O que cha­ma a aten­ção nes­tas ima­gens é a nudez, mas isso é só à pri­mei­ra vis­ta. Não são os mode­los nus em poses sen­su­ais o foco das fotos, mas as pes­so­as que à vol­ta os obser­vam. O fotó­gra­fo ita­li­a­no Marco Onofri cha­ma-lhes segui­do­res.

«Seguidores» é o nome des­ta série de foto­gra­fi­as e não é uma desig­na­ção ino­cen­te. São as ati­tu­des e os hábi­tos indu­zi­dos pelas novas tec­no­lo­gi­as e pelas redes soci­ais que Onofri foto­gra­fa. Das ima­gens são reti­ra­dos os inter­me­diá­ri­os entre quem obser­va e quem se dei­xa obser­var: os com­pu­ta­do­res.

Marco Onofri Marco Onofri Marco Onofri

Os espa­ços são aco­lhe­do­res. Muitas luzes indi­re­tas, sua­ves, quen­tes, mas os retra­tos tor­nam-se claus­tro­fó­bi­cos devi­do à enor­me pro­xi­mi­da­de des­tes segui­do­res. Alguns obser­vam os mode­los como meras como­di­da­des de con­su­mo ime­di­a­to. Distrações de fim de noi­te.

E é em todos eles que o nos­so olhar for­ço­sa­men­te recai, nas suas rea­ções. O miú­do que tapa meta­de da cara com a mão. O tipo com as cal­ças para bai­xo. Um bar­ri­gu­do em tron­co nu. Outro a beber um cafe­zi­nho. Gente com rou­pa de tra­ba­lho. Olhares indi­fe­ren­tes, inve­jo­sos, curi­o­sos, emba­ra­ça­dos, satis­fei­tos, las­ci­vos.

Os computadores são barreiras frágeis

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Os com­pu­ta­do­res dilu­em a dis­tân­cia físi­ca entre quem obser­va e é obser­va­do. Transmitem a ilu­são de que são capa­zes de defi­nir fron­tei­ras reais. Nós des­te lado, os outros do outro.

Não têm essa capa­ci­da­de. Essas fron­tei­ras são bar­rei­ras frá­geis. Não conhe­ce­mos as pes­so­as que nos obser­vam. Tal como os mode­los nas fotos, nem pare­ce­mos dar por elas, jul­ga­mos estar sozi­nhos. Pensamos con­tro­lar a natu­re­za des­ta pecu­li­ar rela­ção.

Ao remo­ver os com­pu­ta­do­res que ligam uns e outros e colo­car mode­los e segui­do­res no mes­mo espa­ço, Marco Onofri diz-nos que a situ­a­ção é mais bizar­ra e sinis­tra do que jul­ga­mos. Tendo em con­ta as fotos ínti­mas de rapa­ri­gas que cai­em na Web e a indi­fe­ren­ça com que são par­ti­lha­das e dis­tri­buí­das, é capaz de ter algu­ma razão.

Marco Santos

­ Marco Santos

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