Ano após ano, surgem novas formas de comunicarmos e nos relacionarmos em sociedade. Umas com sucesso, como o Messenger ou o Skype. Outras sem sucesso apesar de promissoras, como o Wap ou o Minitel dos franceses.
Como saber quais as que vingam? Não sabemos até se experimentar a nova moda e sentir uma vontade de voltar a fazê-lo. De sentirmos que aquilo é diferente. Esse é um bom sintoma que a tecnologia veio para ficar.
Esse é o sintoma de quem experimenta o Second Life.
Um ambiente virtual em que a nossa personagem pode passear por espaços com bonitos edifícios a três dimensões, entrar e cumprimentar as pessoas que neles estão presentes.
A Universidade de Aveiro foi das primeiras instituições portuguesas a estar presente, tem salas virtuais onde os estudantes estão presentes.
O Second Life é também uma oportunidade. A empresa portuguesa Beta Tecnologies desenvolve o seu modelo de negócio em redor de construir edifícios e serviços dentro deste ambiente. Para esta empresa, o seu mercado não é Portugal mas o mundo, tendo como clientes o Saxo Bank ou a Xerox. Está visto que a sede da empresa, entendido como local onde os empregados se encontram e onde expõe os seus serviços, é o próprio Second Life.
Após o registo no site do Second Life (SL), o interessado pode fazer o download do software necessário. A empresa responsável, Linden, não só disponibilizou uma versão Alpha para Linux (ainda bastante instável) como colocou este software como Software Livre/Aberto potenciando assim o aparecimento de uma comunidade de programadores que enriqueça o mesmo.
A nível mundial, o Ministério da Justiça português foi pioneiro na montagem de um centro de arbitragem de conflitos para utilizadores de SL. O e-Justice Centre, com um edifício a lembrar uma visão futurista da Torre de Belém, é realizado em parceria com a Universidade de Aveiro e a Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.
Serão alunos e professores desta última que servirão como mediadores de eventuais conflitos.
Foi interessante analisar o enorme sucesso desta iniciativa e o destaque que teve a nível nacional e internacional (Bloomberg, por exemplo). Ouviram-se vozes discordantes dos Juízes e de um ou outro editorial defendendo que antes de se avançar para o virtual devíamos tratar da Justiça real.
Errado e míope. Os poucos milhares de euros gastos a montar o projecto e a estrutura 3D não resolveriam nada na pesada máquina dos tribunais. Em contraponto, o e-Centre projecta a imagem de Portugal, estreita a ligação da Administração Pública às Universidades e permite dotar-nos de competências na própria área e em colaterais, como a gestão de conflitos transnacionais (já fez compras online?).
A iniciativa do e-Centre é verdadeiramente a primeira medida do Plano Tecnológico. É apostar em sermos globais. Em dinamizar o mercado para as nossas empresas, tornando-as pioneiras. É trazer as nossas universidades para a vanguarda da tecnologia.
A imagem incluída significa que este post de Paulo Trezentos e os seguintes estarão sob licença “CC”: pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.






























6 comentários
Discordo…
Penso que a “Second Life” serve principalmente para quem não se sente feliz com a sua “first life” cultivar ainda mais o distanciamento em relação ao mundo e aos outros.
Em muitos dos casos a segunda vida, em que cada um pode ser aquilo que gostaria, sobrepõe-se à primeira vida. Que é a única.
Quanto à manobra populista e demagógica do chamado “e-Justice Centre” é no mínimo insultuosa para aqueles que trabalham diariamente nos Tribunais e também para os cidadãos de carne e osso.
Para que se perceba, há Tribunais neste país que funcionam há cerca de 2 meses sem sistema informático por causa de uma avaria no mesmo… Tudo é feito à mão, como se tivéssemos recuado 20 anos no tempo. Até hoje o assunto continua por resolver.
Com o rumo que o país toma qualquer dia ouvimos pelas ruas:
Quem me dera ser um avatar…
oi. gostei muito de tudo o que vi aqui. bons pensamentos, idéias originais.
vc é de portugal, né!
[]s
O Second Life rula, mas como o meu pc é uma merda, o Second Life está lixado.
Quanto à manobra populista e demagógica do chamado “e-Justice Centre” é no mínimo insultuosa para aqueles que trabalham diariamente nos Tribunais e também para os cidadãos de carne e osso.
Para que se perceba, há Tribunais neste país que funcionam há cerca de 2 meses sem sistema informático por causa de uma avaria no mesmo… Tudo é feito à mão, como se tivéssemos recuado 20 anos no tempo. Até hoje o assunto continua por resolver
Não concordo com o raciocínio acima por:
1.- Como referi, o investimento nestas iniciativas é geralmente marginal. Nunca poderia resolver os problemas dos tribunais em geral, nem provavelmente do tribunal que está sem sistema há 2 meses
2.- É preciso termos outras ambições a nível global.
Termos a ousadia e engenho para inovar é preciso.
3.- Temos uma lacuna da ligação universidades-empresas e universidades-AP.
Projectos como este ajudam os alunos e docentes a envolver-se, ganharem experiência e contribuirem para o desenvolvimento da área com ideias frescas.
4.- A mediação de conflitos virtual pode ajudar-nos a enfrentar outros desafios como conflitos trans-fronteiriços … ou mesmo na mediação física
Second life também está aberta a pedófilos e tarados.
Bem com a toda a gente, que queira uma segunda vida igual à primeira, esta sim bastante duvidosa das suas legalidades e perigrosa.
Acrescenta sempre a realidade aos teus posts, que vou passar a ler para deixar de falar do P. G. em todo o lado.
Cheers,
Rui
PS: sim, qualquer dia ainda vou aderir a isso!
Estive o outro dia a jogar. Deu-me cabo do computador. Não arrisco mais, só se for na PS3! Muaha, não tenho.