Aposto que ainda vão dizer que estas fotos vieram da Deep Web, como já aconteceu antes com muitas outras. Não, não vieram, nasceram da imaginação e da técnica de uma fotógrafa luxemburguesa chamada Michaela Knizova.

Ela andou a viajar pela Europa e parece ter usado a máquina fotográfica, o preto e branco e o Photoshop para recuar aos tempos longínquos em que os homens ainda não tinham expulsado os deuses e todas as restantes criaturas sobrenaturais que habitavam nas florestas. É uma Europa irreconhecível.

Knizova dá à visão que procura retratar nestas fotos o nome de «feminilidade negra paranormal». Inspira-se na Idade das Trevas, nos filmes de terror, no folclore, em contos de fada e mitos eslávicos para fundar a sua própria mitologia. Nesta, ocupa a figura central: é sempre ela o modelo das suas fotos.

Feminilidade primordial

Michaela KnizovaMichaela KnizovaMichaela KnizovaMichaela KnizovaMichaela KnizovaMichaela KnizovaMichaela KnizovaMichaela Knizova

A mulher nas imagens é uma criatura mítica da noite e de nevoeiros cerrados. Feiticeira solitária afastada do mundo humano e das lições do mundo humano.

Knizova funde o seu corpo com essas terras míticas há muito desaparecidas. Projeta sombras de inquietação sobre as certezas científicas da esfera civilizada. Os espaços onde as florestas e as sombras perderam o mistério. Os lugares que funcionam — tal como tudo na Natureza — segundo as rígidas regras da Física.


E como o mundo de Knizova é rico e imaginativo, dedico-lhe uma canção da Lene Lovich, uma cantora que nos seus tempos áureos se vestia como ela e era, também, uma espécie de feiticeira.

Marco Santos

­ Marco Santos

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