7/Outubro/2009

Importante reflexão existencial sobre a patareca

Há muitas formas populares de designar o órgão sexual feminino: cona, pipi, pito, pirona, rata, vagina, ninho, parreco, racha, febra, entrefolhos, mexilhão, ostra, greta, pachacha, patareca, crica e aranha são algumas das mais conhecidas.

A minha preferida, em termos de sonoridade, é patareca. Patareca. Patareca. Ó minha linda patareca. Experimentem dizê-la em voz alta: nunca mais querem outra coisa.

Patareca está para vagina como sarapitola está para masturbação. Têm o mesmo significado que os seus equivalentes politicamente correctos, mas o calão é mais profundo e reúne, numa única palavra, intimidade e sentido de humor – duas forças extremamente poderosas, sobretudo quando colocadas frente a frente, de forma descomplexada, sem tentarem eliminar-se uma à outra. Saber rir da nossa própria intimidade, diante do outro, é um sublime acto de entrega.

Tenham em atenção, contudo, pois patareca é uma palavra especial que designa algo de sagrado e portanto não deve ser usada em vão. Podem pensar que é engraçado baptizar a vossa cadelinha de Patareca só porque é uma palavra simpática que vos soa bem; compreendo que seja tentador que a Patareca venha a correr na vossa direcção, abanando-se toda contente e saltitante, sempre que a chamarem, e se vá embora, já disposta a perdoar-vos, quando dela não precisem. Mas só as vaginas se comportam assim.

Não, não fumei nenhuma substância proibida – além das patarecas, também gosto de palavras. Como dizia o grande George Carlin, as palavras podem dizer-nos muito mais do que o seu significado mais restrito. Por exemplo, de acordo com o dicionário da Priberam entrefolhos são indigestões crónicas no folhoso dos ruminantes; contudo, tenho a certeza absoluta de que o génio que inventou a expressão entrefolhos do cu não estava a pensar em perturbações digestivas. Talvez tenha partido do mesmo princípio que os primeiros criadores de canções, pois devem ter imaginado que as palavras podiam voar se tentassem usar a música como propulsor.

Há palavras que não ofendem os bons costumes, mas pura e simplesmente não prestam justiça ao acto. Masturbação, por exemplo. Nenhum tipo saudável se masturba; masturbação é acto solitário, deprimente, triste, desesperado, egocêntrico; masturbação é, na melhor das hipóteses, palavra para consultório médico ou salões pudicos.

Um tipo mentalmente são esgalha o pessegueiro, bate uma sarapitola porque, para ele, a punheta envolve sempre a presença de alguém, não é um acto solitário. Para conseguir imaginar alguém quando na verdade esse alguém não se encontra fisicamente presente, é necessário atingir a simbiose perfeita entre intimidade e sentido de humor para que a sarapitola não se transforme em masturbação.

O mesmo princípio se aplica à crica dos nossos sonhos. Conseguem imaginar uma vagina aos saltos? Eu não. Vagina é estática, fria, seca, está estendida numa marquise à espera de ser observada através das lentes de um microscópio até mirrar de desconforto. A vagina não se ama, disseca-se; só uma patareca se pode pôr aos saltos de alegria, desejo e emoção, e manter a independência e personalidade que a tornam única. Uma vagina até se cumprimenta com respeito e deferência; uma patareca é para se beijar calorosamente.

16 respostas | Importante reflexão existencial sobre a patareca
  1. pic fez-se à net com Google Chrome 3.0.195.25 Google Chrome 3.0.195.25 em Windows XP Windows XP

    essa sinceridade e naturalidade são hilariantes.

    bardanasca é outro nome feliz

  2. bluewater68 fez-se à net com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows Vista Windows Vista

    Menciono novamente «naturalidade» para classificar a forma refrescante como este texto foi escrito. Foi sem dúvida, uma brilhante e hilariante reflexão. E a propósito, que tal propor uma alteração no nome da peça, para “Os Monólogos da Patareca”?

  3. Edgard Costa fez-se à net com Firefox 3.5.3 Firefox 3.5.3 em Fedora 11 Fedora 11

    No Brasil ainda atende pelos nomes (xo)xota, buça (que é abreviação de buceta), perereca, xereca (que também pode ser o nome da mulher do Shrek) e perseguida.

  4. ja fez-se à net com Firefox 3.5.3 Firefox 3.5.3 em Windows XP Windows XP

    no Alentejo tb lhe podes chamar pássara com as variantes passarinha e passaréca ;-)

  5. Fábio Teixeira fez-se à net com Firefox 3.5.3 Firefox 3.5.3 em Windows Vista Windows Vista

    Marco, obrigado pela gargalhada. Mas que prosa inspirada. :)

    Confesso que pirona, ninho, parreco, ostra e aranha nunca entraram no meu vocabulário, mas cultura deste calibre nunca é demais.

  6. Paulo fez-se à net com Firefox 3.0.14 Firefox 3.0.14 em Linux Mint 7 Linux Mint 7

    Em terras insulares há também o termo chirica!

  7. Tijó fez-se à net com Opera 10.00 Opera 10.00 em GNU/Linux GNU/Linux

    Este texto,com simplicidade, e muito humor,sr.Marco, conseguiste fazer ver que o sexo e toda a envolvente deve ser visto com a maior das naturalidades(já referido) e não como um “tabu”,com muita boa pessoa a padecer deste mal.

    A vagina,por exemplo,é um termo demasiado técnico,diminuidor, que não espelha em nada a grandeza suprema do que é ter esta “beleza” bem juntinho a nós 8) ,
    porquê pénis,será por ter semelhanças com o Ténis? – bola pra cá…bola pra lá…bola pra cá…bola pra lá…mas a dobrar claro

    Tenho alguns amigos/as Brasileiros/as que além Atlântico,também lhe chamam de “xana”,agora imaginem o que acontecerá se a Xana (amiga,derivado de Alexandra) passar pelo Brasil… :lol:

    Bom post…sem dúvida,preto no branco e toca a romper preconceitos…

  8. Frito fez-se à net com Firefox 3.5.3 Firefox 3.5.3 em Windows XP Windows XP

    BARDANÁSCA!! Apesar de soar hard core, faz-me rir!!!! Para mim é o melhor!!!
    No masculino, o ARGAMANHO juntamente com a bardanásca fazem o casal perfeito!!!
    Abraços!

  9. antonio fez-se à net com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows XP Windows XP

    quantas saudades tive depois de ler este post do magnifico omeupipi

  10. Marco Santos fez-se à net com Firefox 3.5.3 Firefox 3.5.3 em Windows 7 Windows 7

    Bluewater, Monólogos da Patareca é brilhante. Mas tinha de ser um texto diferente…

    António, o meu pipi evoluiu para a minha patareca :mrgreen: