Mas… (E nestas coisas há sempre um “mas”)

    Adorei o conceito do filme! Uma cassete random do proprietário da câmara que está sobrescrita com um desastre! Senti que estava sentado no gabinete de uma agência secreta dos States a visualizá-la, uma prova (evidence) deste desastre. Adoro as ironias (ou inconveniências), que de tempos em tempos surgem, conseguindo arrancar-me um sorriso. O único exemplo que me lembro, mas que melhor explica é a mensagem do casal na roda gigante, no final do filme dizendo algo do género: “It was a nice day. I liked it.“.

    Adoro os segredos que J.J.Abrams genialmente colocou no filme, especialmente o que explica (ou não) o “acordar” do monstro. Podes ver isso tudo aqui, mas acho que já deves conhecer :-D

    E, por fim, adorei o facto de poder ver um filme deste género, não na perspectiva dos agentes, do governo, dos heróis, mas sim dos peões, daqueles que “morrem” lá em baixo

    </SPOILER ALERT>

    Pode não ter sido original, pode não ter sido inovador, mas foi diferente. E isso para mim, já é óptimo. :-)

    Continua a postar, que eu vou seguramente continuar a (adorar) ler!

    Abraço

  • 13
    Tiago Gonçalves
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Windows XP Windows XP
    1 de Abril de 2009 - 03:33 | Link permamente

    Por falar em spoiler alert… Acho que este post merecia ter levado com um spoiler alert… :wink: eheh

  • 14
    NB
    com Firefox 2.0.0.20 Firefox 2.0.0.20 em Windows XP Windows XP
    1 de Abril de 2009 - 09:54 | Link permamente

    Sou um seguidor do teu blog, gosto de o ler mas quanto a crítica de cinema sinceramente deixa seguramente muito a desejar.

    “um dos personagens tem pancada pelo YouTube e anda a filmar tudo o que acontece” mostra muito bem a falta de isenção e de atenção ao filme. Porque só mesmo quem se teve alheando para o princípio do filme é que diz algo assim quando ficou bem patente que foi repórter à força (com alguma falta de jeito para a coisa) e o contínuo registo foi “legitimado” pelo dever imcubido de registar primeiro o evento social e depois o “momento” único. Mas provavelmente alguém foi “comprar pipocas” nesse momento não? ;)

    Resumindo, há mais embirração e má-vontade tua contra o filme do que uma visão mais justa (que se espera alguma numa crítica mesmo subjectiva) e menos distorcida .

    A minha posição é: não decerto é um filme brilhante, tem algumas falhas, é bastante interessante como conceito (e na promoção) e não é cliché no género e técnica. Acaba por ser um bom entretenimento e faz o favor de lançar algumas reflexões sobre o “esgotamento” da forma narrativa no cinema.

  • 15
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Windows Vista Windows Vista
    1 de Abril de 2009 - 11:26 | Link permamente

    Sou um seguidor do teu blog, gosto de o ler mas quanto a crítica de cinema sinceramente deixa seguramente muito a desejar.

    :mrgreen: Pois eu sei que tu e muita gente pensa assim, mas é a minha opinião, não posso fazer nada.

    Mas olha que essa parte do YouTube que citaste já sou eu a gozar. Eu sei que ele foi um repórter à força e quando me levantei para ir buscar pipocas :twisted: meti em pausa, tenho aquela box HD da Netcabo que me deixa fazer isso.

    O Cloverfield lança reflexões sobre o esgotamento da forma narrativa do cinema? Não percebo onde é que queres chegar, mas parece-me uma discussão porreira. Queres explicar melhor o que queres dizer com isso?

  • 16
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Windows Vista Windows Vista
    1 de Abril de 2009 - 11:33 | Link permamente

    Tiago: bem lembrada, essa do spoiler alert :D

  • 17
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Windows Vista Windows Vista
    1 de Abril de 2009 - 11:53 | Link permamente

    RiC_Ardo, os teus exemplos são porreiros, mas não me fazem gostar do filme :?

  • 18
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Mac OS X 10.5 Mac OS X 10.5
    1 de Abril de 2009 - 13:29 | Link permamente

    É por isso que o Mundo não tomba, Marco!

