→ 06/01/2011 @2:07

E agora, um post mais a sério sobre Pirataria

As pobres editoras


Um blogue não é um fórum, mas a troca de opiniões e a discussão de pontos de vista diferentes é possível e pode ser acompanhada com facilidade. Espero que este post consiga gerar uma boa conversa entre nós.


Primeiro, despacha-se a ACAPOR

A acção da ACAPOR é patética: não passa de uma associação de dinossauros e, à semelhança dos dinossauros, condenada à extinção. A ACAPOR apropria-se de imperativos morais com os quais à partida todos concordamos – «não roubar» – e usa-os em proveito próprio com o objectivo de salvar um modelo de negócio anacrónico. Inventa números de circo como as 24 horas de downloads ilegais ou os 1000 IP por mês, mas não tem qualquer tipo de consistência.

Falo na apropriação da moralidade em nome do lucro e confirmo esta visão em tudo o que vejo: até a simples entrega das caixas dos IP na Procuradoria-Geral da República foi feita como se os membros da ACAPOR fossem uns Moisés descarregando as tábuas dos Dez Mandamentos.

A questão de fundo ultrapassa esta insistente, mas ridícula, luta da ACAPOR em assegurar a sobrevivência económica dos seus associados.

O que nos divide é a forma como encaramos o fenómeno da pirataria. E é sobre as nossas diferentes visões que espero ver os leitores deste blogue conversar.


Agora, conversamos sobre pirataria

Começo eu.

A pirataria – o download de obras protegidas pelos direitos de autor – é ilegal. Ninguém pode contestar a existência de uma lei e o que essa lei determina.

Não podemos negar a existência da lei, mas podemos contestar-lhe a justiça. Podemos fazê-lo de várias formas – e a mais lesiva e radical de todas é transformar a pirataria não apenas no acto de sacar qualquer coisa, mas num acto político.

É minha convicção de que a Cultura – todas as formas de cultura – vivem sequestradas por um sistema capitalista que restringe o acesso à Arte aos que têm mais dinheiro.

Só que um filme não é um carro. Um disco não é um frigorífico. Uma peça de teatro não é um televisor.

A própria produção cultural depende desse sistema vampiresco: não é preciso ser um iluminado para se intuir as dificuldades em fazer Teatro ou Cinema em Portugal. E não é por falta de talento, garanto-vos.

Os artistas que não são apoiados pelas organizações que vivem à conta da cultura, por não serem suficientemente lucrativos, são forçados a pagar um preço terrível se desejarem manter a sua integridade artística: esse preço, muitas vezes, é o da pobreza.

É precisamente por isso que nunca acharei que estou a roubar um artista ao contribuir para a distribuição massiva da sua arte: estou, pelo contrário, a contribuir para que as suas salas de espectáculos se encham de piratas criminosos, dispostos a pagar-lhe a ele – e não às editoras – a merecida recompensa pelo seu trabalho.

Só podemos reduzir a Cultura a um mero negócio quando não existe paixão.

A pirataria é um método fabuloso de distribuição de conteúdos – nem vale a pena chamar-lhe pirataria, como convém aos mafiosos da RIAA, mas partilha. Para um músico ou outro artista qualquer, a disseminação da sua obra é mais importante do que ser ignorado ou explorado por essas organizações.

Elas não defendem o artista, como é óbvio; dependem a fatia grossa que lhes cabe nos lucros gerados pelo trabalho do artista. Durante muitos anos, o artista dependeu totalmente da benesse dessas organizações para distribuir o seu trabalho; a Internet libertou-o de uma forma inimaginável há uns anos.

Ao serem confrontadas com um sistema onde nenhum controle é viável, a reacção de organizações como a RIAA é chamar-nos, a todos, criminosos, ao invés de reflectir sobre a condição de quem realmente produz arte e de quem a consome.

Da próxima vez que um desses magnatas da cultura discursar sobre como se está a roubar o pobre artista, gostaria que alguém lhe perguntasse qual a percentagem a que tem direito sobre aquilo que o artista criou. Assim se percebe quem começou por roubar.

Primeiro rouba-se o artista e, a seguir, o fã.

Não tenho qualquer pena dessa gente: não passam de exploradores com medo que a concorrência – a partilha livre de cultura e conhecimento – lhes venha a estragar o negócio.

Quem opta por fazer downloads ilegais porque pensa desta forma paga também um preço: ser considerado um criminoso.

Mesmo aqueles que compram um DVD de forma legal são forçados à indignidade de ver um anúncio anti-pirataria. Isto sucede porque o que está em causa, para os magnatas da Cultura, é combater um sistema de distribuição que não podem controlar. Um sistema que se baseia nos nossos ouvidos e corações e não no canto da sereia dos departamentos de Marketing. Por isso nos tratam a todos como potenciais criminosos – sendo o crime a nossa livre escolha.

Ainda assim, não é possível considerar aceitável a atitude do oportunista que faz downloads ilegais para vender DVD manhosos nas feiras – esse não passa de facto de um cretino, pois tem as mesmas motivações e adopta o mesmo sistema sequestrador da Cultura.

O amante da Arte que faz downloads ilegais não é um ladrão, é um activista. Existem milhões de activistas silenciosos – e será impossível pará-los. Querer suprimir o livre acesso à cultura é como tentar criar um imposto para o oxigénio que respiramos. Não vão conseguir.

Adaptem-se: antes das lições de moral sobre a pirataria, devem começar por moralizar as vossas percentagens de lucro.


Se consideram o gráfico ali em cima simples propaganda, leiam este post.

84 comentários

  • 1
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 02:51 | Link permamente

    Marco, como posso eu discordar daquilo que dizes?

    Conheço algumas pessoas que gostavam de fazer da música a sua Vida. E têm até bastante jeito para aquilo. O que acontece? As editores requerem uma percentagem insultuosa para publicar o seu trabalho. É mais ou menos como a WordPress dizer que agora quer um X valor por cada visita que o teu blog tiver. Ora, estou convicto que as pessoas rumam até este teu canto cibernético única e exclusivamente por ti. Por aquilo que escreves. Não vêm cá, seguramente, pelos tremoços, ou porque a gaja do balcão é boa como o milho.

    O mesmo se passa com o mundo editorial. O trabalho é teu, o génio é teu. Foste tu que perdeste largas horas de volta daquilo que tens para apresentar, e, para assinares o contrato, convém que venhas com um tubinho de vaselina, pois serás moralmente enrabado por quem afirma defender os teus direitos de artista.

    Como querem estes senhores granjear adeptos da sua causa, quando aquilo que fazem é um roubo? Roubo que só tem a particularidade de ser legal e ( de certa maneira forçadamente) consentido?

    Assim sendo, enquanto houver actuações ao vivo, eu irei lá estar. E enquanto houver sacanço disponível, eu irei sacar. Tranquilo e descansado. Pois sei que os admiro e ajudo bem mais que aqueles que os roubam, efectivamente.

    E, para ilustrar mais ainda a minha posição, partilho esta imagem:
    http://graphjam.memebase.com/2010/12/07/funny-graphs-is-ripping-cds-ripping-off-artists

    Um abraço Marco.

  • 2
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    6 de Janeiro de 2011 - 02:58 | Link permamente

    Mestre, bela imagem! Muito oportuno.
    Vou inseri-la no post :-)

  • 3
    Cláudio Esperança
    com Google Chrome 8.0.552.224 Google Chrome 8.0.552.224 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 04:10 | Link permamente

    Excelente artigo Marco! Da forma como expuseste o tema torna-se muito difícil não concordar com o que escreveste e acrescentar mais alguma coisa de relevante.

    Pessoalmente eu adoro cinema. É algo que me dá imenso prazer e que me ajuda a relaxar. É com grande pena minha que nos últimos anos temos assistido a escalada dos preços dos ingressos das sessões de cinema para valores proibitivos, como se de combustível se tratasse. Pior, não só os preços dos bilhetes aumentaram (quase) exponencialmente, como somos obrigados a assistir a 30 minutos de publicidade antes de cada filme… É impossível não ir ao cinema e ficar com a sensação que estou a ser roubado. Depois dizem que as pessoas estão a deixar de ir ao cinema por causa pirataria…

  • 4
    Sara Dias
    com Google Chrome 8.0.552.224 Google Chrome 8.0.552.224 em Windows Vista Windows Vista
    6 de Janeiro de 2011 - 09:09 | Link permamente

    Olá!

    Muito bem exposto este tema. E com toda a razão.
    Desde que ouvi, há uns anos, o Rui Veloso dizer que só tinha realmente lucros com os concertos que fazia passei a perceber qual o trabalho das editoras.

  • 5
    com Firefox 3.6.8 Firefox 3.6.8 em Windows Vista Windows Vista
    6 de Janeiro de 2011 - 09:14 | Link permamente

    Mesmo aqueles que compram um DVD de forma legal são forçados à indignidade de ver um anúncio anti-pirataria.

    Curiosamente quando gravas um filme podes saltar esta parte :D

  • 6
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 09:37 | Link permamente

    Marco,

    O problema é um pouco mais profundo e passa necessariamente pela posse do meio de produção, falácia político/social criada com a Revolução Industrial inglesa, e correspondentes sequelas, tipo comunismo, socialismo, crises económicas (ilusões de óptica), etc..

    O conceito a compreender, o que ainda não foi feito por muita gente, e que transforma completamente o paradigma é o do prosumer, que veio a transformar todo o conjunto de regras sociais até então estabelecidos e que ainda nem sequer foi completamente compreendido, quanto mais adaptado e utilizado pelo simples mortal.

    O que tentam fazer é, indiscutivelmente, dar sobre-vida a um sistema industrial que se deteriora diariamente, sobretudo pela velocidade com que a informação circula, o que leva a mais e mais pessoas a ver o estado bolorendo actual das coisas, o que era simplesmente invisível há poucos anos atrás, e para o qual ainda não há alternativas exequíveis, para a manutenção do meio de sub-existência não do industrial, mas de toda a sequência de trabalhadores assalariados que dependem dele. O modelo está falido não só para o industrial, como você demonstra aqui, mas também para toda a horda de trabalhadores que dependem dele. E este é que é o problema.

    Todo o processo industrial está falido e com ele todos os códigos de trabalho. Se for aberta de uma só vez toda a caixa de pandora, milhões de trabalhadores no mundo todo iriam para o desemprego, e não “só alguns” como ocorre hoje em todo o planeta.

    O que é preciso fazer, se me permite a pretensão, é mesmo discutir e repensar todo o sistema económico/político sobrevivente da II Guerra Mundial e revolucionar toda esta merda, num sentido completamente diferente das alternativas estabelecidas desde então. Mudar para o que? Não faço, e não há muitos que façam, a menor ideia.

    É esta a discussão. Cabe aqui num blogue? Acho que não? Dever-se-ia criar espaços públicos específicos onde todos (e digo mesmo todos) pudéssemos discutir o assunto? Já há, a Internet, e o teu blog é parte disso!!! E esta discussão é travada diariamente um pouco por todo o lado e vai transformando nossa sociedade global noutra coisas completamente diferente daquilo que conseguimos imaginar no passado.

