As várias mortes de Kevin Carter
Publicado por Marco Santos [21/Julho/2008]. Categoria: Fotografia [294]
Sudão, Março de 1993. Uma criança sem identidade do sexo feminino arrasta-se em direcção a um campo de alimentação montado pelas Nações Unidas. Um abutre espera pacientemente que a Mãe Natureza lhe sirva o almoço.
O fotógrafo sul-africano Kevin Carter também está à espera. O que seria apenas mais uma entre as muitas dezenas de fotos que já tirara naquele dia, transforma-se numa imagem memorável quando o animal surge e ocupa o mesmo enquadramento. «Se ao menos o abutre abrisse as asas…» - pensou.
Vinte minutos passam e o abutre não colabora. O fotógrafo acaba por desistir e tira várias fotos da menina e do animal, uma das quais ficará imortalizada na capa de 26 de Março do New York Times como «o símbolo da fome e do horror em África».
Depois de tirar as fotografias, Carter afasta o abutre e senta-se à sombra de uma árvore a fumar um cigarro, enquanto a criança, esgotada e faminta, retoma a sua lenta e penosa marcha pela sobrevivência.
14 meses depois, a 23 de Maio de 1994, Kevin Carter recebe o Prémio Pulitzer por causa desta foto - às aclamações iniciais, porém, sucedem-se as críticas. Alguns jornalistas questionam a autenticidade da foto, sugerindo que esta fora «encenada». Outros colocam em causa a ética do fotógrafo: «Um homem ajustando as lentes até conseguir o quadro perfeito do sofrimento da menina bem pode ser visto como um predador, outro abutre em cena», escreve o St.Petersburg Florida Times.
A 27 de Julho desse ano, dois meses depois de ganhar o Pulitzer e ser transformado numa das «sensações do momento» em Nova Iorque, Kevin Carter estaciona a sua Nissan «pickup» vermelha à beira do rio Braamfonteinspruit, um pequeno curso de água nos arredores de Johannesburg onde costumava brincar em criança. Liga uma mangueira de jardim ao tubo de escape, fecha-se no carro, escreve um bilhete, coloca os «phones» nos ouvidos, liga o motor e morre por inalação de monóxido de carbono. Tinha 33 anos.
O suicídio de Kevin Carter é contado entre os fotojornalistas como um «aviso» aos novatos, servindo como exemplo dos perigos de se fotografar demasiado perto as misérias humanas. Dan Krauss, realizador de um documentário da HBO sobre o fotógrafo, «The Death of Kevin Carter: Casualty of the Bang Bang Club», vê nessa foto o momento em que Kevin incorporou, na criança moribunda, «o sofrimento de África» e, no abutre, «o seu próprio rosto».
Carter sempre viveu o seu percurso profissional vivendo o típico dilema dos fotojornalistas: testemunhar ou ajudar. Na maior parte das vezes, diz o próprio Carter, «estou a fazer um zoom sobre um tipo morto com uma piscina de sangue à volta a misturar-se na areia. O rosto está ligeiramente cinzento. E tenho de pensar visualmente. Alguma coisa grita dentro de mim ‘Meu Deus!’, mas estou a trabalhar. Lido com o resto depois.»
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Data: 21/Julho/2008 | Hora: 21:57
Dificilmente teria estômago para fotografar a criança enquanto ela se arrastava. Mas eu estou sempre a surpreender-me, tanto pela negativa como pela positiva.
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Data: 21/Julho/2008 | Hora: 22:23
Tipo.. Tirar as fotos e em vez de fumar o cigarro ajudar a criança??
Só para que fique registado, ele depois sentiu-se arrependido e voltou ao mesmo sítio para tentar saber o que tinha acontecido à criança e veio a descobrir que ela tinha morrido
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Data: 21/Julho/2008 | Hora: 23:21
Fonte?
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Data: 21/Julho/2008 | Hora: 23:47
“Kevin Carter” é também uma excelente canção dos Manic Street Preachers de um dos seus melhores álbuns, “Everything must go”.
A canção é sobre o fotógrafo, evidentemente.
