
Enquanto o mundo gira a uma velocidade de 24 horas por dia, algumas pessoas permanecem alheias ao tempo, fixando-o só por uns instantes, às vezes com delicadeza, outras com ironia, sempre com uma enorme humanidade.
O fotógrafo americano Rodney Smith é uma dessas pessoas aparentemente imunes à azáfama dos nossos tempos: o homem do chapéu de coco que tanto gosta de colocar na paisagem, óbvia influência do surrealismo do pintor René Magritte, lembra também o senhor Hulot dos filmes de Jacques Tati: nas fotografias de Rodney Smith as pessoas divertem-se, trabalham, passeiam ou simplesmente observam, serenas e bondosas, como se a ligação à Natureza e às coisas simples lhes permitisse recuperar um mundo há muito perdido. Por vezes, Rodney diverte-se com a ambiguidade de algumas fotografias. Vejam esta aqui em cima: os inevitáveis homens de chapéu de coco seguram tesouras de aspecto ameaçador, sombrias silhuetas de metal prestes a ganhar vida como nas animações do The Wall dos Pink Floyd.
Rodney Smith, sempre tradicional, mantém-se até hoje fiel aos velhos métodos de revelação e impressão de fotografias, aprendidos durante os preciosos tempos em que teve como professor Walker Evans, homem que ganhou notoriedade documentando os efeitos da Grande Depressão americana. A fotografia digital e o computador continuam a ser bichos estranhos à sua forma de fotografar.

A paixão pela fotografia nasceu de um acontecimento fortuito: o pai era um empresário de bastante sucesso e viajava frequentemente pelo mundo. Numa dessas ocasiões, a família mudou-se para a Alemanha e o jovem Rodney ficou à guarda de um casal de alemães cujo principal passatempo era precisamente a fotografia. O casal não só as tirava, como também as revelava. Rodney recorda esse período da sua vida como aquele em que ficou definitivamente apaixonado pela fotografia.
Anos mais tarde, um segundo acontecimento haveria também de o marcar: a visita ao Museu de Arte Moderna, onde tomou contacto com as obras de fotógrafos como Gene Smith, Minor White e Dorothea Lange, entre outros.
Compreendeu então que «o olhar da câmara fotográfica pode ver o mundo com mais acuidade e determinação que o nosso próprio olhar. Pode ser mais incisivo e profundo.»

É notável que um fotógrafo que desvaloriza as técnicas da fotografia moderna (o uso intensivo de programas de manipulação de imagem, por exemplo) tenha ganho notoriedade com o seu trabalho em publicidade. O sereno surrealismo das suas composições não provoca um efeito de choque, mas chama inevitavelmente a atenção das pessoas. Esta qualidade, desenvolvida ao longo de muitos anos de estudo e trabalho, fez dele um fotógrafo com uma invejável carteira de clientes: entre as empresas interessadas em aliar a sua imagem à peculiar visão do mundo de Rodney encontram-se a American Express, a revista do New York Times, Ralph Lauren, Merrill Lynch, entre outros.
É preciso notar que o pai era o presidente do gigante da moda Anne Klein, portanto a ligação ao mundo da publicidade está longe de ter sido uma imposição. «Do trabalho dele retirei uma ideia do que é ter estilo, a noção das proporções, um sentido de beleza e graciosidade. Todas essas coisas foram importantes para mim.» Link para a página oficial






























7 comentários
Tem umas fotos bem catitas!
Considero-me o maior fã do Sr. Hulot à face do planeta.
Belissimo post. Muito bem ilustrado por belas fotos. Parabéns.
Dorothea Lange, pá!
De resto tá fixe
Que raio… Obrigado, Seven.
@Luis: ainda bem que gostaste, obrigado!
Chei através do teu post http://bitaites.org/cromos/tu-es-o-que-les-habacuc-tem-razao
Fantástico!
Abraço,
Julia, volte sempre, obrigado!