    No prefácio do “Critica à Economia Política” (pequeno livro lançado anos antes do Das Kapital, que teve como subtítulo o nome desta pequena obra prima) , Karl Marx colocou uma questão filosófica simples, mas definitiva: ele disse que o homem só consegue formular questões para as quais sabe a resposta. Não saber a resposta inviabiliza definitivamente a formulação da questão. Desta forma é mesmo muito difícil sequer imaginar o que será de nosso mundo a partir de eventos como a Internet, que nos deu a capacidade de conhecer sem precedentes, ou da pressão que será exercida sobre a capacidade da Natureza em nos dar recursos vitais quando formos mais de 7.000.000.000 de gajas e gajos, o que acontecerá em breve.

    Bem… tenho que trabalhar. Depois volto por aqui. Mas antes tenho que te dizer uma coisa: o teu estado profissional actual é consequência desta revolução da qual você mesmo é agente activo (estou mesmo a dizer que o teu estado é consequência de teu sentido, da tua razão aqui exposta). Eu, se fosse você, procuraria alternativas profissionais adequadas ao presente pois “o futuro já não é mais como era antigamente”.

    Por favor, não confundam o meu discurso com uma retórica comunista, ela também moribunda, porque não se trata disso.

    Lentos e tortuosos são os caminhos da História, mas são definitivos. Infelizmente nós só sabemos disso depois que ela é contada, mas nunca durante a ebulição dos períodos revolucionários, como o que vivemos actualmente.

  • 7
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows XP Windows XP
    6 de Janeiro de 2011 - 09:48 | Link permamente

    Concordo plenamente com o que dizes.

    Aliás, existem estudos que comprovam que quem partilha conteudos como a música é quem mais compra os cds.Eu comecei por ouvir alguns mp3 partilhados de Muse e neste momento tenho todos os albuns, e já pagei para os ir ver ao vivo.
    Gostei da tua compração, mas permite-me usar uma outra: Futebol. Imaginemo agora que os clubes ficam com o dinheiro das receitas e patrocinios todos e os jogadores de futebol recebiam o ordenado minimo. Alguém queria ser jogador de futebol?

    Acho que esses senhores deviam era preocuparem-se em dar mais aos artistas. Ou então, os artistas distribuirem a sua música e apostar nos concertos.

    Porque ninguém gosta de trabalhar para ver 90% do resultado do trabalho no bolso do patrão

  • 8
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 09:48 | Link permamente

    infelizmente esta é uma realidade… e não é só com a música, deparei-me com o mesmo “sindicato mafioso” quando quis editar o meu livro. As editoras que contactei abriram-me as portas, e para editar o livro queriam que lhes pagasse o equivalente à factura da impressão de toda a tiragem, dando-me em troca 10% do valor de capa antes de impostos em cada exemplar vendido!!!
    Este é o verdadeiro “sistema”.

  • 9
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 09:50 | Link permamente

    Marco,

    Ultimamente, todas as vezes que vejo este filme, lembro-me de ti:

  • 10
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 10:20 | Link permamente

    O nome do livro do Marx é “Contribuição para a Crítica da Economia Política” de 1859, enquanto o “O Capital” (que tem o título deste livro como subtítulo) é de 1867.

    Por acaso este livro foi lançado no mesmo ano que A Origem das Espécies. Engels, no discurso no funeral do Marx disse: “Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, Marx descobriu a lei do desenvolvimento da História humana”.

    Acho que ele tinha razão e a compreensão do que ele disse já há tantos anos, leva a compreensão do que se passa agora. É preciso reler este livro, porém lembrando que Marx, absolutamente, não era comunista!

  • 11
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 10:47 | Link permamente

    O que estou a dizer é que quem pagava ao gajo que ficava em frente ao forno de vinil líquido era o que aqui está sendo chamado de “Record Company” e não o artista.

    O problema é o seguinte: “Ok, já não precisamos dos gajos em frente ao forno de vinil, resolvemos isto com um gajo num teclado, que gasta inclusive menos dinheiro da segurança Social.”

    E o que se faz com os gajos do forno? Matamos? Reciclamos? Comemos? Enlatamos como comida para cachorro? Ou simplesmente deixamos por conta do Estado, esquecendo-nos de que o Estado somos nós próprios? Esquecemos também que o Estado para pagar aos gajos do forno tem que retirar mais dinheiro do gajo do teclado, em forma de imposto? Ou damos teclados a todos? Cada um faz um CD (ou uma ripada) para manter o emprego de todos?

    O processo científico/industrial gera eficiência, através da evolução tecnológica, o que proporciona melhores métodos de produção, e melhor método é ser mais rápido e mais barato. O problema que descobrimos que o que torna o “sistema” lento, caro e mais passível de erros, são exactamente as pessoas que se alimentam dele. Ao trocar uns gajos do forno por ficheiros comprimido em mp3 que qualquer puto faz, e não precisa nem gastar dinheiro do Estado em Educação para poder ripar um CD, tiramos o emprego dos gajo do forno, para além de salvarmos-lhe a vida por afastarmos-lhe daquele ambiente altamente tóxico. Ele gastará menos de segurança social, mas gastará mais em fundo de desemprego, ou em reciclagem cognitiva! É este o paradoxo.

    Fazer o que? Encerramos as “Record Companys”? E os empregados delas? Fazemos o que com eles? Ripamos também? Comprimimos os gajos com um algorítimo qualquer?

    Marco, o problema é um pouco mais profundo? Não sei se está a ver…

  • 12
    Diogo Carvalhoo
    com Google Chrome 9.0.597.44 Google Chrome 9.0.597.44 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 11:33 | Link permamente

    Numa época em que existem milhares de pessoas com MEO e ZON, ou seja com videoclube em casa sem ter que levantar o cu da cadeira. A culpa dos videoclubes fechar vai sempre para os downloads…

  • 13
    Internet User
    com Google Chrome 8.0.552.224 Google Chrome 8.0.552.224 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 11:47 | Link permamente

    Cláudio Esperança eu já algum tempo, por causa das razões que apontaste entre outras, tenho convivido cinema em salas que antes não frequentava, como cineclubes, etc.

    À primeira vista é mais atractivo: bilhetes de 3 – 3,5 euros, não há derrames de publicidade, salas mais amigas, ambiente mais cinema e menos hipermercado. E há mais, mas essas melhor conhecer empiracamente :)

  • 14
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 11:58 | Link permamente

    Edgard, o que é que fizemos a milhões de acendedores de candeeiros no mundo inteiro quando a lâmpada eléctrica chegou? O que é que fizemos a milhões de cocheiros quando chegou o automóvel?

    Esse “problema” foi resolvido vezes sem conta durante a história da humanidade. E, tem lá paciência, parece-me que havia mais acendedores de candeeiros há cem anos, do que funcionários discográficos em qualquer ponto da história, passado, presente ou futuro.

    Pergunta-me lá se prefiro uma sociedade portuguesa mais culta, com mais e melhor acesso a cultura, ou 5000 (um número assim, à campeão) desempregados da indústria discográfica portuguesa…

    (não esquecer que os músicos continuam a ter e a precisar de agentes, produtores, técnicos de som, seja em estúdio, seja em concerto, e por aí fora – não é por não lançarem álbuns físicos que deixam de lançar álbuns com todas as suas necessidades)

  • 15
    José
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 12:09 | Link permamente

    uma sugestao de resposta para esta ultima pergunta do edgar, de quem prezo muito os comentarios. sabendo nós os lucros das record company neste processo todo, e se estas decidissem praticar preços mais simpaticos para o consumidor, será que isso nao iria estimular as vendas e justicar a manutençao desses empregos senao todos pelo menos grande parte deles. seria aborrecido para os directores admito nao poderem ir almoçar e jantar todos os dias a restaurantes de topo e andarem em avioes particulares, e se calhar teriam que começar a escolher artistas a serio e nao a inundarem o mercado com artistas de plastico, vendo bem no fundo ganhavamos todos, os artistas e os consumidores pelo menos, que acho que sao quem mais interessa nesta historia

    Marco, uma vez mais, excelentes textos! cumprimentos.

  • 16
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 14:19 | Link permamente

    Edgard, o que é que fizemos a milhões de acendedores de candeeiros no mundo inteiro quando a lâmpada eléctrica chegou? O que é que fizemos a milhões de cocheiros quando chegou o automóvel?

    @Marco

    Foram trabalhar na EDP e/ou na Carris, por exemplo. Fora suprimidos uns e criados outros. A pressão securitária que se verifica hoje no mundo inteiro diz respeito a supressão de postos de trabalho e a não criação de outros, devido ao auto grau de automação e pelo aumento da expectativa de vida, ambos com crescimento sem precedentes na História.

    (não esquecer que os músicos continuam a ter e a precisar de agentes, produtores, técnicos de som, seja em estúdio, seja em concerto, e por aí fora – não é por não lançarem álbuns físicos que deixam de lançar álbuns com todas as suas necessidades)

    Isto também já não é bem assim, exactamente pela propagação da tecnologia, que também é cultura, que suprime a necessidade de muitas destas funções.

    Eu mesmo tenho um CD “gravado” com músicas com arranjos de orquestra e vários instrumentos, todos executados por mim com um piano MIDI, dois sintetizadores e o Cakewalk. E já foram vendidas algumas cópias pela Internet, sem precisar nem mesmo da distribuição.

    (Preciso te informar, talvez não saibas, outros aqui o sabem: sou hoje, aos 51 anos, Historiador profissional, e somente estudo tecnologia já há cerca de 20 anos, e neste momento estudo exactamente a repercussão da utilização da tecnologia no trabalho, o que fiz desde à pedra lascada aos computadores e sobretudo à Internet) e já trabalhei na indústria fonográfica durante muitos anos, na EMI-Odeon no Brasil). Sinto-me bastante à vontade para falar sobre estes assuntos.

  • 17
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 14:41 | Link permamente

    @José

    Sim, talvez incentivasse a venda, mas inviabilizaria o negócio. O CD, e já foi assim com os antigos discos de vinil, tem o mesmo preço em relação aos respectivos salários de referência dos países, há mais de 100 anos, sendo este o valor histórico deste tipo de produto definido por uma indústria bastante madura.

    O que acontece é que o negócio deles foi por água. Disse um responsável desta indústria, dia desses e com bastante propriedade: “Queria ver é se a Coca-Cola continuaria a vender o que vende se dentro das casas das pessoas houvesse uma torneira jorrando Coca-Cola de graça.”

    A questão é que se trata da venda e produção de um produto imaterial, arte, que antes se materializava nos livros, discos, cds, imagens, etc e hoje se desmaterializa, e desta forma, circula em profusão no formato digital. Então o que fazer com quem viveu disto até hoje. E estou a utiliza o exemplo da música como poderia estar a utilizar o de qualquer outro bem imaterial que se comercializa através da materialização industrial do produção do artefacto, que poderia ser um livro escolar ou o trabalho de um advogado, por exemplo, para não falar nos medicamentos o que daria em outra grande discussão.

    A Internet reabre o espaço para as corporações de ofício, já que o industrial já não é preciso para materializar a arte (música, filme, som e imagem (sobretudo a imagem)). O que sempre vendeu foi a tecnologia e não a arte, ou há arte na música da Shakira que não exista na minha? Ela vende, auxiliada pela tal indústria (e ganha rios de dinheiro com isto, não se enganem) e continuará a vender enquanto o produto interessar a indústria.

