Este post é uma caralh*da

Publicado por Marco Santos [29/Agosto/2008]. Categoria: Fricções

Relacionado (ou não): Rescaldo do Milão-Benfica [19/Setembro/2007]
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Há anos que acompanho o seu blogue e embora tenha notado amadurecimento e maior controlo dos impulsos primitivos (aka palavrões) continua fiel à sua pessoa (…) Mário Andrade, numa simpática referência ao meu desmesurado ego blogger

Não sei o que tem esta malta contra os palavrões. Há situações da nossa vida em que o uso de um palavrão é a única forma de manter a sanidade mental e proporcionar uma correcta descrição dos acontecimentos. Se o caso é mesmo grave – entalar um dedo na porta, ler comentários nos jornais online ou ouvir dirigentes de futebol – temos ainda à disposição um ponto de exclamação destinado a enfatizar o nosso estado de espírito.

Mas é preciso cuidado com a forma como usamos os pontos de exclamação – esta questão é mais importante para mim do que evitar escrever palavrões nos blogues. Um ponto de exclamação é suficiente para criar ênfase; três ou quatro a seguir à mesma palavra já equivale a mandar perdigotos para o ar enquanto se conversa. Não sei qual é o vosso grau de tolerância em relação aos perdigotos alheios, mas numa discussão sobre futebol é uma nojice do caralho.

Aliás, não deixa de ser engraçado pensar no que poderia acontecer se uma discussão mais acalorada entre um sportinguista, um benfiquista e um portista fosse travada durante o almoço e, por coincidência (estou certo disso), todos eles fossem fanáticos e tivessem o péssimo hábito de falar com a boca cheia. «Passa-me aí o toucinho», poderia dizer o benfiquista ao portista no intervalo da discussão. «Mais ainda? Mas o gajo já te passou o toucinho todo enquanto falava da final da Supertaça que perdeu», poderia comentar o sportinguista.

Não sei se estão a ver. O nosso futebol é um cozido à portuguesa. Dúzias e dúzias de pedacinhos de couve, presunto, chouriço, cenoura, batata, toucinho, bacon, entrecosto, chispe e nabo a voar de um lado para o outro da mesa à medida que todos gritam e limpam os beiços a guardanapos do jornal A Bola: o quadro perfeito da qualidade do futebol português e da argumentação dos seus adeptos.

Por outro lado, há situações em que é humanamente impossível escapar ao palavrão. Os que já esmagaram uma pobre unha do pé contra a perna da mesa sabem muito bem do que estou a falar. Aposto que nesse momento crítico da vossa existência não berraram «Ai, matéria fecal!». Os que vivem sob a influência da força gravitacional do Planeta Terra preferem narrar tais acontecimentos com palavras mais apropriadas – por isso é que se chamam palavrões. Os palavrões são as palavras mais caras que conheço: dizem-se em voz alta, sem rodeios, geralmente são sinceras, têm significado e até podem surgir no momento certo – nem um segundo a mais ou a menos. Ninguém grita: «Pá, vai mas é para o órgão da copulação masculina que te penetre!»

Também é possível dizer asneiras sem fazer uso de um único palavrão, claro. Os exemplos são demasiados e muito fáceis de encontrar, basta ligar a televisão à hora dos telejornais. Aliás, o dilema da caralhada é também um factor que separa um opinion maker como o Moita Flores de um blogger. O Moita Flores pode dizer as caralhadas que quiser – desde que não use a palavra propriamente dita.

  1. WebMilionario
    pode (ou não!) estar a usar Safari Safari 525.22 em Mac OS Mac OS X

    Perdoem-me se é grande demais, mas sobre este assunto, o MEC disse tudo:

    Já me estão a cansar… parem lá com a mania de que digo muitos palavrões, caralho! Gosto de palavrões! Como gosto de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de dialogar… mas dialogar com caracter! O que se não deve é aplicar um bom palavrão fora do contexto, quando bem aplicado é como uma narrativa aberta, eu pessoalmente encaro-os na perspectiva literária! Quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar. Quando um palavrão é usado literalmente, é repugnante.

    Dizer “Tenho uma verruga no caralho” é inadmissível. No entanto, dizer que a nova decoração adoptada para a CBR 900′ 2000 não lembra ao “caralho”, não mete nojo a ninguém. Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação.