    Se todos gostássemos de amarelo… :mrgreen:

  • 19
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Windows Vista Windows Vista
    1 de Abril de 2009 - 16:42 | Link permamente

    Amarelo? Bilhéque!

  • 20
    NB
    com Internet Explorer 6.0 Internet Explorer 6.0 em Windows XP Windows XP
    2 de Abril de 2009 - 09:45 | Link permamente

    Claro Marco, é que nesta altura parece óbvio que os discursos narrativos cinematográficos já estão quase todo inventados. Haverá alguma forma nova de inovar neste campo? Já deve haver pouca margem para isso. O cinema vive cada vez mais de remakes, das adaptaçoes de outros meios. Salvam-se alguns bons argumentos contados sobre formas mais ou menos clássicas, alguma inovações que lá de vez em quando vão aparecendo e de algumas reciclagens como a que o Cloverfield faz com alguma inteligência. Porque o Cloverfield não é mais um filme de terror sem ser convencionalmente igual a todos os outros. Mas o que é exactamente já que recusa ser um filme de acção e a ser um movie-monster e se recusa também a focar-se sobre o monstro explicando “o quê, como e porquê” do evento. E roça um pseudo-documentarismo e evita a FC e acaba por ser uma história de amor encapuçada também. É tudo isto e nada ao mesmo tempo. A técnica narrativa “câmara na mão” também não é realmente nova, mas aqui surge maturada e fica pontos acima de coisas como o BW. A segmentação e saltos cronológicos é algo trivial em tantos filmes e séries TV sendo este somente mais “inovador” por resultar de uma hipotética/duvidosa sobreposição de gravações. Por outras palavras não há ali realmente quase nada de novo mas há uma bela mistura, reciclagem copy/paste de técnicas e registos que o tornam único, bem elaborado mesmo sem ser brilhante e tendo algumas falhas. Digamos que Cloverfield é mesmo um filme um tanto “premeditado” mesmo no que não assume ser mas acaba por evitar ser “gratuito” na sua premeditação como por ex o “Irreversível” o foi em que o desejo de chocar e a artificialidade do filme está descaradamente patente. Aqui há já uma refinação e sobretudo um bom mix. E sobretudo algum bom entretenimento.

  • 21
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Mac OS X 10.5 Mac OS X 10.5
    2 de Abril de 2009 - 16:33 | Link permamente

    NB, desculpa o off-topic nem comentar agora o que escreveste. Não consegues actualizar o teu browser para o ie7 ou ie8 pelo menos? É que o que estás a usar deve mostrar o blogue todo marado…

  • 22
    NB
    com Firefox 2.0.0.20 Firefox 2.0.0.20 em Windows XP Windows XP
    3 de Abril de 2009 - 19:31 | Link permamente

    Ora mostra pois o teu blogue todo marado, pois mostra. Mas faço-o de propósito e mesmo por questões profissionais. É mesmo para depois não se andar a ter bugs assim (ai sempre estes floats mal feito com paddings e margins) que o ainda uso por default. ;)
    Mas não te preocupes, também tenho o Firefox (espero que não te chateies por ser o 2.x.), o Safari (espero que não te chateies por não ser ainda o 4.x) e o Chrome (nem updates deixo fazer). E em máquinas virtuais tenho os mais recentes (IE7, IE8, FF3)…

    Para mim é mais fácil acertar as coisas em modo “low-end” sabes e por isso cá está ainda o IE6 (e acredita que muitos ainda o usam). Ninguém morre :)

    P.S. Escrevo isto em Firefox só para te deixar feliz!

  • 23
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Mac OS X 10.5 Mac OS X 10.5
    3 de Abril de 2009 - 19:41 | Link permamente

    Ninguém morre mas há muitos que formatam, pelas falhas de segurança! :D

  • 24
    NB
    com Internet Explorer 6.0 Internet Explorer 6.0 em Windows XP Windows XP
    3 de Abril de 2009 - 19:50 | Link permamente

    Falhas de segurança? Eu uso uma termotebe e o meu… ah não é isso. Eu uso spybot residente no ie, firewall e antivirus e tou até quentinho… quer dizer tou até bem protegidinho… ;)

  • 25
    com Firefox 3.0.8 Firefox 3.0.8 em Mac OS X 10.5 Mac OS X 10.5
    3 de Abril de 2009 - 19:54 | Link permamente

    É o que se quer :)