    O que acontece é que hoje já não há a dependência do industrial, por parte do artista, para fazer chegar a sua arte ao consumidor. Porém, a Shakira continua a vender a multidões de fãs produzidos pela indústria através da média de massa, da qual a Internet hoje já é também um canal, e apesar de ser terrível a qualidade daquele produto musical (não estou a falar da bunda dela) vende mais do que a qualidade de qualquer coisa que, por exemplo, o Marco poderia produzir aqui em seu blog.

    Não tenho lá muitas dívidas que qualquer postal desses metafóricos que o Marco escreve é de qualidade artística significativamente superior a qualquer música da Shakira. Mas enquanto ela está podre de rica, o Marco não viveria da contribuição voluntária das pessoas que cliquem alí no botão da PayPal. É para isto que a tal indústria existe, e tenho certeza que para este tipo de “artista” não há reclamação. E ela alimenta milhares de famílias mundo à fora, das rádios às fábricas de CDs, dos funcionários da sociedade de direitos de autor, ao atendente da Fnac. Todos fazem parte desta indústria e se continua a jorrar música de graça nas torneiras lá de casa, grande parte desta gente estará fatalmente desempregada.

    O empresário investirá o seu dinheiro noutra especulação qualquer e não será atingido. A preocupação é com as pessoas do mundo real que, devido a proliferação de “Cultura” pela Internet, perdem o emprego todos os dias, Marco Santos que o diga.

  • 18
    RD
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows XP Windows XP
    6 de Janeiro de 2011 - 15:53 | Link permamente

    Edgar, contrariamente ao post do Marco, de tudo o que escreveste, apenas concordo com 2 afirmações.

    1ª que o problema é complexo.

    2º O que disseste da Shakira.

    Quanto ao resto, não concordo com o que dizes, eu faço exactamente como o Marco, e quando quero mesmo uma coisa para a colecção, mando normalmente vir de uk.

    Tens este exemplo de inúmeras lojas de confiança, que podes comprar e entre 3 a 15 dias tens o que queres entre menos de metade do preço até 1/6 do que é vendido cá, seja Musica, filmes ou jogos.

    http://hmv.com/hmvweb/navigate.do?pPageID=5202&clickID=hp020201 (como esta posso te dar 10 lojas, que enviam para pt e algumas com portes grátis).

    Tens cd´s a 2.99Libras, e não são as escolhas que vês cá nos Jumbos e Continentes, amontoados.

    No caso de Jogos PS3, apenas compro cá, quando o jogo de importação não tenha a linguagem em PT, nesse caso prefiro pagar mais por jogos com localização em PT, já que é uma forma de o mercado em lingua portuguesa ter algum significado para as editoras.

    Por exemplo a Microsoft em relação à Xbox já se está a marimbar para nós, apesar de começar a investir no PT-BR que tu conheces bem, mas tb nada de significativo.

    O mal está mesmo nos preços praticados e na exploração das editoras.

    Em uk, tudo o que sai, vem com um preço no mínimo mais barato 1/3 do que cá (não vamos falar em ordenados, certo???)
    Depois tens inúmeras promoções.
    Passado 2 meses o item que procuras acaba por estar a 50% do preço de lançamento e passado 6 meses a 1/4 do preço ainda praticado cá.

    Dou um exemplo real, para Xbox 360, a edição especial de Alan Wake custava cá, perto de 75€, passado 3 meses de sair comprei na game.co.uk, por 27€ já com portes de envio.

    Conheço videoclubes, que tb vendem cd´s de musica, filmes e jogos, e ainda encontro coisas que saíram há 1 ano e que continuam ao mesmo preço, quem é que no seu perfeito juízo compra um jogos que já saiu há 1 ano por 59.99€??

    Perguntei ao dono e ele diz, que o preço está ao custo que lhe saiu a ele, que já não ganha nada, mesmo falando para a distribuidora que lhe vende os jogos, não lhe aceitam trocar esse por um jogo mais recente e por isso, mesmo não ganhando nada, não quer perder dinheiro na venda, sendo certo que já o chegou a fazer em situações em que as coisas estão 2 anos sem se venderem.

    Enquanto o sistema for esse o pessoal faz download, compra fora e no caso dos combustíveis vai atestar a Espanha.

    Depois perguntam, como é que o país se afundou?

    Enquanto uns enchem os bolsos, políticos e empresários, outros trabalhadores e pequenos empresários mal conseguem sobreviver.

    Quando acabarem com a classe média que compra a maioria das coisas cá, quero ver como sustentam , os ferraris e os porches que têm.

    Tudo isto é muito complexo e dava para escrever um livro, não sou dono da verdade e posso ter alguns pontos de vista que podem e devem ser atacados, mas este espaço é para isso mesmo e por isso o frequento.

    PS: Marco, tenho partilhado alguns dos teus textos em fóruns que frequento ou sou moderador, tenho indicado sempre a fonte e o autor dos mesmos, se tiveres interesse ou alguma objecção tens o meu mail e diz alguma coisa.

  • 19
    RD
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows XP Windows XP
    6 de Janeiro de 2011 - 16:27 | Link permamente

    apenas um desenvolvimento relativamente a este assunto:

    http://aeiou.exameinformatica.pt/partido-pirata-portugues-apresenta-queixa-da-acapor-na-pgr=f1008264

  • 20
    Nuno
    com Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) em Windows XP Windows XP
    6 de Janeiro de 2011 - 16:57 | Link permamente

    Já não é a primeira vez que aqui digo que moro no interior PROFUNDO, como “vocês” são povo do litoral, onde não falta nada, nem imaginam o que é bom haver sites de partilha de ficheiros.
    Para eu me deslocar a um cinema ou teatro, tenho de fazer mais de 100KM por estradas cheias de curvas, ao chegar ao cinema só me apetece é voltar para casa.
    Como o interior está despovoado, é claro que os meus amigos estão nas grandes cidades. Á cerca de 10 anos as conversas de cinema para mim eram tão aborrecidas pois eu não tinha possibilidades de assistir aos filmes que eles falavam, desde que começaram a aparecer sites de partilhas comecei a sentir que também faço parte daqueles que escolheram viver nas cidades e têm direito a ver grande cinema.
    Eu a viver no interior pago os mesmos impostos que “vocês” no litoral, porque não tenho os mesmos direitos?
    VIVA A PARTILHA DE FICHEIROS! O NORTE INTERIOR PROFUNDO AGRADECE!

  • 21
    José
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 17:15 | Link permamente

    @ Edgard

    como o RD ao bem demonstra, existem maneiras de tornar o negocio mais aliciante. repara que nem todos temos internet, e mesmo os que temos nem todos temos conhecimentos e facilidade em descarregar um filme, musica, seja o que for. por isso as lojas terão sempre razao de existirem, pelo menos num futuro proximo, enquanto o choque tecnologico do sr. engenheiro nao se tornar verdadeiramente real numa escala planetaria.

    o que acontece é que quem controla o negocio, nao tem conseguido ou sabido adaptar-se, ou, querendo ir um pouco mais longe, nao tem querido adaptar-se ao evoluir dos tempos. e está desesperadamente a tentar agarrar-se a um modelo de negocio que esta claramente ultrapassado.
    tudo passaria por analisar e aceitar as mudanças/evoluções que o mercado tem sofrido e prever tendencias futuras, tentando ir ao encontro dessas tendências.

    se por exemplo os dvd’s de filmes fossem a metade do preço será que nao se venderiam muitos mais ao ponto de compensar a redução de preço? e que tal fazer produçoes mais adaptadas aos consumos reais? conseguiriam reduzir os excedente, logo menos custos de produçao e de armazenamento, logo vantagens economicas para todos.

  • 22
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 17:27 | Link permamente

    Neste momento o que justifica a diferença de preço do mesmo produto em uk e pt são os seguintes factores:

    1. Imposto
    2. Transporte (que é incluído na factura de quem compra em uk e que deve ser considerado)
    3. Custo de distribuição
    4. Desconto de quantidade
    5. Custos aduaneiros (para o caso de produtos provenientes de fora da ue)

    E aí reside a diferença.

    Uma vez comprei um cd em us, quando morava em br e ele me custou “somente” 200 dólares!!! Todos os custos acima foram adicionados! Apesar do preço nominal marcado no retalho ser inferior aos produtos equivalentes em minha praça. O preço definido no fabricante, onde trabalhei, é sempre o mesmo. Por exemplo no Brasil um cd é mais barato em São Paulo, onde é fabricado do que em Manaus, por causa do transporte. É mais barato no Rio do que no Pará (que é ao lado do Amazonas), quando ele é fabricado em Manaus, onde está sediada a maior fábrica de CDs do paíspela quantidade que é comprada no Rio ser infinitamente superior que a do Pará. É mais barato na FNAC do que numa lojinha do Bairro Alto, por causa da quantidade que é comprada por um e outro. E por aí vai. Mas o preço de custo industrial e a margem aplicada é sempre a mesma e, o que aqui importa, o artista recebe pelo preço de custo industrial e não pelo quanto é vendido na praça. Um artista não recebe mais pelo cd ser vendido no bairo alto mais caro do que receberia do mesmo cd sendo vendido na FNAC.

  • 23
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 17:58 | Link permamente

    Outro factor de aumento de custo de qualquer produto aqui, também diz respeito com o financiamento do negócio, que para cá paga taxas de juro bastante superiores do que as empresas inglesas, francesas, alemãs japonesas, norte-americanas, pagam.

    O preço de um cd no mercado português não é determinado pela exploração do editor, mas por condicionantes de mercado específicas do mercado daqui. repito, o custo industrial, pelo qual é contabilizado o percentual de pagamento do artista é sempre o mesmo, cotado em dólares e marcado nas mesmas proporções no mundo todo. As condicionantes do mercado local é que justificam as diferenças. Compre aqui ou em Inglaterra o artista recebe a mesma coisa (já recebeu no contrato que estabelecia o percentual editorial na definição do volume a ser reproduzido). Mas se o cd é copiado, ripado e/ou reproduzido de outra maneira, daí o artista não recebe nada. Quando os meios de reprodução se difundem da maneira como hoje acontece, e o volume de cópias existentes não contabilizadas para efeito de pagamento do artista é superior ao tratado no contrato editorial, daí a situação é preocupante.

    Tenham certeza de uma coisa: a cada aumento do custo do valor de empréstimo para Portugal, aumento de IVA, etc, o cd aumenta uns pozinhos e a Record Company não ganha nada a mais com isto, nem o artista.

  • 24
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 18:07 | Link permamente

    se por exemplo os dvd’s de filmes fossem a metade do preço será que nao se venderiam muitos mais ao ponto de compensar a redução de preço?

    Absolutamente não. O dumping não funciona em produtos desta escala de produção.

  • 25
    Carlos
    com Firefox 3.6.8 Firefox 3.6.8 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 19:05 | Link permamente

    @Marco
    Excelente post muito bem escrito.

    @Edgard Costa
    Desculpa, mas os teus argumentos não fazem sentido para mim.

  • 26
    RD
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 19:11 | Link permamente

    @ Edgard

    Quanto à questão aduaneira no Brasil está certamente mais informado do que eu, no entanto o meu escasso conhecimento nessa matéria sei que a politica aduaneira Brasileira é bastante restritiva, principalmente de produtos que importes, quando exista produção/distribuição/patentes no Brasil.