    Quando uma esferográfica não escreve num exame de Estruturas “ah a grande puta… não escreve!”, desagrava-se a mulher que se prostitui.

    Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação “Não sejas conas”, significa que o parceiro pode não jogar um caralho de GT2. Nada tem a ver com o calão utilizado para “vulva”, palavra horrenda, que se evita a todo o custo nas conversas diárias.

    Pessoalmente, gosto da expressão “É fodido…” dito com satisfação até parece que liberta a alma! Do mesmo modo, quando dizemos “Foda-se!”, é raro que a entidade que nos provocou a imprecação seja passível de ser sexualmente assaltada. Por ex.: quando o Mário Transalpino “descia” os 8 andares para ir á garagem buscar a moto e verificava que se tinha esquecido de trazer as chaves… “Foda-se”!! não existe nada no vocabulário que dê tanta paz ao espirito como um tranquilo “Foda-se…!!”. O léxico tem destas coisas, é erudito mas não liberta. Os palavrões supostamente menos pesados como “chiça” e “porra”, escandalizam-me. São violentos.

    Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, “ai o caralho…”, sem que daí venha grande mal à família, um chiça”, sibilino e cheio, pode instalar o terror. Quando o mesmo pai, recém-chegado do Kit-Market ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar “onde é que se meteu a puta da porca…?”, está a dignificar tanto as putas como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades.

    Se há palavras realmente repugnantes, são as decentes como “vagina”, “prepúcio”, “glande”, “vulva” e escroto”. São palavrões precisamente porque são demasiadamente ínequívocos… para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que “fica na vagina da mãe” ou “no ânus de Judas”. Todas as palavras eruditas soam mais porcas que as populares e dão menos jeito! Quem é que se atreve a propor expressões latinas como “fellatio” e “cunnilingus”? Tira a vontade a qualquer um! Da mesma maneira, “masturbação” é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular “esgalhar um pessegueiro”, com a ressonância inocente que tem, de um treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil. Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso é imaginação na entoação que se lhes dá. Eu faço o que posso.

    (por Miguel Esteves Cardoso)

  2. Fluvial100
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    «Mais ainda? Mas o gajo já te passou o toucinho todo enquanto falava da final da Supertaça que perdeu»

    E grita o portista fodido com a letra dos mouros:: Pá, ide mas é para o órgão da copulação masculina que vos penetre!

    GOD’AMMED :twisted:

  3. pedrocs
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    Cona da mãe, que belo post, foooooooda-se!

  4. Tapy
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    Enquanto transmontano, acho que não conseguiria manter uma discussão decente sem um palavrãozito ou outro, pois não me faria entender. Já o meu avô perdia metade do vocabulário…

  5. Tapy
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    Já agora completo o meu ultimo post para exemplificar o que quis dizer:

    Sem impulsos primitivos:
    Este é um vinho de cor vermelho intenso com toques violáceos. Bom fruto ao nariz mas alguma sobrematuração. Aroma complexo e refinado. Notas florais, especiarias e amoras pretas bem maduras.

    Com impulsos primitivos:
    Este vinho é bom comó caralho

    Sem impulsos primitivos:
    -Vamos meter água ao vinho para o aumentar?
    -Não, pois a água iria subverter a consistencia natural, mudando o paladar, e acabando com os finos aromas que tão raro vinho tem.

    Com impulsos primitivos:
    -Vamos meter água ao vinho para o aumentar?
    -? Metes é o caralho!

    Sem impulsos primitivos:
    -Avô, das-me dinheiro?
    -Não, pois com a falta de emprego a aumentar, com os juros a subir, e com os ordenados a diminui, não há condições para tal.

    Com impulsos primitivos:
    -Avô, das-me dinheiro?
    -Vai pró caralho

  6. Alexandre
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    Dizer palavrões com classe é uma arte que não está ao alcance de qualquer um.

    Acho pessoas como esse senhor Mário Andrade uns quadrados de primeira… falta-lhe um bocadinho assim.

  7. jocaferro
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    Enquanto Protágoras clamava que “o homem é a medida de todas as coisas” os gregos iam invadindo todo o Mundo conhecido.
    Todo!?
    Não!
    Numa pequena aldeia, uns bárbaros iam resistindo ao agente invasor. Dotados de uma força verbal sem igual quebravam rapidamente o controlo dos bem-falantes gregos. A sua força provinha dos impulsos primitivos que uma certa quantidade de palavras lhes proporcionava e em particular uma muito especial – o caralho!