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Data: 21/Julho/2008 | Hora: 23:51
Sim, eu ouvi-a quando estava a googlar a história.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 0:58
@Offtopic:
Aqui fica o videoclip da música
http://youtube.com/watch?v=T7hw5NkSPvs
@Ontopic:
Mesmo que se tenha arrependido, fotografar uma criança enquanto esta morre aos poucos não é propriamente um acto “humano”…
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 1:05
A tragédia é precisamente essa. Ele não escolheu deixar de «ser humano».
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 1:40
O que a filha diz vale a pena por tudo o resto.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 1:42
Nem mais. O que ela diz é a perspectiva que faltava para se ter a «big picture».
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 2:08
Marco, publicaste uma história muito dramática e impressionante.
Não sabia disso mas agora sinto-me tocado por ela. Adorei o artigo.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 2:18
Obrigado.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 2:47
Excelente post e excelente trabalho de pesquisa. Não conhecia a foto e muito menos o legado e a história por detrás da mesma, talvez seja esta uma das principais razões pela qual visito o bitaites todos os dias, ao invés de dizer “epa, hoje viste as noticias?” , passa-se a dizer “epa, hoje viste o bitaites? tava lá uma foto, que cenaaaaaa meu!” .
Não a sério, admito, estou um pouco empolgado porque é a primeira vez que comento o teu blogue Marco, já me tinha tentado registar uma primeira vez e por alguma razão não tive sucesso, parece que no bitaites à segunda é de vez.
Parabéns
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 2:50
Pedro, gostei muito do teu comentário. É bom saber aqui deste lado que sempre se pode ter uma (pequena) influência positiva na vida das pessoas. É mais um incentivo.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 3:32
Eu acho que daqui a muitos bons anos em vez de quadros vão-se pendurar blogues nas paredes, o mais certo é um francês qualquer ir ao louvre e dizer “Oh mon dieu, l’bitaites!!” (o meu francês é péssimo).
A verdade é que o bitaites é para mim pessoalmente um “incentivo bastante influente”, quer o visite de manhã ou antes de me ir deitar, é a par com o site do oficial do porto o único local onde sei que posso ler sem me sentir enganado (a do porto foi bem esgalhada não foi?).
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 3:49
Tendo em conta que eu sou benfiquista
… até foi bem esgalhada!
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 4:19
As palavras do Pedro reflectem exactamente o mesmo que se passa deste lado, e tal como ele registei-me apenas hoje porque este artigo merece mesmo que se diga qualquer coisa, nem que seja Obrigado Marco por mais uma vez nos mostrares que o mundo é um local estranho
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 4:34
Obrigado, nepper, participa mais vezes agora que já te registaste.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 9:12
Sem dúvida uma história dramática.
A explicação da filha é demasiado bonita para uma coisa tão feia. Encerra uma crua verdade, é certo, mas nem toda a filosofia pode explicar as nossas falhas, mesmo pela boca sentida de uma filha. Muitos dos grandes fotógrafos à custa de tanto crerem mostrar as misérias humanas, tornaram-se, também eles, abutres do momento, hienas perseguindo a matança dos leões, escravos do click mágico que os conduza à fama e notoriedade. Não vejo na foto em questão muita diferença entre a obtida por um reles paparazzi às nádegas da Nereida e ao torso do Ronaldo, algures em banhos no Mediterrâneo e depois publicadas numa revista cor-de-rosa, na Time ou noutro qualquer prestigiado suporte.
Quando está em causa (a possibilidade) a salvação de uma vida humana, como poderia ser o caso, esse gesto valeria por todos os Poulitzer. É verdade que com isso não salvaria o mundo nem reduziria a tragédia dos campos de refugiados nem isso alteraria todo aquele drama de fome. Mas, provavelmente, poderia ter feito a diferença para aquela menina. Mas não…esse click não foi premido.
Para além do mais, hoje em dia quem se impressiona com uma foto destas? Ou de outras, ainda que ensanguentadas pelos cenários no Médio Oriente, Iraque ou Afeganistão?
Mais do que a realidade que ela transmite, ela foi analisada sob um ponto de vista friamente técnico. Recebeu o Poulitzer por dar a conhecer uma realidade de todos já conhecida? Não! Mas sim porque estava lá o abutre. Porque estavam lá todos os elementos que se aprendem nos manuais de fotografia. É verdade que faltou o abrir as asas…mas paciência., já não podia esperar mais, talvez porque as condições de luz se estivessem a alterar.
