Dia 1 do Sapo Codebits, o maior evento tecnológico em Portugal. Mal passamos a porta de entrada e entramos no pavilhão, acontecimentos triviais como o movimento de rotação da Terra deixam de ter significado: às onze e meia da manhã, já é de noite.
Se um leigo nestas coisas dos computadores e da Internet entrasse no Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações, pensaria estar num planeta diferente iluminado por muitas luas de cor verde. Aqui em baixo quase tudo é verde, a cor do Sapo, mas também as cores das cortinas de código que descem no genérico do filme Matrix.
Muitos alienígenas – os habitantes naturais deste mundo verde – dialogam entre si como se estivessem numa vulgar esplanada do planeta Terra, mas a maior parte junta-se em equipas discretas e conversa animadamente com os seus próprios portáteis.
É isto o Codebits – na sua aparência, pelo menos. Sombras atarefadas. O que estas pessoas estão aqui a fazer é uma notável prova de engenho e criatividade e capacidade de raciocínio: quando chegarmos ao terceiro e último dia do evento, as equipas de trabalho terão 90 segundos para apresentar seja qual for o projecto inovador que estiveram a preparar durante os primeiros dois dias. É este o espírito do evento, e é um espírito agradável. Juntar os carolas todos na mesma sala e criar um projecto inovador em modo cooperativo? Isto para um geek deve ser muito, muito romântico.
Codebits é um nome adequado ao evento, mas soa estranho a quem não está habituado ao jargão. Code significa código, em inglês; bits, na sua forma mais comum, pode ser traduzido por bocadinhos.
Dito desta maneira, parece que as pobres senhoras da limpeza terão de apanhar os bocadinhos de código que os geeks vão deixar espalhados pelo chão quando o evento terminar, mas bits, neste caso, tem um significado mais profundo: vem de bit, a menor unidade de informação que pode ser armazenada; no mundo digital, um bit é capaz de nos dizer Sim ou Não, Um ou Zero, tão preciso e rigoroso como um neurónio do Newton.
Da próxima vez que forem ver um vídeo no YouTube, pensem que tudo provavelmente começou com um codebit, uma inspiração, a lâmpada de um professor Pardal tecnológico.
É outro mundo, este. Mas até o maior desinteressado em geekologia terá de concordar que o geek anda a fazer coisas importantes que interferem nas vidas de todos: temos um motor de busca que mudou a nossa maneira de pesquisar na Internet (o Google), uma aplicação que revolucionou a forma como interagimos com os outros online (o Facebook) e, a um nível mais local, uma plataforma que ajuda centenas de milhares de pessoas a expressar as suas ideias ao mundo (os blogues do Sapo) – tudo obra de geeks como estes que me rodeiam.
Também há geeks que me fazem rir, inadvertidamente. Foi preciso chegar à quarta edição do Sapo Codebits e ver todo este ambiente fervilhante para descobrir a pessoa com o mais extraordinário nome que alguma vez ouvi: Guy de Beer, CEO da Playcast, uma empresa de gaming on demand que está a colaborar com a Meo para um serviço de aluguer de jogos (a grande novidade do dia, consultem as notícias do Sapo).
Se os nomes pudessem ser traduzidos, Guy de Beer passaria a ser o gajo da cerveja, arriscando-se a ser o orador mais popular e solicitado da história de todas as edições do Sapo Codebits.
Guy de Beer não veio a Portugal oferecer cervejas, mas lançou uma bomba calórica que aqueceu as barriguinhas dos fãs de jogos.
As consolas vão acabar daqui a dez anos, profetizou Guy de Beer, porque o futuro pertence ao gaming on demand, ou seja, um serviço através do qual podemos escolher jogos com a mesma naturalidade com que mudamos de canal. Teremos todos testemunhado o nascimento de um novo tipo de zapping?






























7 comentários
Só foi pena que a palestra do homem da cerveja tenha sido boooooooooooooooooooring!
Mas de repente apareceu o Celso para salvar a “booooring” palestra. Thank God!
Eu não pude ir hoje por causa de um teste… boring. Amanhã já consigo ir.
Já agora, bits vem de “binary digits”, a unidade básica de informação digital.
João
eu escrevi
está mal? Acho que é mais ou menos o mesmo que disseste, certo? Não gosto de dar barraca nestas coisas.
Tens razão.
Só vi esta parte:
Não fui porque saí de Lx hoje (sexta-feira) e só irei voltar lá para a tarde de Domingo. Fica para o ano.
Quanto ao gajo da cerveja, ele que se cure da bebedeira, pois, enquanto estiver intrinsecamente ligado ao geek o fascínio da admiração da sua colecção de jogos, livros ou coisa que o valha, as distribuições online não passarão de ser apenas e só, uma mera alternativa. O formato físico é aquele que orgulhosamente nos forra as prateleiras e , consequentemente, as paredes. Por mim, nada nem ninguém me demove desta minha convicção de comprar algo palpável.
Gostava de ver se ia para a próxima vez
estou curioso por estar numa dimensão paralela