    Porém esse povo bárbaro que até tinha uns atletas que contradiziam a grande autoridade da época – Filóstrato de Lemnos – afirmando que de manhã não dá e que bom bom era ficar na caminha, não ia lá muito à bola com o que os gregos inventavam e vai daí começaram a pensar em fornicá-los. Ou melhor – em fodê-los. E como é que o fizeram!?
    Com o caralho!
    Assim, enquanto uns diziam que o homem era a medida de todas as coisas estes selvagens usavam apenas uma pequena parte da anatomia humana.
    Qual homem qual caralho!
    Quais metros, horas e kilos!?
    Qual quê!
    Bom, mesmo bom é usar apenas uma medida universal. Desde esses tempos imemoriais ainda o povo português, especialmente aquele mais a norte, vive com as expressões desse passado:
    - Grande como o caralho, está tarde pra caralho, pesa como o caralho para além de muitas outras como por exemplo está um frio do caralho, esta merda está quente como o caralho e muitas muitas outras que decerto chocariam ainda mais o controlo dos restantes leitores deste agradável espaço.
    Quanto ao homem ser a medida era um conceito que caía pela base se pensarmos que nem todos temos as mesmas medidas como se pode ver nos exemplos do gordo ou magro, alto e baixo e borracho ou pesadelo. Todos os exemplos anteriores são merecedores do distinto apêndice do homem pelo que lá se vai a teoria do Protágoras pelo cano abaixo ou, seguindo a fórmula mágica destes bárbaros – lá se foi a teoria pró caralho!
    Foi desta forma criado o Sistema Internacional da Caralhada, contrariando desta forma todos os standards do Comité ISO daquela altura. Aqui chegado, gostaria de realçar o papel dos vizinhos do dito cujo – os tomates. A falta deles fez com que uns desgraçados fossem vender-se a uns gajos que não são bem gregos mas, os tempos são outros.
    A simplicidade e flexibilidade deste sistema chega, por vezes, a ser tão poderosa que até pode tornar-se juíz em causa própria como neste exemplo – ai caralho pró caralho!

    @braço.

  8. Marco Santos
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    Alexandre, o Mário Andrade é um bacano e tem um bom blogue (dentro do estilo).

  9. Dina
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    :twisted: muahahahahahahahahah

    7 salvas de palmas e meia para esta pérola:
    clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, cl

  10. a. almeida
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    Marco, não tarda e tens à perna um clube de fãs de fazer inveja ao Tónio da Carreira. Mas, pela aragem da carruagem, o dele terá sempre mais gajas, mesmo que quarentonas.
    Quanto às car*lhadas, são tão precisas como o sal na comida mas se em excesso lá se vai o melhor repasto para o car*lho!
    Por este andar, tens que instalar um daqueles plugins moderadores de car*alhadas nos comentários.

  11. muiomuio
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    O meu post sempre funcionou e estás neste momento a criar o post com mais caralhadas nos comentários lol

  12. Jamudei
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    Caralhamente falando somos todos paneleiros, isto é, quando alguem diz que nos vai meter o dedo no cú, o que respondemos de imediato é; tú metes é o caralho”
    Um abraço do Velho

  13. coisinha
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    Fodasse Marco, o teu blog dá perfeitamente no IE8, acertastes logo à primeira! :mrgreen:

  14. Rui Cruz
    pode (ou não!) estar a usar Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.1 em Windows Windows Vista

    Continua assim que escreves bem!

    Rui

  15. Fluvial100
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    Obrigado Marco. Este post ensinou-me a desconfiar de “caralhos” simpáticos e de referencia. Como prova do meu agradecimento, ofereço-te um café com…

    CaféCom…

  16. Marco Santos
    pode (ou não!) estar a usar Mozilla Mozilla 1.9.0.3pre em Windows Windows XP

    The server at fluvial1002003.250free.com is taking too long to respond… :roll:

  17. alvito
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    marco gosto deste post mas deixa-me dizer k inda gosto mais do comment do webmilionario. epa e assim, as vezes temos a sorte de ter pessoal a fazer comments melhores k os posts lol


:D :-) :( :o 8O :? 8) :lol: :x :P :oops: :cry: :evil: :twisted: :roll: :wink: :!: :?: :idea: :arrow: :| :mrgreen: