Heinsenberg e a Joana
Autoria: Marco Santos [2/Junho/2008] [39]Estava eu a fazer a barba quando comecei a pensar nos mistérios da física quântica. O mais extraordinário disto é que nem me cortei.
Quantos tipos conhecem vocês que não se cortam enquanto fazem a barba pensando em átomos assombrados? Pensando melhor, quantos tipos conhecem vocês que se ponham a pensar nos livros que leram sobre física quântica enquanto estão a fazer a barba?
Eu sou um cabeça no ar, é verdade, mas estas coisas aconteceram-me agora porque estou mortinho por escrever um post sobre os mistérios quânticos e a dificuldade do tema anda a travar-me os dedos. Mal começo a escrever, bloqueiam-me todas as aulas de Física e Matemática às quais devia estar a prestar atenção e não estava porque, por essa altura, já tinha começado a fazer a barba e o rabo da Joana era muito mais interessante que a constante de Planck.
A recordação do belo rabinho da Joana conduz-me a uma apaixonante especulação de natureza quântica: que teria acontecido se eu tivesse feito o que o meu instinto me ordenava e lhe tivesse apalpado uma das nádegas? Teria tido a Joana uma atitude perversamente cristã, ou seja, oferecido a outra? Ou teria ela esmagado os meus ímpetos sexuais com uma galheta nas trombas?
Segundo o Princípio da Incerteza de Heisenberg, os dois estados de Joana coexistem: tanto pode gostar como dar-me uma galheta. Só após a intervenção do observador é que se sabe. Um electrão comporta-se como uma partícula ou uma onda – mas só sabemos do seu estado real quando o observamos. E mesmo quando o observamos não podemos fazê-lo com resultados que o nosso senso comum possa interpretar: ou lhe calculamos a posição ou o movimento. Não podemos medir ambos os estados ao mesmo tempo.
O electrão encontra-se num estado fantasmagórico que só é quebrado pela intervenção do observador. Por outras palavras: as descobertas da física quântica parecem demonstrar que existe uma relação qualquer entre a matéria e a consciência. Se esta merda não dá cabo da cabeça de um gajo então não sei o que é que dá. Sim, o rabo da Joana. Mas isso é outra história.
Infelizmente, tais fenómenos só ocorrem a nível atómico. Ao nosso nível – aquele onde as leis de Newton funcionam e onde tudo é preciso e determinado – por mais que a minha consciência forçasse a nádega esquerda de Joana a aceitar a minha mão direita, o mais certo era que a força da gravidade actuasse sem dó nem piedade sob a forma de uma bofetada.
Agora que penso nisso, sempre é melhor pensar em física quântica enquanto faço a barba do que recordar o rabo da Joana.
Nunca mais vi a rapariga, mas a constante de Planck, e tudo o que se seguiu depois, continua a dar a volta à cabeça de muita gente. O físico dinamarquês Niels Bohr chegou mesmo a dizer que só quem não compreende as implicações das descobertas quânticas não fica chocado.
Eu estou chocado, acreditem, pois nunca saberei o que aconteceria se tivesse realmente apalpado a Joana.
Brincadeiras à parte, estou a devorar livros. As implicações das descobertas da física quântica são tão extraordinárias e intrigantes que não descanso enquanto não digerir toda a informação que estou a recolher para depois transformá-la num post que possa ser lido sem problemas. Ou então talvez nunca venha a escrevê-lo por não ter conseguido perceber o suficiente. Só nunca descreverei em pormenor a Joana: física quântica ainda se partilha, agora aquele corpinho não. Esse fica só para mim.



























pode (ou não!) estar a usar
Data: 4/Agosto/2008 | Hora: 22:22
Fiquei completamente chocado quando acabei de ler o teu post… algo tão bom e ninguém se digna a fazer um pequeno comentário, e pronto foi aí que me decidi a quebrar o silêncio que caracteriza as já muito numerosas visitas que fiz ao teu blog.
).
. Abraço.
Já muitos o disseram, mas não posso deixar de o repetir, o teu blog é fantástico, e a tua escrita bem… como muitos já perguntaram, para quando o livro? Pelo menos um bombom online, vá lá!
A Internet é cada vez mais aquele professor divertido e cheio de informação para dar (mas sem o filtro que o professor possuiria para aquilo errado e/ou desnecessário, claro), mas essa conquista não se faz apenas com um conjunto de computadores super potentes que trabalham nos ”states” , sensação que ficamos muitas vezes, mas também com pessoas cheias de inteligência e principalmente princípios, um ajuda a criar o outro educa o criado. É isso que verifico constantemente nos teus posts (mesmo nas provocações aos fanboys do Batman
Continua o excelente trabalho realizado, e vá lá deixa de ser do Benfica e dedica-te a algo mais… verde
pode (ou não!) estar a usar
Data: 26/Agosto/2008 | Hora: 21:09
Obrigado, Hélder
Quanto ao livro… Fazer um blogue dá muito mais gozo!
pode (ou não!) estar a usar
Data: 27/Agosto/2008 | Hora: 12:02
Eh eh, mas um livro é eterno, digamos. Um blog, bem um blog ainda não o é. Infelizmente talvez.