Este caso, demonstra assim que mais do que uma simples foto, aspira-se ao momento mágico, à composição cenográfica que faça a diferença. Será que para se retratar a miséria, a tragédia e o horror (lembrei-me agora do Albarran) é necessário ainda um adereço extra, um enquadramento ideal, a luz e a densidade perfeitas? Não basta a realidade por editar, por encenar, nua e crua?
Esta é daquelas situações em que seria mais cómodo não comentar, sendo mais fácil e banal fazê-lo nos posts com boazonas, porque por mais que opinemos certamente que estamos sempre a ser injustos à falta de algumas peças no puzzle. Comentar a natureza humana é assim um exercício malabarista sem rede de segurança.
Perdoa-me, Carter, se não te compreendi.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 10:36
Acompanho este blog à muito tempo, mas só agora é que me registei.
Excelente post, a fotografia é chocante e deveria-nos fazer pensar, nem que fosse um pouco.
Há um parágrafo que demonstra a estupidez daquele país tão avançado, tão democrático, tão…., (América, para quem ainda não se apercebeu), quando está escrito que muitos leitores do New York Times quiseram saber o que tinha acontecido à criança. Será assim tão difícil imaginar?!
Mas será que aquela fotografia retrata uma criança? Ou será que é muito mais do que isso, será um retrato da mais terrível miséria humana que se abate sobre, não esta criança, mas sobre uma infinidade de crianças em África?
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 10:53
a.almeida, gostei de ler o seu comentário. Concordo com muito do que disse. E, ao ler este post, senti-o com a dor de um soco no estômago, pela inocência de nunca ter pensado nesta perspectiva.
Pergunto-me se será ingénuo pensar que, pelo menos, a crueza da foto (esta e outras semelhantes) servirá o propósito de salvar outras vidas? Serei ingénua se pensar que sim, poderia ter captado o momento e, para além disso, ter salvo aquela vida? Ou a ingenuidade está em acreditar que cada fotógrafo, cada homem, poderia/deveria agir, com a convicção que conseguirá mudar o mundo?
Somos chocados - embora cada vez menos - pela dureza das imagem de situações limite. Esquecemo-nos, no entanto, de agir quando nos sentimos incomodados. E, estas imagens acabam por servir apenas um propósito - o de encher os bolsos a algumas pessoas.
Recordo Sharbat Gula, a mulher afegã da capa da National Geographic, considerada por muitos um ícone. Expliquem-me lá, como se eu fosse uma criança de 3 anos, em que medida melhorou o mundo, nomeadamente o das mulheres afegãs, com esta foto.
Por vezes sinto-me demasiadamente utópica e de mãos atadas. E, cum catano, não gosto nada dessa sensação.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 14:21
Engraçado que a primeira coisa que pensei quando vi essa fotografia, já há alguns anos, foi “então mas o gajo que tirou a fotografia, em vez de ajudar a criança, tira-lhe uma fotografia”. Como eu sou um bocado ingénuo, logo assumi que provavelmente o fotógrafo tinha-se deparado com a situação, tirado a fotografia e ajudado a criança. Pelos vistos enganei-me…
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 19:07
Já foi a bastante tempo que li sobre este caso, mas já não me lembro de onde li essa parte. Talvez tenha sido especulação, como outra tanta que ainda hoje há sobre essa história.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 19:20
É o mesmo tipo de especulação que diz que ele se matou com remorsos por não ter ajudado a menina, quando basta conhecer a história dele para se perceber que isso é apenas uma parte da verdade.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 22:41
Muito se tem especulado sem dúvida, e uma história um bocado diferente é contada pelo suposto colega fotografo naquele dia. A wikipedia embora não seja referência para ninguém, contem lá alguma informação interessante.
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 22:48
Não leste com atenção o post. Eu citei o fotógrafo que lá estava (João Silva) e que por acaso até é um sul-africano descendente de portugueses. E também li a entrada na Wikipédia. Está na lista de fontes no final do post.
Ele não diz que o Kevin Parker ficou com remorsos e a procurou para saber o que se tinha passado. Ele diz: «Acendeu um cigarro, falou com Deus, chorou. Depois disso ficou deprimido, dizia que só queria abraçar a filha».
