Quando Donald Trump entrou na cor­ri­da da nome­a­ção pelo Partido Republicano, os media far­ta­ram-se de gozar o pra­to. Os come­di­an­tes esfre­ga­ram as mãos, agra­de­cen­do a dádi­va. Ninguém o temeu ou levou a sério, a come­çar pelos adver­sá­ri­os.

A can­di­da­tu­ra do empre­sá­rio, ava­li­a­dor de apren­di­zes, orga­ni­za­dor de con­cur­sos de bele­za e faze­dor de boqui­nhas de pato não era sequer mate­ri­al para as pági­nas de polí­ti­ca, mas para as do entre­te­ni­men­to — na melhor das hipó­te­ses, a polí­ti­ca dele era para ser tra­ta­da como mero entre­te­ni­men­to de mas­sas.

Erik S. Lesser

Erik S. Lesser

CJ Gunther

CJ Gunther

Tom Pennington

Tom Pennington

Muitos jor­na­lis­tas par­ti­ram do prin­cí­pio de que as pes­so­as não iri­am ser idi­o­tas a pon­to de esco­lher Trump como can­di­da­to à pre­si­dên­cia. Julgaram que a aten­ção dis­pen­sa­da era a mes­ma que se dá a alguém que faz figu­ra de urso num pro­gra­ma de apa­nha­dos — e exa­ge­ra­ram na cober­tu­ra noti­ci­o­sa acrí­ti­ca duran­te dema­si­a­do tem­po, pois a mal­ta gos­ta de coi­sas insó­li­tas.

Tal como mui­tos outros antes deles, os jor­na­lis­tas subes­ti­ma­ram o incrí­vel poder da idi­o­ti­ce e da capa­ci­da­de des­ta de se espa­lhar quan­do exis­te um sis­te­ma de dis­tri­bui­ção ade­qua­do. Se o tives­sem leva­do a sério des­de o prin­cí­pio, pro­va­vel­men­te nem teria fei­to dife­ren­ça: Trump esta­ria ago­ra na mes­ma posi­ção, a de poder vir a ser o coman­dan­te da mai­or potên­cia nucle­ar do pla­ne­ta.

Ninguém é mais espa­lha­fa­to­so e efi­ci­en­te a dis­tri­buir idi­o­ti­ce do que ele. E como nin­guém pre­viu a capa­ci­da­de de Donald Trump de ser igual a si pró­prio, mes­mo quan­do a poli­ti­qui­ce exi­gia tan­gas e dis­si­mu­la­ção, o empre­sá­rio bateu os outros can­di­da­tos repu­bli­ca­nos. Eram todos uns panho­nhas, ao con­trá­rio dele, e as notí­ci­as tive­ram mes­mo de ser trans­fe­ri­das para a sec­ção de polí­ti­ca, sem mais sor­ri­sos de des­dém.

Joshua Roberts/Reuters

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Christobal Herrera

Christobal Herrera

Damon Winter/The New York Times

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UPI/Barcroft Images

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Mandel Ngan/AFP/Getty Images

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Stacie Scott

Stacie Scott

Mark Wallheiser

Mark Wallheiser

Mark Wallheiser

Mark Wallheiser

Brian Snyder/Reuters

Brian Snyder/Reuters

Justin Lane

Justin Lane

Brian Snyder/Reuters

Brian Snyder/Reuters

Os idi­o­tas que o apoi­am estão far­tos de serem tra­ta­dos como idi­o­tas. Não con­se­guem per­ce­ber por que razão é enca­ra­da de for­ma tão nega­ti­va a von­ta­de de enxo­tar muçul­ma­nos pro­to­bom­bis­tas, bar­rar mexi­ca­nos pro­to­vi­o­la­do­res ou livrar a América de gen­te esqui­si­ta, quan­do são medi­das que os fazem sen­tir bem, mais des­can­sa­dos e rego­zi­jam qual­quer patri­o­ta pre­vi­den­te.

Forçados ao iso­la­men­to, far­ta­ram-se de tan­ta incom­pre­en­são e des­pre­za­ram toda essa gen­te bem-falan­te e men­ti­ro­sa que não lhes diz as coi­sas como elas são, sim­ples, sóli­das e inequí­vo­cas como muros.

Até que alguém que não era sequer polí­ti­co, mas se tor­na­ra rico e impor­tan­te como só na América é pos­sí­vel, apa­re­ceu de rom­pan­te para garan­tir ao pes­so­al que afi­nal era mes­mo ver­da­de, os idi­o­tas têm sem­pre razão e quem dis­ser o con­trá­rio é gen­te esqui­si­ta que não fre­quen­ta igre­jas e é pou­co patri­o­ta. Cheio de lata e caris­ma, o Donald ofe­re­ceu-se para os lide­rar.

Donald Trump não é um idi­o­ta qual­quer — é um dos gran­des idi­o­tas da História. Um idi­o­ta astu­to. Um idi­o­ta capaz de pro­me­ter solu­ções para pro­ble­mas com­ple­xos numa úni­ca fra­se. É o rei da polí­ti­ca da bri­co­la­ge: o país está estra­ga­do? Arranja-se, e é ele o homem que vai mar­te­lar as solu­ções. O homem que os outros idi­o­tas vêm como um exem­plo a seguir.

E um movi­men­to sus­ten­ta­do pela idi­o­ti­ce foi cres­cen­do à vol­ta des­te mili­o­ná­rio bazó­fi­as sem ver­go­nha de dizer a pri­mei­ra coi­sa que lhe vem à cabe­ça, como fazem todos os outros idi­o­tas dig­nos des­se nome. Um idi­o­ta que rom­peu o iso­la­men­to e jun­tou todos os outros numa mas­sa ousa­da, baru­lhen­ta e mui­to moti­va­da a votar.

Porque Trump é espe­ci­al. É um deles, em ver­são melho­ra­da. Os idi­o­tas não pre­ci­sam de alguém para gos­tar, pre­ci­sam de alguém que con­si­gam com­pre­en­der. E um pre­si­den­te capaz de sen­tir orgu­lho e vai­da­de de todas as idi­o­ti­ces que diz é um líder ins­pi­ra­dor, capaz de os fazer sen­tir tam­bém orgu­lho­sos e vai­do­sos de todas as idi­o­ti­ces que dizem.

Timothy A. Clary

Timothy A. Clary

David J. Phillip

David J. Phillip

Se Trump ganhar, os idi­o­tas serão final­men­te san­ci­o­na­dos e per­de­rão a timi­dez. A América terá uma demo­cra­cia ver­da­dei­ra­men­te repre­sen­ta­ti­va. Testemunharemos o tre­men­do poder dos idi­o­tas em expli­car as ques­tões e solu­ci­o­nar os pro­ble­mas. O cogu­me­lo capi­lar do Trump bri­lha­rá como uma super­no­va. E o mun­do, vis­to ago­ra atra­vés dos olhos deles, dei­xa­rá de ter tons de cin­zen­to.

Marco Santos

­ Marco Santos

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