    Quanto aos factores aduaneiros aqui apenas se colocam em compras vindas de us e Ebay (fora da UE).

    Mesmo assim, até determinados valores vale a pena mandar vir US, mesmo que seja parado na alfandega e aplicado os devidos impostos. (iva, imposto aduaneiro e despesas).

    Quanto a compras na UE e os factores que referes.

    Neste momento o que justifica a diferença de preço do mesmo produto em uk e pt são os seguintes factores:

    1. Imposto (efectivamente o VAT é mais baixo que o nosso IVA, mas não é isso quando muito implica uma diferença de 5% do preço.

    2. Transporte (que é incluído na factura de quem compra em uk e que deve ser considerado),

    Não querendo fazer publicidade, aqui observas o valor de portes das maiores lojas para jogos, mas a politica para cd´s e filme é exactamente a mesma.

    http://www.jogosbaratos.net/lojas/

    Como se constata isso não é condicionante para a questão dos custos.

    PS: a amazon.co.uk em compras superiores a 25Libras é gratuito.

    3. Custo de distribuição

    Por aqui posso dizer que enviares um jogo, ou filme ou cd por correio registado para qualquer pais da custa nos ctt, menos de 5€ e se for correio normal (aéreo) fica por 3€ e pouco.

    Por isso não vejo como as empresas portuguesas ficam assim em tão grande desvantagem.

    4. Desconto de quantidade

    Aqui posso concordar em parte, já que não é possível comparar a maior distribuidora (mesmo a Fnac, Jumbos ou Continentes) com a Amazon, no entanto as cadeias portuguesas que referi são bem maiores do que outras empresas que referi e que mesmo assim conseguem melhores preços.

    5. Custos aduaneiros (para o caso de produtos provenientes de fora da ue)

    Estas situações são fora da UE, mas mesmo para essas, como disse anteriormente, em alguns casos compensa, basta ver as questões mais frequentes aqui:

    http://www.jogosbaratos.net/como-funcionam-as-alfandegas/

    Atenção que produtos enviados de Jersey, ou Guerney, apesar de fazerem parte do reino unido, estão na mesmas sujeitas a alfandega.

    Eu acrescentava ainda outro factor que não referiste, que será o facto de algumas destas empresas funcionarem exclusivamente na internet e terem factores/custos de produção reduzidos, mas outras são cadeias de Lojas, e isso condiciona também os seus custos fixos.

    Mas apesar de tudo o referido, o problema é mais de uma mentalidade retrograda que querer ganhar tudo no menor tempo possível à custa do consumidor, do que construir uma boa politica de crescimento e reconhecimento perante o publico.

    A nossa distribuição nunca impõe regras de preços baixos, já que vendem quer seja alto quer seja baixo, e quando não vendem culpam os piratas.

    A hipocrisia comercial para mim só é suplantada com a hipocrisia solidária, as campanhas do arredonda, Popóta etc, são o melhor exemplo disso, pegam na fraqueza emocional e no sentimento nobre da população em ajudar os mais favorecidos e com o dinheiro que angariaram dessas pessoas, sim, não me enganei, com o dinheiro que essas pessoas deixaram nas caixas desses sítios, conseguem eles obter benefícios fiscais que lhe evitam pagar os impostos que deviam.

    O caso dos telefonemas ainda é mais chocante, do dinheiro gasto, x é para as operadoras de telemóvel/rede fixa e o valor do IVA vai para o Estado e quem precisa fica com o resto.

    Mas pronto já estou a divagar…

  • 27
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    6 de Janeiro de 2011 - 19:43 | Link permamente

    @RD

    Sou português, e brasileiro, e moro em Sintra há 22 anos.

    O custo de transporte a que me refiro é do fabricante para os distribuidores. O custo de distribuição a que me refiro é o de distribuição dentro de toda a Europa, por exemplo. Você há de convir que um produto fabricado na Irlanda tem em seu preço um custo de transporte menor em Inglaterra do que aqui em Portugal, certo?

    Os factores de redução de preço de uma empresa que trabalhe pela Internet é o do custo de distribuição e não o de produção que foi objecto de investimento do produtor/fabricante.

    Mas de qualquer forma leia o meu primeiro comentário que verá que no geral estamos sempre a concordar. O que é preciso é desmistificar algumas coisas e perceber que entre a Record Company e o consumidor final, quanto mais longe for o destino, maior será o custo e, maior o número de pessoas a ganhar alguma coisa. E Portugal ficando distante dos centros de produção paga por isto. O que não influencia nem o que o produtor fonográfico/editora ganha com o produto industrial nem ao ganho do artista. O que se modifica com a Internet é exactamente a distribuição, e por isto das empresas que citou poderem vender mais barato os produtos digitalizáveis.

  • 28
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    6 de Janeiro de 2011 - 19:51 | Link permamente

    @Carlos

    Estás desculpado, apesar de para mim fazerem.

  • 29
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    6 de Janeiro de 2011 - 20:09 | Link permamente

    http://tek.sapo.pt/noticias/internet/partido_pirata_apresenta_queixas_contra_a_aca_1119093.html

  • 30
    Jorge Sousa
    com Google Chrome 8.0.552.224 Google Chrome 8.0.552.224 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    6 de Janeiro de 2011 - 20:16 | Link permamente

    1. Imposto (efectivamente o VAT é mais baixo que o nosso IVA, mas não é isso quando muito implica uma diferença de 5% do preço

    Quanto aos impostos e custos aduaneiros… estás a leste. Não fazem diferença. Quando compras algo do Reino Unido estás a pagar o IVA português. Se não te cobram o IVA português, o problema será deles.

    Por exemplo, a Amazon tem isso bem explícito:

    Amazon.co.uk is required by law to collect VAT on orders for goods (including e-Books) dispatched to most countries within the European Union. For EU customers outside of the UK, amounts of VAT charged are in accordance with the local legislation in each country. For customers with a delivery address within the EU, VAT charges for your order will be itemised on the last page of your order, in the e-mail confirmation of your order and on the invoice dispatched with your order.

    2. Transporte (que é incluído na factura de quem compra em uk e que deve ser considerado),

    Dizes ainda que:

    «Você há de convir que um produto fabricado na Irlanda tem em seu preço um custo de transporte menor em Inglaterra do que aqui em Portugal, certo?»

    Em nenhum caso o custo do transporte justifica uma diferença que chega a ser de três vezes o preço praticado no Reino Unido. Nenhum. Prova disso é que o custo do transporte de um item isolado é uma ninharia, quando não é de graça.

    3. Custo de distribuição

    Já está em parte explícito no ponto anterior. Na distribuição massiva o custo da distribuição dilui-se por todos os items. Se o preço de um item isolado é o que é, não é preciso dizer muito mais quanto ao impacto deste factor.

    4. Desconto de quantidade

    Há tantas empresas diferentes, que a “quantidade” não é assim tão grande quanto se possa imaginar à primeira vista. E depois tens exemplos de marcas como a GAME, que pratica preços muito diferentes consoante o país, sendo que o UK é bem mais barato.

    5. Custos aduaneiros

    Não justifica diferenças de preço. A esmagadora maioria dos produtos estão disponíveis dentro da UE.

  • 31
    Freud2004
    com Firefox 3.6.10 Firefox 3.6.10 em Windows Vista Windows Vista
    6 de Janeiro de 2011 - 21:21 | Link permamente

    Por um momento deixem-me voltar ao cerne da questão … Os “Piratas”

    Bem, eu considero-me um “pirata”, “activista”, “anarquista”, o nome não me interessa ou a designação que me atribuem.

    Estive ligado durante muitos anos ao mundo do P2P, por acreditar na utopia que o mundo virtual pode e deve ser diferente da sociedade que os meus pais e os meus avós construiram, uma sociedade onde quem têm dinheiro vai à opera, que não o têm vive na impossibilidade permanente de assistir a um espectáculo de topo.

    Para mim a revolução do mundo virtual é esta, todos o que puderem ter uma ligação à net, podem ter acesso ao que durante séculos esteve reservado à elite, mas mais, pusemos os jovens a partilhar enquanto as universidades os ensinam a competir, nos dizemos partilhem com os outros, a sociedade diz pisem o outro para chegar ao topo. Isto para mim é o bem mais precioso da ultima fronteira, o espírito livre que se criou e que deve ser perpétua-do….

    Só para terminar, ontem, sim ontem saquei um filme ilegalmente, mas o mesmo é Australiano ( Red Hill 2010 ) e nunca vai passar nas salas portuguesas, ou se vai vender na FNAC e afins, ou seja, nunca teria acesso ou mesmo conhecimento do mesmo se não fosse via P2P. Afinal quem é aqui o pirata e o protector ? Afinal sou eu quem vai divulgar o filme, entre os meus amigos e dizer, vejam é bom…. E quem deveria divulgar estes filmes, não Americanos e que não dão lucros significativos, o que faz por esta gente, pergunto eu ?

    E o pirata sou eu ????

    Um abraço Freud2004

  • 32
    RD
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 21:41 | Link permamente

    @Edgard

    Sou português, e brasileiro, e moro em Sintra há 22 anos

    Ninguem põe isso em causa nem eu fiz esse comentário de forma pejorativa, já o conheço aqui do site para identificar que a única coisa que posso implicar contigo é vc ser do FCP, de resto somos todos iguais. :lol:

    @Jorge Sousa

    De Vat- iva não sou especialista, mas podem ser ver aqui:

    http://ec.europa.eu/taxation_customs/taxation/vat/how_vat_works/index_en.htm

    No amazon já tive situações de me aumentar o preço e já tive situações em que tive exactamente o mesmo preço.

    Tb existem situações em que optas por ser a amazon a converter Libras em Euros e és comido por lorpa em relação à conversão feita no teu banco., eu pago sempre em Libras.

    Dizes ainda que:

    «Você há de convir que um produto fabricado na Irlanda tem em seu preço um custo de transporte menor em Inglaterra do que aqui em Portugal, certo?»

    Eu nunca disse isso, foi o Edgard.

    Acho que quanto ao restante concordas com o que eu disse, acabaste foi por misturar o que o Edgard disse e o que eu digo.

  • 33
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 22:27 | Link permamente

    Afinal sou eu quem vai divulgar o filme, entre os meus amigos e dizer, vejam é bom….

    Sim, mas atenção a um detalhe. O facto de lhe fazer boa propaganda, não faz com que os autores do filme saiam beneficiados. Ou seja, pode até recomendar a obra a toda a família, se, como diz, cá em Portugal não tem a cesso ao mesmo, das duas uma;

    1- Ou indica o site de onde o retirou e os interessados irão fazer o mesmo que fez em primeiro lugar.

    2- Ou então nem sequer isso faz e limita-se a entregar o filme em formato magnético ou numa qualquer pen.

    Em suma, nenhum destes cenários premeia os autores das obras. Logo, sim, o pirata é o senhor. E eu. E muitos como nós por aí fora…

  • 34
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 22:28 | Link permamente

    @Edgard: merecias, por também perderes do teu tempo a explicar as coisas bem explicadinhas, que eu te explicasse melhor o meu ponto de vista – só que não tenho muito tempo. Talvez qualquer dia me lembre de escrever qualquer coisa mais aprofundada.