Admito que o tipo tenha tentado saber o que se passou com a menina mas por pressão do jornal, que depois da publicação da foto estava a levar com centenas de cartas e telefonemas dos leitores a querer saber o destino da criança. E o único que podia dizer qualquer coisa era ele. Mas mesmo assim duvido: sem um nome, sem a identidade dos pais, como encontrá-la entre milhares de outras crianças famintas num país em caos?
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Data: 22/Julho/2008 | Hora: 23:41
Por acaso, já conhecia a foto, mas não a história por detrás dela, e concordo com a maioria do que aqui já foi dito, contudo o homem “apenas” estava a exercer a profissão dele - fotógrafo - não é demais lembrar que desde que existe a fotografia, a humanidade sempre se debateu com estes problemas de consciência, basta ver aqui no Bitaites, a excelente saga que o marco publicou acerca do Vietname, e tantas outras que existem, Guerra Civil Espanhola (também acho que está aqui no Bitaites), etc..
Na verdade, todos nos indignámos com este tipo de imagens, e todos os dias levamos com elas nos vários canais de comunicação e nem sequer nos apercebemos disso, algumas vezes até ao lado da nossa “porta”.
No fim e muitíssimo mais importante - O que é que algum de nós já fez para deixarem de existir este tipo de imagens?
Não se incomodem a responder, eu respondo - nada.
Já sei… nós, como indivíduos que somos não conseguimos fazer nada para mudar este tipo de situações, mas elas existem, existiram e continuarão a existir nesta m… de mundo governado por meia dúzia de senhores, que só se preocupam em encher os bolsos à custa dos mais pobres e desfavorecidos, e tão pouco perdem o sono por isso.
Teria muito mais para dizer, mas enfim…
Parabéns pelo excelente artigo Marco, continua o óptimo trabalho, embora não comente muito, não passa um dia sem cá vir, digamos que… é o meu vício.
Abraço
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Data: 23/Julho/2008 | Hora: 8:57
É demasiado triste.
Cada pessoa tem um modo de vida.
Carter achou que não devia interferir como jornalista, mas acho que o poderia fazer como humano.
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Data: 23/Julho/2008 | Hora: 12:04
Esse argumento, para mim, não faz sentido nenhum. Os jornalistas por acaso não são seres humanos, definitivamente nunca vi nenhum Javali a fazer jornalismo? E para além disso ainda questiono, desde quando é que a profissão de alguém tem precedência sobre a vida humana?
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Data: 25/Julho/2008 | Hora: 0:07
Acho que qualquer questão deontológica passa ao lado da grande questão, que é o facto de todos sermos criança faminta e abutre.
O que não faz sentido é perder tempo a discutir se o jornalista deveria ter ajudado ou não a criança, quando algo de muito maior se passou em redor desta foto. Se conseguirmos perceber o desespero de quem se depara frente-a-frente com o que a humanidade é capaz de fazer a si própria, também ficaríamos estilhaçados pelo sentimento de impotência e acharíamos que a única coisa a fazer seria fumar um cigarro debaixo de uma árvore, falar com Deus e perceber o quanto a nossa filha é importante para nós. Quando a filha do Carter inverte a metáfora mostra que somos abutres de nós próprios.
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Data: 25/Julho/2008 | Hora: 0:44
Excelente comentário, Daniel. Concordo a 100 por cento.
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Data: 29/Julho/2008 | Hora: 20:26
Caro Marco,
Conheci o chamado “Clube do bangue Bangue” pelo livro de mesmo nome editado aqui no Brasil pela Companhia das Letras. Escrito por Greg Marinovich e Manoel Paulo Ferreira, é um soco na boca do estômago pelos depoimentos e pelas imagens - inclusive a seqüência de fotos que um deles fez na morte de Ken Oosterbrock enquanto os quatro cobriam (mais) um conflito de rua.
Abs
Suzana
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Data: 29/Julho/2008 | Hora: 21:05
Muito obrigado pela informação, Suzana. Não sei se cá em Portugal esse livro foi publicado, tenho de me informar.
Não inclui mais detalhes sobre a morte de Ken Oosterbrock porque não queria perder o enfoque do texto, mas hei-de falar um dia mais tarde.