Deixei o computador com o Windows Vista ligado durante toda a noite. Deixei-o porque estava já tão cansado que nem me lembrei de fazer mais nada a não ser desabar na cama. Quando voltei de manhã à sala, fui presenteado com aquele famoso ecrã azul da morte que todos os utilizadores de Windows já conhecem. Sim, qualquer coisa de maligno aconteceu durante a noite. Qualquer coisa bastante instável parece ameaçar o brilho da majestosa capa do visual Aero. Que será? Não faço ideia. Nem todas as frases elogiosas da Microsoft sobre o seu próximo sistema operativo conseguirão fazer-me esquecer o facto de, poucas horas depois de estar instalado, fui obrigado a reiniciar o computador à bruta por causa de um crash à moda antiga (leia-se: 95, 98, Me).

Estão a ver? Por mais que a Microsoft se esforce por vender o Vista (e todos os Live associados) como o acontecimento mais extraordinário desde que o Newton levou com uma maçã na tola, pormenores como este inexplicável erro do Live Messenger (desta vez tirei um screen) acabam sempre por borrar a pintura. Sim, eu sei, é beta, é apenas uma aplicação e nada tem a ver com o sistema operativo que também não está concluído – mas até dá pena.
Imaginem a trabalheira que deu tornar este Messenger tão bonito – e, ao fim de tão pouco tempo de utilização, começar a ter umas falhas inexplicáveis. Terão sido as condições de rede instáveis? Um bug? Terá escrito em zonas protegidas da memória? Mas isso não era já um problema resolvido? Terá tido um dia difícil? Terá sido um acaso do destino? Seja o que for, a única opção é encerrar o programa e esperar que não se repita. Como sempre.
Chamem-me antiquado, se quiserem, mas faz-me impressão que um sistema operativo seja tão evidentemente pensado para encher o olho – dá ideia que os programadores da Microsoft (os melhores do mundo, dizem, e eu acredito que sim) continuam com as prioridades viradas todas do avesso por causa do implacável Marketing e que o objectivo é torná-lo apenas bonito e apelativo – o resto vem por acréscimo, ou seja, pelo Windows Update. É como criar um videoclip e depois pensar numa música para o preencher.
Já agora, desculpem-me os apaixonados do Windows Vista que andam deslumbrados com o fogo de artifício da shell, mas descobri mais uma característica irritante: não consigo desfragmentar uma partição de cada vez: ele só desfragmenta as partições todas. Dado que tenho uma partição de 400 gigas cheia de música, fotos e vídeos, não me interessa ficar horas à espera que aquilo tudo esteja optimizado quando o que quero, de momento, e se não se importam, se não é pedir muito, é desfragmentar apenas o raio da partição onde estão os ficheiros de sistema e os ficheiros de utilizador – sim, porque estão todos misturados uns com os outros na mesma partição, o granel de sempre.
Ainda pensei que fosse nabice minha. Fui às propriedades da partição de sistema e tentei desfragmentar: nada a fazer. Desfragmenta tudo ou não desfragmenta nada. Tentei desfragmentar pela linha de comando. Não dá. Não tenho privilégios de administrador e o assistente User Account Control não se mete em assuntos que tenham ecrãs negros, só quando há janelinhas coloridas e transparentes.
Para não dizerem que eu só digo mal da Microsoft, existe uma função muito bem pensada – sobretudo para quem tem um computador mais fraquito. É a chamada ReadyBoost, que aproveita o espaço de uma Pen USB para criar mais memória disponível para o sistema. Até nos deixa escolher o espaço que queremos reservar para cache. É uma boa ideia.





