    Posto isto, de um modo geral, discordo do teu ponto de vista em relação aos empregos da indústria discográfica. Mesmo que os postos de trabalho desaparecem todos, a maioria dos trabalhadores seria absorvida por outras indústrias; afinal, uma secretária é sempre uma secretária, e um gestor discográfico será sempre, antes de mais, um gestor (ponto). Os postos de trabalho extremamente específicos (dos quais não me estou a lembrar de nenhum – um técnico de prensa de CD, por exemplo, pode ir trabalhar para outra área, CD com conteúdo serão sempre precisos nalgum lado), eventualmente, ficariam mesmo de fora.

    Mas mesmo dando de barato essa questão, vamos assumir que ficariam mesmo todos no desemprego. Que percentagem isso representa da população activa de um país? Meio ponto? Um ponto? Voltando à minha questão original, se for o preço a pagar por um sociedade com um maior e melhor acesso à cultura, nem penso duas vezes.

    De igual modo, também discordo da facilidade que dás a entender de gravar um álbum, com qualidade, em casa. Também fui músico muitos anos (tu és mais Cakewalk, eu sou mais Cubase) e gravei muita coisa em casa, para mim, para bandas que tive, para bandas de amigos. Muito poucos tinham qualidade de estúdio, fosse devido ao equipamento de captura, fosse devido a conhecimentos específicos nas áreas de engenharia do som, produção e masterização. E eu ainda tinha alguma sorte, que tenho um cunhado que é técnico de som profissional, e fazia milagres com aquelas equalizações paramétricas.

    Os bons músicos precisarão sempre de bons técnicos, de bons produtores e de bons agentes que não lhes queimem a carreira. Dispensarão perfeitamente, e alguns já estão mesmo a dispensar, tudo o mais que se intrometa entre eles e os consumidores.

    Bolas, já me estiquei. Pronto, é capaz de ter saído meio arrevesado devido à pressa, mas as minhas ideias básicas são estas. Qualquer coisa que não esteja muito clara, dêem o desconto.

  • 35
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    6 de Janeiro de 2011 - 23:13 | Link permamente

    Mas mesmo dando de barato essa questão, vamos assumir que ficariam mesmo todos no desemprego. Que percentagem isso representa da população activa de um país?

    Todo este processo de que estou a falar, e repito que utilizei a música como um exemplo, entre outros, mas que é na realidade muito mais amplo e complexo, em Portugal, nos últimos 5 anos representou cerca de 4%, algo como 50.000 pessoas por ano!

    “Em termos dos sectores de actividade, é de realçar, em termos de evolução do emprego, a destruição de mais de 100 mil postos de trabalho no sector secundário durante o ano de 2009, com perto de 50 mil empregos destruídos na indústria transformadora, valores que, no sector terciário, se cifraram em mais de 50 mil empregos que se perderam. Uma análise quanto ao aumento do desemprego e do peso de profissões enquadradas em cada um dos sectores de actividade, constata-se que o sector terciário é aquele onde se concentra o maior número de desempregados (57,7% do total de inscritos nos Centros de Emprego), com mais de 65 mil desempregados “trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio” (mais 18,9% que em Janeiro de 2009)e mais de 63 mil desempregados com a profissão de “pessoal dos serviços de protecção e segurança” (mais 24,3% que em Janeiro de 2009), seguindo-se o sector secundário (38%) com mais de 50 mil desempregados “trabalhadores não qualificados das minas, construção civil e indústrias transformadoras” (mais 22,2% que em Janeiro de 2009).”

    Fonte: http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=509:portugal-taxa-desemprego-mais-elevada-das-ultimas-tresdecadas&catid=42:laboraleconomia&Itemid=57

  • 36
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    6 de Janeiro de 2011 - 23:37 | Link permamente

    Edgard, estás a querer dizer que os envolvidos na indústria discográfica, isto é, empregados em labels ou recording companies e seus serviços univocamente dependentes, neste momento, representam 4% da população activa? Mais de 200.000 pessoas?

    Só podes estar a brincar!

    Esse artigo que citaste fala do desemprego transversalmente a todos os ramos de actividade. A parte a que realçaste a negrito fala especificamente do sector terciário, mas, ainda assim, transversalmente a todos os ramos de actividade.

  • 37
    Pedro
    com Google Chrome 8.0.552.215 Google Chrome 8.0.552.215 em Windows XP Windows XP
    7 de Janeiro de 2011 - 01:37 | Link permamente

    CNPD vai analisar se ACAPOR recolheu ilegalmente números de IP

    e

    ACAPOR ameaça processar Partido Pirata por calúnia

    Temos novela :twisted:

  • 38
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    7 de Janeiro de 2011 - 06:45 | Link permamente

    @Marco

    Sugiro que leias tudo o que eu escrevi, pois apesar de eu ter tentado escrever “as coisas bem explicadinhas”, parece que você ainda não entendeu. Estou a falar de um problema geral, que se dá em diversos níveis e no mundo inteiro e utilizei o exemplo da música, por que é o assunto do postal, mas também citei outros, inclusive o do próprio Marco Santos que é jornalista, mas que de certa forma é atingido pelo mesmo fenómeno.

    Não, não estou a brincar porque isto é sério.

  • 39
    Pedro
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 07:53 | Link permamente

    Lucro! E o resto é conversa

  • 40
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 09:55 | Link permamente

    @Edgard, eu fiz questão de mencionar, sempre, que estávamos a falar de empregos na indústria discográfica. Como é que vais buscar dados transversais, é algo que me ultrapassa.

    Isto não é um problema transversal. O problema da partilha tem vítimas muito concretas, e era dessas que estávamos a falar. Ir buscar dados gerais do desemprego é desonesto. E misturar a situação de um jornalista no desemprego, então, não tem cabimento nenhum (onde é que os jornalistas são afectados pela partilha livre? quando muito sairiam beneficiados pela maior disponibilidade de fontes de informação).

    E, sim, tive que fazer um esforço muito grande para escrever vítimas neste contexto.

  • 41
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 10:06 | Link permamente

    @Pedro

    Perfeito. É esta a estrutura de nossa sociedade de consumo ocidental e aceitamos isto na generalidade, embora com críticas. O problema é que mesmo isto está a cair. Começou com a industria Automóvel (os subúrbios de Detroit estão a se desertificar pelo aumento do desemprego), seguiu com os bancos e, presume-se se alastrará por toda a parte.

    Da última vez que se verificou um processo de corrosão social desta dimensão, proporcionado por uma crise estrutural do modelo económico, desembocamos na II Guerra Mundial. Aliado ao acirramento de desentendimentos baseados em diferenças sociais, culturais, de raça e/ou religião que se verifica a escala global, para além da agitação social proporcionada pela mesma crise estrutural, para além de muitos outros factores, talvez estejamos a beira de um conflito sem precedentes.

    A palavra por ti usada agora, “Lucro” era a mesma utilizada por intelectuais bem informados quando perguntados sobre qual seriam as motivações da 1ª Guerra Mundial, (vide o fabuloso Reds do Warren Beatty). Quando eles já não conseguirem vampirizar países inteiros (como é feito hoje na periferia da UE) com movimentos especulativos que visam exactamente o mesmo lucro, passam ao plano B que normalmente é o de eliminação das bocas excedentes. O problema é que agarrado a boca tem um gajo(a).

  • 42
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 10:09 | Link permamente

    onde é que os jornalistas são afectados pela partilha livre?

    Tente então responder você a esta tua questão que daí entenderá do que eu estou a falar.

  • 43
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 10:13 | Link permamente

    Eu já respondi: não são.

    Está na hora da refutação, se a houver.

  • 44
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 10:41 | Link permamente

    O que tentam fazer é, indiscutivelmente, dar sobre-vida a um sistema industrial que se deteriora diariamente, sobretudo pela velocidade com que a informação circula, o que leva a mais e mais pessoas a ver o estado bolorendo actual das coisas, o que era simplesmente invisível há poucos anos atrás, e para o qual ainda não há alternativas exequíveis, para a manutenção do meio de sub-existência não do industrial, mas de toda a sequência de trabalhadores assalariados que dependem dele. O modelo está falido não só para o industrial, como você demonstra aqui, mas também para toda a horda de trabalhadores que dependem dele. E este é que é o problema.

    Está escrito no primeiro comentário que fiz. Este problema envolve todo o tecido social e toda a estrutura de trabalho e são problemas novos para os quais não há respostas neste momento. Se ler a Sociedade em Rede do Manuel Casttels verá que isto já estava previsto desde meadas da decada de 90 do século passado e é um processo que ainda está em seu início.

    O conceito convergente entre a distribuição livre de cultura, fora do controle do capitalista industrial que ganhava dinheiro não com a cultura em si, por que não a produzia, mas com a materialização desta, seja em discos, cds, jornais, livros, bulas de remédio, e o esquimbal, atinge da mesma forma o pequeno produtor musical (que nada mais é que um editor) e o pequeno editor de notícias, dono de um pequeno jornal que hoje sofre da mesma forma que a Universal ou EMI, concorrência dos blogs, e da Internet como um todo, e daqueles que aplicam o mesmo conceito nos jornais de distribuição gratuita.

    Da mesma forma que um dia foi impossível saber o que dizia a última música de seu artista predilecto a não ser pela compra do disco (tá bem sempre havia a rádio, a fita cassete, o pedide de emprestimo, mas isto não afeta a indústria e mesmo a alimenta) um dia foi impossível saber das notícias sem comprar um jornal.

    Hoje ambos os modelos de negócio se modificaram radicalmente de uma forma significativa por causa directa de um mesmo fenómeno chamado Internet. O balconista da pequena loja de cds do Bairro Alto perde o seu emprego, e isto aumenta a estatística de desemprego do sector terciário, por que já não se compra mais cds como antigamente por causa da Internet e da “partilha livre”, da mesma forma que um gajo já não compra mais jornal impresso por causa dos blogs, dos sites de notícias, etc, etc.

    E isto é facilmente verificado pela migração do capital publicitário dos média tradicionais (jornal rádio e TV) para a Internet, que já é um fenómeno fartamente estudado, mas particularmente, no que diz respeito ao mercado português (e não restrito a rádio), na tese de doutoramento do jornalista João Paulo Meneses, da TSF, que sugiro a leitura. (http://memoriavirtual.net/2008/12/media-e-comunicacao/tese-de-doutoramento-sobre-a-radio-joao-paulo-meneses/)

    http://osegundochoque.blogia.com/

  • 45
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    7 de Janeiro de 2011 - 10:59 | Link permamente

    @Edgard
    Em primeiro lugar, guardei aquele vídeo que me indicaste nos meus favoritos. Vou ver a seguir.

    Quanto à questão de saber se os jornalistas são afectados pela partilha livre… Bem, na verdade a livre circulação de informação devia ser até uma vantagem para o jornalista porque o principal papel do jornalista, hoje em dia, é de servir de ponte entre o grande público e a fonte especializada. A história do Wikileaks e o papel dos jornalistas parece que me dá razão: a Wikileaks, representante deste novo mundo em que só conta a acção e a rapidez, é a fonte da »caixa» jornalística; os jornalistas são aqueles que são chamados para filtrar, contextualizar a informação. Foi isso que aconteceu, um encontro entre o novo e o velho mundo – e não se anularam, complementaram-se.
    Porque devido precisamente ao enorme fluxo de informação é preciso um cuidado a triplicar não só na verificação de todas essas fontes como no trabalho de «filtrar» a informação.
    O processo de «filtragem» exige duas coisas: estudo e compreensão. E estudo e compreensão exigem tempo que não está disponível à esmagadora maioria dos jornalistas.
    O tempo não está disponível porque os jornais deixaram de investir nas redacções. Pior: deixaram de investir nas pessoas. Vivemos a época do fast-food jornalístico.
    Isto cria um duplo problema: dantes, quem chegava da Universidade depois de estudar Jornalismo descobria que não tinha aprendido nada da prática de ser jornalista. Mas sempre tinha os seniores para os orientar. Eu ainda beneficiei disto: pessoas que me ensinaram a escrever para jornais, pessoas que me ajudaram a vencer a timidez em algumas situações, foram muitos e estupendos os professores que tive nesta área.
    Esses jornalistas, hoje em dia, já não contam quase para nada. São velhos, e não pessoas que podem ajudar o jovem partilhando anos de experiência. E não contam para nada porque ninguém precisa deles para picar a Lusa ou escrever um texto traduzido da Reuters ou de revistas estrangeiras.
    Dizem que o online está a matar o jornalismo de papel, e talvez seja nesse contexto que afirmas que a partilha livre afecta o jornalista. Eu não tenho essa opinião, e explico-te porquê. O jornalismo (também) tem a ver com a prazer da leitura. As televisões abordam os assuntos pela rama, o online não é fiável porque muitas vezes não sabemos de onde vem a informação e o único sítio onde a informação podia ser aprofundada é nos jornais. O que tu vês é exactamente seguir-se a tendência contrária. Hoje em dia nem a Universidade, nem o jornal.
    Quero eu dizer com isto que a livre partilha de informação é uma oportunidade de ouro para o Jornalista marcar a diferença – em vez disso, nivela por baixo, deixa-se cair na facilidade porque como a exigência é cada vez menor, ninguém nota. E é tb por isso que gajos como eu (e gajos muito melhores do que eu) vão para o desemprego. Não são precisos para o fast-food jornalístico.

  • 46
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    7 de Janeiro de 2011 - 11:16 | Link permamente

    @Edgard Já vi o vídeo: belíssimo e comovente. Obrigado.

  • 47
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 11:23 | Link permamente

    @Edgard: a minha resposta seria o que o Marco acabou de dizer, mas pior escrita. Pronto, se o Marco deixar, a minha resposta é essa. :D

    Quanto ao resto, e generalizando, os postos de trabalho não directamente relaccionados só desaparecem se as indústrias não fizerem o respectivo SWOT em relação à situação em causa: olham apenas ao WT e esquecem-se do SO – e as pessoas perdem empregos.

    Não é uma consequência directa da partilha livre, mas sim do autismo dos gestores. E quanto a isso, não há nada a fazer.

  • 48
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 11:32 | Link permamente

    A qualidade do que se vende em fast-seja-lá-o-que-for, Marco, é sempre discutível, mesmo baixa (da Shakira ao BigMac) mas a realidade é que é isto o que vende, no retalho, é barato de se produzir de consumo rápido, gera imenso cash-flow e o próprio prejuízo é derretido pela escala. Porém todo este processo é fictício, e foi isto que explodiu agora nos bancos, como acontecera antes no mercado imobiliário, e está a acontecer em outros mercados.

    Mas estamos a falar em distribuição de bens imateriais, Cultura, e a Internet surgiu como a resposta alternativa das pessoas à todo este processo industrial que agora se mostra falido e que tenta, inclusive, controlar a própria Internet.

    Sim, é neste sentido que afirmo que a distribuição livre de todos os objectos passíveis de digitalização redefine toda uma relação social de trabalho, que se modifica com a mesma velocidade com que a própria Internet o faz, e isto atinge a diversas camadas, inclusive a você. O não investimento em redacção, ao que me parece, é mesmo por uma opção consciente de gestão afim de reduzir custo de produção da notícia que perdeu relevância, importância no que diz respeito a qualidade. E isto responde à pergunta de alguém aqui quando questionou do porque que um gajo com a qualidade de escrita que vc tem está desempregado. Não é isto que eles precisam. O que precisam é de fritadores de hamburguers que consigam condensar toda esta questão que estamos aqui a discutir em 140 caracteres! É disso que estou a falar. E é isto, a velocidade, que provocará ainda dolorosas modificações do código de trabalho português silenciosamente mas que fatalmente terá que passar pela discussão pública.

    Enquanto isto… as filas de desempregados aumenta, os benefícios sociais diminuem e a malta ouve música de graça, ou joga uns joguitos baratos, como se não fosse nada com eles.

  • 49
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 11:33 | Link permamente

    @Marco Santos

    Construa o teu mundo, sob novos alicerces. :D

  • 50
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 11:38 | Link permamente

    Dizem que o online está a matar o jornalismo de papel, e talvez seja nesse contexto que afirmas que a partilha livre afecta o jornalista. Eu não tenho essa opinião

    Não é só uma questão de opinião mas de constatação. O capital investido em publicidade já é maior online do que no papel. Isto é um fato (depois do acordo)!

    O que faz com que sobre menos dinheiro ao papel para pagar a qualidade do Marco Santos.

    Mude o teu mundo então. O que o JPM afirma é que este processo gera também oportunidade e você tem uma nas mãos, é isto que estou a tentar te dizer com os comentários e com o vídeo. Está tudo relacionado. Faça você os espaço online de qualidade e sopre em direcção à media tradicional que ela cairá de velha.

  • 51
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 11:43 | Link permamente

    Não é ao centro de emprego que tens que ir, mas tens é que voltar-se para ti próprio, para a tua realidade, para os teus atributos e, sobretudo, para as tuas (novas) oportunidades, pois aí estará a resposta para os teus problemas.

  • 52
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 11:45 | Link permamente

    @Marco

    Sim eu sei que a tua resposta é aquela. Continuo é a discordar de ambas, ou a ver de outra forma, como queira. :-)

  • 53
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    7 de Janeiro de 2011 - 11:46 | Link permamente

    Marco, tenho partilhado alguns dos teus textos em fóruns que frequento ou sou moderador, tenho indicado sempre a fonte e o autor dos mesmos, se tiveres interesse ou alguma objecção tens o meu mail e diz alguma coisa.

    Não tenho problema nenhum nisso, pelo contrário, considero-o uma forma de elogio e reconhecimento.
    Obrigado, RD

  • 54
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    7 de Janeiro de 2011 - 11:49 | Link permamente

    Não é ao centro de emprego que tens que ir, mas tens é que voltar-se para ti próprio, para a tua realidade, para os teus atributos e, sobretudo, para as tuas (novas) oportunidades, pois aí estará a resposta para os teus problemas.

    Edgard, penso que aqui este espaço é um bom começo. Tenho é de ser mais esperto.
    Mas tens toda a razão quando dizes isso.

    Quanto ao resto, eu tenho de reler os teus comentários para compreender melhor onde queres chegar.
    Não é por não te expressares bem, atenção, é mesmo por necessidade minha.

  • 55
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    7 de Janeiro de 2011 - 11:51 | Link permamente

    Ah, é verdade, partilhei o teu link no Twitter.

  • 56
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 12:01 | Link permamente

    penso que aqui este espaço é um bom começo. Tenho é de ser mais esperto.

    É óbvio! E a tua ausência durante a tempestade mostrou claramente a ti, espero, que apesar de tudo é aqui que tens que estar!!!

    O problema é que o próprio conceito de esperteza está por definir! Esperto em que? O que é ser esperto agora, o que fazer? É isto que está por definir, para o qual ainda não há respostas claras! Os gajos que enriqueceram online, na maior parte, o fizeram sem saber exactamente como. (excepção feita a Amazon que perceberam exactamente a oportunidade que tinham antes do negócio feito)

    No comentário a seguir dá um exemplo do problema que temos: o link não é um objecto passível de propriedade, portanto dizer “o teu link” é um disparate! Mas é que usamos ainda até mesmo um meio arcaico de comunicação com palavras também elas inadequadas a realidade que se modifica à velocidade da luz. É deste problema que falo. E isto é revolucionário, convulsivo, e vai gerar, fatalmente, conflito social grave.

    O que constata aqui neste postal é a luta desesperada do arcaico pela manutenção da vida num mundo que mudou, como os czares em Rússia, ou os reis de França.lutaram. Mas foram quase sempre decapitados pelo revolucionário.

    Estamos só no início. Calma ainda vem muito mais confusão pela frente. (espero não estar a ser enigmático)

  • 57
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    7 de Janeiro de 2011 - 12:18 | Link permamente

    Bem, já reli. É uma discussão tramada e muito além do alcance deste post.
    Quando te referes ao conceito prosumer estás a falar do termo cunhado pelo Alvin Toffler, certo? O novo papel do consumidor, que impõe à indústria a produção do que ele quer comprar, etc (fui à Wikipédia só para ter uma ideia).
    O crescimento acelerado dos meios de produção devido às necessidades da II Guerra Mundial potenciou um sistema económico e político que já vinha da Rev. Industrial e, sendo assim, potenciou o problema.
    Se reduzirmos tudo isto ao osso, vemos que se trata tão-somente do velho poder do dinheiro em acção, e de como esse poder condiciona as nossas acções e nos faz, até, ter atitudes aparentemente contraditórias. Dás-me a mim como exemplo e eu aceito isso perfeitamente porque, como prosumer sou, simultaneamente, vítima e agente activo desse problema. A publicação deste texto só veio, aos teus olhos, demonstrar essa duplicidade de forma cabal (e trágica)
    Eu compreendo o teu ponto de vista e aceito essa duplicidade sem problemas. Aliás, é essa duplicidade que nos impede, se calhar, de descobrir as respostas para os nossos problemas de fundo, filosóficos. Andamos demasiado ocupados a sobreviver para tentar resolver o enigma da Utopia. Mas eu adoro a Utopia, e adorava lá viver ;)
    Bem, discutir o meu exemplo de forma mais exaustiva implicaria revelar certas coisas internas de uma empresa para a qual eu trabalhei, pelo que não posso fazê-lo publicamente. Compreendes isto, não é Edgard. Há razões muito concretas que nem precisam de uma explicação tão abrangente.

  • 58
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 12:22 | Link permamente

    Perfeito! Caiu-lhe a ficha! :D
    Você pediu discussão eu dei-te!

  • 59
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    7 de Janeiro de 2011 - 12:25 | Link permamente

    Caiu-lhe a ficha? :?
    Isso é uma daquelas tuas expressões d’além-mar, é que não percebi :-)

  • 60
    com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
    7 de Janeiro de 2011 - 12:27 | Link permamente

    AH, editaste o comentário, acho que já percebi.
    Bem, sabes, eu quero sempre que haja discussão e que a malta troque ideias, mas geralmente eu participo menos por duas razões
    1) Agora é a vez de a malta se expressar
    2) Já disse o que tinha a dizer no post

    Neste caso, foste subversivo ;)

  • 61
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 12:32 | Link permamente

    HA HA HA!

    Cair a ficha = perceber

  • 62
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 12:55 | Link permamente

    Mas eu adoro a Utopia, e adorava lá viver

    Estou a ir para o Rio de Janeiro amanhã pela manhã. Se calhar dou lá um salto! Minha esposa tem lá casa. :mrgreen:

    (Estou a referir-me obviamente a Angra dos Reis, que inspirou o Thomas Moore)

  • 63
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    7 de Janeiro de 2011 - 13:07 | Link permamente

    O crescimento acelerado dos meios de produção devido às necessidades da II Guerra Mundial potenciou um sistema económico e político que já vinha da Rev. Industrial e, sendo assim, potenciou o problema.

    O nome do sistema económico/político era Liberalismo, que no nome carrega uma resposta aos resquícios do proteccionismo económico exacerbado pela política Absolutista, e que hoje leva o nome de Neo Liberalismo. Só corrigiria, por questão de perfeccionismo que as necessidades não eram tão somente da II Guerra Mundial, mas da sociedade daí proveniente, fruto da vitória do capital industrial aliado sobre o capital industrial alemão, italiano e japonês, que provocaram a guerra devido ao seu atraso na abordagem ao mercado, mas nunca por falta de dinheiro!

  • 64
    com GNU IceCat 3.6.13 GNU IceCat 3.6.13 em GNU/Linux GNU/Linux
    7 de Janeiro de 2011 - 14:10 | Link permamente

    “Mesmo aqueles que compram um DVD de forma legal são forçados à indignidade de ver um anúncio anti-pirataria. ”

    e o que me chateia mesmo a sério é alguns deles terem a trampa do DRM que me restringe a liberdade de poder efectuar um backup…

    já para não falar na quantidade de publicidade da treta e anúncios grunhos (comparando algo físico como o roubo de um carro à partilha de um ficheiro digital que se pode multiplica ad eternum) contra a ‘pirataria’ de cada vez que PAGO e não é pouco, para ir ao cinema.

  • 65
    RSD
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows XP Windows XP
    7 de Janeiro de 2011 - 15:27 | Link permamente

    Bem, já reli. É uma discussão tramada e muito além do alcance deste post.

    A frase do Marco resume o que se passou a nível dos comentários.

    Passámos de uma reflexão pontual sobre a pirataria, para um cenário maior (big picture) das normas axiológicas que actualmente modelam a nossa sociedade a nível global.

    Confesso que me dá gozo ler os vosso comentários, apesar de o site ser para médios e pequenos intelectuais, conseguimos perceber a dimensão o QI que está envolvido nesta discussão.

    Normalmente este tipo de discussão é agradável de intervir de forma oral, mais do que escrita, pelo meu ponto de vista pelo menos.

    Apesar dos meus 35 anos, relembro aquele famoso debate Soares-Cunhal, que revi há alguns anos atrás e em que senti aquele secreto e envergonhado prazer de desejar estar horas a ouvir os envolvidos, concordando ou discordando do seu ponto de vista.

    É neste tipo de discussão que de retém algo no fim de ela terminar, que potencia o nosso conhecimento e que a nível endorfinico, nos dá satisfação. (relembrando a teoria dialéctica de Hegel)

    Apesar de conhecer o Edgard do site, não conheço a sua formação, no entanto não acredito que não seja superior. Talvez em áreas das ciências sociais e humanas… Sociologia?, antropologia? Apesar do discurso focar aspectos económicos, a vertente histórico-social parece salientar-se e a vertente economia aparece, no meu entender, por hobby de quem não gosta de deixar pontas soltas nas formulações proferidas e gosta de informar-se antes de mandar “bitaites” para o ar.

    (tirando as questões do FCP em que o QE, fala mais alto que o QI, mas isso tb me acontece em relação ao meu Benfica)

    Quanto ao Marco, apesar da alguma falta de tempo e de dizer que não pretende responder, a verdade é que o “bichinho” que este tipo de discussões lhe provoca, não o podem deixar sem nos brindar com a sua formulação num ponto de vista se não sempre fundamentado, pelo menos interessante, de forma a deixarem os seus leitores hesitantes sobre aquilo que vão escrever.

    Concluído, perante esta vossa discussão quase me envergonho de ter comentado a minha opinião de uma maneira tão informal…

    Mas não será por isso que não voltarei do o fazer.

    Por fim, marco agradeço teres permitido que refira os teus textos em outros locais, se o faço é porque julgo que fornecem informações e levantam questões pertinentes, a indivíduos dos 8 aos 80 anos.

    Aproveito para mencionar que vou alterar a minha assinatura de RD para RSD, passando a usar o meu “middle name”, já que existe outro user que usa as mesma inicias que eu, apesar de poderes constatar pelo mail, que não somos a mesma pessoa.

    • 66
      com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      7 de Janeiro de 2011 - 15:34 | Link permamente

      RSD
      O mais importante para mim – sempre foi, continua a ser e sempre será – é que as pessoas estejam à vontade para comentar como quiserem.
      Aqui ninguém anda a agitar a bandeira do intelectual. Eu sei que não foi isso que quiseste dizer, mas aproveito a deixa porque se há coisa com que embirro é aturar gente que vomita cultura sem pensar por si própria.
      Mandem caralhadas, sejam autênticos, escrevam como quiserem – o importante mesmo é a curiosidade de saber mais, o gosto em participar, dar opiniões sem atacar pessoalmente quem não concorda.
      Para mim, neste aspecto, a zona de comentários do Bitaites é um oásis.

  • 67
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    7 de Janeiro de 2011 - 15:57 | Link permamente

    @RSD

    Doutor em História e só falta a burocracia para se-lo também em Filosofia.

    Quanto ao QE, leia isto::
    http://www.edgard-costa.eu/?p=36

    Quanto ao Marco: outro factor que faz com que ele se cale está exactamente relacionado com o tal subversivo que carrego na alma que ele assinalou ali atrás. Sou mesmo assim. Se ele diz que é Benfica eu torço pro Porto. Se ele diz que gosta do Zappa eu digo que gosto do Michael Jackson. Se fosse ele a gostar do MJ eu adoraria FZ! Isto tudo só para desafia-lo à discussão, pela qualidade de seu discurso e pelo fabuloso discernimento. É mesmo agradável de ler, mas seria muito melhor em palavras wireless pois escrever é muito difícil para mim, ainda mais num comentário, e com uns gajos que nem chegam a perceber do que eu estou a falar à mistura. Mas se já é difícil fazê-lo se mover aqui nos comentários, imagina ao vivo! Já o desafiei mais de uma vez, mas ele não tem “tempo” para isto! :mrgreen:

  • 68
    RSD
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows XP Windows XP
    7 de Janeiro de 2011 - 16:01 | Link permamente

    O mais importante para mim – sempre foi, continua a ser e sempre será – é que as pessoas estejam à vontade para comentar como quiserem.
    Aqui ninguém anda a agitar a bandeira do intelectual. Eu sei que não foi isso que quiseste dizer, mas aproveito a deixa porque se há coisa com que embirro é aturar gente que vomita cultura sem pensar por si própria.
    Mandem caralhadas, sejam autênticos, escrevam como quiserem – o importante mesmo é a curiosidade de saber mais, o gosto em participar, dar opiniões sem atacar pessoalmente quem não concorda.
    Para mim, neste aspecto, a zona de comentários do Bitaites é um oásis.

    É por isto mesmo que continuas a ter um publico fiel aos teus post´s.

    Quanto à parte intelectual, ainda bem que percebeste o sentido do que escrevi.

    Gosto de vir aqui e mandar uma boa caralhada, quando me apetece ( e normalmente é quando o nosso Benfica perde).

    Os teus textos têm o condão de juntar a caralhada com assunto e temas importantes, sem caírem na boçalidade.

  • 69
    RSD
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows XP Windows XP
    7 de Janeiro de 2011 - 16:24 | Link permamente

    @Edgard

    Não andei muito longe quanto à formação… :D

    Quanto à questão do QE, já li o seu texto e compreendo perfeitamente as escolhas, já que não acredito que se consiga obrigar alguém a ser de um clube, tal como não acredito em quem diz que mudou de clube.
    Para se gostar de um clube todos temos de ter um “click” que mais cedo ou mais tarde na vida nos vai fazer dizer de um clube e nunca ser de nenhum outro.
    Claro que podemos ter simpatia por outro, como a Académica de Coimbra, onde estudei, ou do Belenenses, que foi o clube do meu Avô, que nunca cheguei a conhecer e que antes de ir para África, foi serviu na GNR em Belém.
    Compreendo que a derrota do Brasil perante o Pantera negra, que o impediu de amar o Glorioso Benfica, tal como em em 87 com os meus 12 anos aplaudi o fantástico golo do Madger passado 2 anos me entristeceu saber da festa nas Avenida dos Aliados, por o Meu Benfica perder a final com o MIlan.
    Depois disso nunca mais considerei o FCP como um clube Português, até aos dias de hoje.
    Lamento que Otto Gloria, não tivesse se lembrado de voce e lhe tivesse oferecido uma camisola Vermelha e Branca, se o tivesse feito, teria certamente perdoado que o pantera negra fosse desse mesmo clube e hoje estaria a conversar com um grande benfiquista.

    :lol:

  • 70
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    7 de Janeiro de 2011 - 16:32 | Link permamente

    :D

    • 71
      com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      7 de Janeiro de 2011 - 16:39 | Link permamente

      Bem, a questão é simples: Portugal divide-se entre aqueles que são benfiquistas e os que ainda não sabem que são.
      Um dia o Edgard verá a Luz ;)

      P.S. – E para quem escreveu um post chamado “E agora, vamos falar a sério de pirataria” e vê onde chegaram os comentários…
      … só me resta cumprimentar a capacidade subversiva do Edgard.

  • 72
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    7 de Janeiro de 2011 - 17:00 | Link permamente

    Esse negócio de ver a Luz me lembra da história de uns gajos que atravessando uma crise dessas travaram a seguinte conversa:
    -Nunca mais é sábado…
    -Calma, dias melhores virão.
    -Qual o que…
    -Olhe. mesmo agora lá para a frente
    -o que?
    -Não vês?
    -Aquilo?
    -Sim, já se vê a luz no fim do túnel.
    -Mas…
    -Em breve estaremos fora disso.
    -Porra nenhuma! Corre que vem é um trem (comboio) de lá!!!

  • 73
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    7 de Janeiro de 2011 - 17:05 | Link permamente

    P.S. – E para quem escreveu um post chamado “E agora, vamos falar a sério de pirataria” e vê onde chegaram os comentários…
    … só me resta cumprimentar a capacidade subversiva do Edgard.

    É que por vezes os nossos egos não cabem juntos no mesmo post. :mrgreen:

  • 74
    Pedro
    com Opera 11.00 Opera 11.00 em Windows XP Windows XP
    7 de Janeiro de 2011 - 18:25 | Link permamente

    Antes de começar o que vou escrever, devo dizer que utilizo P2P para tirar ‘ilegalmente’ certas obras da net. Já o faço desde há alguns anos embora agora faça menos, mas sempre ‘consumi’ o que saco, e não o fiz apenas para ver muitos downloads a ‘bombar’. E estu completamente contra quem saca para vender.

    Dito isto vou agora abordar a questão de outro ângulo.

    O actual sistema das editoras está errado, mas também há outro lado da questão (não, não é o das editoras) : O dos músicos. Claro que ganham muito pouco com o sistema actual, e que uma vez separados das ditas editoras podem depender apenas de fóruns, myspace, facebook, youtube e P2P para se tornarem conhecidos, e aí as pessoas gostam e compram o álbum e vão aos concertos, e vivem todos felizes para sempre. Mas será mesmo assim?

    Um músico/banda que esteja no começo, independentemente da sua qualidade precisa de marketing, ser conhecido, ser tocado nas rádios e canais de música, advogados, bons meios de produção tais como estúdios, tecnologia e músicos xpto com instrumentos xpto. E tudo isto custa massa, muita massa, coisa que apenas uma editora, tal como qq investidor poderá dar acesso a um músico no início de carreira.
    E se esse mesmo investidor souber que a maior parte da malta vai é sacar e comprar pouco, então eles simplesmente não investem, e esse músico/banda que queriam começar e até são muito bons, vão-se agarrar aos tomates porque guito, nem vê-lo. A carreira acaba antes mesmo de começar.

    O que quero dizer é que a proliferação do P2P pode bem estar a prejudicar todos os músicos, e não apenas os maus músicos (as editoras são o menos). Sim, alguns estão a safar-se bem com esta nova realidade, recorrem a outros meios tecnológicos e sociais, mas um pormenor: esses já eram conhecidos antes (no tempo das editoras) e já arrecadaram montes de guito; e os que estão a começar agora?
    Podem argumentar que hoje pode-se ficar conhecido no youtube a um custo irrisório, mas essas são excepções e não a regra. Quantos e quantos estão a tentar ficar conhecidos no youtube e& e não conseguem, ou conseguem mas são apenas 1 num oceano de milhões? Sobressair da multidão envolve talento, mas também campanhas de publicidade, e das caras.

    É o dinheiro que move isto, gostem ou não, e não havendo retorno de dinheiro não há investimento por melhor que o músico seja, ponto final. O P2P poderá estar a representar um risco demasiado elevado para qualquer investidor. Li outro dia que uma editora qualquer deu um xuto no rabo ao Marylin Manson porque vendeu só 160.000 em vez dos esperados 400.000 . O que é certo é que sem a indústria musical nunca teria havido um Marylin Manson (o que se calhar até nem teria sido mau :lol: mas vocês percebem o meu ponto de vista) nem toda a bagagem mediática que ele trouxe. Hoje seria um gajo conhecido em youtubes e derivados, muito alternativo, satânico e meio maluco, mas mais nada.

    Falando agora no cinema, se se começar a sacar tudo e ficarem as salas às moscas a nível global, podem crer que o cinema acaba.. Claro que ficará o ‘cinema de autor’, coisas filmadas com uma boa camara pessoal, efeitos e produçção efectuados por software profissional a correr num pc (e isso já temos no youtube), mas às grandes produções e inovações tecnológicas podem-lhes dizer adeus.
    O cinema irá transitar de 1º para 6 ou 7º plano no entertenimento.
    Muitos dizem que se o filme fôr bom, mesmo depois de sacado o vão ver ao cinema, mas será que todos farão isto? há algum estudo que demonstre esses nºs? E mesmo que o façam, fazem a todos os filmes, ou só a 2 ou 3 porque-estar-a-gastar-dinheiro-em-todos-os-filmes-q-saco-e-gosto-fica-me-caro-como-o-caraças? Comigo ficava caro, admito.

    Vocês compram toda a música boa que sacam, mesmo que num disco só gostem duma música? Eu não, confesso (tb, eu saco muito)

    Não defendo as editoras e a massa que ganham vs. o que dão aos músicos é escandaloso, mas eliminá-las completamente da equação e esperar que as novas tecnologias as substituam, se calhar também é ingénuo

  • 75
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    7 de Janeiro de 2011 - 19:35 | Link permamente

    E se esse mesmo investidor souber que a maior parte da malta vai é sacar e comprar pouco, então eles simplesmente não investem, e esse músico/banda que queriam começar e até são muito bons, vão-se agarrar aos tomates porque guito, nem vê-lo. A carreira acaba antes mesmo de começar.

    Perfeito. As Shakira não tem o que reclamar do quanto ganha, nem o 5 Cent ou o Eminen. Porém há também a possibilidade inédita de haver esta divulgação, marketing, através de canais antes inexistentes. O que abre o mercado para artistas que antes nem sequer teriam a oportunidade de pensar em entrar num estúdio.

    E isto pulveriza o mercado em milhares de coisas boas e más. Hoje o universo de artista é inimaginável. Se no meu tempo a minha tribo conhecia toda todos os principais artistas que nos embalava a vida, hoje na mesma tribo há distancias enormes. basta ver pelos estilos musicais que parecem que já há mais que blogs de qualidade.

    Hoje fazer sucesso é mais que nunca uma questão se sorte. Há, dentro do mesmo estilo e dentro do mesmo grau de conhecimento técnico/artístico (e penso nos milhares de putos que saem das faculdades de música como Berkeley (Lembrando-me da Julia Nunes ou da Theresa Andersson (que Cakewalk ou Cubase o que!)) e dá espaço para quase anónimos como a fabulosa Loleini Unga) que vão a luta dentro de um universo antes inatingível pela selecção artificial das editoras.

    O espaço está aberto ao contrário do que se imagina e de certa forma diz-se aqui, e é esta a abertura que é fascinante e dá oportunidades antes impossíveis. Democratiza-se o espaço cultural de uma forma definitiva. Isto alimente e corrói o mercado ao mesmo tempo.

    É invulgarmente paradoxal a vontade do gestor de marketing de um grande selo que quer o seu artista conhecido, e daí a distribuição é extremamente útil e mesmo utilizada como ferramenta e incentivada, mas depois que ganha dimensão é impossível controlar. É mais ou menos o que a MS fez com a facilitação da cópia pirata do Windows e Office, afim de se implantar no mercado, e deu no que deu, e agora tentar apertar o cerco e desenvolver políticas de licenciamento insanas, onde o cliente já não compra mais o software mas antes o aluga, e isto num momento em que o prosumer vem e faz a alternativa e, por sinal, de muito melhor qualidade que o MS um dia conseguiu fazer, pelo simples facto de que somos muito mais e melhores prosumers do que toda a capacidade financeira da gigantesca MS um dia terá para contratar profissionais. Dai deixa de valer a pena investir em software, como você observou na música e a qualidade cai a pico. Isto é o fim? Absolutamente não, mas o princípio de um mundo novo que não conseguimos ainda ver que cara terá no futuro.

    Tanto a dizer, mas como o Marco disse, isso aqui não é um fórum mas antes um blog. Fico por aqui, mesmo porque tenho que arrumar a mala para partir rumo ao meu RJ. De lá falamos. :-)

    • 76
      com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      7 de Janeiro de 2011 - 19:48 | Link permamente

      @Edgard
      Ficou entalado por causa dos links. Já cá está.

  • 77
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    7 de Janeiro de 2011 - 19:51 | Link permamente

    Tanques

  • 78
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Fedora 14 Fedora 14
    7 de Janeiro de 2011 - 20:00 | Link permamente

    Falando em Theresa Andersson olhe no que deu anos depois:

    Saiu da cozinha de casa e já tem público e mandou os editores pro caralho. Nunca será uma Esperanza Spalding no que diz respeito ao alcance, por que não tem o marketing por trás, mas tem tanto ou mais talento e eu conheço ambas graças a Internet.

  • 79
    com Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) em Windows XP Windows XP
    7 de Janeiro de 2011 - 20:19 | Link permamente

    Olá,

    Não percebo muito do assunto, mas sempre preferi os piratas aos corsários :-) !

    Nuno

    • 80
      com Namoroka 3.6.14pre Namoroka 3.6.14pre em Ubuntu 10.10 x64 Ubuntu 10.10 x64
      7 de Janeiro de 2011 - 21:10 | Link permamente

      Nuno, percebeste o essencial! :)

  • 81
    Pedro
    com Opera 11.00 Opera 11.00 em Windows XP Windows XP
    8 de Janeiro de 2011 - 18:16 | Link permamente

    @Edgard
    A alegoria entre a MS e as editoras foi boa, mas a solução que se encontrou para se fazer bom software livre (participação de milhões de pessoas pelo mundo fora), não me parece que se possa aplicar na música; no cinema pode ser que sim (ou não).

    Eu por mim não me importava nada de pagar um pouco por cada música, álbum, filme que saco, sabendo que uma boa parte iria para quem realmente criou a obra de que quero usufruir, em vez de estar a alimentar pançudos, que ainda por cima se põem a processar velhinhas e crianças e a exigirem penas mais pesadas do que se alguém fosse apanhado a guiar em contra-mão numa auto-estrada.

    O problema é que enquanto o sistema das editoras é um sistema mau, se acabassem já com ele os músicos iam-se ver às aranhas porque para já não há outro sistema substituto que possa oferecer-lhes segurança e um modo de vida. Estamos num limbo entre o fim das editoras e algo que ainda não começou… quem quiser começar a carreira agora e sem o jugo de editoras, ou então no caso destas não lhe darem o devido valor, vai-se ver à rasca para singrar.

    Porque vejamos, quantos músicos ficaram realmente conhecidos graças ao P2P e youtube ou outra rede social? Contam-se pelos dedos de uma mão. E quantos desses realmente fazem dinheiro e que se podem dar ao luxo de viver exclusivamente disso? Assim de repente, a não ser que me esteja a esquecer de alguém, ocorre-me um nº redondo, muito parecido com uma letra do alfabeto igualmente redonda…..

  • 82
    alguém
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    9 de Janeiro de 2011 - 21:32 | Link permamente

    Gostaria de saber quanto tempo demora até os donos dos 1000 ip serem acusados, é que segundo a Exame Informática, a ACAPOR prometeu denunciar 1000ip por mês, pelas minhas contas, daqui a umas centenas de anos já todos passámos pela prisão. Gostaria de ver a altura em que as prisões terão listas de espera.

    Gostaria de saber também porque é que só em altura de eleições é que a ACAPOR decidiu revelar os tais 1000 ip por mês.

    Onde será que se vai arranjar dinheiro para pagar a juízes, ACAPOR e policia para acusar cerca de 10 milhões de portugueses (só não são acusados os que nem sequer sabem o que é Internet).

  • 83
    Magalhães
    com Firefox 3.6.13 Firefox 3.6.13 em Windows 7 Windows 7
    13 de Janeiro de 2011 - 23:54 | Link permamente

    Gosto da expressão que inclui “telhados de vidro” :)

    As quatro maiores editoras do mundo vão ter de pagar 45 milhões de dólares de indemnizações por comercializarem música produzida sem a devida autorização dos músicos.

  • 84
    Pedro
    com Opera 11.00 Opera 11.00 em Windows XP Windows XP
    19 de Janeiro de 2011 - 18:41 | Link permamente

    Um artigo muito interessante, uma carta aberta do músico Allan Wilder, ex-membro para mim de uma das melhores bandas de sempre, Depeche Mode.

    Music For The Masses* – I think not
    Está em inglês.

    Ao início fala sobre como a tecnologia de masterização soa cada vez pior, mas depois opina sobre a indústria musical e fala de uma experiência que ele fez na Rússia, em que um álbum dele foi integralmente lançado não por uma editora, mas por fãs, e em exclusivo. A ler atentamente.

    * “Music for The Masses” é o nome de um dos mais bem sucedidos álbums da banda nos 80s